Uma grande conquista

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Nasce hoje o blog Santa Corrida. Um projeto de longa data, mas que teve uma hora certa para acontecer – como, aliás, quase tudo na vida. Para mim, é motivo de comemoração e alegria. Consegui, finalmente, juntar minha profissão de jornalista e a vontade de contar histórias com a paixão da corrida. A concretização desse sonho tem a ver com muitos esforços e de muito planejamento (não, nada cai do céu, isso eu jamais contestarei). Mas, também – e principalmente – tem relação com aquele velho conselho dos bens sucedidos, que jamais dei muita bola: “se você fizer o que você gosta, as chances de dar certo são bem maiores”.

Há quem diga que trabalhar com o que gostamos de verdade, com o que mexe não só com nossa mente, mas com nossos corações, é um privilégio para poucos. Outros afirmam que é uma questão de sorte. Outros, de oportunidade. E há os que defendam a mágica fórmula dos 90% de transpiração e 10% de inspiração. Eu acredito em todas essas teses, de certo modo. A que mais me agrada é a teoria da paixão pelo que se faz. Eu amo ser jornalista, mas amo correr. Por que, então, não juntar essas duas coisas?

Então aqui está o Santa Corrida. Espero atualizá-lo diariamente com muito conteúdo de qualidade, seja por meio de textos, artigos, notícias, vídeos, entrevistas, textos de colaboradores e coberturas de eventos. Pretendo, da mesma forma, dar dicas valiosas para quem deseja cumprir seus objetivos da melhor forma, dos iniciantes aos corredores mais avançados.

Quero também abrir o espaço para a troca de ideias, para divulgar nossos talentos, apresentar personagens reais desse encantador universo esportivo. Há muita história boa para ser contada!

Assim como o nome diz, a corrida é um santo remédio. Minha intenção é que as doses diárias que irei “administrar” aqui no blog possam servir como um potente estimulante. O melhor é que o uso pode ser feito sem parcimônia. Leia, comente, compartilhe.

Uma boa leitura…e, claro, bons treinos!

Sedentos por medalhas – e por lesões

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Embora sejam inegáveis os benefícios da corrida e cresça a cada dia o número de pessoas que queiram surfar esta onda, há de se mencionar que um tsunami de gente que começou a correr nos últimos anos vá parar, quando menos espera, no consultório de um ortopedista com lesões irreversíveis, enfrentando sessões intermináveis de fisioterapia, e, o pior – a longo prazo, colhendo os amargos frutos de anos e anos a fio tomando antinflamatórios sem o mínimo de parcimônia.

Explico: a evolução gradual, conservadora, porém mais saudável, é chata para quem começou a correr há poucos anos e quer ver resultados a pequeno prazo. Na faixa dos 30 e poucos anos, não canso de ver atletas amadores que iniciaram nesse esporte e já acham que são legítimos quenianos. Treinam no limite da sua capacidade, suplementam sem necessidade e camuflam qualquer dor com analgésicos para equinos.

Participam do máximo de provas que podem e dão o sangue em troca de pura vaidade. A saúde? Bem, a saúde fica em segundo plano. O aqui e agora é que vale. Não importa se, daqui uns anos, não estiverem mais aptos a trotar por aí. Não tem pena de seus joelhos, de seu passado de sobrepeso e sedentarismo. Querem efeitos rápidos, o prazer momentâneo, como se colocassem uma ficha na máquina de Coca-Cola e pum! Vem a medalha reluzindo.

O corpo tem memória. Assim como a natureza humana é generosa com quem tem um histórico de prática de atividades físicas durante a vida inteira, é impiedosa com quem quer dar o passo maior do que a perna ou que não respeita seu biotipo e limitações. Quem vai com muita sede ao pote pode se preparar: infelizmente, um dia essa conta pode vir sem avisar. Se duvida, basta perguntar a algum especialista em medicina do Esporte ou um bom ortopedista.

Se já é complicado para pessoas que têm um histórico no esporte, para atletas de ponta, biologicamente privilegiados e altamente assessorados (que praticamente vivem pra isso, só comem, treinam e dormem), imagine para quem tem que aliar treinos pesados para alta performance com filhos, carreira e vida social.

Ninguém é o Wolverine para ter forças descomunais de regeneração. Vamos deixar essa história de seres humanos de aço para as histórias em quadrinhos.

Correr para nós mesmos, e não para os outros, pode ser um bom conselho para dar a qualquer atleta que não disputa provas profissionalmente.

Afinal, o que é mais importante: correr três anos a 16km/h ou a vida inteira a 12 km/h, curtindo a paisagem? Eu escolhi a segunda opção. E você?

Correndo na pátria das chuteiras

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Segundo esporte mais praticado do Brasil, a corrida só perde para, claro, o futebol no número de adeptos. Porém, vejo (pelo menos aqui no Rio Grande do Sul e, não raro, no restante do País), uma míope visão dos empresários brasileiros, que estão comendo mosca ao não investirem seu rico dinheirinho no patrocínio de atletas e no envolvimento em provas de rua, entre outros projetos ligados a esta atividade esportiva.

