Desafio Samurai: a vida como ela é

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Escrever sobre a minha quarta participação na Mizuno Uphill Marathon – prova que ocorre desde 2013 na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina – é uma tarefa árdua. São tantas emoções que nem Robertão Carlos seria capaz de descrever na suas centenas de letras. E dessa vez, tentarei explicar o que é encarar duas vezes a imponente estrada considerada “a mais linda do mundo”, vide eleição virtual realizada recentemente.

SERRA

Para quem não sabe, esse ano escolhi encarar o Desafio Samurai – ao todo, 67 km -, divididos em insanos 25km matutinos (de Lauro Müller a Bom Jardim da Serra) e 42km vespertinos/noturnos (de Treviso ao topo de Bom Jardim novamente). Duas “pernas” recheadas de subidas intermináveis. Poucos ousam subir (e descer) de veículos motorizados. Porque, meu fio, você enxerga a bunda da caranga no retrovisor. De moto, cansa. Imagine a pé. Enfrentando um clima nada previsível, numa região onde são registradas as temperaturas mínimas do País.

Participo desse evento desde a sua origem. Compareci religiosamente em todos os anos. Havia subido até ontem antes da 7h da manhã, 126km nas três edições – 42km em cada, ficando em 5º lugar em 2013, 3º lugar em 2014 e 2º lugar em 2015. E ontem acordei às 7h disposta a acumular mais essa porrada de quilômetros num só dia. Me sentia bem, havia treinado bastante, dentro das possibilidades – já que, lembrando, não sou atleta profissional e encaixo a planilha numa rotina de casa-filho-família/coordenação de academia e grupo de corrida/faculdade de Educação Física.  Pois então. Sem chorumelas. Estava prontíssima!

Aprendizado número 1: parcimônia

Larguei nos 25km controlando muito. Ficava olhando no GPS para jamais puxar demais o ritmo, com a certeza de que pagaria o preço depois. E fui segurando. A intenção era fazer abaixo de 2h15min a primeira “perna”, que fiz com perfeição. Encerrei em terceiro lugar geral feminino, numa corrida consistente e no controle, algo complicado para meu perfil, que ama “sentar a bota”. Acabei orgulhosa da minha capacidade de concentração, o que me deixou inteira para enfrentar a maratona que viria a seguir.

Descansei, encontrei amigos no ginásio de Treviso e me alinhei às 3h da tarde para a segunda largada. Pernas muito inteiras, pulmão idem – apesar de ter enfrentado quase que apenas subidas na primeira parte. E fui. Confiante. Só que a matemática não é tão simples quando falamos em ultramaratona. Comecei a subir muito bem e senti, lá pelo quilômetro 8, falta de água. Para quem estava largando sem o peso dos 25km nas costas, talvez esse detalhe não tenha sido determinante. Porém, para atletas acostumados a hidratar com regularidade como eu (o que acho imprescindível), o bolo começou a desandar nesse ponto, ainda no início.

Desidratei. O tempo abafado pesou a ponto de perder rendimento drasticamente. E o efeito dominó pegou: náuseas. Não entrava suplementação. Glicemia baixando. Pressão despencando. Cansaço extremo. Pernas não respondendo. E se tem algo que sei é conhecer meu organismo. Quando lá pelo quilômetro 20 da maratona “preteou os óios da gateada” (a visão ficou turva), vi que algo deveria ser feito. E a melhor atitude seria subir a serra de carro.

Parei num posto de hidratação. Dezenas de pessoas me ajudaram. Falavam palavras de incentivo. Queriam me levar junto. E eu, já apática, dizia que não dava. Comi, tomei Coca-Cola, glicose. E fui até o quilômetro 38. Talvez desse para terminar (não no tempo limite de 6h30min do Desafio Samurai). Porém, decidi que não valia a pena. Pressenti algo ruim. Não sei explicar. Ninguém sabe. Mas resumo assim: em respeito a mim, em primeiro lugar. Em respeito a minha família, em segundo lugar. E em terceiro, a todos que já me viram chegar e não reconheceriam ver cruzar o pórtico uma Daniela destruída e sem forças para vibrar ao cortar a desejada fita.

Saldo positivo: ao todo, percorri 60km. E hoje, escrevendo esse texto, parece que corri um “21km pegadinho na Beira-Rio”. ( ;

Há uma diferença brutal entre superação e burrice. Desculpem os fãs dos “atletas-que-chegam-vomitando”.

Brilho eterno de uma mente com lembranças

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Pela primeira vez, larguei uma prova. Após 20 anos correndo. E digo: fiz o certo. Hoje estou inteira, pronta para enfrentar um calendário bem bacana de ultras pros próximos seis meses (ficarão sabendo logo!). Tento sempre fazer do limão uma limonada e pensar de que nada é por acaso. Hoje, tenho o orgulho de dizer que jamais deixei alguém me ver passar mal numa prova – o que ao meu ver, depõe contra esse esporte tão lindo -, e que minha tentativa de passar um exemplo bonito e saudável tem dado bons frutos.

