#vivamaratonapoa chama público para prestigiar maratona nas ruas da capital gaúcha

Publicado por | Maratonices | Nenhum Comentário

VIVAMARATONAPOA

Em 1° de maio, faltando 42 dias para a Maratona Internacional de Porto Alegre, um grupo de entusiastas de um dos esportes mais praticados do País – a corrida de rua – criaram o movimento “Viva Maratona POA”. A ideia é incentivar e envolver a capital do Rio Grande do Sul num dos mais importantes e tradicionais eventos esportivos do País. Somente em 2015, foram mais de 7.500 atletas inscritos no evento, realizado há 33 anos.

Famosa por ser uma prova rápida, plana, com temperatura ideal e bem organizada, a Maratona de Porto Alegre também surpreende pela tímida presença da sua população ao longo de seu percurso de 42.195 metros – e que tem ponto de largada e chegada no Parque da Harmonia, passando por diversos bairros da cidade.

O projeto Viva Maratona POA está sendo disseminado nas redes sociais desde o início desta semana, com uma excelente adesão. Até o dia do evento, marcado para 12 de junho, serão publicadas curiosidades, dicas e fatos interessantes sobre a tradicional prova.

 

MOVIMENTO #VIVAMARATONAPOA
Por que participar?
Assistir ao vivo, em tempo real, uma edição de uma das mais emblemáticas provas do atletismo, a maratona – que compreende 42.195 metros – e é considerada como um marco na vida de todo corredor. É muito mais do que uma competição: é um dos eventos mais democráticos, no qual pessoas de todas as idades, níveis culturais e sociais, raças, religiões e cores se encontram, sem barreiras. É uma festa ao ar livre, que ocorre uma vez por ano – e consegue parar megalópoles como Nova York, Berlim e Tóquio. Por que não, Porto Alegre?

Como participar?

Agende-se: é dia 12 de junho.
Horário: a partir das 7h

Local: Av. Augusto de Carvalho, junto ao Parque da Harmonia
Se você conhece alguém que vai correr, vá pra rua torcer por ela! Vale cartazes, buzinas, peruca colorida e tudo mais. Ninguém esquece da diferença que isso faz durante os 42,195 quilômetros!

Curta a página e convide seus amigos a compartilharem o movimento. Quanto mais gente, melhor!

USE O HASHTAG
#vivamaratonapoa

 

 

O maratonista de Kichute

Publicado por | Gente que corre | Nenhum Comentário
Valdo1

Dois dias depois de seu aniversário de 77 anos, Valdomiro participará mais uma vez da Maratona Internacional de Porto Alegre, que ocorre dia 12 de junho. A comemoração, segundo ele, “ficará após cruzar o pórtico de chegada”

No ano em que o primeiro homem correu a lendária Maratona de Boston abaixo de 2h30 min (o norte-americano Ellison M. “Tarzan” Brown, com 2:28:51), nascia, quase dois meses depois, no dia 10 de junho, um dos mais longevos maratonistas da capital gaúcha. Valdomiro Siegieniuk, 76 anos, é uma figura notável. Impossível não sorrir ao vê-lo de manhã bem cedinho, de camiseta molhada, cumprindo mais um de seus sagrados treinos.

Já tinha mirado ele inúmeras vezes em provas de rua e nos longões da Beira-Rio. No mesmo passinho , devagar e sempre. Sem firula, tênis da moda ou qualquer parafernália. Aliás, sua primeira maratona, aos 50 anos de idade (a de Porto Alegre), foi disputada com um…Kichute. Sim, aquele tênis horroroso, misto de chuteira com sei-lá-o-quê, criado na década de 70 – e terror dos ortopedistas.

Mesmo que ninguém recomende correr 42 quilômetros com calçado similar, é por esse e outros detalhes que Valdomiro merece um capítulo a parte na história das corridas de rua da cidade. Pela sua simplicidade e leveza de ser, pela perseverança e atitude perante a vida. Ao invés de reclamar da idade, ele muda o curso e vai pra rua vestido apenas com a vontade insaciável de sentir o vento no rosto e a endorfina correndo nas veias.

Na semana passada, o relógio marcava 6h58. Esperava meu grupo de corrida chegar para treinarmos em frente ao Praia de Belas Shopping. E tive a sorte de esbarrar com Valdo. Encerrava seu treino, iniciado há mais de uma hora. Sim, ele acorda às 4h, come “frutas e respectivas farinhas” e sai para a rua às 5h30. “Com minha mulher preocupada comigo, pois ainda é noite”, não esquece de salientar, bem-humorado.

Nossos olhares se encontraram e fomos metralhando perguntas um ao outro. Ele iniciou o papo:

“E aí, tá fazendo quanto hoje?”

Eu respondo:

“Não, não, só tô esperando ainda o pessoal chegar pra correr. Só um trotinho hoje!”

Preferi não perguntar quanto ele já havia rodado, mas sem dúvida muitos mais do que faria no dia. Falamos sobre a Maratona de Porto Alegre, perguntei com quantos anos ele estava, como era bom acordar cedo pra correr…e, claro, não perdi a oportunidade de clicar uma fotinho pra me exibir ao lado do amigo, de quem sou fã.

