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A primeira vez de Caynã

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Surly, o esquilinho do filme que desbrava a cidade grande como o gauchinho do Morro da Cruz

Surly, o esquilinho do filme que desbrava a cidade grande como o gauchinho do Morro da Cruz

No início da tarde de ontem, com meu filho Francisco amolado por uma maldita infecção na garganta e sem poder ir ao colégio – quem é mãe sabe bem o quanto qualquer dorzinha parte nosso coração no meio -, decidi ir ao cinema com o pitoco. Escolhi o único filme infantil em cartaz em toda Grande Porto Alegre, com classificação livre, cujo título foi abrasileirado para O Que Será de Nozes? (no original, veio como The Nut Job). Enfim, sessão da tarde total.

O que me importava era tirar o guri de casa e levá-lo para arejar a cuca com a mamãe, já que a fruta não cai longe do pé e a “superatividade” é, sim, algo que se passa de geração em geração. Pode estar com o pé engessado, mas vai dar um jeito de andar de bicicleta.

Cinema em shopping, terça-feira, 16h, uma beleza. Chegamos 20 minutos antes e, como de praxe, lá vou eu comprar o “kit porcaria” para distrair os beiços, composto do famigerado “balde de pipoca-mais-cara-do-mundo” e “refri-aguado-e-sem-gás”.  Isso após conseguir acordar o atendente, que, sem brincadeira, dormia sentado, anestesiado pelo marasmo do local.

Sentei com o Chico num banco na entrada das salas de exibição. Tíquetes no bolso, pipocas tranbordando nas mãos, tudo pronto. Nesse momento, vimos chegando um garoto franzino, vestindo roupas surradas. Feições bonitas, queimado naturalmente do sol. A tiracolo, uma bolsa térmica já rasgada nas alças. Se aprochega:

– Oi…onde posso comprar pipocas? Tá fechado? – pergunta, tímido.

Aponto para o caixa e respondo:

– Olha, tem um rapaz ali, mas tem tá meio que dormindo…mas tá aberto. Dá um grito, acho que ele aparece.

Como a hora do filme estava chegando, fomos passando pela catraca, eu e meu filho “mauricinho”. Noto que, logo atrás, nos segue o garoto, com um ingresso esmagadinho entre os dedos. Já que ele não vinha com as pipocas, indaguei o que havia acontecido. Ué, o cara não atendeu? Vai ver, desmaiou no carpete…

– É que eu não tinha o dinheiro, não sabia que era tão caro. É minha primeira vez -, explicou.

Poxa, nunca tinha conversado com alguém que tinha “debutado” dessa forma. Me interessei (jornalista é dose) e comecei a fazer algumas perguntas. Descobri que o nome dele é Caynã. Assim, com Y. Que ele tinha conseguido o ingresso falando com as “moças na entrada”. E que ele mora no Morro da Cruz e tem dois irmãos. Trabalha vendendo trufas de chocolate, que carrega na térmica quase maior que seu mirrado tronco. E que não tem mãe, mora com o pai.

Como era nítido que ele não tinha condições de comprar, me prontifiquei a completar a quantia. Abri a carteira. Só tinha uma nota de 20 pilas. “Vai lá, compra uma pipoca e um refri, daí me traz o troco”.

A cara de felicidade desse guri não dá para explicar. Cheguei a me emocionar.

As luzes vão se apagando. Lá vem Caynã, correndo, felizão da vida, com um pacotão de pipocas quentinhas e uma Coca-Cola borbulhando nas mãos. O sorriso estampado no rosto e R$ 12,50 de troco, mais a nota.

Ele me entrega a grana e convido ele para sentar na fila da frente (tinham colocado ele lá no fundão, na última fila, coitado). Meio atrapalhado, fica com dificuldade para se ajeitar na poltrona, e eu ajudo. Meu filho, com cinco anos, é apenas alguns centímetros menor e menos pesado que o garoto de 11 anos.

Mal consigo me concentrar viajando na história, no passado e no destino do Caynã.

Caynâ (à esquerda) e Francisco antes dos esquilos invadirem a tela

Caynâ (à esquerda) e Francisco antes dos esquilos invadirem a tela

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O “causo” dessa tarde de setembro me fez pensar um montão de coisas. Posso citar as três principais.

A primeira delas, em como somos mal-agradecidos com a vida. Temos tudo, mas vivemos chorando de barriga cheia.

A segunda, que uma primeira experiência é algo a ser marcado com chave de ouro. E nunca vai evaporar da memória. Seja um primeiro beijo, um primeiro filme, uma primeira maratona. Valorizar esses raros instantes é algo que aprendi. A estreia no cinema para Caynã nunca fugirá da minha mente. E fiz questão de transformar, de forma simples, aquela experiência em algo mais grandioso para mim, para o Francisco e para ele. Tenho certeza que teve um sabor especial para nós três.

