Quer ser forte e ágil? Aposte no treino funcional

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Ele é a promessa de um corpo saudável para enfrentar os desafios do dia a dia e banir as limitações do envelhecimento. Caiu no gosto de pessoas de todas as idades e níveis de condicionamento – e ganha, a cada dia, mais adeptos.

O método do futuro, quando se fala em malhação eficaz e nada monótona, tem um nome e sobrenome: Treinamento Funcional. Como o termo diz, o objetivo é que o corpo mantenha sua funcionalidade. Em resumo, é preservar a capacidade de executar os movimentos do dia a dia, que vão desde sentar e levantar até alcançar um pote de biscoitos no alto da prateleira.

A técnica ganhou imensa notoriedade nos últimos anos por ter sido eleita para esculpir o corpo de celebridades como Juliana Paes, Deborah Secco e Jennifer Lopez, bem como para turbinar o desempenho de atletas de alta performance, como jogadores de futebol e de tênis, nadadores e lutadores de MMA (Artes Marciais Mistas, popularizada por Anderson Silva). Também ganhou notoriedade ao ser anunciado como o método priorizado por jogadores de futebol de alto rendimento, como Douglas Costa.

Basta olhar nas academias, praças e parques (onde alunos e professores praticam exercícios ao ar livre). O número de adeptos do Funcional cresceu em escala geométrica no número de adeptos nos últimos cinco anos. Mas, afinal, por que ele virou o “queridinho” no mundo todo? Há quem diga que a versatilidade e eficácia dos movimentos é uma das mais fortes razões. Outros afirmam que ele dá mais resultados do que os pesados aparelhos de musculação – e porque dispensa horas intermináveis das aulas de modalidades convencionais, que para alguns mais parecem uma tortura.

Embora repaginada, de novidade, há muito pouco nesse tipo de treino. Poucos sabem que ele tem uma origem remota, que data aproximadamente do período pós Segunda Guerra Mundial . Uma das raízes é a da Fisioterapia, inicialmente uma obscura especialidade médica pouco prestigiada. A segunda raiz é a ciência do treinamento esportivo desenvolvida durante os anos da “Guerra Olímpica” entre Estados Unidos e União Soviética, uma expressão esportiva da Guerra Fria.

“Nada mais é do que tentar reproduzir a ação natural do corpo. Usamos tanto para a reabilitação quanto para o condicionamento físico”, afirma Henrique Valente, um dos fisioterapeutas do Grêmio.

Assim como Valente — que utiliza os princípios do treinamento funcional no time titular do Grêmio há alguns anos — um dos fisioterapeutas do Inter, Mauren Mansur, explica que a “febre” nas academias nada mais é que uma nova roupagem para a chamada cinesioterapia funcional:

— É uma terapia que promove, através dos movimentos naturais do corpo, agilidade, potência, coordenação e estabilidade da parte central do corpo, garantindo maior eficiência neuromuscular.

Treino dinamizado

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Enquanto os exercícios localizados, como a musculação, estimulam os músculos de forma isolada, no modelo funcional o treino é dinamizado com a ajuda de aparelhos simples, como bolas, elásticos, pesos e pranchas. Um dos grandes benefícios, certamente, é o ganho de consciência corporal, com maior força e equilíbrio, além do aumento da percepção do próprio corpo. Os ganhos são globais e perceptíveis.

“Estou fazendo há pouco mais de meio ano e sinto melhoras incríveis. No começo, achei bem diferente, pois estava acostumada com apenas com a musculação. Desde que aliei as duas modalidades, realmente senti uma evolução, que foi absurda”, afirma Monique Terra, 37 anos, de Porto Alegre.

Alto gasto energético

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Também é possível gastar energia — e muita energia — em uma das aulas, que duram de 45 a 60 minutos.  Dependendo do nível de treinamento e intensidade, são queimadas de 400 a 800 calorias. A advogada Luciana Minuzzi, 34 anos, diz que, desde que começou a fazer as aulas, há um ano, conseguiu “secar” oito quilos, além de se livrar de uma lombalgia (dor na região lombar):

“O melhor foi que substituí gordura por músculos. Sinto uma enorme diferença no meu corpo, em todos os sentidos”, diz ela.

Uma opção que se encaixa em todos os perfis e idades

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Qualquer pessoa, em qualquer idade e perfil, está apta para se beneficiar deste tipo de treinamento. O programa apenas precisa ser ajustado para cada condição física. E, é claro, é preciso de regularidade: no mínimo duas vezes por semana, fazendo parte da rotina de exercícios.

Turbinando a corrida

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O Funcional também pode ser um forte aliado de quem pratica modalidades esportivas variadas, como a corrida. Força, velocidade, equilíbrio, flexibilidade e coordenação motora são trabalhadas apenas com o uso do peso corporal e com equipamentos como TRX, cones, camas elásticas, entre outros.

Exercícios simples como agachamentos, saltos e flexões integram boa parte dos treinos, que vão evoluindo em dificuldade a medida em que o atleta ganha condicionamento. A melhora do desempenho ocorre porque o treinamento funcional envolve exercícios de força dinâmica, isolando alguns movimentos característicos da corrida – e, de sobra, ainda trabalha o equilíbrio e fortalecimento da região “core” (músculos de sustentação do tronco), que contribui para prevenir lesões.

Principais vantagens do treinamento funcional

- Aperfeiçoamento do desempenho e eficiência do gesto esportivo.

- Melhora do equilíbrio e correção dos desvios musculares, reduzindo o índice de lesões.

- Melhora da coordenação motora.

- Recruta maior número de fibras musculares e unidades motoras.

- Desenvolvimento da consciência, controle do corpo e postura.

