Maratona…é sempre maratona

Publicado por | dezembro 09, 2014 | Sem categoria | Nenhum Comentário
Pra quem decidiu na terça-feira anterior à prova correr, tá de lamber os beiços

Pra quem decidiu na terça-feira anterior à prova correr, tá de lamber os beiços

 

“Maratona é sempre maratona. Sempre são 42 quilômetros. Não tem fácil”. A sentença me veio à cabeça imediatamente após percorrer os 42.195 metros da Maratona Caixa Rio Grande do Sul, que ocorreu no sábado à noite na orla do Guaíba, em Porto Alegre. Não importa quantas pessoas estejam correndo com você; se há chances ou não de pegar pódio; se você treinou direitinho e está num dia excelente. A distância sempre será a mesma, e o sofrimento – mesmo para os mais experientes – é certo, sobretudo na segunda metade da prova.

Claro que existem fatores agravantes ou atenuantes, como o clima, altimetria e pressão psicológica. Falando com atletas supercalejados, daqueles que já correram mais de 40 maratonas, sempre ouvi a mesma frase: cada prova é uma prova. E nenhum deles, desses cascas-grossas, chegou ao ponto de falar que “foi uma barbada”.

Para um cidadão comum, imaginar correr 15 minutos sem parar já é um baita feito. Daí eu entendo a cara de espanto quando falamos que demoramos três, quatro, ou cinco horas para finalizar o percurso olímpico. Sim, é um feito grandioso. Não existe maratonista de longa data que não saiba conviver com a dor de forma madura. Porque os aventureiros desistem na primeira tentativa. É o famoso “fogo de palha”. Tem que ser muito cascudo, cabeça-dura e persistente para aprender a aguentar o tranco.

No sábado à noite, quando larguei na Maratona Caixa – minha quarta maratona do ano, com a Maratona Internacional de Porto Alegre, a de Punta del Este e a Mizuno Uphill -, não sabia se terminaria em boas condições, já que os treinos para a ultramaratona Travessia Torres-Tramandaí (TTT) me fizeram diminuir bastante o ritmo.

O que eu vi foi incrível: um corpo bem adaptado ao sofrimento, pelo volume dos treinos e do lastro de provas incessante de 2014, e uma mente serena, que eu julgo ser o mais importante.

Cruzei a linha de chegada forte e contente, liderando a prova de ponta a ponta, e vibrando com a conquista pessoal, mas também com a de tantas pessoas que fizeram pela primeira vez uma maratona. A alegria e o sorriso dessa vitória – que não pode ser medida em troféus, medalhas, pódios ou outras parafernálias – é único.

Por mais que digam que é insanidade, defenderei e incentivarei sempre um corredor a correr a dita distância. Antes de fazer uma, você nunca saberá.

Como prega o “Locomotiva Humana” Emil Zapoteck, “se você quiser correr, corra uma milha. Se você quiser mudar de vida, corra uma maratona”.