A terceira e última, que educação, cultura e conhecimento não se compra. Assim como a honestidade. Da mesma forma que a atitude e a coragem. Caynã, que já levou mais porradas em pouco mais de uma década do que vários marmanjos de 60 anos, mostra que dá para dar um jeito. Ninguém falou para ele que dava para entrar gratuitamente no cinema da burguesia. Ele foi lá, conversou. Não mendigou nada. Do jeito dele, conseguiu. Como, torço, que ele conquiste outro tantão de coisas na vida.

Dirigindo para casa, Francisco fica curioso e questiona como ele sabia o caminho de casa, já que tinha ido pedalando do Morro da Cruz até a Avenida Ipiranga, o que não é lá tão perto. Ninguém tinha levado ele. Não tinha pai, mãe, irmão. E era uma criança, sozinha.

– Pessoas como ele sabem bem por onde andam. Têm que aprender logo. Ele vai até à Lua, se quiser, sem mapa respondo.

– Quer dizer que ele pode ser astronauta, como eu? – pergunta Chico.

Ô. Se pode.

 

 

 

 

 

Não, você não gasta tudo isso correndo uma horinha

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big kahuna

Já escrevi, certa vez, sobre a polêmica de que “correr emagrece“. Embora não seja nutricionista nem tenha a pretensão de dar dicas sobre alimentação, emagrecimento ou suplementação, vejo que muita gente procura a corrida para “secar”.

Lendo uma das revistas especializadas em dar dicas para quem quer diminuir o manequim, deparei com uma chamada pra lá de apelativa: Como calcular o tempo de exercícios para queimar as calorias dos doces“.

Em primeiro lugar, vamos analisar o que é a tirania do título dado à matéria. A pessoa vai lá, come um brigadeiro, e imagina ter que correr tantos minutos para “queimar” o tal doce, ou pular corda, fazer faxina, enfim. Meu Deus, que bizarrice! Tem que torrar as calorias do tal negrinho? Não seria melhor comer e não pensar nisso? Na minha visão, se é para comer algo e ficar pensando que você vai engordar é uma burrice. Por que perde toda a graça. Se não posso, prefiro não comer.

Além do mais, essa tabela nutricional, pelo que entendo, está totalmente genérica e perigosa para quem deseja controlar a ingestão e gasto calórico. Na modalidade corrida, aparece o lindo número de 900 calorias (quem não quer gastar 900 calorias? luxo!) para uma hora do exercício. Ah, fala sério.

Pergunte a qualquer especialista: isso é muito pessoal e variável. Uma pessoa com um nível mais avançado de treinamento gasta bem menos do que uma iniciante, e o peso corporal, além de massa muscular, entre outros fatores, como a intensidade do treino/batimentos cardíacos influenciam diretamente nessa matemática. Eu, por exemplo, com 1,72 e 55kg, não gasto 600 calorias em uma hora de treino pesado. Para gastar 900 calorias, deveria correr meia hora a mais, o que já é considerado um longão, já que nesse intervalo de tempo, percorro mais de 20 quilômetros.

Quem aí faz 20 quilômetros por dia, cinco vezes por semana? Conheço poucos. Ou seja, o gasto calórico semanal dificilmente ultrapassará uma ingestão compulsiva de doces, bebidas alcóolicas ou outras tranqueiras tão comuns nessa estação – e com a Copa do Mundo, pelo que vejo, muita gente abandonou os tênis de vez em casa e está investindo no “alterocopismo” bem na camufla.

Sejamos sinceros: quantas vezes enganamos a nós próprios, aliviando o peso na consciência com essas tabelinhas falcatruas?

Uma alimentação adequada, sem restrições severas, mas que priorize muito mais a qualidade do que a quantidade é a chave para estar em forma para um esporte que exige tanta leveza e força quanto a corrida. A disciplina dos treinos, claro, é fator fundamental. Sei que dá preguiça, que tem coisa bem mais interessante para fazer nesse tempo chuvoso. Mas é uma questão de escolha: querer acreditar na realidade, dura e inflexível, ou seguir lendo historinhas pra boi dormir.

E afinal, quanto eu gasto?

Para quem quer saber com mais precisão, a  resposta é simples: o corredor que mais pesa queimará mais calorias porque precisará de mais energia para mover o corpo se compararmos com um atleta magro. Esta vantagem é a base para perder peso correndo, quanto mais pesado estiver, mais calorias consumirá.

De acordo uma reportagem da revista Runner’s, a tabela abaixo mostra apenas um parâmetro para o gasto calórico para a corrida. Claro que os números podem variar um pouco de corredor para corredor e que os cálculos abaixo reproduzem o gasto calórico em uma corrida moderada, quando o atleta está praticando a corrida a aproximadamente oito quilômetros por hora.