Minha frustração? Sei lidar com ela. Isso é fácil. O que não saberia é lidar com uma lesão ou sequela do desgaste excessivo. Entre três mulheres que puderam ter índice para encarar o Desafio Samurai, apenas a “alienígena” Letícia Saltori, da Equipiazza de Curitiba, conseguiu no tempo regulamentar de 6h30min para cumprir as duas pernas. Eloiza Testolin Rodrigues, da Inspire Assessoria Esportiva de Caxias do Sul (tchó!) conclui os 67km acima do tempo, mas está de parabéns pelo empenho e dedicação às corridas. Ambas moram no meu coração e são atletas exemplares, além de pessoas maravilhosas. Dessas coisas que só a corrida nos dão. <3

Agradeço a todos que me ajudaram nos dois percursos, tentaram me empurrar, levar de carrinho de mão, de guincho, mas amigos…tem dias que não dá! Hauhahaha! Prometo retribuir essa energia maravilhosa.

À equipe da Mizuno e da X3M, parabéns por mais um evento fantástico. É por isso que deixo minha família, meu trabalho em Porto Alegre e encaro a gincana. Para encontrar esse bando de “louco dentro das roupa!”. E como a trupe do Bernardo Fonseca e do Bruno Onezio pregam: “é muito mais fácil segurar um louco do que empurrar um bobo”. ( ;

Parabéns a todos atletas que encararam essa pedreira, seja nos 25km, nos 42km ou nos 67km. É pra poucos. E o que eu senti nesse final de semana não pode ser explicado num só texto. Somos uma “tribo” de loucos, sim, mas loucos pela vida. Essa gente que gosta de sentir o sangue correr na veia dessa maneira pode ser um objeto de estudo na NASA. Mas é essa adrenalina que nos move.

No frigir dos ovos (e eu amo omelete!), fica a sensação de que tudo é um aprendizado e, mais uma vez, confirmo que a corrida é a mais perfeita metáfora da vida.

A beleza da vida está nisso: na humildade de reconhecer nossos erros e acertos.

Estamos aqui hoje porque muita coisa deu certo – mas muitas coisas deram errado.

Já pensou nisso?

Um forte abraço e até a próxima!

 

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Entre o céu e o inferno: o carma de ser atleta no Brasil

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O brasiliense Caio Bonfim ficou entre os 4 melhores do mundo na sua modalidade

O brasiliense Caio Bonfim ficou entre os 4 melhores do mundo na sua modalidade

Olimpíadas rolando. Todos em polvorosa conferindo o desempenho de atletas dos quatro cantos do mundo ao vivo, nas lindas arenas cariocas, ou pela telinha da TV, que transmite durante as 24 horas imagens incríveis das competições. Impossível ficar indiferente diante de cenas tão lindas. A cada vitória, grito de de superação dos atletas e quebra de recorde, vidramos os olhos e, muitas vezes, nos emocionamos – mesmo que jamais tenhamos ouvido o nome do campeão.

Embora tenhamos uma simpatia absurda com o Esporte, vivemos num País que, infelizmente, não sabe torcer. Pelo menos essa é a conclusão que tiro ao conferir a reação de nosso povo com o desempenho de nossos atletas. Claro que há exceções, mas a tendência é colocar o sujeito que não conquistou uma das três medalhas no status “abaixo da mosca que pousou no cocô do cavalo do bandido”. Aceitamos que o inglês perca, que o norte-americano falhe, que o francês desista. Mas quando testemunhamos algum atleta falhar, e esse alguém é made in Brazil…ah, que drama! Logo vem as críticas: “só podia ser brasileiro”, “incompetente”, “tá gastando o dinheiro do governo pra isso?”, “macaca”, entre outras frases menos classudas.

Ou você é herói, ou é um lixo. Esse é o carma de ser atleta nessa terra. Do céu ao inferno, é um passinho bem curto.

Joanna Maranhão, da natação, Rafaela Silva, do Judô e Diego Hypolito, da ginástica (sem falar de Caio Bomfim, da marcha atlética, que confessou ter sido xingado todos os dias enquanto treinava), são alguns exemplos nítidos desse verdadeiro carma de ser atleta no Brasil. Claro que todos tem o compromisso e responsabilidade de competir com afinco e dedicação, afinal, essa é a sua profissão. Porém, nem sempre as coisas são tão simples numa Olimpíada: estar ali, por si só, já é um grande feito. Ter índice para participar comprova que o sujeito está entre os melhores do mundo e, como tal, deve ser respeitado.

Assim como outros aspectos da vida, no Esporte há dias bons, dias ruins. E, se desabamos, temos que ter a chance de levantar, tentar novamente, até acertar. Nossa cultura esportiva, capenga, racista, homofóbica, descriminatória e elitista, ainda privilegia astros e esquece de que, para conquistar uma medalha de ouro, é necessário muito mais do que quatro anos entre um e outro Mundial.

O feito de Hypolito – que você pode conferir aqui nesse link, numa entrevista para a SporTV – resume o quanto devemos apoiar e acreditar no potencial de nossos talentos. Mesmo (e principalmente) quando eles não estão lá no topo.

Os ginastas Diego Hypolito e Arthur Nory exibem suas medalhas

Os ginastas Diego Hypolito e Arthur Nory exibem suas medalhas

Atletas de verdade costumam ter um plano para quando o fracasso ocorrer, afinal, ele faz parte do árduo preparo para a vitória. Não importa quantas quedas teremos na vida. Provavelmente, serão muitas. Quantas? Ninguém sabe. O certo é que teremos que somar “um” após cada uma delas. Caiu 500? Vai ter que levantar 501 vezes. O sonho da vitória só rola quando há aprendizado com cada derrota.

