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35ª Maratona de Porto Alegre: uma saga inesquecível

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Cabeça feita. Essa é a sensação que tive após completar a minha 11ª maratona em Porto Alegre – e só Deus sabe qual da minha trajetória de pangaré. A trigésima quinta edição da Maratona Internacional de Porto Alegre, realizada na chuvosa manhã desse domingo, marcou minha memória de forma única, e foi completamente diferente de todas que corri.

Sem esperar muito – ou melhor, nada, já que não consegui treinar nem metade do ideal em função de uma fase punk profissional -, fui de sangue doce para a largada, sabendo que jamais faria um tempo próximo dos anteriores (tenho 3h06min como PR e 3h10min ano passado). Me inscrevi com a intenção de fazer parte da festa e não ficar de fora do maior evento do esporte que amo no nosso Estado.

Saí lá atrás, só no sapatinho, administrando um ritmo em torno de 4min30seg/km, o que conseguiria manter por o máximo de tempo possível. O cenário não era dos mais animadores: chuva, vento, um clima abafado e ao mesmo tempo pesado, nada ideal para sentar a bota. De forma conservadora, fui avançando sem forçar. Macaca véia, sei do preço que pagamos quando não cumprimos a planilha e sabemos que a periodização foi inexistente.

Porém…tava lá, no quilômetro 15. Focadinha, sofrendo feito cavalo manco, consciente do que me esperava pela frente. E nesse trecho, encontro uma atleta no canteiro, próximo à Usina do Gasômetro: a amiga Carina Carlan, excelente corredora e campeã de natação Master, “toda renga” (não muito pior que eu, kkkk), prestes a desistir, com muitas dores. Rapidamente, trocamos algumas palavras e a convidei para “sofrermos juntas”, naquela parceria que não precisa de muita conversa. Uma simples troca de olhares já diz tudo.

Naquele momento, encontrei um sentido a mais para estar ali. Sabe lá, acho que nada na vida é por acaso. Competitiva como é, Carina sentiria mais dor ao desistir naquele ponto, tenho certeza.

Como já passei por algo semelhante algumas vezes – e lembrei direto da última ultramaratona, no início do ano, quando eu passava mal e um amigo daqueles de fé não me deixou largar o osso -, quis retribuir dando o que tinha de forças para ela. Esqueci de qualquer dor, dos meus perrengues, da falta de treinos, de tudo. Estava ali por ela, obstinada em levá-la até o pórtico de chegada e ver o sorriso no seu rosto.

Sem munição, mas avançando na trincheira, fomos engolindo quilômetro a quilômetro. Parávamos, recuperávamos a musculatura, e mantínhamos o corpo em movimento num esforço digno de guerreiras.

Na reta final, o calor humano e aplausos dos amigos deram um impulso daqueles para cruzarmos a linha de chegada em 3h36min, num tempo incrível para quem enfrentou as dificuldades mentais e físicas, tendo que negociar com o “anjinho” e o “diabinho” todo tempo.

Eu e a atleta Carina Carlan cruzando de mãos dadas o pórtico de chegada. Que momento! <3

Eu e a atleta Carina Carlan cruzando de mãos dadas o pórtico de chegada. Que momento! <3

Hoje, foi dia de correr com o coração, numa prova que evidenciou mais uma vez o poder que nossa mente tem.  E que resiliência é tudo na vida – a famosa arte de se ferrar e continuar em pé…kkkk!

Essa maratona (que considero uma das sagas mais intensas pelas quais passei, pela sensação clara de desprendimento e egocentrismo, natural de quem  compete), deixa claro o quanto podemos evoluir como seres humanos – e quanto somos uma força monstruosa da natureza, em todos os sentidos.

Na minha mente, a sensação de dever cumprido, de gratidão e amor ao esporte, que transforma, que enobrece, que nos transforma em pessoas melhores e mais humanas.

Muito obrigada, de coração, a todos que gritaram meu nome, que transmitiram carinho e que integraram essa nobre festa.

Parabéns a todos guerreiros, não importando o tempo, as condições ou o que for.

Somos uma nação incrível e ser um “personagem” dessa história é uma honra, uma alegria e muito mais do que imaginei.

<3

Uma boa recuperação…e até a próxima, nação corredora!!!!!

* Agradeço a Skechers Performance, a NewMillen Suplementos e a Authen Brasil por me ajudarem a realizar todos esses sonhos. Gratidão. <3

 

Essa cachaça chamada maratona

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Ás 6h45, aguardando a buzina no pelotão de elite

Ás 6h45, aguardando a buzina no pelotão de elite

Quarenta e oito horas depois de finalizar mais uma maratona – a Internacional de Porto Alegre, realizada no dia 12 de junho -, cá estou pensando em tudo que passei durante as três horas, oito minutos e quatro segundos  de prova. A ansiedade da largada, o coração acelerado. O som da buzina de largada. O convívio com a dor constante que me acompanhou durante toda a segunda metade do percurso – que me fez correr mancando, toda torta, numa performance sofrível. E a alegria de cruzar a linha de chegada, numa explosão de alegria e alívio.