Para ter mais precisão, usar o frequencímetro juntamente com o relógio GPS garante um parâmetro ainda mais seguro.

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FC x Cal

 

 

Encontre na tabela abaixo o gasto calórico para os pesos mais comuns:

                 5 km    10 km     15 km       20 km      Maratona
50 kg  259 cal   518 cal   777 cal    1.036 cal     2.186 cal

60 kg   311 cal   622 cal    932 cal    1.243 cal    2.623 cal

55 kg   285 cal   570 cal   855 cal     1.140 cal     2.404 cal

65 kg   337 cal   673 cal   1.010 cal   1.347 cal   2.841 cal

70 kg   363 cal   725 cal   1.088 cal    1.450 cal   3.060 cal

75 kg   388.5cal   777 cal  1.165, 5cal  1.554     3.278,5 ca

80 kg   414 cal   829 cal   1.243 cal   1.658 cal    3.497 cal

85 kg   440 cal  881 cal   1.321 cal    1.761 cal     3.716 cal

90 kg   466 cal   932 cal   1.399 cal   1.865 cal     3.934 cal

95 kg   492 cal  984 cal   1.476 cal   1.968 cal     4.153 cal

 

 

 

 

Corrida e morte súbita: uma delicada relação

Publicado por | Oxigenando, Sem categoria | Um Comentário

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Nessa semana, a triste notícia de que um conhecido executivo gaúcho faleceu ao participar de uma corrida de 10 quilômetros reacendeu a polêmica: como pode, uma pessoa que praticava atividades físicas regulares e cuidava superbem da saúde, ter uma morte súbita?

Num bate-papo com um amigo corredor de longa data, que também é cardiologista, esclareci alguns pontos importantes – e que devem ser considerados, antes que os sedentários de plantão saiam defendendo a vida na inércia e que “se exercício fosse bom, tartaruga não viveria 300 anos”. Primeiramente, há de se mencionar que a ocorrência de um infarto ou morte súbita num esportista ou atleta deve ser bem esclarecida, pois a própria atividade física pode ser o gatilho para uma doença pré-estabelecida.

Na maior parte das vezes, a pessoa desconhece que tem alguma patologia (algo bem comum, ao meu ver, pois é raro quem faz os exames certinhos, com a regularidade exata, já que é algo que custa tanto financeiramente quanto em termos de disponibilidade de tempo).

Claro que o carro “dá pau” com a rodagem, assim como nosso corpo: com menos de 35 anos, sofrer um infarto do miocárdio é muito pouco comum, porém os dados estatísticos do Comitê Olímpico Internacional conseguiram detectar em 40 anos, que surpreendentes 10% de mortes de atletas jovens foram provocadas pelo infarto do miocárdio, e mais ainda, a maioria tinha como fator de risco mais importante os níveis elevados de colesterol (outra surpresa). Os jovens atletas tinham entre 15 e 30 anos.

Outra causa do infarto em jovens foi uma alteração congênita da anatomia da irrigação sanguínea do coração, conhecida como origem anômala maligna da coronária. As lições vêm confirmar algumas teses de que o esporte não corrige o colesterol ruim advindo dos maus hábitos de vida, principalmente da qualidade da alimentação, em relação ao consumo de gorduras, o que faz a diferença nos níveis do colesterol. A origem anômala poderia ser suspeitada pelo teste ergométrico e mesmo pelo ecocardiograma, se forem feitos por um médico.

Adultos com mais de 35 anos, agora sim, tem no infarto a principal causa de morte na atividade física, e o dado mais esclarecedor, a imensa maioria dos casos estava com pelo menos dois dos fatores de risco não controlados efetivamente. Por exemplo: a pressão estava só um pouco aumentada, o colesterol estava só um pouquinho acima do normal e assim por diante. O que obriga o médico ser rigoroso no tratamento desses fatores de risco.

Não sou médica, mas leio bastante sobre o tema. O que eu digo? Nada vai nos garantir saúde eterna. Como ouvi de uma velhinha bem-humorada no supermercado, “de alguma coisa vamos ter que morrer!”.  Mas ó: se pegarmos numa imensa amostragem, a chance de pessoas sedentárias, com sobrepeso e/ou descuidadas com a saúde de um modo geral adoecerem é estratosfericamente maior do que a da legião de corredores ou praticantes de atividades físicas. Se falarmos da saúde mental, então….ih, isso é assunto para outro imenso texto!

Em caso de dúvidas, recomendo: keep running. No bom português, siga correndo. E, claro, confiando no velho e bom check-up.