 

 

Essa cachaça chamada maratona

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Ás 6h45, aguardando a buzina no pelotão de elite

Ás 6h45, aguardando a buzina no pelotão de elite

Quarenta e oito horas depois de finalizar mais uma maratona – a Internacional de Porto Alegre, realizada no dia 12 de junho -, cá estou pensando em tudo que passei durante as três horas, oito minutos e quatro segundos  de prova. A ansiedade da largada, o coração acelerado. O som da buzina de largada. O convívio com a dor constante que me acompanhou durante toda a segunda metade do percurso – que me fez correr mancando, toda torta, numa performance sofrível. E a alegria de cruzar a linha de chegada, numa explosão de alegria e alívio.

A decepção de não ter obtido o resultado desejado (fiquei em sexto lugar geral e primeiro na minha categoria) vem com a alegria de completar mais uma maratona – e a consciência de que maratonista é um bicho desgraçado. Afinal, são poucos os que se atrevem a encarar o desafio, e só completar já é algo homérico. Pois então. Quem corre há bastante tempo perde a noção da dimensão desse feito e corre o risco de perder até o tesão em correr. Confesso que volta e meia me vejo de saco cheio de treinar, de sofrer, de acordar cedo, abdicar de tantas coisas. Esse ano, tive que encaixar a planilha em meio a turbulência de uma mudança de casa e a um novo ofício, administrar minha academia, recém-inaugurada. Tempo praticamente não existiu. Fui de cabeça-dura para o combate, tendo a certeza de que iria sofrer feito um cavalo manco.

A  psicologia do gambá

E tinha mulher corajosa dessa vez! Quase 700 enfrentando sensação térmica negativa

E tinha mulher corajosa dessa vez! Quase 700 enfrentando sensação térmica negativa

O problema, meu amigo e minha amiga, é ficar fora dessa festa. Como abdicar de correr a minha distância predileta na minha cidade, em casa? Tinha certeza que, se não me inscrevesse, ficaria com um beiço enorme. Há oito anos participo do evento, dois em distâncias menores e há seis nos 42km. É clássico, Maratona de Porto Alegre é obrigatória no meu calendário.

Para quem nunca correu uma maratona, difícil explicar porque – mesmo com tanto sofrimento, tantos nos treinos duríssimos quanto na prova em si – provavelmente queremos sempre repetir a experiência. Alguns comparam com uma “cachaça”. A analogia é boa. Pensa aqui comigo, na mente de um pé-de-cana: ele bebe a marvada, fica alegrão, mas depois vem aquela ressaca desgraçada. Ele jura que nunca mais vai beber…até que aquela dor de cabeça passa e, como mágica, lá está o gambá procurando uma nova dose.

“Maratona é sempre maratona”. A frase simplória somente faz sentido para quem já experimentou. Não é reunião-dançante, é baile de gala. Você veste o melhor vestido, o fraque, se prepara todo. É dia de tapete vermelho, de luz de velas e fogos de artifício. Se vai ter ressaca depois da festa? Provavelmente. E isso jamais impedirá que a gente queira comparecer na nossa melhor forma, dançando a melhor música, curtindo cada momento extasiados.

Ah, essa cachaça chamada maratona.

Aliás, quando é a próxima? ( ;

* Não posso deixar de parabenizar e agradecer todos os atletas que prestigiaram essa 33ª edição da Maratona Internacional de Porto Alegre. Obrigada por engrandecer o evento a cada ano. E um obrigada a todos que torceram, gritaram meu nome e me deixaram com lágrimas nos olhos durante o percurso. Vocês moram do lado esquerdo aqui, ó.

 

 

#vivamaratonapoa chama público para prestigiar maratona nas ruas da capital gaúcha

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VIVAMARATONAPOA

Em 1° de maio, faltando 42 dias para a Maratona Internacional de Porto Alegre, um grupo de entusiastas de um dos esportes mais praticados do País – a corrida de rua – criaram o movimento “Viva Maratona POA”. A ideia é incentivar e envolver a capital do Rio Grande do Sul num dos mais importantes e tradicionais eventos esportivos do País. Somente em 2015, foram mais de 7.500 atletas inscritos no evento, realizado há 33 anos.

Famosa por ser uma prova rápida, plana, com temperatura ideal e bem organizada, a Maratona de Porto Alegre também surpreende pela tímida presença da sua população ao longo de seu percurso de 42.195 metros – e que tem ponto de largada e chegada no Parque da Harmonia, passando por diversos bairros da cidade.

O projeto Viva Maratona POA está sendo disseminado nas redes sociais desde o início desta semana, com uma excelente adesão. Até o dia do evento, marcado para 12 de junho, serão publicadas curiosidades, dicas e fatos interessantes sobre a tradicional prova.

 

MOVIMENTO #VIVAMARATONAPOA
Por que participar?
Assistir ao vivo, em tempo real, uma edição de uma das mais emblemáticas provas do atletismo, a maratona – que compreende 42.195 metros – e é considerada como um marco na vida de todo corredor. É muito mais do que uma competição: é um dos eventos mais democráticos, no qual pessoas de todas as idades, níveis culturais e sociais, raças, religiões e cores se encontram, sem barreiras. É uma festa ao ar livre, que ocorre uma vez por ano – e consegue parar megalópoles como Nova York, Berlim e Tóquio. Por que não, Porto Alegre?

Como participar?

