Correr: a arte de seguir sem olhar pra trás

Publicado por | março 15, 2018 | Mente de corredor | Nenhum Comentário
Mick Jagger já disse em entrevista que deve a sua excelente forma física às corridas diárias

Mick Jagger já disse em entrevista que deve a sua excelente forma física às corridas diárias

If it’s love that you’re running from (se é do amor que você está fugindo)
There is no hiding place (não há esconderijo)
Just your problems, no one else’s problems (são os seus problemas, não os de mais ninguém)
You just have to face (você terá que encarar)

If you just put your hand in mine (Se você colocar suas mãos nas minhas)
We’re gonna leave all our troubles behind (nós iremos deixar todas as nossas encrencas pra trás)
Gonna walk and don’t look back (Vamos andar e não olhar para trás)

……

Em muitos longões (corridas mais longas), carrego essa trilha cantada magnificamente pelo mestre do reggae Peter Tosh e pelo ícone Mick Jagger (confira no Youtube clicando aqui). Embora tenhamos o vício de revisitar nossos erros com frequência – essencial para refletirmos e tentarmos fazer diferente na próxima vez -, creio que a vida só segue com dinamismo se exercitarmos a arte de preferir olhar pra frente e não se deter tanto no que já fizemos ou já ocorreu. Afinal, só podemos mudar o hoje, o agora, e o que irá ocorrer daqui pra diante será fruto dessas atitudes, tomadas com a cabeça erguida, olhando pro horizonte.

Tudo isso tem a ver com autoconhecimento e engloba um tanto mais de filosofia e de psicologia. Será que estou “viajando”? Bem, sempre….kkkkk….(((( ;

Vou tentar ser mais clara.

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Defendo a teoria de que correr é meditar. Muito mais do exercício físico, a corrida envolve um encontro mental e até espiritual. Por essência, é um esporte individual, característica que, ao meu ver, a tem catapultado, na última década, para o topo do ranking das modalidades mais praticadas no mundo.

Para mim, o que vicia nesta modalidade não é o simples benefício muscular, estético ou cardiovascular. Não há médico que explique. Quem descobre a corrida, descobre uma nova forma de ver o mundo. E é uma maneira simples, mas genuína e intensa, que apaixona tanta gente.

Ao longo de mais de 20 anos de prática da corrida de rua, conheci gente de todo tipo: de atletas profissionais a praticantes de “corridinhas” de final de semana. Em comum, todos eles revelaram nos olhos, brilhantes e energizados, uma sensação de prazer extremo. Me confessaram não saber viver mais sem o prazer do dever cumprido, da planilha executada na íntegra, na alegria de completar essa ou aquela prova. São garotos-propaganda voluntários, fazem questão de compartilhar suas experiências e incentivar aqueles que nunca experimentaram a alegria de uma hora de corrida intensa.

O que mais me alegra, sendo uma atleta amadora dedicada e tão apaixonada por esse esporte, é ver o crescimento em escala geométrica de corredores de norte a sul do Brasil. Graças às redes sociais e à bendita internet (que, quando não atrapalha, ajuda demais a vida da gente), tenho me comunicado com gente de todo canto, que me pede dicas, conta histórias inesquecíveis, planeja junto provas ao redor do mundo e vibra a cada conquista. Porque, depois de olhar pra frente, a gente olha pros lados pra ver quanta gente bacana tem nesse mundo (ainda!).

Cada um tem uma missão na vida. Não vim aqui para passeio no shopping. Vim pra passeio ao ar livre, com vento batendo no rosto e adrenalina correndo nas veias!  Mesmo não sendo uma atleta tão gabaritada e ter uma série de defeitos e limitações, acredito que consigo plantar uma semente na cabeça de pessoas que desejam sentir o lado, ao meu ver, mais bacana de ver a vida: com os pés no chão, os olhos no céu, a mente aberta e, principalmente, o coração sedento de novos desafios.

Keep walking…ou melhor, keep running!

keep

Um abraço e bons treinos a todos!

 

 

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