 

 

A fuga do peru

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Peru

Final de ano, época de desacelerar e deixar as atividades físicas de lado e dar um tempo, certo? Errado! Sou daquelas que acreditam que a endorfina é altamente necessária para lidar com situações estressantes – e para mim, se há algo que me deixa com os nervos à flor da pele é a loucura do Natal e Ano-Novo. Gente enlouquecida comprando, restaurantes e supermercados cheios, trânsito infernal e um clima de corre-corre capaz de deixar ansioso até um monge budista. Fora a tranqueira, me dá uma sensação de tristeza, normal para quem perdeu familiares recentemente. Embora ainda comemore essas tradicionais datas ao lado da família –  e que meu filho de cinco anos dê uma leveza maior a tudo isso e até me faça ter empolgação para montar uma colorida árvore de Natal e sorrir ao ver o velho batuta -, no fundo, no fundo, acho essa época, a cada ano que passa, cada vez mais vazia em sentimentos e mais rica em futilidades consumistas.

E o que a corrida tem a ver com isso? Bem, a corrida para mim é uma válvula de escape. E uma excelente desculpa para fugir de “roubadas natalinas”. Me sinto numa legítima “Fuga do Peru”. Convite para o famigerado amigo-secreto? Poxa, me desculpe, tenho treino amanhã. Janta da turma de 1995? Ixi, vai cair bem no dia da Maratona das Renas de Nariz Vermelho. Pode parecer (e é) super antipático dizer isso, mas a verdade é que hoje não troco uma manhã de sol por qualquer evento social. Ainda mais se esse evento tiver como simples pretexto o encerrar de mais um ano. Poxa, não se veem o ano inteiro, mal ligam para saber como estão, só sabem que a amiga ganhou filho pelo Facebook e agora pretende ver toda a cambada em 15 dias? O resultado dessa estratégia de reintegração social a jato é desastrosa para muitos. Já ouvi de uma amiga (dessas que não dispensa uma famosa BL, ou Boca Livre) que seria preciso encomendar um fígado TotalFlex para dar conta do recado no presente mês, que esse sim, para mim é o mês do cachorro louco.

Hoje no final da manhã, quando saí para rodar 29 quilômetros pela orla do Guaíba, fiquei contente por ser uma das poucas que estava ali, na rua, embaixo do solaço, curtindo a brisa da cidade. Ao invés de procurar sarna para me coçar num shopping, optei por viver meu dia como todos os outros. Os presentinhos de Natal já foram providenciados há muito tempo. Sim, eu cumpro com o script e faço tudo direitinho. Só que duma forma bem menos frenética.

Sou, por exemplo, uma das poucas que só irá se refestelar numa praia depois que todos voltarem, mais cansados do que foram, gastar seu décimo terceiro todinho no réveillon pulando as sete ondinhas, ou no nosso aprazível Litoral Norte, ou num dos paradisíacos balneários catarinenses, ou nas charmosas playas uruguaias, repletas de playboys que rasgam notas de 50 pilas a bordo de um iate com popozudas panicats. Eu, coitada, ficarei na amada Porto Alegre, vazia, silenciosa. Curtir aqueles dias que dá para correr pelado na Borges de Medeiros, quando  não há uma alma viva. É uma oportunidade única para passear, tomar aquele chimas beeem tranquilamente…e para correr ou dar uma banda de bike, então? Não tem coisa melhor.

Se estou ficando velha? Faz tempo. Mas taí uma das coisas boas de quando o tempo passa: saber o que nos agrada a cada momento. Hoje eu só quero paz, sol e água fresca – e muitos quilômetros pela frente. Para mim, a temporada dos longões está aberta!

 

Subida, para que te quero

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subidas

De todos os desafios que surgem diante de um corredor, mesmo o mais experiente, enfrentar subidas intermináveis talvez seja o que mais tira o sono. Não sou especialista em corridas com altimetria elevada. Admito que se há algo que tenha que melhorar, é manter o ritmo sem sofrer feito um cavalo manco em provas de aventura, repletas de pirambeiras. Um exemplo claro dessa minha deficiência ocorreu no início do ano, quando fui para a Patagônia Run, na Argentina, sem ter a real noção do que é enfrentar 100 quilômetros praticamente subindo e descendo em tempo integral, em condições totalmente adversas para uma corredora de asfalto. Pedi água para todos os santos, quase ajoelhei pedindo clemência e cruzei a linha de chegada exausta como nunca.

No sábado que segue, terei 256 curvas para enfrentar na Uphill Marathon, na Serra do Rio do Rastro, maratona de 42,1 km montanha acima. No Estado vizinho, Santa Catarina, tenho certeza que perderei o fôlego com as paisagens, mas as incomodativas subidas estarão lá, sem arrego. Embora seja um evento “festivo”, promovido pela Mizuno e não haja uma cobrança, pelo menos para mim, de bater um tempo incrível, me dá arrepios de pensar o quanto terei que me concentrar para não falar vários palavrões ao sentir minhas coxas queimando e pensando “maldita hora que aceitei correr aqui”. Me conheço e sei que ladeiras não são o meu forte, que eu sofro, que me há boas chances das lágrimas escorrerem de dor. Mas enfim, faz parte do jogo e no final sempre é bem divertido e emocionante.