 

 

 

Pré-TTT 2016: pra vencer a guerra

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Pouquinho mais de uma semana pra largada de uma das provas mais aguardadas do Sul do País, a Travessia Torres-Tramandaí (TTT), já vejo gente nervosa. Não há como negar, e pouco importa se você é iniciante ou corredor mais calejado. Sempre rola aquela ansiedade e “friozinho na barriga” – o que acho maravilhoso. Afinal, quando perdemos esse brilho no olho, é porque tem algo errado!

Dessa vez, estarei curtindo apenas como torcedora, do lado de fora, na beira da praia. Participei das seis últimas edições. Venci uma vez em dupla mista, mais quatro vezes na categoria solo. Decidi, após erguer o troféu em 2015, que daria um tempo. Já expliquei os motivos anteriormente. A vontade de encarar a ultra novamente se foi, mas a de incentivar os atletas que ainda acham a competição sensacional – ou que irão estrear nesse ano – segue forte como nunca.

Então lá vamos! Deixarei de lado os aspectos de treinamento físico dessa vez, até porque, se você não treinou até essa altura do campeonato…só lamento! Minha colaboração será para aqueles que curtem um incentivo psicológico, uma palavra de conforto e que acreditam, assim como eu, no poder da mente para a conquista dos objetivos.

A arte da guerra

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Contarei com a ajuda de um amigo psicólogo, já experiente nessa prova, com quem costumo trocar ideias a respeito desse tema com frequência. O Rafael (Homem de Carvalho) cita algo que considero extremamente importante. Ele preparou um artigo, batizado de “TTT termina na hora da largada”. Pode parecer confuso, mas é facilmente explicável:

“Ao ler alguns conceitos do livro A Arte da Guerra, de Sun Tzu, caiu a ficha sobre a relação de um deles com nossa realidade. Tzu fala que ‘a guerra é vencida antes mesmo do início da batalha, na escolha da estratégia’. Em outras palavras, o autor diz que os vitoriosos seriam aqueles que teriam planos de guerra melhores elaborados do que seus adversários. A guerra, em si, seria apenas o momento da execução deste ou daquele plano. E quanto mais fiel esta execução ao seu plano, maiores a chance de êxito”.

Não faz todo sentido? E ele segue, relembrando experiências passadas:

“Depois de algumas TTTs feitas, procuro já não alimentar expectativas além das minhas reais condições, do planejamento como um todo. Mas tenho que confessar que, volta e meia, ainda vem um tal de pensamento mágico que conseguirei resultados melhores. De que na hora H vai vir uma força extra – e eu sigo no aguardo dela –, aquela que vai me fazer tornar o melhor dos melhores, um verdadeiro campeão! Porém, bem rapidinho, volto a realidade, apesar de acreditar que pensamentos desse tipo podem ajudar como um estímulo a mais, um gás extra. No final, vejo que se torna inviável permanecer nesse plano mágico, desconectado do mundo real. Na corrida, as realidades são verdadeiras, muito duras às vezes, mas puramente honestas, sinceras e individuais”.

Concordo em gênero, número e grau. Não espere por resultados bombásticos sem ter treinado para tal feito. Suba os degraus com segurança e parcimônia. Valentia em excesso pode ser um sinal de burrice e imaturidade. Quando falo que, na corrida não tem cesárea – aqui, o parto é normal, com dor e paciência -, procuro alertar aos que buscam atalhos. É natural desejarmos nos destacar em meio à multidão, triunfar, ser como nossos ídolos. Só que ninguém chega lá de forma artificial e dura por muito tempo. E é justamente por isso que o esporte é tão apaixonante: a seleção é natural. Pura, crua – e muitas vezes cruel.

Controlando as variáveis

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Traçada a estratégia – que é algo bem pessoal, e por isso mesmo não comentarei sobre a minha ou de qualquer outra pessoa -, é hora de pensar sobre as múltiplas variáveis. E se chover? E se ventar forte? E se meu tênis incomodar? E se tiver um sol de rachar? Claro que queremos sempre tudo 100% lindo e sob controle. Porém, numa prova como essa, realizada na areia, no verão (quando o tempo “vira” a todo momento), imaginar um cenário perfeito é muita pretensão. Rafael dá a barbada:

“Executar a estratégia planejada não é das tarefas mais fáceis, já que a TTT inclui uma série de variáveis externas – temperatura, areia dura, areia solta, com buraco sem buraco, vento contra ou a favor, logística, etc. – só para citar algumas, bem possível que ao longo do dia toda a estratégia planejada antecipadamente tenha que ser revista. Ainda assim, aprendi não abrir mão de contar com um plano real, executável. Mesmo que tenha que sofrer ajustes de última hora”.

Essa flexibilidade de mudar a estratégia de última hora, novamente, ao meu ver, é algo que vamos aprendendo ao longo do tempo. “Macaco véio” de prova sabe o que fazer quando pinta um imprevisto. Desistir, definitivamente, não é opção válida para os mais fortes – embora seja uma hipótese válida para os casos que colocam suas vidas em risco.

E você? Já tem sua estratégia em mente?

Para a TTT ou qualquer outra competição, seja na corrida ou em demais aspectos de nossas vidas, contar apenas com a sorte não costuma ser uma boa ideia.

Por isso, sempre desejo aos amigos, ao invés de “boa sorte” antes da buzina da largada, um singelo “boa prova”. É apenas o que precisamos pra vencer a “guerra” com um sorrisão no rosto e, claro, aquele gostinho de quero mais.

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A melhor dica? Não ir atrás de dicas

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Sabe aquele agachamento? Faz assim, ó…

 

Raramente, existe alguém que não tenha algo que queira melhorar em sua vida. Seja pessoal ou profissional. Afinal, não é novidade que o ser humano é insatisfeito por natureza. E cada um sabe de si, certo? Nem sempre.