A decepção de não ter obtido o resultado desejado (fiquei em sexto lugar geral e primeiro na minha categoria) vem com a alegria de completar mais uma maratona – e a consciência de que maratonista é um bicho desgraçado. Afinal, são poucos os que se atrevem a encarar o desafio, e só completar já é algo homérico. Pois então. Quem corre há bastante tempo perde a noção da dimensão desse feito e corre o risco de perder até o tesão em correr. Confesso que volta e meia me vejo de saco cheio de treinar, de sofrer, de acordar cedo, abdicar de tantas coisas. Esse ano, tive que encaixar a planilha em meio a turbulência de uma mudança de casa e a um novo ofício, administrar minha academia, recém-inaugurada. Tempo praticamente não existiu. Fui de cabeça-dura para o combate, tendo a certeza de que iria sofrer feito um cavalo manco.

A  psicologia do gambá

E tinha mulher corajosa dessa vez! Quase 700 enfrentando sensação térmica negativa

E tinha mulher corajosa dessa vez! Quase 700 enfrentando sensação térmica negativa

O problema, meu amigo e minha amiga, é ficar fora dessa festa. Como abdicar de correr a minha distância predileta na minha cidade, em casa? Tinha certeza que, se não me inscrevesse, ficaria com um beiço enorme. Há oito anos participo do evento, dois em distâncias menores e há seis nos 42km. É clássico, Maratona de Porto Alegre é obrigatória no meu calendário.

Para quem nunca correu uma maratona, difícil explicar porque – mesmo com tanto sofrimento, tantos nos treinos duríssimos quanto na prova em si – provavelmente queremos sempre repetir a experiência. Alguns comparam com uma “cachaça”. A analogia é boa. Pensa aqui comigo, na mente de um pé-de-cana: ele bebe a marvada, fica alegrão, mas depois vem aquela ressaca desgraçada. Ele jura que nunca mais vai beber…até que aquela dor de cabeça passa e, como mágica, lá está o gambá procurando uma nova dose.

“Maratona é sempre maratona”. A frase simplória somente faz sentido para quem já experimentou. Não é reunião-dançante, é baile de gala. Você veste o melhor vestido, o fraque, se prepara todo. É dia de tapete vermelho, de luz de velas e fogos de artifício. Se vai ter ressaca depois da festa? Provavelmente. E isso jamais impedirá que a gente queira comparecer na nossa melhor forma, dançando a melhor música, curtindo cada momento extasiados.

Ah, essa cachaça chamada maratona.

Aliás, quando é a próxima? ( ;

* Não posso deixar de parabenizar e agradecer todos os atletas que prestigiaram essa 33ª edição da Maratona Internacional de Porto Alegre. Obrigada por engrandecer o evento a cada ano. E um obrigada a todos que torceram, gritaram meu nome e me deixaram com lágrimas nos olhos durante o percurso. Vocês moram do lado esquerdo aqui, ó.

 

 

#vivamaratonapoa chama público para prestigiar maratona nas ruas da capital gaúcha

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VIVAMARATONAPOA

Em 1° de maio, faltando 42 dias para a Maratona Internacional de Porto Alegre, um grupo de entusiastas de um dos esportes mais praticados do País – a corrida de rua – criaram o movimento “Viva Maratona POA”. A ideia é incentivar e envolver a capital do Rio Grande do Sul num dos mais importantes e tradicionais eventos esportivos do País. Somente em 2015, foram mais de 7.500 atletas inscritos no evento, realizado há 33 anos.

Famosa por ser uma prova rápida, plana, com temperatura ideal e bem organizada, a Maratona de Porto Alegre também surpreende pela tímida presença da sua população ao longo de seu percurso de 42.195 metros – e que tem ponto de largada e chegada no Parque da Harmonia, passando por diversos bairros da cidade.

O projeto Viva Maratona POA está sendo disseminado nas redes sociais desde o início desta semana, com uma excelente adesão. Até o dia do evento, marcado para 12 de junho, serão publicadas curiosidades, dicas e fatos interessantes sobre a tradicional prova.

 

MOVIMENTO #VIVAMARATONAPOA
Por que participar?
Assistir ao vivo, em tempo real, uma edição de uma das mais emblemáticas provas do atletismo, a maratona – que compreende 42.195 metros – e é considerada como um marco na vida de todo corredor. É muito mais do que uma competição: é um dos eventos mais democráticos, no qual pessoas de todas as idades, níveis culturais e sociais, raças, religiões e cores se encontram, sem barreiras. É uma festa ao ar livre, que ocorre uma vez por ano – e consegue parar megalópoles como Nova York, Berlim e Tóquio. Por que não, Porto Alegre?

Como participar?

Agende-se: é dia 12 de junho.
Horário: a partir das 7h

Local: Av. Augusto de Carvalho, junto ao Parque da Harmonia
Se você conhece alguém que vai correr, vá pra rua torcer por ela! Vale cartazes, buzinas, peruca colorida e tudo mais. Ninguém esquece da diferença que isso faz durante os 42,195 quilômetros!

Curta a página e convide seus amigos a compartilharem o movimento. Quanto mais gente, melhor!

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