Tenho uma penca de amigos que amam provas de aventura. Mato, barro, trilha, quanto mais acidentado o terreno, melhor. E creio que há até um tipo físico melhor para esse tipo de pedreira: atletas de pernas fortes, que investem pesado em musculação e treinam invariavelmente nessas condições se dão bem pra caramba. Os montanhistas que vi na Patagônia, que mais pareciam aranhas subindo montanhas de mais de 1.800 metros de altitude, me impressionam e ganham toda minha admiração. Terminavam a prova de 100 quilômetros em pouco mais de 10 horas, o que para mim é um feito colossal.

Para quem pretende se aventurar em provas parecidas, de trail – que cada vez crescem no Brasil e no exterior –, recomendo fazê-lo o quanto antes. E investir em treinos específicos. Vamos ser claros: em muito treino. Eu já senti na pele o que é tomar um pau violento por falta de preparação.

Numa matéria escrita pelo editor da Runner’s, Sérgio Xavier Filho, dá para ter uma boa base do que é preciso para tocar ficha morro acima, morro abaixo. Ele entrevistou um expert no assunto, José Virgino de Morais, um “cabrito” de marca maior. Reproduzo aqui as dicas, que estão nesse link.

1)    A subida cansa. A descida machuca. Musculação nas pernas é fundamental para ambas. Com treino específico, é possível render mais e evitar lesões.

2)    Passada curta e corpo inclinado para a frente na subida. Na descida, alargue a passada e “flutue”. O impacto na descida é maior quando se trava o movimento. Segurar a descida em nome da segurança: sim. Travar: não. O ideal é tentar descer sem “chapar” o pé no solo, tocar levemente o calcanhar no chão e aproveitar a parte da frente do tênis como uma mola.

3)    Sofrer menos é questão de treino. Inclua uma ou duas sessões de subidas na planilha da semana. O corpo acostumará com o esforço e, no dia da prova, a piramba virará rampinha.

4)    Na subida, evite jogar o pé para trás. É energia jogada fora. Quem consegue usar o primeiro terço do pé para subir aproveita melhor a impulsão.

5)  Os corredores só se lembram das pernas, mas os braços são fundamentais para a corrida eficiente. Na subida, como um pêndulo, eles devem acompanhar o movimento e passar na altura da cintura. Na descida, servem mais para manter o equilíbrio e acertar o centro de gravidade do corpo.

6) Muitos seguram a respiração na subida. Erro crasso. O corpo precisa de mais oxigênio. Para se lembrar disso, respire forte, como um cavalo.

7) No fim de uma subida, nosso instinto é reduzir para retomar o fôlego. Não é necessário. A própria entrada no plano já dará a sensação de um terceiro pulmão. Não reduza o ritmo, que você receberá em segundos um balão de oxigênio. E retome as passadas na amplitude normal. Não é necessário mais passinho curto, muitos se distraem e seguem no plano como se estivessem subindo.

8) Sempre, antes de começar a subida ou descida, defina a estratégia. Se estiver no início de prova, dose a força na subida. Se for para descer forte, execute o que pensou. Tentar travar no meio do caminho pode render um belo tombo.

9) Numa descida em trilha, a tendência natural é escolher o “lado limpo” da trilha. É justamente o mais escorregadio. Escolha a parte suja, com galhos, pedras, grama.

10) O tênis é como um pneu. Em uma descida, a virada brusca costuma terminar em acidente. Quando o tênis fica de lado, a escorregada é a lógica.

Em Tóquio: de corredora a andarilha

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Domingo, 6h42min. Estou há quatro dias em Tóquio. Depois de uma viagem pra matar qualquer um de cansaço – foram 25 horas de avião, somando a conexão São Paulo/Quatar, Quatar/Tóquio -, posso passar uma breve impressão do que é esta metrópole.

Difícil encontrar palavras para descrever uma cidade tão moderna, mas ao mesmo tempo tão fixada em suas raízes. Os orientais conseguem oferecer a quem vem de fora um cenário cosmopolita, lotado de poluição visual, mas ao mesmo tempo minimalista e organizado. Não há sensação de caos. Em toda parte, há um refúgio: ou um parque com frondosas árvores, um charmoso ou aconchegante café, uma galeria de arte.

Já conseguimos visitar três regiões, pelas quais caminhamos o dia inteiro – e motivo pelo qual, desde que cheguei, não corri nenhum dia. Por baixo, rodamos mais de seis ou sete horas sem parar (se eu pegasse um GPS, iria me apavorar, com certeza). No primeiro dia, fui fazer um Transport no hotel e quase morri de cansada ao longo do dia. Não rola, nesse caso, juntar turismo e treino.