No final, saiu essa entrevista, feita por e-mail. Acham que a jornalista aqui perderia a oportunidade de contar essa história contagiante? Jamé! A ideia é incentivar quem “acha que está velho pra começar a correr”, acha mil justificativas pra não desgrudar a buzanfa do sofá ou, simplesmente, deseja encontrar uma inspiração para seguir acreditando no poder desse lindo esporte.

Seu Valdomiro, taí uma figura encantadora. Espero chegar na sua idade com a metade de sua disposição e vitalidade. ( :

ENTREVISTA – Valdomiro Siegieniuk, 76 anos, maratonista

Valdo4

Valdo emocionado ao cruzar a reta final na Maratona de Chicago

Santa Corrida – Quando e porque começou a correr? 

Valdomiro Siegieniuk – Sempre gostei de correr, mas participar de corrida de rua foi mais tarde, a partir de 1980. Tudo surgiu a partir de uma aposta com guris mais jovens, que me desafiaram a começar. O início foi na pista do Parque Marinha do Brasil. A minha primeira Maratona foi a Internacional de Porto Alegre, em 1989. Eu tinha 50 anos de idade e corri com os tênis Kichute. Não tinha feito nem um treino longo. Fiquei uma semana sem poder descer as escadas.

Santa Corrida – Quantas maratonas já disputou?

Valdomiro -  Já disputei 42 Maratonas no Brasil, mais a Supermaratona de Rio Grande, além de 13 Maratonas no exterior. No total, foram 53 provas nessa modalidade. Mas eu corro diversas distâncias, gosto de todas!

Santa Corrida – Como é a sua rotina de treinos?

Valdomiro – Hoje, treino sem planejamento.Levanto às 4 horas da manhã,como as minhas frutas com as respectivas farinhas e saio para treinar ao redor das 5h30min (com a minha mulher preocupada comigo, pois ainda é noite). Quantos quilômetros por dia? Depende da disposição, temperatura e se encontro alguém no meio do caminho.Em média, de 10 a 20 km.

Santa Corrida – Qual o significado da corrida para você?

Valdomiro – É a chama da vida. A satisfação de chegar em casa, tomar um banho e estar disposto e com bom humor o dia inteiro.

Santa Corrida – Que conselho você daria para quem quer iniciar nesse esporte?

Valdomiro -  Em primeiro lugar, fazer um exame médico. Depois, procurar um professor de Educação Física ou participar de um grupo de corrida para receber as orientações corretas. Da minha parte, sempre digo para nunca desistirem.O meu maior prazer é ler no Facebook, quando após uma maratona, o que um(a) atleta escreve: Valdomiro, graças a ti,eu sou um(a) Maratonista! Pois já incentivei muitos jovens a participarem.

Santa Corrida – Cite um momento marcante que você viveu nesses anos todo correndo.

Valdomiro - Foram muitas emoções vividas. Uma foi ao correr a Maratona de Berlim, quando combinei com a minha mulher (que sempre me acompanha, mesmo não correndo), que me esperasse na frente do hotel, pois ali seria o 15 km do trajeto. Ao atingir esse ponto,encontrei ela com um apito (foram distribuídos pela organização),parei, dei um beijo, um forte abraço e recebi calorosos aplausos do público presente.Continuei  correndo com lágrimas nos olhos.Terminei a prova ao redor de 3h35min. Isto foi em 2001, aos 62 anos de idade. Outro episódio marcante foi na Maratona de Budapeste, quando passava pelo ponto de troca do revezamento e fui saudado pelo locutor anunciando meu nome e dizendo que era brasileiro. Inesquecível!

 

 

Corrida: um dos segredos de Mick Jagger

Publicado por | Gente que corre | Nenhum Comentário

jagger_run

Já tinha ouvido falar da impressionante boa forma de um dos maiores astros do rock mundial, Mick Jagger, dos Rolling Stones – que passa por Porto Alegre hoje, na sequência de shows da tour brasileira. Aos 70 e lá vai picos, o magrelinho (que já é bisavô), pula o tempo todo, vai de um lado ao outro do palco em segundos, dança feito uma enguia com coceira, brinca e interage com a platéia…enfim, dá um cansaço em muito jovenzinho por aí.

Uma matéria (publicada em 2011, muito lida) a respeito da forma física de Jagger foi publicada há algum tempo no jornal Daily Mail (que você pode ler na íntegra clicando aqui). Na reportagem, são citados os costumes do músico (alguns nada comuns, como aulas de ballet e creme facial de caviar), no qual estão incluídos impressionantes 12 quilômetros diários de corrida. Sim. Mick Jagger deve a esse esporte grande parte do seu fôlego, energia e boa forma. Em cada apresentação, ele chega a percorrer quase 20 quilômetros.

O costume, segundo o jornal, vem de infância: seu pai, Basil Joseph Jagger, era professor de educação física e determinava uma rotina severa de treinamento para o filho desde a década de 1960.

Taí mais um motivo pra amar Jagger – e pra ficar convencido de que correr é, definitivamente, um esporte engrandecedor!

Rock n’run, babe!

 

 

 

As lições que o esporte nos dá

Publicado por | Oxigenando | Nenhum Comentário

Finish-line-image

Há uma imensidade de coisas que aprendemos ao inserir o esporte na nossa vida. Disciplina, humildade, concentração, resistência, gratidão, paciência, companheirismo, competitividade saudável, meritocracia, entre muitos outros valores jamais possíveis de assimilar via osmose, numa sala de aula de aula ou até em Harvard.

