Correr é aprender a sofrer

A frase pode parecer um mantra de masoquista. Calma. Não pense que todo corredor é um sofredor por natureza. Deixe explicar minha teoria.

Corro há quase duas décadas, continuamente. Isso não quer dizer um mês sim, outro não. Falo de treino diário, suado, faça chuva, faça sol. Inverno ou verão. Com céu de brigadeiro ou tomando canivete nas paletas. O que me dá um respaldo suficiente para resumir (toscamente, ok), o que é esse esporte para mim. Se fosse escolher três palavrinhas, tascaria de prima: “aprender a sofrer”. Sim. Porque não pense aí você, que vê um maratonista de longa data rodando feito lebre, que o negócio é fácil e “está no DNA”.

Alguma dúvida do perrengue?

Alguma dúvida do perrengue?

Embora há inúmeros estudos comprovando a influência dos genes paternos e maternos na nossa eficiência biomecânica e energética, jamais poderemos esquecer do que está na base de tudo, e que – ao meu ver, tem TODA diferença. É a capacidade de tolerarmos a dor e seguirmos adiante. Mesmo nos dias ruins.

Esses dias, por acaso, li um artigo muito interessante na revista Gracie Mag, falando sobre os ensinamentos para os lutadores de jiu-jitsu (que admiro muito). No texto, uma citação chamou atenção:

“Acostume-se com a adversidade. Treinar cansado, sem vaidade e sem pensar no resultado, faz parte do caminho do guerreiro. Em breve, isso será normal para você e fará toda a diferença numa eventual competição. Entender como você se porta cansado vai ajudar no seu autoconhecimento”.

Precisa falar algo mais?

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Resiliência – a “arte de se f*** e seguir em pé, resumindo – segue norteando toda a base do bom treinamento. Qualquer atleta que se preze, amador ou profissional, aprende (na marra ou não), que saber aguentar no osso o tranco é a chave do sucesso. Há dias ruins, dias bons, dias péssimos e outros nem queremos comentar de tão sofríveis. E é por isso mesmo que tem graça. Se fosse tão barbada, qualquer um corresse uma maratona como vai no supermercado comprar bananas…

A meritocracia do maratonista é um patrimônio valioso. Todos que já correram 42.195 metros sabem do que estou falando. Não menosprezando as distâncias menores – afinal, os velocistas estouram as coronárias por um motivo muito nobre. Independente da distância, tempo ou qualquer outro parâmetro, estamos falando aqui de superação construída diariamente, mental e fisicamente.

Na manjada e inevitável metáfora da corrida com a vida, mais uma afirmação que faço sem pestanejar: os mais fortes triunfam.

Quem disse que viver seria lomba abaixo, com vento a favor?

É vento contra. Lomba acima.

Mas a gente guenta.

Pode mandar mais, que estamos com muita sede de vida – e de corrida, até o fim dos nossos dias!

* Keep Running!

Bons treinos a todos. ( ;

 

 

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