Agende-se: é dia 12 de junho.
Horário: a partir das 7h

Local: Av. Augusto de Carvalho, junto ao Parque da Harmonia
Se você conhece alguém que vai correr, vá pra rua torcer por ela! Vale cartazes, buzinas, peruca colorida e tudo mais. Ninguém esquece da diferença que isso faz durante os 42,195 quilômetros!

Curta a página e convide seus amigos a compartilharem o movimento. Quanto mais gente, melhor!

USE O HASHTAG
#vivamaratonapoa

 

 

O maratonista de Kichute

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Dois dias depois de seu aniversário de 77 anos, Valdomiro participará mais uma vez da Maratona Internacional de Porto Alegre, que ocorre dia 12 de junho. A comemoração, segundo ele, “ficará após cruzar o pórtico de chegada”

No ano em que o primeiro homem correu a lendária Maratona de Boston abaixo de 2h30 min (o norte-americano Ellison M. “Tarzan” Brown, com 2:28:51), nascia, quase dois meses depois, no dia 10 de junho, um dos mais longevos maratonistas da capital gaúcha. Valdomiro Siegieniuk, 76 anos, é uma figura notável. Impossível não sorrir ao vê-lo de manhã bem cedinho, de camiseta molhada, cumprindo mais um de seus sagrados treinos.

Já tinha mirado ele inúmeras vezes em provas de rua e nos longões da Beira-Rio. No mesmo passinho , devagar e sempre. Sem firula, tênis da moda ou qualquer parafernália. Aliás, sua primeira maratona, aos 50 anos de idade (a de Porto Alegre), foi disputada com um…Kichute. Sim, aquele tênis horroroso, misto de chuteira com sei-lá-o-quê, criado na década de 70 – e terror dos ortopedistas.

Mesmo que ninguém recomende correr 42 quilômetros com calçado similar, é por esse e outros detalhes que Valdomiro merece um capítulo a parte na história das corridas de rua da cidade. Pela sua simplicidade e leveza de ser, pela perseverança e atitude perante a vida. Ao invés de reclamar da idade, ele muda o curso e vai pra rua vestido apenas com a vontade insaciável de sentir o vento no rosto e a endorfina correndo nas veias.

Na semana passada, o relógio marcava 6h58. Esperava meu grupo de corrida chegar para treinarmos em frente ao Praia de Belas Shopping. E tive a sorte de esbarrar com Valdo. Encerrava seu treino, iniciado há mais de uma hora. Sim, ele acorda às 4h, come “frutas e respectivas farinhas” e sai para a rua às 5h30. “Com minha mulher preocupada comigo, pois ainda é noite”, não esquece de salientar, bem-humorado.

Nossos olhares se encontraram e fomos metralhando perguntas um ao outro. Ele iniciou o papo:

“E aí, tá fazendo quanto hoje?”

Eu respondo:

“Não, não, só tô esperando ainda o pessoal chegar pra correr. Só um trotinho hoje!”

Preferi não perguntar quanto ele já havia rodado, mas sem dúvida muitos mais do que faria no dia. Falamos sobre a Maratona de Porto Alegre, perguntei com quantos anos ele estava, como era bom acordar cedo pra correr…e, claro, não perdi a oportunidade de clicar uma fotinho pra me exibir ao lado do amigo, de quem sou fã.

No final, saiu essa entrevista, feita por e-mail. Acham que a jornalista aqui perderia a oportunidade de contar essa história contagiante? Jamé! A ideia é incentivar quem “acha que está velho pra começar a correr”, acha mil justificativas pra não desgrudar a buzanfa do sofá ou, simplesmente, deseja encontrar uma inspiração para seguir acreditando no poder desse lindo esporte.

Seu Valdomiro, taí uma figura encantadora. Espero chegar na sua idade com a metade de sua disposição e vitalidade. ( :

ENTREVISTA – Valdomiro Siegieniuk, 76 anos, maratonista

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Valdo emocionado ao cruzar a reta final na Maratona de Chicago

Santa Corrida – Quando e porque começou a correr? 

Valdomiro Siegieniuk – Sempre gostei de correr, mas participar de corrida de rua foi mais tarde, a partir de 1980. Tudo surgiu a partir de uma aposta com guris mais jovens, que me desafiaram a começar. O início foi na pista do Parque Marinha do Brasil. A minha primeira Maratona foi a Internacional de Porto Alegre, em 1989. Eu tinha 50 anos de idade e corri com os tênis Kichute. Não tinha feito nem um treino longo. Fiquei uma semana sem poder descer as escadas.

Santa Corrida – Quantas maratonas já disputou?

Valdomiro -  Já disputei 42 Maratonas no Brasil, mais a Supermaratona de Rio Grande, além de 13 Maratonas no exterior. No total, foram 53 provas nessa modalidade. Mas eu corro diversas distâncias, gosto de todas!

Santa Corrida – Como é a sua rotina de treinos?

Valdomiro – Hoje, treino sem planejamento.Levanto às 4 horas da manhã,como as minhas frutas com as respectivas farinhas e saio para treinar ao redor das 5h30min (com a minha mulher preocupada comigo, pois ainda é noite). Quantos quilômetros por dia? Depende da disposição, temperatura e se encontro alguém no meio do caminho.Em média, de 10 a 20 km.

Santa Corrida – Qual o significado da corrida para você?

Valdomiro – É a chama da vida. A satisfação de chegar em casa, tomar um banho e estar disposto e com bom humor o dia inteiro.

Santa Corrida – Que conselho você daria para quem quer iniciar nesse esporte?