Fora essa revolução pessoal, existe a poderosa força de transformação social. Quem estuda o assunto é unânime em afirmar que criamos uma sociedade melhor, mais justa e mais saudável quando fortalecemos esse pilar, já que com o esporte vem a inclusão, a fuga das drogas e da criminalidade, o resgate da cidadania.

Na época que precede grandes eventos, como as Olimpíadas – que ocorre pela primeira vez na magnífica e despreparada cidade do Rio -, alguns lembram de mencionar a importância de incentivar o esporte desde cedo e enaltecem a capacidade do brasileiro de se sair bem em diversas modalidades, do vôlei ao tênis, passando pela natação e pelo atletismo, sem esquecer, é claro, do velho e bom futebol.

A “pátria de chuteiras”, porém, só tem investido fortemente nas últimas décadas na formação de jogadores do esporte bretão. Uma meia dúzia de patrocinadores são disputados taco a taco por todo o “resto”. Quantos talentos já foram desperdiçados por conta da falta de visão empresarial e de incentivos governamentais?

Um dos ídolos máximos do tênis mundial, Gustavo Kuerten, criticou recentemente, em entrevista ao Esporte Espetacular, exatamente esta carência em solo brazuca: falta o trabalho nas categorias de base, algo só feito com mais consistência nos aspirantes a Neymar. Como ele, vários outros atletas que enfrentaram, em algum momento da vida, essa dificuldade de obter recursos para treinar e disputar provas, lamentam o quanto jogamos fora chances de ouro.

O atletismo — ao meu ver, o rei de todos os esportes — é um dos que sofrem fortemente com a carência de incentivos precoces. Não se forma um atleta do dia pra noite. Uma medalha de ouro só é conquistada com anos e anos de treino diário, com treinadores qualificados e uma infraestrutura adequada. De nada adianta querer colher uma lavoura linda sem plantar — e cuidar dela diariamente, sem trégua. Usain Bolt, Yelena Isinbayeva, César Cielo, da natação, Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic do futebol, Federer e Nadal do tênis, Sheilla e Giba, do vôlei e tantos outros.

Nenhum deles é um milagre. Todos são resultado de um trabalho contínuo, sério e árduo e, obviamente, de quantias razoáveis de tempo e dinheiro aplicados constantemente, desde a infância.

No dia em que esta consciência estiver arraigada na mente de quem cria as políticas de incentivo ao esporte — e que fique claro, não só na véspera de megaeventos como a Olimpíadas — daremos um grande passo à frente.

Acreditar no poder de transformação do esporte jamais será um mau investimento.

mandela_quote_2013

Quer ser forte e ágil? Aposte no treino funcional

Publicado por | Santa Academia | Nenhum Comentário

coree1

 

Ele é a promessa de um corpo saudável para enfrentar os desafios do dia a dia e banir as limitações do envelhecimento. Caiu no gosto de pessoas de todas as idades e níveis de condicionamento – e ganha, a cada dia, mais adeptos.

O método do futuro, quando se fala em malhação eficaz e nada monótona, tem um nome e sobrenome: Treinamento Funcional. Como o termo diz, o objetivo é que o corpo mantenha sua funcionalidade. Em resumo, é preservar a capacidade de executar os movimentos do dia a dia, que vão desde sentar e levantar até alcançar um pote de biscoitos no alto da prateleira.

A técnica ganhou imensa notoriedade nos últimos anos por ter sido eleita para esculpir o corpo de celebridades como Juliana Paes, Deborah Secco e Jennifer Lopez, bem como para turbinar o desempenho de atletas de alta performance, como jogadores de futebol e de tênis, nadadores e lutadores de MMA (Artes Marciais Mistas, popularizada por Anderson Silva). Também ganhou notoriedade ao ser anunciado como o método priorizado por jogadores de futebol de alto rendimento, como Douglas Costa.

Basta olhar nas academias, praças e parques (onde alunos e professores praticam exercícios ao ar livre). O número de adeptos do Funcional cresceu em escala geométrica no número de adeptos nos últimos cinco anos. Mas, afinal, por que ele virou o “queridinho” no mundo todo? Há quem diga que a versatilidade e eficácia dos movimentos é uma das mais fortes razões. Outros afirmam que ele dá mais resultados do que os pesados aparelhos de musculação – e porque dispensa horas intermináveis das aulas de modalidades convencionais, que para alguns mais parecem uma tortura.

Embora repaginada, de novidade, há muito pouco nesse tipo de treino. Poucos sabem que ele tem uma origem remota, que data aproximadamente do período pós Segunda Guerra Mundial . Uma das raízes é a da Fisioterapia, inicialmente uma obscura especialidade médica pouco prestigiada. A segunda raiz é a ciência do treinamento esportivo desenvolvida durante os anos da “Guerra Olímpica” entre Estados Unidos e União Soviética, uma expressão esportiva da Guerra Fria.

“Nada mais é do que tentar reproduzir a ação natural do corpo. Usamos tanto para a reabilitação quanto para o condicionamento físico”, afirma Henrique Valente, um dos fisioterapeutas do Grêmio.

Assim como Valente — que utiliza os princípios do treinamento funcional no time titular do Grêmio há alguns anos — um dos fisioterapeutas do Inter, Mauren Mansur, explica que a “febre” nas academias nada mais é que uma nova roupagem para a chamada cinesioterapia funcional:

— É uma terapia que promove, através dos movimentos naturais do corpo, agilidade, potência, coordenação e estabilidade da parte central do corpo, garantindo maior eficiência neuromuscular.