Bem, falando em exercícios: pelo que tenho visto, Tóquio não é uma cidade na qual você vê corredores por toda parte. Mesmo nos amplos parques, com áreas imensas, a proporção de atletas não corresponde ao tamanho da cidade. Vi pessoas trotando no belo Parque Chiyoda, próximo ao Palácio Imperial e também na região de Ueno. Mas digo: mesmo abrigando uma das cinco maratonas “majors” do planeta, Tóquio não tem como tradição reunir grupos de corredores em todo canto.

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Individualista, o atleta japonês corre sozinho, não em bando. Claro que ainda não conferi toda a geografia local – essa é apenas uma impressão do que visualizei até o momento.

Algo que me chama muito a atenção nos japoneses é o biotipo extremamente magro. Dá para perceber que a prática de exercícios não é lá uma prioridade. Eles caminham, sim, muito. E comem pouco. Para nossos padrões, diria que vir para o Japão é entrar num regime forçado. Pouquíssima carne vermelha no cardápio, porções frugais e uma gastronomia que prima pelo frescor e qualidade dos alimentos, embora se coma muito na rua e as opções de “fast food” sejam para lá de estranhas. Raríssimo ver japoneses obesos. As mulheres, sobretudo, impressionam pela magreza, com pernas que mais parecem hashis.

Não entrarei no mérito da moda, que em Tóquio é, para mim, o centro das atenções. Nunca vi gente tão bem vestida, nos mínimos detalhes.
Mas isso é assunto para outra hora.

Agora, vou tomar um café e sair para caminhar mais algumas dezenas de quilômetros por Tóquio. A corredora aqui virou uma andarilha. Vou dizer: que tá valendo a pena, ô, se tá.

Para vocês, oyassuminassai*. Para nós, ohayô gozaimassu**!

* boa noite **bom dia

A fera das 24 Horas

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anjos

Quem vê essa forte “alemoa” correndo, não imagina que se trata de uma das mais experientes ultramaratonistas do país. Natural de Três Coroas – cidade famosa pelos passeios de rafting –, no belo Vale do Paranhana, Gildiane Souza Heusner, 41 anos, é uma verdadeira máquina de correr.

Para se ter uma ideia, entre seus feitos, está o primeiro lugar nos 235 quilômetros de uma das provas mais duras de montanha do país: a Ultra dos Anjos, em Minas Gerais, fantástica conquista que concluiu em 48 horas e 18 minutos (isso mesmo, dois dias inteiros correndo sem trégua). Na frente dela, apenas um homem cruzou a linha de chegada, com diferença de míseros cinco minutos.

Além de corredora das boas, Gildiane, que é secretária e mãe de dois filhos (uma menina de sete anos e um rapaz de 18 anos, que muitas vezes a acompanha nas competições), é uma figuraça conhecida pelo sorriso fácil, carisma e humildade. Seu sonho é ficar velhinha correndo e influenciar cada vez mais pessoas a iniciarem esse esporte, que para ela foi muito além de uma terapia: com a corrida, Gildiane encontrou a si mesma: uma criança faceira, cheia de energia e, acima de tudo, incansável nos seus objetivos.

Com vocês, a guerreira Gildiane, que concedeu a seguinte entrevista por e-mail:

 

Santa Corrida – Conte um pouco da tua história como corredora. De que forma começou, há quanto tempo?

Gildiane Hauser – Comecei na academia para manter a forma, apenas isto. Eu caminhava todos os dias uma hora na esteira, e aí, aos poucos, comecei a alternar com minutinhos de corrida, pois eu li que correr era bom para depressão. Na época, eu tomava medicamentos há mais de cinco anos. Decidi tentar e acabei me apaixonando: quando vi, corria 10 quilômetros, que para mim era uma alegria imensa! Foi quando veio o convite de participar em uma equipe de revezamento na Volta a Ilha de 2009. A princípio, eu achei uma loucura, mas aceitei o desafio e fui lá correr 18 quilômetros. Chorei tanto de emoção como de dor, pois voltei machucada. Quase enlouqueci. Foram dois meses sem correr. Daí, vi que não podia mais viver sem a corrida.

 SC – Como foi sua evolução para as ultramaratonas?

Gildiane – Eu fazia meus treinos de 10 quilômetros, mas sempre queria mais. Aos poucos, fui começando com os treinos mais longos. Meu sonho era fazer a TTT (Travessia Torres-Tramandaí), então decidi fazer uma ultra de seis horas para ver como me saía…e adorei! Isso foi em setembro de 2011, depois disso não parei mais.

SC – Qual o principal desafio e dificuldades de enfrentar provas tão duras como as de 24 horas, categoria na qual você se especializou?

Gildiane – O  maior desafio é o sono e as bolhas, que sempre aparecem no decorrer da prova. Tem um momento, que ocorre em todas as provas, sempre lá pelas três horas da manhã, que eu quase apago…a partir daí, o que me salva é a cafeína e a dor causada pelas bolhas. Aprendi a administrar, mesmo não sendo nada fácil.