Falando com uma amiga norte-americana, corredora e triatleta há mais de duas décadas, fui indagada sobre o panorama da corrida em solo brazuca. Falei que o mercado cresceu em progressão geométrica na última década. Que todo mundo corre, quer correr ou conhece mais de uma dúzia de amigos que pratica o esporte. E então ela me perguntou se eu tinha patrocínio, mesmo sendo uma atleta amadora, mas com alguns resultados expressivos. Ri e disse que não, que isso era uma realidade, infelizmente, não só distante para mim, mas para muita gente melhor do que eu que pena para disputar provas e conseguir o básico, como equipamentos. Que há dezenas de talentos desperdiçados. E que o atletismo é visto como um esporte de beirada, pouco “rentável” para as empresas. Afinal, não é transmitido pela TV (em raros casos), não ganha espaço nobre no jornal. Que corredores talentosos devem conciliar a rotina de treinos com estafantes jornadas de trabalho, muitas vezes em profissões desgastantes, como lavadores de carro, garis, coletores de lixo.

Minha amiga ficou muda. Disse não acreditar que era assim. Afinal, na pátria das chuteiras, de onde saem os melhores jogadores do mundo, não sobra nenhuma verba para quem quer apenas correr?

A realidade, que entristece e muitas vezes me indigna, pode ser mudada. E sou otimista em dizer que será modificada. Que a luz acenda e quem pode investir nesse lindo esporte enxergue o seu real potencial. Vou dizer: para quem quiser surfar essa onda, não há chances para arrependimentos.

Driblando o desânimo

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Divulgação

Você já sentiu “ressaca” de tanto correr? Já tomou um fartão de tanto treino, a ponto de ficar com uma preguiça incontrolável de calçar os tênis e sair para a rua, mesmo para um trote regenerativo? Chegou a pensar em largar esse esporte e passar a, sei lá, jogar xadrez ou sinuca?

Você faz parte do time de corredores que “enche o saco” volta e meia, saiba que isso é perfeitamente normal. Especialistas afirmam que a desmotivação é desencadeada por um estresse, e o fenômeno tem até nome: trata-se da Síndrome de Burnout (burn é queima, out, exterior). Em poucas palavras, ocorre pelo simples fato de que nosso organismo pede uma trégua quando damos o mesmo estímulo a ele. Pode ocorrer com qualquer um, e não só com os esportistas, mas também com profissionais e empresários bem sucedidos.

Irritação, mudanças no apetite ou nos hábitos de sono, abuso de álcool e outras válvulas de escape são facilmente usadas por quem chegou num ponto limite da situação. Mas a boa notícia é que, como tudo na vida, isso passa. Há técnicas que podem ser muito úteis para resgatar o tesão pela corrida. Uma delas pode ser encontrar novos parceiros de corrida, que o acompanharão em treinos e os tornarão bem menos monótonos, além de obrigarem você a mudar de trajetos e de ritmo.

Outra estratégia (a que eu julgo mais eficaz) é dar um tempo mesmo, fazendo outras atividades como ciclismo, natação, caminhadas ou musculação e exercícios funcionais, que darão um upgrade no seu condicionamento físico por meio da utilização de outros grupos musculares e estímulos diferenciados.

O importante é ter consciência que, como tudo na vida, há momentos que devem ser respeitados. Ouça com carinho seu corpo e identifique do que ele precisa.

O corpo é uma engenhoca perfeita e nada é por acaso. Acredite nisso!

E você, o que faz para driblar a desmotivação e seguir treinando?

A mosquinha da corrida

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“Fui picada pela mosquinha da corrida”, escreveu uma amiga no Facebook, onde aparecia sorridente, lépida e faceira, abanando a bandeira do Brasil na empolgante Maratona Internacional de Punta del Este, que ocorreu no último final de semana no país vizinho. Assim como ela, que iniciou os treinos há poucos anos – incentivada pelo namorado, corredor experiente –, vejo cada vez mais a felicidade nos olhos de pessoas que descobriram, ao calçar um tênis e a trotar por aí, uma nova forma de viver, um estilo de vida mais saudável e feliz. Em Punta, onde participei do evento ao lado de mais de 800 brasileiros, pude perceber que esse é um caminho sem volta. Me enche de orgulho e satisfação de atestar o quanto estamos evoluindo para a valorização e consolidação desse apaixonante esporte.

Isso me faz lembrar de quando comecei a correr, ainda na década de 90. Nessa época, poucos se aventuravam em distâncias maiores, como a maratona e seus mais de 42 quilômetros. Quem corria com mais frequência pouco se aventurava a disputar provas, quiçá viajar centenas de quilômetros afim de levar para casa uma medalha.

Corríamos onde dava, de qualquer jeito, com o tênis que tínhamos. Treinador? Nem imaginávamos a possibilidade de ter um. Seria um luxo para atletas de elite. Planilha de treino, nem pensar. Há uma década, mais ou menos, que essa cultura começou a se disseminar no país com mais força, e, felizmente, hoje temos uma realidade favorável para qualquer um que aspire virar um corredor dos bons.

A corrida de rua no Brasil tem crescido em escala geométrica, e o Rio Grande do Sul figura como um dos Estados onde esse fenômeno tem sido notado com grande força. Para se ter uma ideia, hoje temos mais de 800 provas anuais pelos quatro cantos do país, e cálculos apontam que já são mais de 4,5 milhões de adeptos que fazem do esporte o segundo na preferência do público brasileiro, apenas atrás do futebol. Esse “boom”, além de fazer bem para a saúde de quem pratica, é um baita filão de mercado: o crescimento desse setor ultrapassa os 40% ao ano, bem acima de qualquer outra modalidade esportiva.

Ter mais disposição para o corpo e para a mente, preservar a saúde, manter a forma, proteger o coração, envelhecer bem, ampliar a rede de amigos e a visão de mundo, além de tantas outras vantagens. É, essa mosquinha é bem pegajosa. Espero que todos sejam picados por ela.

* Texto publicado no caderno Vida de Zero Hora no dia 28 de outubro de 2013