Treino dinamizado

images (3)

Enquanto os exercícios localizados, como a musculação, estimulam os músculos de forma isolada, no modelo funcional o treino é dinamizado com a ajuda de aparelhos simples, como bolas, elásticos, pesos e pranchas. Um dos grandes benefícios, certamente, é o ganho de consciência corporal, com maior força e equilíbrio, além do aumento da percepção do próprio corpo. Os ganhos são globais e perceptíveis.

“Estou fazendo há pouco mais de meio ano e sinto melhoras incríveis. No começo, achei bem diferente, pois estava acostumada com apenas com a musculação. Desde que aliei as duas modalidades, realmente senti uma evolução, que foi absurda”, afirma Monique Terra, 37 anos, de Porto Alegre.

Alto gasto energético

core2

Também é possível gastar energia — e muita energia — em uma das aulas, que duram de 45 a 60 minutos.  Dependendo do nível de treinamento e intensidade, são queimadas de 400 a 800 calorias. A advogada Luciana Minuzzi, 34 anos, diz que, desde que começou a fazer as aulas, há um ano, conseguiu “secar” oito quilos, além de se livrar de uma lombalgia (dor na região lombar):

“O melhor foi que substituí gordura por músculos. Sinto uma enorme diferença no meu corpo, em todos os sentidos”, diz ela.

Uma opção que se encaixa em todos os perfis e idades

images (4)

Qualquer pessoa, em qualquer idade e perfil, está apta para se beneficiar deste tipo de treinamento. O programa apenas precisa ser ajustado para cada condição física. E, é claro, é preciso de regularidade: no mínimo duas vezes por semana, fazendo parte da rotina de exercícios.

Turbinando a corrida

SantaAcademia

O Funcional também pode ser um forte aliado de quem pratica modalidades esportivas variadas, como a corrida. Força, velocidade, equilíbrio, flexibilidade e coordenação motora são trabalhadas apenas com o uso do peso corporal e com equipamentos como TRX, cones, camas elásticas, entre outros.

Exercícios simples como agachamentos, saltos e flexões integram boa parte dos treinos, que vão evoluindo em dificuldade a medida em que o atleta ganha condicionamento. A melhora do desempenho ocorre porque o treinamento funcional envolve exercícios de força dinâmica, isolando alguns movimentos característicos da corrida – e, de sobra, ainda trabalha o equilíbrio e fortalecimento da região “core” (músculos de sustentação do tronco), que contribui para prevenir lesões.

Principais vantagens do treinamento funcional

- Aperfeiçoamento do desempenho e eficiência do gesto esportivo.

- Melhora do equilíbrio e correção dos desvios musculares, reduzindo o índice de lesões.

- Melhora da coordenação motora.

- Recruta maior número de fibras musculares e unidades motoras.

- Desenvolvimento da consciência, controle do corpo e postura.

 

 

 

Pré-TTT 2016: pra vencer a guerra

Publicado por | Mente de corredor, Sem categoria | Um Comentário

TTT4

Pouquinho mais de uma semana pra largada de uma das provas mais aguardadas do Sul do País, a Travessia Torres-Tramandaí (TTT), já vejo gente nervosa. Não há como negar, e pouco importa se você é iniciante ou corredor mais calejado. Sempre rola aquela ansiedade e “friozinho na barriga” – o que acho maravilhoso. Afinal, quando perdemos esse brilho no olho, é porque tem algo errado!

Dessa vez, estarei curtindo apenas como torcedora, do lado de fora, na beira da praia. Participei das seis últimas edições. Venci uma vez em dupla mista, mais quatro vezes na categoria solo. Decidi, após erguer o troféu em 2015, que daria um tempo. Já expliquei os motivos anteriormente. A vontade de encarar a ultra novamente se foi, mas a de incentivar os atletas que ainda acham a competição sensacional – ou que irão estrear nesse ano – segue forte como nunca.

Então lá vamos! Deixarei de lado os aspectos de treinamento físico dessa vez, até porque, se você não treinou até essa altura do campeonato…só lamento! Minha colaboração será para aqueles que curtem um incentivo psicológico, uma palavra de conforto e que acreditam, assim como eu, no poder da mente para a conquista dos objetivos.

A arte da guerra

TTT1

Contarei com a ajuda de um amigo psicólogo, já experiente nessa prova, com quem costumo trocar ideias a respeito desse tema com frequência. O Rafael (Homem de Carvalho) cita algo que considero extremamente importante. Ele preparou um artigo, batizado de “TTT termina na hora da largada”. Pode parecer confuso, mas é facilmente explicável:

“Ao ler alguns conceitos do livro A Arte da Guerra, de Sun Tzu, caiu a ficha sobre a relação de um deles com nossa realidade. Tzu fala que ‘a guerra é vencida antes mesmo do início da batalha, na escolha da estratégia’. Em outras palavras, o autor diz que os vitoriosos seriam aqueles que teriam planos de guerra melhores elaborados do que seus adversários. A guerra, em si, seria apenas o momento da execução deste ou daquele plano. E quanto mais fiel esta execução ao seu plano, maiores a chance de êxito”.