Vamos falar aqui das questões de saúde/nutrição/treinamento físico. Mesmo que a esmagadora maioria concorde com essa máxima, a atitude acaba indo completamente contra. Na ânsia de melhorar em algum aspecto, acabam recorrendo ao “Dr. Google” (sim, a legião de cybercondríacos só aumenta) ou a tantos outros recursos enlatados em revistas, sites e TV. A tentativa é a mesma: encontrar a fórmula perfeita para emagrecer, melhorar o desempenho na corrida ou ganhar mais músculos, por exemplo. Quando não tentam achar a causa de uma lesão, porque dói o ombro ou dá enjoo depois de fazer um longão.

Claro que é importante nos inteirarmos ao máximo, buscando o maior número de fontes possíveis. Mal não faz. Mas como saber o que é “quente” e o que é empulhação? Questiono o quanto, hoje, estamos suscetíveis a um turbilhão de informações que, sabe lá, não vão mais estragar o que já está meia-boca do que melhorar qualquer coisa. É dica de “como perder a barriga em 3 semanas”, “como correr 21km em tanto tempo”, “como correr sua primeira maratona”, “ganhe mais músculos sem sair de casa”, “caiba no biquíni dos seus sonhos em 2 meses”, entre tantas outras chamadas sensacionalistas. Atualmente, há um aplicativo cuja chamada é: “eu era gorda até seguir essas dicas”. A mocinha jura que, fazendo 20 minutos de exercícios por dia, fica com o shape de miss. E tem quem acredite. Olho aqui, olho ali e coloco toda a parafernália num só balaio: são, meramente, apelos tira-níquel. Preocupada com sua saúde ficava sua avó.

Para cada organismo, uma sentença

Pense aqui comigo: temos um histórico, cada um de nós, peculiar. Cada um tem um estilo de vida, gostos, preferências, tipo físico, mente, profissão. A minha realidade é diferente da sua, que é diferente da Maria, do João, da Margarida. De que forma poderão todos seguirem o mesmo padrão de treino, alimentação, etc? Claro, somos parecidos e sabemos da importância de beber com moderação, não comer gordura em excesso, ingerir frutas e verduras, praticar exercícios físicos, não fumar, dormir bem…porém, mesmo assim, cada caso é um caso.

Dias desses, um professor de fisiologia questionou em tom irônico, no Facebook, a validade de uma dessas “dicas quentes” dadas em rede nacional num famoso programa. A apresentadora sugeria tomar “chá diurético para emagrecer”. Logo, uma competente nutricionista rebateu, comentado que, seguindo esse raciocínio, tomar cerveja seria excelente, pois várias bem geladas são uma excelente forma de fazer xixi. Pérolas como essas viram piada entre quem trabalha sério. É o caso de rir, pra não chorar.

Para mudar de forma consistente o estilo de vida – e somente dessa forma haverá resultados consistentes a pequeno, médio e longo prazo -, não tem dieta da moda, detox, treino intensivo de 2 meses ou qualquer outra invenção que dê certo. É preciso, primeiramente, nos conhecer. E acreditar em profissionais que analisam cada pessoa como um ser único, dotado de inúmeras particularidades. Seja ele um médico, um nutricionista, um professor de educação física ou um fisioterapeuta. Infelizmente, nem todos têm o privilégio de poder pagar por isso. É um terreno perigoso: devemos questionar se, quem dá “dicas” a toda hora não tem outro interesse por trás. Poucos são os casos de quem pensa seriamente na saúde da população, em ajudar que as pessoas tenham uma vida mais saudável, sem ter uma série de outros interesses envolvidos. Acho justo ganhar dinheiro “vendendo saúde”, mas é preciso deixar isso claro, e não camuflado por trás de boas intenções – embaladas, muitas vezes, de forma irresponsável.

Ter senso crítico – e paciência – para evoluir aos poucos, de forma sustentável, conhecendo cada vez mais a nós mesmos, sem querer nos comparar com ninguém – talvez seja a saída. Vamos combinar: a maioria sabe muito bem o que faz errado e como mudar. Procurar atalhos ou fórmulas mágicas torna-se tão perigoso quanto irresistível. Lembre que nem tudo o que vemos por aí condiz com a realidade. Na vida real, não tem filtrinho nem Photoshop, nem muito menos edição de primeira. E se quiser uma dica quente, mas quente mesmo, tá aqui uma: não vá atrás de dicas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Repetição: a mãe da habilidade

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Você conhece alguém que já obteve bons resultados não só na corrida, mas em qualquer outro esporte, sem treinar muito? Já viu alguém superar um recorde sem afirmar que foram precisos meses de preparo? OK. Há quem atribua grandes marcas à genética, assim como há quem afirme que aquele empresário bem-sucedido teve muita “sorte”. Ahãm.

Não tem fórmula mágica: é repetição. Repetição. Repetição. Perseverança. Rotina. Disciplina. Ralação pura e crua.

Porém, como fazer para achar isso bom?

Cada um tem suas estratégias. Prefiro ser bastante prática e resumir: é um mal necessário. E ponto. Quem disse que seria fácil? ( :

Treinando para algumas provas cascas-grossas, tento mentalizar, sobretudo nos longões solitários, que essa rotina muita vezes estafante faz parte do jogo – e que se eu não acostumar meu corpo e cérebro a aguentar o tranco no osso, jamais vou evoluir ou ter a sensação de missão cumprida.

Penso que, mesmo não tendo certeza do melhor resultado, saberemos que estamos no caminho certo: no caso da corrida, treinando, simulando provas, fazendo pista, aumentando progressivamente a velocidade. E tudo isso com um planejamento adequado, otimizando tempo e recursos. Na hora do “pega pra capar”, se você sabe que treinou o bastante e que seu corpo está preparado para tal estímulo, as chances de ter êxito são bem maiores.