Valdomiro -  Em primeiro lugar, fazer um exame médico. Depois, procurar um professor de Educação Física ou participar de um grupo de corrida para receber as orientações corretas. Da minha parte, sempre digo para nunca desistirem.O meu maior prazer é ler no Facebook, quando após uma maratona, o que um(a) atleta escreve: Valdomiro, graças a ti,eu sou um(a) Maratonista! Pois já incentivei muitos jovens a participarem.

Santa Corrida – Cite um momento marcante que você viveu nesses anos todo correndo.

Valdomiro - Foram muitas emoções vividas. Uma foi ao correr a Maratona de Berlim, quando combinei com a minha mulher (que sempre me acompanha, mesmo não correndo), que me esperasse na frente do hotel, pois ali seria o 15 km do trajeto. Ao atingir esse ponto,encontrei ela com um apito (foram distribuídos pela organização),parei, dei um beijo, um forte abraço e recebi calorosos aplausos do público presente.Continuei  correndo com lágrimas nos olhos.Terminei a prova ao redor de 3h35min. Isto foi em 2001, aos 62 anos de idade. Outro episódio marcante foi na Maratona de Budapeste, quando passava pelo ponto de troca do revezamento e fui saudado pelo locutor anunciando meu nome e dizendo que era brasileiro. Inesquecível!

 

 

Corrida: um dos segredos de Mick Jagger

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Já tinha ouvido falar da impressionante boa forma de um dos maiores astros do rock mundial, Mick Jagger, dos Rolling Stones – que passa por Porto Alegre hoje, na sequência de shows da tour brasileira. Aos 70 e lá vai picos, o magrelinho (que já é bisavô), pula o tempo todo, vai de um lado ao outro do palco em segundos, dança feito uma enguia com coceira, brinca e interage com a platéia…enfim, dá um cansaço em muito jovenzinho por aí.

Uma matéria (publicada em 2011, muito lida) a respeito da forma física de Jagger foi publicada há algum tempo no jornal Daily Mail (que você pode ler na íntegra clicando aqui). Na reportagem, são citados os costumes do músico (alguns nada comuns, como aulas de ballet e creme facial de caviar), no qual estão incluídos impressionantes 12 quilômetros diários de corrida. Sim. Mick Jagger deve a esse esporte grande parte do seu fôlego, energia e boa forma. Em cada apresentação, ele chega a percorrer quase 20 quilômetros.

O costume, segundo o jornal, vem de infância: seu pai, Basil Joseph Jagger, era professor de educação física e determinava uma rotina severa de treinamento para o filho desde a década de 1960.

Taí mais um motivo pra amar Jagger – e pra ficar convencido de que correr é, definitivamente, um esporte engrandecedor!

Rock n’run, babe!

 

 

 

As lições que o esporte nos dá

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Há uma imensidade de coisas que aprendemos ao inserir o esporte na nossa vida. Disciplina, humildade, concentração, resistência, gratidão, paciência, companheirismo, competitividade saudável, meritocracia, entre muitos outros valores jamais possíveis de assimilar via osmose, numa sala de aula de aula ou até em Harvard.

Fora essa revolução pessoal, existe a poderosa força de transformação social. Quem estuda o assunto é unânime em afirmar que criamos uma sociedade melhor, mais justa e mais saudável quando fortalecemos esse pilar, já que com o esporte vem a inclusão, a fuga das drogas e da criminalidade, o resgate da cidadania.

Na época que precede grandes eventos, como as Olimpíadas – que ocorre pela primeira vez na magnífica e despreparada cidade do Rio -, alguns lembram de mencionar a importância de incentivar o esporte desde cedo e enaltecem a capacidade do brasileiro de se sair bem em diversas modalidades, do vôlei ao tênis, passando pela natação e pelo atletismo, sem esquecer, é claro, do velho e bom futebol.

A “pátria de chuteiras”, porém, só tem investido fortemente nas últimas décadas na formação de jogadores do esporte bretão. Uma meia dúzia de patrocinadores são disputados taco a taco por todo o “resto”. Quantos talentos já foram desperdiçados por conta da falta de visão empresarial e de incentivos governamentais?

Um dos ídolos máximos do tênis mundial, Gustavo Kuerten, criticou recentemente, em entrevista ao Esporte Espetacular, exatamente esta carência em solo brazuca: falta o trabalho nas categorias de base, algo só feito com mais consistência nos aspirantes a Neymar. Como ele, vários outros atletas que enfrentaram, em algum momento da vida, essa dificuldade de obter recursos para treinar e disputar provas, lamentam o quanto jogamos fora chances de ouro.

O atletismo — ao meu ver, o rei de todos os esportes — é um dos que sofrem fortemente com a carência de incentivos precoces. Não se forma um atleta do dia pra noite. Uma medalha de ouro só é conquistada com anos e anos de treino diário, com treinadores qualificados e uma infraestrutura adequada. De nada adianta querer colher uma lavoura linda sem plantar — e cuidar dela diariamente, sem trégua. Usain Bolt, Yelena Isinbayeva, César Cielo, da natação, Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic do futebol, Federer e Nadal do tênis, Sheilla e Giba, do vôlei e tantos outros.

Nenhum deles é um milagre. Todos são resultado de um trabalho contínuo, sério e árduo e, obviamente, de quantias razoáveis de tempo e dinheiro aplicados constantemente, desde a infância.