Não faz todo sentido? E ele segue, relembrando experiências passadas:

“Depois de algumas TTTs feitas, procuro já não alimentar expectativas além das minhas reais condições, do planejamento como um todo. Mas tenho que confessar que, volta e meia, ainda vem um tal de pensamento mágico que conseguirei resultados melhores. De que na hora H vai vir uma força extra – e eu sigo no aguardo dela –, aquela que vai me fazer tornar o melhor dos melhores, um verdadeiro campeão! Porém, bem rapidinho, volto a realidade, apesar de acreditar que pensamentos desse tipo podem ajudar como um estímulo a mais, um gás extra. No final, vejo que se torna inviável permanecer nesse plano mágico, desconectado do mundo real. Na corrida, as realidades são verdadeiras, muito duras às vezes, mas puramente honestas, sinceras e individuais”.

Concordo em gênero, número e grau. Não espere por resultados bombásticos sem ter treinado para tal feito. Suba os degraus com segurança e parcimônia. Valentia em excesso pode ser um sinal de burrice e imaturidade. Quando falo que, na corrida não tem cesárea – aqui, o parto é normal, com dor e paciência -, procuro alertar aos que buscam atalhos. É natural desejarmos nos destacar em meio à multidão, triunfar, ser como nossos ídolos. Só que ninguém chega lá de forma artificial e dura por muito tempo. E é justamente por isso que o esporte é tão apaixonante: a seleção é natural. Pura, crua – e muitas vezes cruel.

Controlando as variáveis

TTT3

Traçada a estratégia – que é algo bem pessoal, e por isso mesmo não comentarei sobre a minha ou de qualquer outra pessoa -, é hora de pensar sobre as múltiplas variáveis. E se chover? E se ventar forte? E se meu tênis incomodar? E se tiver um sol de rachar? Claro que queremos sempre tudo 100% lindo e sob controle. Porém, numa prova como essa, realizada na areia, no verão (quando o tempo “vira” a todo momento), imaginar um cenário perfeito é muita pretensão. Rafael dá a barbada:

“Executar a estratégia planejada não é das tarefas mais fáceis, já que a TTT inclui uma série de variáveis externas – temperatura, areia dura, areia solta, com buraco sem buraco, vento contra ou a favor, logística, etc. – só para citar algumas, bem possível que ao longo do dia toda a estratégia planejada antecipadamente tenha que ser revista. Ainda assim, aprendi não abrir mão de contar com um plano real, executável. Mesmo que tenha que sofrer ajustes de última hora”.

Essa flexibilidade de mudar a estratégia de última hora, novamente, ao meu ver, é algo que vamos aprendendo ao longo do tempo. “Macaco véio” de prova sabe o que fazer quando pinta um imprevisto. Desistir, definitivamente, não é opção válida para os mais fortes – embora seja uma hipótese válida para os casos que colocam suas vidas em risco.

E você? Já tem sua estratégia em mente?

Para a TTT ou qualquer outra competição, seja na corrida ou em demais aspectos de nossas vidas, contar apenas com a sorte não costuma ser uma boa ideia.

Por isso, sempre desejo aos amigos, ao invés de “boa sorte” antes da buzina da largada, um singelo “boa prova”. É apenas o que precisamos pra vencer a “guerra” com um sorrisão no rosto e, claro, aquele gostinho de quero mais.

TTT2

A melhor dica? Não ir atrás de dicas

Publicado por | Caminho das pedras | Um Comentário

 

agac

Sabe aquele agachamento? Faz assim, ó…

 

Raramente, existe alguém que não tenha algo que queira melhorar em sua vida. Seja pessoal ou profissional. Afinal, não é novidade que o ser humano é insatisfeito por natureza. E cada um sabe de si, certo? Nem sempre.

Vamos falar aqui das questões de saúde/nutrição/treinamento físico. Mesmo que a esmagadora maioria concorde com essa máxima, a atitude acaba indo completamente contra. Na ânsia de melhorar em algum aspecto, acabam recorrendo ao “Dr. Google” (sim, a legião de cybercondríacos só aumenta) ou a tantos outros recursos enlatados em revistas, sites e TV. A tentativa é a mesma: encontrar a fórmula perfeita para emagrecer, melhorar o desempenho na corrida ou ganhar mais músculos, por exemplo. Quando não tentam achar a causa de uma lesão, porque dói o ombro ou dá enjoo depois de fazer um longão.

Claro que é importante nos inteirarmos ao máximo, buscando o maior número de fontes possíveis. Mal não faz. Mas como saber o que é “quente” e o que é empulhação? Questiono o quanto, hoje, estamos suscetíveis a um turbilhão de informações que, sabe lá, não vão mais estragar o que já está meia-boca do que melhorar qualquer coisa. É dica de “como perder a barriga em 3 semanas”, “como correr 21km em tanto tempo”, “como correr sua primeira maratona”, “ganhe mais músculos sem sair de casa”, “caiba no biquíni dos seus sonhos em 2 meses”, entre tantas outras chamadas sensacionalistas. Atualmente, há um aplicativo cuja chamada é: “eu era gorda até seguir essas dicas”. A mocinha jura que, fazendo 20 minutos de exercícios por dia, fica com o shape de miss. E tem quem acredite. Olho aqui, olho ali e coloco toda a parafernália num só balaio: são, meramente, apelos tira-níquel. Preocupada com sua saúde ficava sua avó.