Pode parecer óbvio, mas a prática não costuma ser fiel à teoria. Cada vez mais, vejo atletas amadores priorizarem as provas do que o treinamento rotineiro. São os famosos “leões (ou campeões) de treino” . Mas vem cá, você treina para competir ou é ao contrário? Ah, não tem tempo? Então não exija do pobre do seu corpo o que ele não pode dar sem sofrer até quase sair sangue dos olhos ou estourar as coronárias.

Treinar é, sim, muitas vezes chato. Inúmeras vezes saí para a rua sem a mínima vontade. E o que ocorreu? Voltei, sempre, feliz da vida. Mesmo que não tivesse feito aqueeeeele treino, eu fui. E isso que importa.

Correr é lindo, correr é bom, correr virou uma coqueluche. Mas, se você tem um perfil como o meu, que adora superar a si mesmo, em primeiro lugar, o conselho é um só: treine sério. Treine duro. Repita. Repita. Repita. E quando você ficar bom, prepare-se para ouvir: “ah, é genético”.

Tá certo.

 

 

 

Canoa polinésia foi um dos momentos mais difíceis: 12km no mar revolto da Praia Vermelha

Rockyman 2015: uma saga para os brutos

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Dois dias após retornar do Rio de Janeiro, onde disputei o incrível Rockyman - maior competição multiesportiva do País -, ainda sinto o cansaço de dois dias intensos de competição. Convidada pelo capitão Chico Santos, montanhista experiente, fiz parte da equipe carioca Terra de Gigantes, formada por atletas de ponta nas suas diversas especialidades: surf, skate, BMX, mountain bike, corrida de montanha, maratona e canoagem. Uma gauchinha perdida lá no meio das feras!

Equipe quase completa. Da esquerda para a direita, os apoios "Lobinho" e Edgar, eu, Chico Santos, Amarildo Ferreira e Kaique Milani

Equipe quase completa.
Da esquerda para a direita, os apoios “Lobinho” e Edgar, eu, Chico Santos, Amarildo Ferreira e Kaique Milani

 

O que vivi nas 48 horas de aventura jamais sairá da cachola. Os flashes passam na cabeça como num filme. Desde que cheguei, foi emoção à flor da pele: tantos as positivas quanto negativas. E o que mais ficou evidente – e é sobre isso que irei enfocar nesse texto – é a definição que temos de atleta. Conheci gente de todo tipo. Cinco das 20 equipes que disputaram o Rockyman 2015 eram estrangeiras. Só “galo cinza”. Gente altamente qualificada, muitos deles atletas com índices olímpicos. Campeões de carteirinha. Embora, em meio a eles, alguns maus exemplos tenham surgido.

Um deles foi infiltrado por azar do destino justamente na Terra de Gigantes. Não citarei nomes, embora deveria. Um sujeito, selecionado a dedo para desempenhar nas provas de surf e de skate simplesmente decidiu não ir de última hora. E aí que começaram os problemas. Você imagina: viajar centenas de quilômetros para participar de um dos mais cobiçados eventos esportivos realizados em solo brasileiro e ter que se conformar com esse fato, indesculpável. É o tipo de atitude antidesportiva e antiética, que veio como uma notícia-bomba duas horas antes da largada oficial, no sábado, dia 7 de novembro. Como fazer? Todos da equipe, atletas e staff de apoio, não sabíamos como resolver o pepino. O cidadão simplesmente desligou o celular. Arregou. Nos deixou na mão. E estávamos sem atleta para duas importantes modalidades.

Conseguimos um skatista para o domingo. No sábado, tentamos preencher o furo, mas não chegamos a tempo de entrar no mar (gigante, por sinal, com mais de 2 metros de ondas na Barra) com um substituto. O que fazer? Lamentar. E seguir o baile. Não tem aquele ditado: “se não há solução, solucionado está”? Na prática, é assim mesmo que funciona.

Minha participação na maratona foi bem abaixo do esperado. Não bastasse o desfalque, sofri um tombo feio no dia anterior, resvalando e caindo de costas numa escada lotada de lodo – o que me deixou com várias escoriações, a coluna com um “ovo” e as costelas doloridas. Fui no arrasto. Mas cheguei. Isso não seria o que nos afundaria. Tivemos a impressionante participação dos campeões Kaique Milani (um dos melhores atletas de BMX do Brasil, que voou no Parque Radical de Deodoro, onde ocorrerão as Olimpíadas do Rio 2016) e de Amarildo Ferreira (veterano na mountain bike, pura garra e dedicação), além do capitão Chico Santos, que sempre arrasa nas corridas de montanha e ama uma pirambeira. Pra essa turma, tiro meu chapéu. Só gente fina, bem humorada e no estilo “topa todas”. Não tinha tempo ruim. Todos se ajudando, apoiando os nossos e demais integrantes e competidores…amigos que já entraram pro lado esquerdo do peito.

No domingo, a competição de skate, eletrizante, contou com a boa vontade de um atleta que estava “passeando” no bowl da pista Rio Sul e topou a roubada de mandar ver ao lado de feras como Felipe Foguinho e Raul Roger Magalhães Baracho. Um show de talentos que jamais presenciei!

Canoa polinésia foi um dos momentos mais difíceis: 12km no mar revolto da Praia Vermelha

Canoa polinésia foi um dos momentos mais difíceis: 12km no mar revolto da Praia Vermelha

 

Finalizamos remando 12 km juntos na canoa polinésia (uma das experiências mais loucas da vida, sem dúvida), correndo mais 13km rumo ao topo do Morro Chapéu Mangueira e descendo pela favela, em meio à comunidade – outro momento que me dá arrepios e que dificilmente viveria desse jeito se não fosse esportista. Nós lá, bem longe da primeira colocação, e uma menina puxa um coro, do alto de uma janela dum barraco:

- Já ganhou! Já ganhou!