No dia em que esta consciência estiver arraigada na mente de quem cria as políticas de incentivo ao esporte — e que fique claro, não só na véspera de megaeventos como a Olimpíadas — daremos um grande passo à frente.

Acreditar no poder de transformação do esporte jamais será um mau investimento.

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Quer ser forte e ágil? Aposte no treino funcional

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Ele é a promessa de um corpo saudável para enfrentar os desafios do dia a dia e banir as limitações do envelhecimento. Caiu no gosto de pessoas de todas as idades e níveis de condicionamento – e ganha, a cada dia, mais adeptos.

O método do futuro, quando se fala em malhação eficaz e nada monótona, tem um nome e sobrenome: Treinamento Funcional. Como o termo diz, o objetivo é que o corpo mantenha sua funcionalidade. Em resumo, é preservar a capacidade de executar os movimentos do dia a dia, que vão desde sentar e levantar até alcançar um pote de biscoitos no alto da prateleira.

A técnica ganhou imensa notoriedade nos últimos anos por ter sido eleita para esculpir o corpo de celebridades como Juliana Paes, Deborah Secco e Jennifer Lopez, bem como para turbinar o desempenho de atletas de alta performance, como jogadores de futebol e de tênis, nadadores e lutadores de MMA (Artes Marciais Mistas, popularizada por Anderson Silva). Também ganhou notoriedade ao ser anunciado como o método priorizado por jogadores de futebol de alto rendimento, como Douglas Costa.

Basta olhar nas academias, praças e parques (onde alunos e professores praticam exercícios ao ar livre). O número de adeptos do Funcional cresceu em escala geométrica no número de adeptos nos últimos cinco anos. Mas, afinal, por que ele virou o “queridinho” no mundo todo? Há quem diga que a versatilidade e eficácia dos movimentos é uma das mais fortes razões. Outros afirmam que ele dá mais resultados do que os pesados aparelhos de musculação – e porque dispensa horas intermináveis das aulas de modalidades convencionais, que para alguns mais parecem uma tortura.

Embora repaginada, de novidade, há muito pouco nesse tipo de treino. Poucos sabem que ele tem uma origem remota, que data aproximadamente do período pós Segunda Guerra Mundial . Uma das raízes é a da Fisioterapia, inicialmente uma obscura especialidade médica pouco prestigiada. A segunda raiz é a ciência do treinamento esportivo desenvolvida durante os anos da “Guerra Olímpica” entre Estados Unidos e União Soviética, uma expressão esportiva da Guerra Fria.

“Nada mais é do que tentar reproduzir a ação natural do corpo. Usamos tanto para a reabilitação quanto para o condicionamento físico”, afirma Henrique Valente, um dos fisioterapeutas do Grêmio.

Assim como Valente — que utiliza os princípios do treinamento funcional no time titular do Grêmio há alguns anos — um dos fisioterapeutas do Inter, Mauren Mansur, explica que a “febre” nas academias nada mais é que uma nova roupagem para a chamada cinesioterapia funcional:

— É uma terapia que promove, através dos movimentos naturais do corpo, agilidade, potência, coordenação e estabilidade da parte central do corpo, garantindo maior eficiência neuromuscular.

Treino dinamizado

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Enquanto os exercícios localizados, como a musculação, estimulam os músculos de forma isolada, no modelo funcional o treino é dinamizado com a ajuda de aparelhos simples, como bolas, elásticos, pesos e pranchas. Um dos grandes benefícios, certamente, é o ganho de consciência corporal, com maior força e equilíbrio, além do aumento da percepção do próprio corpo. Os ganhos são globais e perceptíveis.

“Estou fazendo há pouco mais de meio ano e sinto melhoras incríveis. No começo, achei bem diferente, pois estava acostumada com apenas com a musculação. Desde que aliei as duas modalidades, realmente senti uma evolução, que foi absurda”, afirma Monique Terra, 37 anos, de Porto Alegre.

Alto gasto energético

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Também é possível gastar energia — e muita energia — em uma das aulas, que duram de 45 a 60 minutos.  Dependendo do nível de treinamento e intensidade, são queimadas de 400 a 800 calorias. A advogada Luciana Minuzzi, 34 anos, diz que, desde que começou a fazer as aulas, há um ano, conseguiu “secar” oito quilos, além de se livrar de uma lombalgia (dor na região lombar):

“O melhor foi que substituí gordura por músculos. Sinto uma enorme diferença no meu corpo, em todos os sentidos”, diz ela.

Uma opção que se encaixa em todos os perfis e idades

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Qualquer pessoa, em qualquer idade e perfil, está apta para se beneficiar deste tipo de treinamento. O programa apenas precisa ser ajustado para cada condição física. E, é claro, é preciso de regularidade: no mínimo duas vezes por semana, fazendo parte da rotina de exercícios.

Turbinando a corrida

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O Funcional também pode ser um forte aliado de quem pratica modalidades esportivas variadas, como a corrida. Força, velocidade, equilíbrio, flexibilidade e coordenação motora são trabalhadas apenas com o uso do peso corporal e com equipamentos como TRX, cones, camas elásticas, entre outros.

Exercícios simples como agachamentos, saltos e flexões integram boa parte dos treinos, que vão evoluindo em dificuldade a medida em que o atleta ganha condicionamento. A melhora do desempenho ocorre porque o treinamento funcional envolve exercícios de força dinâmica, isolando alguns movimentos característicos da corrida – e, de sobra, ainda trabalha o equilíbrio e fortalecimento da região “core” (músculos de sustentação do tronco), que contribui para prevenir lesões.