Para cada organismo, uma sentença

Pense aqui comigo: temos um histórico, cada um de nós, peculiar. Cada um tem um estilo de vida, gostos, preferências, tipo físico, mente, profissão. A minha realidade é diferente da sua, que é diferente da Maria, do João, da Margarida. De que forma poderão todos seguirem o mesmo padrão de treino, alimentação, etc? Claro, somos parecidos e sabemos da importância de beber com moderação, não comer gordura em excesso, ingerir frutas e verduras, praticar exercícios físicos, não fumar, dormir bem…porém, mesmo assim, cada caso é um caso.

Dias desses, um professor de fisiologia questionou em tom irônico, no Facebook, a validade de uma dessas “dicas quentes” dadas em rede nacional num famoso programa. A apresentadora sugeria tomar “chá diurético para emagrecer”. Logo, uma competente nutricionista rebateu, comentado que, seguindo esse raciocínio, tomar cerveja seria excelente, pois várias bem geladas são uma excelente forma de fazer xixi. Pérolas como essas viram piada entre quem trabalha sério. É o caso de rir, pra não chorar.

Para mudar de forma consistente o estilo de vida – e somente dessa forma haverá resultados consistentes a pequeno, médio e longo prazo -, não tem dieta da moda, detox, treino intensivo de 2 meses ou qualquer outra invenção que dê certo. É preciso, primeiramente, nos conhecer. E acreditar em profissionais que analisam cada pessoa como um ser único, dotado de inúmeras particularidades. Seja ele um médico, um nutricionista, um professor de educação física ou um fisioterapeuta. Infelizmente, nem todos têm o privilégio de poder pagar por isso. É um terreno perigoso: devemos questionar se, quem dá “dicas” a toda hora não tem outro interesse por trás. Poucos são os casos de quem pensa seriamente na saúde da população, em ajudar que as pessoas tenham uma vida mais saudável, sem ter uma série de outros interesses envolvidos. Acho justo ganhar dinheiro “vendendo saúde”, mas é preciso deixar isso claro, e não camuflado por trás de boas intenções – embaladas, muitas vezes, de forma irresponsável.

Ter senso crítico – e paciência – para evoluir aos poucos, de forma sustentável, conhecendo cada vez mais a nós mesmos, sem querer nos comparar com ninguém – talvez seja a saída. Vamos combinar: a maioria sabe muito bem o que faz errado e como mudar. Procurar atalhos ou fórmulas mágicas torna-se tão perigoso quanto irresistível. Lembre que nem tudo o que vemos por aí condiz com a realidade. Na vida real, não tem filtrinho nem Photoshop, nem muito menos edição de primeira. E se quiser uma dica quente, mas quente mesmo, tá aqui uma: não vá atrás de dicas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Repetição: a mãe da habilidade

Publicado por | Foco no treino | 2 Comentários

HARD#

 

Você conhece alguém que já obteve bons resultados não só na corrida, mas em qualquer outro esporte, sem treinar muito? Já viu alguém superar um recorde sem afirmar que foram precisos meses de preparo? OK. Há quem atribua grandes marcas à genética, assim como há quem afirme que aquele empresário bem-sucedido teve muita “sorte”. Ahãm.

Não tem fórmula mágica: é repetição. Repetição. Repetição. Perseverança. Rotina. Disciplina. Ralação pura e crua.

Porém, como fazer para achar isso bom?

Cada um tem suas estratégias. Prefiro ser bastante prática e resumir: é um mal necessário. E ponto. Quem disse que seria fácil? ( :

Treinando para algumas provas cascas-grossas, tento mentalizar, sobretudo nos longões solitários, que essa rotina muita vezes estafante faz parte do jogo – e que se eu não acostumar meu corpo e cérebro a aguentar o tranco no osso, jamais vou evoluir ou ter a sensação de missão cumprida.

Penso que, mesmo não tendo certeza do melhor resultado, saberemos que estamos no caminho certo: no caso da corrida, treinando, simulando provas, fazendo pista, aumentando progressivamente a velocidade. E tudo isso com um planejamento adequado, otimizando tempo e recursos. Na hora do “pega pra capar”, se você sabe que treinou o bastante e que seu corpo está preparado para tal estímulo, as chances de ter êxito são bem maiores.

Pode parecer óbvio, mas a prática não costuma ser fiel à teoria. Cada vez mais, vejo atletas amadores priorizarem as provas do que o treinamento rotineiro. São os famosos “leões (ou campeões) de treino” . Mas vem cá, você treina para competir ou é ao contrário? Ah, não tem tempo? Então não exija do pobre do seu corpo o que ele não pode dar sem sofrer até quase sair sangue dos olhos ou estourar as coronárias.

Treinar é, sim, muitas vezes chato. Inúmeras vezes saí para a rua sem a mínima vontade. E o que ocorreu? Voltei, sempre, feliz da vida. Mesmo que não tivesse feito aqueeeeele treino, eu fui. E isso que importa.

Correr é lindo, correr é bom, correr virou uma coqueluche. Mas, se você tem um perfil como o meu, que adora superar a si mesmo, em primeiro lugar, o conselho é um só: treine sério. Treine duro. Repita. Repita. Repita. E quando você ficar bom, prepare-se para ouvir: “ah, é genético”.

Tá certo.