Juro que fiquei com lágrima nos olhos. No fundo, no fundo, essa era a realidade. Apesar de todas as adversidades, todos tinham triunfado: acrescentamos, no frigir dos ovos, uma experiência indescritível no currículo.

Saio do Rockyman reforçando algumas de minhas várias convicções. Vamos a elas.

A primeira delas: para ser atleta, não basta praticar um esporte. É preciso dedicação, comprometimento, respeito e, além do corpo, uma cabeça saudável. Quando o cara nasce pra ser “loser”, não tem jeito. Pode treinar, participar de provas, até subir no pódio. Mas não vai longe. É o caso do nosso surfista furão, que deu um exemplo de como não agir – e está, ao meu ver, numa distância anos-luz de tal definição acima.

A segunda delas: é preciso dar o melhor de si, mesmo que as coisas estejam indo de mal a pior. Tem que ser bruto (na definição heróica da palavra). Não se acadelar com merreca. Tem dias bons, dias ruins, outros piores ainda. Eu poderia ter entregado o jogo e não completado a maratona, diante de um cenário tão intimidador – e das inúmeras dores do meu tombo. Mas fui até o final. Sabia que se não cruzasse a linha de chegada, não estaria cumprindo com minha palavra. E, como diz um amigo meu: “não é do meu biotipo desistir” (rsrsrsrsrs).

A terceira e última: somente o esporte nos proporciona experiências tão únicas. É preciso agradecer ao universo, a Deus, ou a sei lá quem você queira, pela oportunidade de ser atleta. Só porque corro, e dediquei anos e anos da minha vida à corrida, cheguei onde cheguei. É o tipo de experiência que nenhum dinheiro pode comprar. Só quem pratica algum esporte com tamanha paixão consegue entender do que estou falando.

Iria acrescentar uma quarta, mas essa não nem preciso repetir: a vida é boa. Acredite nela. ( :

 

 

 

Zica na maratona: quando tudo dá errado

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Aquela sensação de que você deveria ter ficado em casa

Aquela sensação de que você deveria ter ficado em casa

Sabe aquele dia em que as coisas insistem em conspirar contra o pobre cidadão? Quando nada parece encaixar. Quando a maionese desanda. O pneu fura. Você não vê a hora de acordar no outro dia, para acabar com a zica? Pois esse dia – ou melhor, noite – foi ontem, na Maratona Caixa de Porto Alegre. A prova noturna (na qual levei o troféu de campeã no ano anterior) parecia um pesadelo, daqueles que costumam fazer você encharcar os lençóis.

Apesar de não ter a pretensão de ultrapassar feras como a multicampeã Rosa Jussara Barbosa ou Gracielle Pedroso, fui correndo sem medo até meados dos quilômetros 23 ou 24. Quando tudo parecia estar bom demais para ser verdade, vou passar num dos postos de hidratação e esbarro, não sei porque, numa das mesas. Dois dos carbogéis que carregava saltaram da cinta. Fiquei com apenas um para todo o restante da competição (sendo que um dos 4 que levei já havia tomado). Péssimo. Tentei não me abalar demais com o fato.

Dois quilômetros à frente, porém, o guampudo montou na garupa. Comecei a esboçar sintomas de hipotermia. Tremia feito bambu verde. E o pior ainda estava por vir: uma indisposição intestinal (prenunciando o famoso “churrio”, na língua tosca) me deixou extremamente incomodada. Não dava, não havia jeito de passar. Resultado: tive que parar três vezes nos matinhos da Beira-Rio. Sorte que estava escuro.

Notei que não só para mim o dia não estava pra peixe. Vi muitas pessoas parando para se aliviar. Pelo menos meia dúzia de amigos confessaram ter recebido a visita do famigerado “piriri”. O que fazer? Maldita maldição!

Nunca, nessas duas décadas de corrida, passei por tamanho sufoco. Mesmo que jamais tenha abandonado uma prova, algo me dizia que deveria obedecer o corpo e sair pela tangente. O problema é a cabeça-dura aqui obedecer. Fui “escutando os sinais” e afrouxei o pé total. Pensei: completar, apenas completar, na boa, sem passar mal. Vamos ver se dá.

E deu. Cruzei a linha de chegada dos 43.200 metros do percurso (sim, erraram a marcação – corremos um quilômetro a mais) na quarta posição, com pouco mais de 3h20min no cronômetro. Que situação. Mas enfim, foi o que deu.

Taí o que deu pra levar pra casa - 4º lugar no pódio geral feminino

Taí o que deu pra levar pra casa – 4º lugar no pódio geral feminino

A conclusão? Tem dias que não dá. Mesmo que você treine, tenha experiência, vá com fé, animado, tenha “sangue nos óio” e tantas outras qualidades.

A vida é isso aí: feita de altos e baixos, de certezas e incertezas.

Saber tirar proveito e aprender com cada um desses momentos é essencial.

Vamos pra próxima!

* Parabéns a todos que completaram a Maratona Caixa do Rio Grande do Sul na noite desse sábado. E um “puxão de orelhas” na Latin Sports, que não entregou medalhas para os concluintes dos 43,2 quilômetros (confirmei no meu Garmin e no de muitas outras pessoas). Eu não dou lá tanta importância, mas penso em quem fez sua primeira maratona, treinou duro para tanto, e chegou em casa com um papelzinho chinfrim tentando justificar tal vacilada. Não sei se foi a fábrica de medalhas, o caminhão da transportadora, o Zé da Esquina. O fato é que pegou bastante mal.