Principais vantagens do treinamento funcional

- Aperfeiçoamento do desempenho e eficiência do gesto esportivo.

- Melhora do equilíbrio e correção dos desvios musculares, reduzindo o índice de lesões.

- Melhora da coordenação motora.

- Recruta maior número de fibras musculares e unidades motoras.

- Desenvolvimento da consciência, controle do corpo e postura.

 

 

 

Pré-TTT 2016: pra vencer a guerra

Publicado por | Mente de corredor, Sem categoria | Um Comentário

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Pouquinho mais de uma semana pra largada de uma das provas mais aguardadas do Sul do País, a Travessia Torres-Tramandaí (TTT), já vejo gente nervosa. Não há como negar, e pouco importa se você é iniciante ou corredor mais calejado. Sempre rola aquela ansiedade e “friozinho na barriga” – o que acho maravilhoso. Afinal, quando perdemos esse brilho no olho, é porque tem algo errado!

Dessa vez, estarei curtindo apenas como torcedora, do lado de fora, na beira da praia. Participei das seis últimas edições. Venci uma vez em dupla mista, mais quatro vezes na categoria solo. Decidi, após erguer o troféu em 2015, que daria um tempo. Já expliquei os motivos anteriormente. A vontade de encarar a ultra novamente se foi, mas a de incentivar os atletas que ainda acham a competição sensacional – ou que irão estrear nesse ano – segue forte como nunca.

Então lá vamos! Deixarei de lado os aspectos de treinamento físico dessa vez, até porque, se você não treinou até essa altura do campeonato…só lamento! Minha colaboração será para aqueles que curtem um incentivo psicológico, uma palavra de conforto e que acreditam, assim como eu, no poder da mente para a conquista dos objetivos.

A arte da guerra

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Contarei com a ajuda de um amigo psicólogo, já experiente nessa prova, com quem costumo trocar ideias a respeito desse tema com frequência. O Rafael (Homem de Carvalho) cita algo que considero extremamente importante. Ele preparou um artigo, batizado de “TTT termina na hora da largada”. Pode parecer confuso, mas é facilmente explicável:

“Ao ler alguns conceitos do livro A Arte da Guerra, de Sun Tzu, caiu a ficha sobre a relação de um deles com nossa realidade. Tzu fala que ‘a guerra é vencida antes mesmo do início da batalha, na escolha da estratégia’. Em outras palavras, o autor diz que os vitoriosos seriam aqueles que teriam planos de guerra melhores elaborados do que seus adversários. A guerra, em si, seria apenas o momento da execução deste ou daquele plano. E quanto mais fiel esta execução ao seu plano, maiores a chance de êxito”.

Não faz todo sentido? E ele segue, relembrando experiências passadas:

“Depois de algumas TTTs feitas, procuro já não alimentar expectativas além das minhas reais condições, do planejamento como um todo. Mas tenho que confessar que, volta e meia, ainda vem um tal de pensamento mágico que conseguirei resultados melhores. De que na hora H vai vir uma força extra – e eu sigo no aguardo dela –, aquela que vai me fazer tornar o melhor dos melhores, um verdadeiro campeão! Porém, bem rapidinho, volto a realidade, apesar de acreditar que pensamentos desse tipo podem ajudar como um estímulo a mais, um gás extra. No final, vejo que se torna inviável permanecer nesse plano mágico, desconectado do mundo real. Na corrida, as realidades são verdadeiras, muito duras às vezes, mas puramente honestas, sinceras e individuais”.

Concordo em gênero, número e grau. Não espere por resultados bombásticos sem ter treinado para tal feito. Suba os degraus com segurança e parcimônia. Valentia em excesso pode ser um sinal de burrice e imaturidade. Quando falo que, na corrida não tem cesárea – aqui, o parto é normal, com dor e paciência -, procuro alertar aos que buscam atalhos. É natural desejarmos nos destacar em meio à multidão, triunfar, ser como nossos ídolos. Só que ninguém chega lá de forma artificial e dura por muito tempo. E é justamente por isso que o esporte é tão apaixonante: a seleção é natural. Pura, crua – e muitas vezes cruel.

Controlando as variáveis

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Traçada a estratégia – que é algo bem pessoal, e por isso mesmo não comentarei sobre a minha ou de qualquer outra pessoa -, é hora de pensar sobre as múltiplas variáveis. E se chover? E se ventar forte? E se meu tênis incomodar? E se tiver um sol de rachar? Claro que queremos sempre tudo 100% lindo e sob controle. Porém, numa prova como essa, realizada na areia, no verão (quando o tempo “vira” a todo momento), imaginar um cenário perfeito é muita pretensão. Rafael dá a barbada:

“Executar a estratégia planejada não é das tarefas mais fáceis, já que a TTT inclui uma série de variáveis externas – temperatura, areia dura, areia solta, com buraco sem buraco, vento contra ou a favor, logística, etc. – só para citar algumas, bem possível que ao longo do dia toda a estratégia planejada antecipadamente tenha que ser revista. Ainda assim, aprendi não abrir mão de contar com um plano real, executável. Mesmo que tenha que sofrer ajustes de última hora”.

Essa flexibilidade de mudar a estratégia de última hora, novamente, ao meu ver, é algo que vamos aprendendo ao longo do tempo. “Macaco véio” de prova sabe o que fazer quando pinta um imprevisto. Desistir, definitivamente, não é opção válida para os mais fortes – embora seja uma hipótese válida para os casos que colocam suas vidas em risco.