 

 

 

Canoa polinésia foi um dos momentos mais difíceis: 12km no mar revolto da Praia Vermelha

Rockyman 2015: uma saga para os brutos

Publicado por | Por Aí | Nenhum Comentário

Dois dias após retornar do Rio de Janeiro, onde disputei o incrível Rockyman - maior competição multiesportiva do País -, ainda sinto o cansaço de dois dias intensos de competição. Convidada pelo capitão Chico Santos, montanhista experiente, fiz parte da equipe carioca Terra de Gigantes, formada por atletas de ponta nas suas diversas especialidades: surf, skate, BMX, mountain bike, corrida de montanha, maratona e canoagem. Uma gauchinha perdida lá no meio das feras!

Equipe quase completa. Da esquerda para a direita, os apoios "Lobinho" e Edgar, eu, Chico Santos, Amarildo Ferreira e Kaique Milani

Equipe quase completa.
Da esquerda para a direita, os apoios “Lobinho” e Edgar, eu, Chico Santos, Amarildo Ferreira e Kaique Milani

 

O que vivi nas 48 horas de aventura jamais sairá da cachola. Os flashes passam na cabeça como num filme. Desde que cheguei, foi emoção à flor da pele: tantos as positivas quanto negativas. E o que mais ficou evidente – e é sobre isso que irei enfocar nesse texto – é a definição que temos de atleta. Conheci gente de todo tipo. Cinco das 20 equipes que disputaram o Rockyman 2015 eram estrangeiras. Só “galo cinza”. Gente altamente qualificada, muitos deles atletas com índices olímpicos. Campeões de carteirinha. Embora, em meio a eles, alguns maus exemplos tenham surgido.

Um deles foi infiltrado por azar do destino justamente na Terra de Gigantes. Não citarei nomes, embora deveria. Um sujeito, selecionado a dedo para desempenhar nas provas de surf e de skate simplesmente decidiu não ir de última hora. E aí que começaram os problemas. Você imagina: viajar centenas de quilômetros para participar de um dos mais cobiçados eventos esportivos realizados em solo brasileiro e ter que se conformar com esse fato, indesculpável. É o tipo de atitude antidesportiva e antiética, que veio como uma notícia-bomba duas horas antes da largada oficial, no sábado, dia 7 de novembro. Como fazer? Todos da equipe, atletas e staff de apoio, não sabíamos como resolver o pepino. O cidadão simplesmente desligou o celular. Arregou. Nos deixou na mão. E estávamos sem atleta para duas importantes modalidades.

Conseguimos um skatista para o domingo. No sábado, tentamos preencher o furo, mas não chegamos a tempo de entrar no mar (gigante, por sinal, com mais de 2 metros de ondas na Barra) com um substituto. O que fazer? Lamentar. E seguir o baile. Não tem aquele ditado: “se não há solução, solucionado está”? Na prática, é assim mesmo que funciona.

Minha participação na maratona foi bem abaixo do esperado. Não bastasse o desfalque, sofri um tombo feio no dia anterior, resvalando e caindo de costas numa escada lotada de lodo – o que me deixou com várias escoriações, a coluna com um “ovo” e as costelas doloridas. Fui no arrasto. Mas cheguei. Isso não seria o que nos afundaria. Tivemos a impressionante participação dos campeões Kaique Milani (um dos melhores atletas de BMX do Brasil, que voou no Parque Radical de Deodoro, onde ocorrerão as Olimpíadas do Rio 2016) e de Amarildo Ferreira (veterano na mountain bike, pura garra e dedicação), além do capitão Chico Santos, que sempre arrasa nas corridas de montanha e ama uma pirambeira. Pra essa turma, tiro meu chapéu. Só gente fina, bem humorada e no estilo “topa todas”. Não tinha tempo ruim. Todos se ajudando, apoiando os nossos e demais integrantes e competidores…amigos que já entraram pro lado esquerdo do peito.

No domingo, a competição de skate, eletrizante, contou com a boa vontade de um atleta que estava “passeando” no bowl da pista Rio Sul e topou a roubada de mandar ver ao lado de feras como Felipe Foguinho e Raul Roger Magalhães Baracho. Um show de talentos que jamais presenciei!

Canoa polinésia foi um dos momentos mais difíceis: 12km no mar revolto da Praia Vermelha

Canoa polinésia foi um dos momentos mais difíceis: 12km no mar revolto da Praia Vermelha

 

Finalizamos remando 12 km juntos na canoa polinésia (uma das experiências mais loucas da vida, sem dúvida), correndo mais 13km rumo ao topo do Morro Chapéu Mangueira e descendo pela favela, em meio à comunidade – outro momento que me dá arrepios e que dificilmente viveria desse jeito se não fosse esportista. Nós lá, bem longe da primeira colocação, e uma menina puxa um coro, do alto de uma janela dum barraco:

- Já ganhou! Já ganhou!

Juro que fiquei com lágrima nos olhos. No fundo, no fundo, essa era a realidade. Apesar de todas as adversidades, todos tinham triunfado: acrescentamos, no frigir dos ovos, uma experiência indescritível no currículo.

Saio do Rockyman reforçando algumas de minhas várias convicções. Vamos a elas.

A primeira delas: para ser atleta, não basta praticar um esporte. É preciso dedicação, comprometimento, respeito e, além do corpo, uma cabeça saudável. Quando o cara nasce pra ser “loser”, não tem jeito. Pode treinar, participar de provas, até subir no pódio. Mas não vai longe. É o caso do nosso surfista furão, que deu um exemplo de como não agir – e está, ao meu ver, numa distância anos-luz de tal definição acima.