Uma pena. Outro desrespeito aos atletas é errar o percurso: ninguém achou legal ter que fazer mais de 1.000 metros além dos 42,1. Não estamos falando de 200, 300 ou 600 metros. É um quilômetro de diferença. Francamente.

 

Após mais de 43 quilômetros de prova, essa foi a medalha.

Após mais de 43 quilômetros de prova, essa foi a medalha.

 

 

 

Turbine sua corrida treinando a mente

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Treinadores esportivos das mais diversas modalidades são unânimes em afirmar que a mente de qualquer atleta deve ser preparada tanto quanto o seu corpo. É inegável a importância de estar forte por dentro e por fora para otimizar resultados e evoluir. Mesmo que a metodologia de treinamento físico esteja sendo aprimorada dia após dia, nada terá eficácia se não for trabalhado, em sinergia, os aspectos emocional e intelectual.

Basta observar os atletas que se destacam. Confiança, determinação, resiliência, coragem, paciência, dentre tantas outras qualidades, não surgem do nada. As maiores escolas e clubes mundiais têm hoje, em seu quadro de profissionais, psicólogos encarregados de “turbinar” o cérebro de seus talentos, desde cedo.

Para entender melhor do assunto, fui atrás de recursos para mergulhar à fundo nesse universo de preparação de atletas de alta performance. E descobri, entre tantas técnicas utilizadas, o EMDR. A sigla, que em inglês significa Eye Movement Desensitization, pode ser definida como “Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares” e foi criada por uma estudante de Psicologia, no final da década de 80.

O nome dela? Francine Shapiro. Sua descoberta foi meio por “acaso”. Francine estava caminhando pelo parque da cidade de Los Gatos, na Califórnia. Os pensamentos perturbadores que ela tinha, de repente, começaram a desaparecer. Quando ela voltou a pensar neles, se deu conta que já não incomodavam como antes. Aos poucos, foi percebendo que, quando um pensamento perturbador vinha à mente, seus olhos começavam a se mexer rapidamente. Parecia que os movimentos oculares conseguiam fazer com que o pensamento incômodo “saísse” da sua mente consciente. Quando voltava a pensar naquilo, tinha perdido muito da sua carga negativa.

Então, ela começou a experimentar deliberadamente, pensando sobre coisas do seu passado e presente que lhe incomodavam enquanto ela mexia os olhos. Todas as vezes que fazia isso a perturbação cessava. Decidiu descobrir se isso funcionaria com outras pessoas e, então, fez experiências com seus amigos. Pedia que eles seguissem o movimento dos seus dedos como uma forma de ajudá-los a manter os movimentos oculares enquanto eles estivessem pensando em coisas perturbadoras. Depois de experimentar com mais de 70 pessoas, foi confirmado que o processo tinha dessensibilizado os pensamentos perturbadores.

Francine foi aperfeiçoando a técnica e chamou-a de EMD, Eye Movement Desensitization e, em 1990, expandiu o conceito para EMDR, Eye Movement Desensitization and Reprocessing, para incluir o conceito de processamento e aprendizagem. Estava convencida que os movimentos oculares poderiam processar as lembranças traumáticas, libertando a pessoa para que pudesse ter condutas mais adaptativas e funcionais.

Em 1998, a Dra. Shapiro experimentou seu novo método com 22 voluntários, veteranos da guerra do Vietnã ou vítimas de estupro, ou abuso sexual, e que tinham os sintomas do Transtorno de Estresse Pós-Traumático. A metade do grupo recebeu uma sessão de EMDR, enquanto que ao outro grupo (grupo controle) se pediu apenas que contassem o seu trauma em detalhe. O grupo demonstrou melhorias significativas; o grupo controle, não. Por questões éticas, depois se aplicou também a terapia EMDR com o grupo controle. Ao averiguar um mês depois e aos três meses depois do tratamento, todos os pacientes tinham mantido os resultados positivos da sua sessão de EMDR.

Uma experiência surpreendente

Interessada em aprofundar meus conhecimentos sobre o tema, fui atrás de um profissional que aplicasse tal método. E, há seis meses, virei “cobaia” no consultório de Maury Braga, que – além de psicólogo – é praticante de atletismo. No começo, achei meio estranho ser estimulada através do método, no qual você acompanha os dedos do terapeuta com os olhos e fala o que vêm a mente, elegendo, a cada série de sessões, um tema. Por exemplo: se vai correr uma maratona, é simulado o ambiente de competição, as sensações, as emoções. Em resumo, você antecipa o ambiente de prova e processa mentalmente tudo o que vai enfrentar.

 

Quando fui à Mizuno Uphill Marathon, nesse ano, consegui verificar in loco a eficácia do EMDR. Tinha feito uma maratona seis dias antes e me preparei, durante um bom tempo, para ter confiança para cruzar a linha de chegada. Imaginei o vento cortando meu rosto; a voz de incentivo dos amigos; o som das minhas passadas no asfalto. Simulei a prova “perfeita”. Me fortaleci.

Recursos como esses, ao meu ver, são essenciais para incrementar o treinamento e deveriam ser incluídos na agenda de todo corredor, do amador ao profissional. Temos dias bons, dias ruins, mas quem compete sabe que o dia “D” (da competição) é o momento em que nos definimos como atletas. Nesse momento, mostramos a nós mesmos, primeiramente, do que somos capazes de fazer. Porém, antes disso, precisamos de perseverança e, principalmente, de confiança para chegar lá.

Recomendo que cada um busque esse “treinamento” mental, visando sua meta, seja ela qual for: começar a correr, correr 10k, 21k, 42k ou uma ultramaratona. Não só um atleta, mas todo ser humano, só evolui de verdade se estiver forte por fora – e, principalmente, por dentro.