E você? Já tem sua estratégia em mente?

Para a TTT ou qualquer outra competição, seja na corrida ou em demais aspectos de nossas vidas, contar apenas com a sorte não costuma ser uma boa ideia.

Por isso, sempre desejo aos amigos, ao invés de “boa sorte” antes da buzina da largada, um singelo “boa prova”. É apenas o que precisamos pra vencer a “guerra” com um sorrisão no rosto e, claro, aquele gostinho de quero mais.

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A melhor dica? Não ir atrás de dicas

Publicado por | Caminho das pedras | Um Comentário

 

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Sabe aquele agachamento? Faz assim, ó…

 

Raramente, existe alguém que não tenha algo que queira melhorar em sua vida. Seja pessoal ou profissional. Afinal, não é novidade que o ser humano é insatisfeito por natureza. E cada um sabe de si, certo? Nem sempre.

Vamos falar aqui das questões de saúde/nutrição/treinamento físico. Mesmo que a esmagadora maioria concorde com essa máxima, a atitude acaba indo completamente contra. Na ânsia de melhorar em algum aspecto, acabam recorrendo ao “Dr. Google” (sim, a legião de cybercondríacos só aumenta) ou a tantos outros recursos enlatados em revistas, sites e TV. A tentativa é a mesma: encontrar a fórmula perfeita para emagrecer, melhorar o desempenho na corrida ou ganhar mais músculos, por exemplo. Quando não tentam achar a causa de uma lesão, porque dói o ombro ou dá enjoo depois de fazer um longão.

Claro que é importante nos inteirarmos ao máximo, buscando o maior número de fontes possíveis. Mal não faz. Mas como saber o que é “quente” e o que é empulhação? Questiono o quanto, hoje, estamos suscetíveis a um turbilhão de informações que, sabe lá, não vão mais estragar o que já está meia-boca do que melhorar qualquer coisa. É dica de “como perder a barriga em 3 semanas”, “como correr 21km em tanto tempo”, “como correr sua primeira maratona”, “ganhe mais músculos sem sair de casa”, “caiba no biquíni dos seus sonhos em 2 meses”, entre tantas outras chamadas sensacionalistas. Atualmente, há um aplicativo cuja chamada é: “eu era gorda até seguir essas dicas”. A mocinha jura que, fazendo 20 minutos de exercícios por dia, fica com o shape de miss. E tem quem acredite. Olho aqui, olho ali e coloco toda a parafernália num só balaio: são, meramente, apelos tira-níquel. Preocupada com sua saúde ficava sua avó.

Para cada organismo, uma sentença

Pense aqui comigo: temos um histórico, cada um de nós, peculiar. Cada um tem um estilo de vida, gostos, preferências, tipo físico, mente, profissão. A minha realidade é diferente da sua, que é diferente da Maria, do João, da Margarida. De que forma poderão todos seguirem o mesmo padrão de treino, alimentação, etc? Claro, somos parecidos e sabemos da importância de beber com moderação, não comer gordura em excesso, ingerir frutas e verduras, praticar exercícios físicos, não fumar, dormir bem…porém, mesmo assim, cada caso é um caso.

Dias desses, um professor de fisiologia questionou em tom irônico, no Facebook, a validade de uma dessas “dicas quentes” dadas em rede nacional num famoso programa. A apresentadora sugeria tomar “chá diurético para emagrecer”. Logo, uma competente nutricionista rebateu, comentado que, seguindo esse raciocínio, tomar cerveja seria excelente, pois várias bem geladas são uma excelente forma de fazer xixi. Pérolas como essas viram piada entre quem trabalha sério. É o caso de rir, pra não chorar.

Para mudar de forma consistente o estilo de vida – e somente dessa forma haverá resultados consistentes a pequeno, médio e longo prazo -, não tem dieta da moda, detox, treino intensivo de 2 meses ou qualquer outra invenção que dê certo. É preciso, primeiramente, nos conhecer. E acreditar em profissionais que analisam cada pessoa como um ser único, dotado de inúmeras particularidades. Seja ele um médico, um nutricionista, um professor de educação física ou um fisioterapeuta. Infelizmente, nem todos têm o privilégio de poder pagar por isso. É um terreno perigoso: devemos questionar se, quem dá “dicas” a toda hora não tem outro interesse por trás. Poucos são os casos de quem pensa seriamente na saúde da população, em ajudar que as pessoas tenham uma vida mais saudável, sem ter uma série de outros interesses envolvidos. Acho justo ganhar dinheiro “vendendo saúde”, mas é preciso deixar isso claro, e não camuflado por trás de boas intenções – embaladas, muitas vezes, de forma irresponsável.

Ter senso crítico – e paciência – para evoluir aos poucos, de forma sustentável, conhecendo cada vez mais a nós mesmos, sem querer nos comparar com ninguém – talvez seja a saída. Vamos combinar: a maioria sabe muito bem o que faz errado e como mudar. Procurar atalhos ou fórmulas mágicas torna-se tão perigoso quanto irresistível. Lembre que nem tudo o que vemos por aí condiz com a realidade. Na vida real, não tem filtrinho nem Photoshop, nem muito menos edição de primeira. E se quiser uma dica quente, mas quente mesmo, tá aqui uma: não vá atrás de dicas.