SC – Como você faz para treinar e conciliar a rotina profissional e a família, afinal, os treinos são muito duros…

Gildiane – O jeito é abrir mão de algumas coisas, mas não me importo com isso. Eu abro mão do meu almoço, pois faço um treino no meu intervalo do meio-dia, de 10 Km, outro depois das 17h30min de mais 10 Km, e quando tenho parceria ainda faço um terceiro treino. Além disso, ainda tem a parte de musculação, que temos que levar muito a sério. Acabo meus treinos lá pelas 20h. Só então vou para casa assumir o papel de mãe e cuidar da Mariana, que tem sete anos, e dar atenção também ao Gustavo, que tem 18 anos, e que quando pode, faz meu apoio nas provas.

SC – E para quem deseja virar ultramaratonista, qual o conselho que daria?

Gildiane – Primeiro, é preciso querer muito e não ter preguiça para treinar, não importa se estiver fazendo zero ou 40 graus. Temos que estar preparados para qualquer situação. Uma das coisas mais importantes que faço é escutar meu corpo e respeitar meus limites.

SC – Quais seus objetivos para os próximos anos?

Gildiane – Tenho mais duas ultras programadas para este ano, que é uma 24 horas no mês de novembro em Valinhos (SP). A outra é uma 48 horas no mês de dezembro em Guarujá (SP).

SC – O que é a corrida, para você? Qual o significado dela na sua vida?

Gildiane – A corrida para mim é sinônimo de vida, eu não consigo imaginar minha vida sem ela, é prazer, é alegria, é voltar a ser criança, e para mim é uma alegria imensa quando consigo influenciar alguém a começar a correr. Sempre brinco que vou comemorar meus 100 anos nas pistas.

 

Marcas impressionantes

campinas

– A primeira 24 horas foi o Desafio Farroupilha de Porto Alegre, em setembro de 2012, quando bateu o recorde feminino que era de 171km. Ela fez 180km.

– A segunda prova foi a 24 horas de Campinas, no mês de novembro de 2012, quando também bateu o recorde feminino que era de 168km. e o meu recorde (ela percorreu 188km).

– Em maio de 2013, a atleta bateu o recorde feminino nas 24 horas de Santa Maria, com a marca de 185km. Também no mês de maio, ela participou do dia do desafio em Porto Alegre, quando correu 12 horas na Redenção em baixo de muita chuva e fez 99km.

– No mês de junho, Gildiane venceu a Ultra dos Anjos, em Minas Gerais, percorrendo os duríssimos 235km de montanha em 48 horas e 18 minutos.

– Em julho, arrecadou 240 kg de alimentos e 40kg de ração para cães num Desafio Solidário de 12 horas na sua cidade natal.

– Em agosto, a ultramaratonista foi para Valinhos (SP) disputar uma prova de 12 horas e venceu com 110 km.

– Em outubro de 2013, nas 24 Horas de Rio Grande, bateu vários recordes: o pessoal de 12 horas, com 112km percorridas, e ainda o da prova, que era de  172,6 quilômetros: Gildiane chegou aos impressionantes 191km.

Escapando das crateras

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buraco

Há uma série de maneiras de medir o desenvolvimento de uma cidade. Entre elas, julgo eu, está a limpeza e conservação de ruas e avenidas – sobretudo no que diz respeito às calçadas.

E quer saber realmente como está o estado da via pública? Pergunte a um maratonista. Não há sujeito mais ciente desta realidade e crítico ao estado lamentável do chão onde pisamos – e o pior, no caso dos corredores, em alta velocidade.

Por rodar dezenas de quilômetros por semana, canelas finas sabem de cor onde há buracos, desníveis e obstáculos capazes de botar qualquer sujeito de molho, com torsão ou até fratura causadas por uma pisada mal calculada.

Traiçoeiras, as crateras (muitas vezes camufladas por trás de árvores, muros e esquinas) são uma inimiga constante. Hoje mesmo, perto da minha casa, em Petrópolis, deparei com algo assustador no meio duma calçada situada em frente a um dos nobres edifícios da região: não era um buraco, era um túnel. Cheguei a parar para olhar mais de perto. Certamente, uma família de guaxinins viveria na boa no local. Qualquer desavisado corredor – ou pior, uma criança ou um idoso – correriam sério risco de sofrer escoriações graves numa queda dessas.

Claro que essa não é nenhuma novidade. Há décadas, Porto Alegre e outras cidades brasileiras deixam a desejar neste quesito. O bom é que existe um movimento interessante ao nosso favor, criado pela prefeitura de Capital: a campanha “Minha Calçada: Eu Curto, eu Cuido, que além de tentar conscientizar o pessoal para a importância de manter o lugar onde as pessoas pisam num estado no mínimo decente, autua os proprietários que não fizerem a manutenção correta. Dá para saber como anda o projeto clicando aqui

Também achei bacana esse manual, que dá dicas de manutenção e conservação das vias públicas.