A segunda delas: é preciso dar o melhor de si, mesmo que as coisas estejam indo de mal a pior. Tem que ser bruto (na definição heróica da palavra). Não se acadelar com merreca. Tem dias bons, dias ruins, outros piores ainda. Eu poderia ter entregado o jogo e não completado a maratona, diante de um cenário tão intimidador – e das inúmeras dores do meu tombo. Mas fui até o final. Sabia que se não cruzasse a linha de chegada, não estaria cumprindo com minha palavra. E, como diz um amigo meu: “não é do meu biotipo desistir” (rsrsrsrsrs).

A terceira e última: somente o esporte nos proporciona experiências tão únicas. É preciso agradecer ao universo, a Deus, ou a sei lá quem você queira, pela oportunidade de ser atleta. Só porque corro, e dediquei anos e anos da minha vida à corrida, cheguei onde cheguei. É o tipo de experiência que nenhum dinheiro pode comprar. Só quem pratica algum esporte com tamanha paixão consegue entender do que estou falando.

Iria acrescentar uma quarta, mas essa não nem preciso repetir: a vida é boa. Acredite nela. ( :

 

 

 

Zica na maratona: quando tudo dá errado

Publicado por | Por Aí | 2 Comentários
Aquela sensação de que você deveria ter ficado em casa

Aquela sensação de que você deveria ter ficado em casa

Sabe aquele dia em que as coisas insistem em conspirar contra o pobre cidadão? Quando nada parece encaixar. Quando a maionese desanda. O pneu fura. Você não vê a hora de acordar no outro dia, para acabar com a zica? Pois esse dia – ou melhor, noite – foi ontem, na Maratona Caixa de Porto Alegre. A prova noturna (na qual levei o troféu de campeã no ano anterior) parecia um pesadelo, daqueles que costumam fazer você encharcar os lençóis.

Apesar de não ter a pretensão de ultrapassar feras como a multicampeã Rosa Jussara Barbosa ou Gracielle Pedroso, fui correndo sem medo até meados dos quilômetros 23 ou 24. Quando tudo parecia estar bom demais para ser verdade, vou passar num dos postos de hidratação e esbarro, não sei porque, numa das mesas. Dois dos carbogéis que carregava saltaram da cinta. Fiquei com apenas um para todo o restante da competição (sendo que um dos 4 que levei já havia tomado). Péssimo. Tentei não me abalar demais com o fato.

Dois quilômetros à frente, porém, o guampudo montou na garupa. Comecei a esboçar sintomas de hipotermia. Tremia feito bambu verde. E o pior ainda estava por vir: uma indisposição intestinal (prenunciando o famoso “churrio”, na língua tosca) me deixou extremamente incomodada. Não dava, não havia jeito de passar. Resultado: tive que parar três vezes nos matinhos da Beira-Rio. Sorte que estava escuro.

Notei que não só para mim o dia não estava pra peixe. Vi muitas pessoas parando para se aliviar. Pelo menos meia dúzia de amigos confessaram ter recebido a visita do famigerado “piriri”. O que fazer? Maldita maldição!

Nunca, nessas duas décadas de corrida, passei por tamanho sufoco. Mesmo que jamais tenha abandonado uma prova, algo me dizia que deveria obedecer o corpo e sair pela tangente. O problema é a cabeça-dura aqui obedecer. Fui “escutando os sinais” e afrouxei o pé total. Pensei: completar, apenas completar, na boa, sem passar mal. Vamos ver se dá.

E deu. Cruzei a linha de chegada dos 43.200 metros do percurso (sim, erraram a marcação – corremos um quilômetro a mais) na quarta posição, com pouco mais de 3h20min no cronômetro. Que situação. Mas enfim, foi o que deu.

Taí o que deu pra levar pra casa - 4º lugar no pódio geral feminino

Taí o que deu pra levar pra casa – 4º lugar no pódio geral feminino

A conclusão? Tem dias que não dá. Mesmo que você treine, tenha experiência, vá com fé, animado, tenha “sangue nos óio” e tantas outras qualidades.

A vida é isso aí: feita de altos e baixos, de certezas e incertezas.

Saber tirar proveito e aprender com cada um desses momentos é essencial.

Vamos pra próxima!

* Parabéns a todos que completaram a Maratona Caixa do Rio Grande do Sul na noite desse sábado. E um “puxão de orelhas” na Latin Sports, que não entregou medalhas para os concluintes dos 43,2 quilômetros (confirmei no meu Garmin e no de muitas outras pessoas). Eu não dou lá tanta importância, mas penso em quem fez sua primeira maratona, treinou duro para tanto, e chegou em casa com um papelzinho chinfrim tentando justificar tal vacilada. Não sei se foi a fábrica de medalhas, o caminhão da transportadora, o Zé da Esquina. O fato é que pegou bastante mal.

Uma pena. Outro desrespeito aos atletas é errar o percurso: ninguém achou legal ter que fazer mais de 1.000 metros além dos 42,1. Não estamos falando de 200, 300 ou 600 metros. É um quilômetro de diferença. Francamente.

 

Após mais de 43 quilômetros de prova, essa foi a medalha.

Após mais de 43 quilômetros de prova, essa foi a medalha.