 

Quer correr bem? Aprenda, primeiro, a comer

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Tenho notado, ao longo dos muitos anos de convivência com atletas de todo tipo, a quantidade de corredores que não dão importância para a alimentação adequada. Algo aparentemente tão banal, o ato de comer tem ganhado status de “problema”. Dietas restritivas, aquém das necessidades de uma pessoa com intensa atividade física, são bem mais comuns do que parecem – assim como as hipercalóricas. O cara treina 5km e come uma feijoada e cinco quindins, tudo acompanhado de 4 litros de chope, afinal, ele “merece”. Sinal disso é a quantidade de competidores passando mal em provas de todas as distâncias, desmaiando, vomitando ou repletos de lesões e complicações derivadas da má nutrição.

Nos bastidores de um esporte tão saudável, há um “lado B” pouco divulgado e debatido. E não estamos falando em atletas de elite, aqueles que estão sempre no pódio e contam, muitas vezes, com um aparato maior de profissionais cuidando de sua performance. Menciono, sobretudo, os “atletas intermediários”: aqueles que já correm bem, evoluíram nas distâncias e tempos; são vistos como bons corredores e, aparentemente, exibem corpos esguios e típicos de quem treina há longa data. Na pilha de serem leves e ganharem alguns minutos, abdicam de tudo o que foram acostumados a comer a vida inteira. Já negam o sagrado churrasco nos finais de semana, cortam qualquer tipo de gordura e controlam obsessivamente seu peso na balança – ao mesmo tempo que aumentam o volume e intensidade da sua planilha semanal, como se tivessem nascidos quenianos.

Claro que comer “até o pé da mesa” é prejudicial. Ninguém quer incentivar o consumo desenfreado de calorias a torto e a direito. Porém, o equilíbrio não é lá uma fórmula tão fácil de se alcançar. O assunto aqui é correr melhor. E para isso, é crucial ter atenção redobrada nos detalhes. Ah, os detalhes…

Para saber mais a respeito do assunto, fui atrás de fontes e dados consistentes. Numa conversa com a amiga Cláudia Webber, nutricionista e corredora das boas, confirmei minha tese. Não raro, pipocam pacientes em seu consultório beirando a desnutrição. Correm em jejum e descuidam das refeições, com a fantasia de que “irão correr melhor” se privarem seu corpo de qualquer coisa além de um punhado de frutas e legumes.

“Treinar sem uma alimentação adequada é como correr de All-Star”, resume Cláudia.

Para ambos os sexos, os reflexos a pequeno, médio e longo prazo são inúmeros. Vão de efeitos como cansaço, falta de energia, câimbras, tonturas e desmaios a problemas mais sérios, como fraturas de estresse e lesões repetidas, entre outras enfermidades. Meses de déficit nutricional potencializam o desgaste excessivo, que vai se acumulando e tornando a recuperação e evolução cada vez mais difícil. É o momento no qual o treino se volta contra o corredor. Assim como dormir bem, comer bem é pilar essencial de qualquer atleta que busca performance e qualidade de vida.

Buscar um profissional capacitado – nutricionista ou nutrólogo – é o passo certo para quem não consegue adequar a sua alimentação às necessidades diárias de treino.

Janete Neves, nutricionista, aposta numa dieta baseada nos alimentos funcionais: aqueles que, além de nutrir, também contribuem para a manutenção da saúde, e têm um papel fundamental na performance. São eles os responsáveis por fazer o corpo produzir energia de forma mais eficiente, além de otimizar a recuperação após os treinos.

“Eles ajudam a evitar o overtrainning e a deterioração celular causada pela peroxidação de lipídios (ação dos radicais livres), melhorando o fluxo sanguíneo e, ao mesmo tempo, previnem lesões por sobre-esforço, muito comuns em corredores”, explica.

Segundo ela, a carência desses nutrientes causa um desiquilíbrio e o organismo deixa de aproveitar seu potencial, sentindo-se fadigado e indisposto com mais frequência.

No caso dos corredores, que sofrem uma grande perda de vitaminas e minerais em decorrência do desgaste físico, a necessidade nutricional é ainda maior.

 

OS MANDAMENTOS DA BOA ALIMENTAÇÃO PARA CORREDORES

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A pedido do Santa Corrida, a nutricionista e maratonista Cláudia Webber preparou um material bastante útil para os praticantes desse esporte.

“Tais mandamentos, numa leitura rápida, podem soar um tanto genéricos, mas são universais, ainda mais que o foco desse texto é a informação para a maior parte dos corredores de rua, amadores e que muitas vezes não contam com acompanhamento de profissionais da saúde”, resume.

Segundo ela, os dois primeiros mandamentos relacionam-se com a conduta do corredor no momento que antecede a prova.

“Ele deve optar sempre por alimentos já habituais na sua dieta (uma sugestão aqui seria manter um diário ou uma planilha alimentar, assim como fazem dos treinos, identificando o que é melhor para si); o terceiro mandamento está ligado com os dois primeiros: geralmente o jantar na noite anterior a prova pode ter um acréscimo de carboidratos e redução de proteínas, se a prova da manhã seguinte for longa, com previsão acima de uma hora de prova”.

Por fim, ela lembra:

“A corrida de rua reúne grupos de amigos, é uma festividade, mas qualquer exagero ou derrapada nesses momentos pode trazer consequências indesejáveis. Evitar jantares pesados, com gordura em excesso, bebidas alcoólicas, facilitam uma boa noite de sono e afastam desconfortos na manhã de uma competição, por exemplo”.