Obviamente, é um começo, mas já representa uma bela iniciativa para melhorar o atual cenário. Fiscalização sempre falta: bom senso, nem se fala.

Uma boa seria replicar a iniciativa para diversas outras cidades brasileiras. Vale lembrar que esta é uma questão de segurança, em primeiro lugar.

Os corredores – e o restante da população, claro – agradecem e aplaudem!

Ajustando o termostato

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Quem saiu para a rua durante o domingo ensolarado dificilmente não deve ter reparado na quantidade de pessoas praticando atividades físicas ao ar livre. O dia, que amanheceu amarrado, mudou completamente a partir do meio-dia, quando o sol brilhou forte e levou embora a alta umidade que incomodou quem acordou cedo para treinar – meu caso.

A sensação de desgaste foi nítida nos primeiros cinco quilômetros. Fiquei pensando: daqui pra frente, inicia a época de tortura pra quem sofre com as corridas no calor. E vamos combinar: o Rio Grande do Sul é tinhoso para acelerar nos meses mais quentes. A partir de novembro, aqueles que elegem o horário do almoço para rodar devem redobrar os cuidados com o desgaste físico. Passar do ponto é bem fácil – e pode ser bem danoso ao organismo.

Lendo sobre o assunto, achei uma matéria bem interessante na excelente revista O2 Por Minuto, que alerta para os perigosos reflexos da pane no nosso termostato interno: acima de 5ºC da normalidade corporal, há um “cozimento” das proteínas celulares. Num limite extremo, o cérebro é o órgão mais afetado. Cãimbras, náuseas, vômito, tontura, desmaios e até falência cardíaca estão na lista de problemas.

Nunca esqueço do fatídico ano de 2012, quando um atleta de revezamento caiu na minha frente, passando mal na Travessia Torres-Tramandaí (TTT), quando o sol castigava a gauchada na beira da praia após o meio-dia, com uma sensação térmica de mais de 40 graus à sombra – no sol, os miolos pareciam fritar. Nunca vou esquecer das feições dele, que além de desmaiar, vomitava sangue, desidratado. Por sorte, ele se safou dessa, resgatado por uma ambulância.

Para quem quer entender um pouco mais – até porque creio que conhecimento técnico é primordial para qualquer bom corredor –, sugiro ler a matéria clicando aqui.

Normal que a empolgação aumente nessa época (quando todos querem correr atrás do preju de meses enchendo o pandulho em casa no inverno), mas o ideal é ir com parcimônia nos treinos mais intensos nos dias escaldantes.

Uma grande conquista

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Nasce hoje o blog Santa Corrida. Um projeto de longa data, mas que teve uma hora certa para acontecer – como, aliás, quase tudo na vida. Para mim, é motivo de comemoração e alegria. Consegui, finalmente, juntar minha profissão de jornalista e a vontade de contar histórias com a paixão da corrida. A concretização desse sonho tem a ver com muitos esforços e de muito planejamento (não, nada cai do céu, isso eu jamais contestarei). Mas, também – e principalmente – tem relação com aquele velho conselho dos bens sucedidos, que jamais dei muita bola: “se você fizer o que você gosta, as chances de dar certo são bem maiores”.

Há quem diga que trabalhar com o que gostamos de verdade, com o que mexe não só com nossa mente, mas com nossos corações, é um privilégio para poucos. Outros afirmam que é uma questão de sorte. Outros, de oportunidade. E há os que defendam a mágica fórmula dos 90% de transpiração e 10% de inspiração. Eu acredito em todas essas teses, de certo modo. A que mais me agrada é a teoria da paixão pelo que se faz. Eu amo ser jornalista, mas amo correr. Por que, então, não juntar essas duas coisas?

Então aqui está o Santa Corrida. Espero atualizá-lo diariamente com muito conteúdo de qualidade, seja por meio de textos, artigos, notícias, vídeos, entrevistas, textos de colaboradores e coberturas de eventos. Pretendo, da mesma forma, dar dicas valiosas para quem deseja cumprir seus objetivos da melhor forma, dos iniciantes aos corredores mais avançados.

Quero também abrir o espaço para a troca de ideias, para divulgar nossos talentos, apresentar personagens reais desse encantador universo esportivo. Há muita história boa para ser contada!

Assim como o nome diz, a corrida é um santo remédio. Minha intenção é que as doses diárias que irei “administrar” aqui no blog possam servir como um potente estimulante. O melhor é que o uso pode ser feito sem parcimônia. Leia, comente, compartilhe.

Uma boa leitura…e, claro, bons treinos!