A hidratação, conforme explica Cláudia, deve ser analisada individualmente, mas alguns critérios podem ser utilizados pela maioria dos corredores de rua, tais como: ingerir de 1,5 a 2,5L de água pura por dia, utilizar isotônicos ou água de coco em dias mais quentes e provas mais longas, evitar o exagero de bebidas a base de cafeína, já que o café e o chimarrão desidratam, ao contrário do que muitos pensam.

E não é só na hora de competir que os cuidados devem ser tomados. Encerrada a prova, os cuidados continuam.

“Dê preferência a refeições completas e nutritivas (o básico mesmo, arroz, feijão OU uma massa, carne, frango ou peixe, vegetais e um suco de frutas geladinho. Falo sempre que um corredor amador deve ter mais cuidados do que um profissional, já que não conta com uma equipe de profissionais da saúde como um atleta de elite”.

Dicas sagradas

1º. Não comer demais antes de uma prova;

2º. Não jejuar ou comer de menos antes de uma prova;

3º. Não inovar na refeição em véspera de uma prova;

4º. Ter uma correta hidratação antes e durante a prova;

5º. Ter uma adequada recuperação muscular através da alimentação.

Assim como um automóvel (e embora essa vontade exista, não somos um jipe 4 x 4), precisamos de bom combustível para rodar sem problemas. Treinando, descansando e comendo bem, tenho certeza que vamos “virar a quilometragem” com energia e saúde para dar e vender.

 

 

Corrida: esporte para todos os pesos

Publicado por | Gente que corre | Nenhum Comentário

 

Basta checar os números e dar uma olhada a sua volta. Nunca o brasileiro esteve tão gordo. Conforme dados recentes do Ministério da Saúde, 48,5% da população está acima do peso. Ao mesmo tempo, jamais vimos tamanho crescimento da quantidade de corredores nos quatro cantos do país. Hoje, esse já é o segundo esporte mais praticado no País, só ficando atrás do futebol (se bem que acho que há mais gente que apenas “curte”o esporte bretão, mas não joga toda a semana…).

A verdade é que a figura do corredor de alta performance, magrelo, estilo queniano, forte e esguio, é rara nas ruas. Corpos mais roliços e menos privilegiados, digamos assim, são a grande maioria, sobretudo quando formos falar de quem realiza treinos e compete nos 3, 5 e 10 quilômetros. Há, é claro, os que encaram os 21 e os 42 quilômetros – e entram naquela lista dos que “apenas querem completar”. O número de maratonistas brasileiros cresceu mais de 40% de 2009 a 2014, mesmo que ocupemos a 33ª posição na lista de 47 países, no que diz respeito à performance. A média de tempo que um brazuca leva para completar a distância é de 4h21min, bem acima dos espanhóis (3h55min), por exemplo.

Ou seja: a esmagadora maioria corre porque se sente bem. Para socializar, conhecer gente nova. O valor social da corrida é inegável e é muito em função dele que os atletas amadores, magros e gordos, se juntam nas dezenas de provas realizadas todo fim-de-semana. A saúde e a boa forma figuram como fatores importantes, sem dúvida, porém dar aquele “upgrade” na qualidade de vida é o que faz a grande diferença.

Ser gordinho ou não? Esse parece não ser um detalhe primordial quando falamos em corrida. É possível, sim, estar acima do peso e fazer bonito nas pistas. Com orientação profissional e parcimônia (e desde que realizados todos os exames de aptidão física), há ganhos inegáveis em todos os aspectos. Sinal disso é que revistas de grande circulação e credibilidade, como a Women’s Running estão fugindo do modelo-padrão e já estampam, como na atual capa, modelos como a plus size Erica Jean Schenk, na foto acima, praticante desse esporte desde criança. Na reportagem, ela conta que “adora correr para relaxar e pensar na vida” e coloca o dedo na ferida de muita garota “instafitness”: “garotas de todos os tamanhos têm o direito se serem valorizadas pelo público e pela mídia”.

Vou concordar em gênero, número e grau com a Erica. Está cheio de gente magra e que de saudável não tem nada – tanto física quanto psicologicamente. A genética não favorece todo mundo, o que jamais poderá ser um fator impeditivo. Atingir grandes marcas, figurar no pódio é para a minoria. A maioria não dorme sonhando com isso. Quer mais é descontrair, ter mais energia, bater papo com os amigos.

Como escreveu o colunista da revista O2 Marcos Caetano:

Eu admiro profundamente os gordinhos que continuam correndo, mesmo sem emagrecer. Eles têm a alma de corredor. Correm contra os próprios limites, contra si mesmos e não por glórias. Correm mesmo sob gritos jocosos dos bocós sedentários nas provas: “Corre, gordinho!”, “Tá magrinho, hein, bolão?!”… Os gordinhos corredores — esses seres grandes de tamanho e imensos de caráter — não ligam para a crueldade do bicho homem. Apenas seguem, passo após passo, rumo à faixa final. Todo o meu respeito a eles, que estão em outro estágio de compreensão da importância do esporte e do valor da determinação. E, talvez exatamente por isso, mereçam ser chamados de homo sapiens“.

O mais belo desse esporte, ao meu ver, é o caráter democrático. Sem ele, não haveria tanta graça. Viver mais e melhor todos queremos: gordo, magro, alto, baixo, pobre ou rico. O universo da corrida é assim: leve, real e sem preconceitos.

 

 

Mizuno Uphill Marathon 2015: missão ninja concluída

Publicado por | Por Aí | 3 Comentários
Vestígios das três edições da Uphill Marathon: dois troféus e três medalhas de Survivor

Vestígios das três edições da Uphill Marathon: dois troféus e três medalhas de Survivor

Inacreditável. Essa é a palavra que resume o que vivi na terceira edição da maratona mais difícil do País, a Mizuno Uphill Marathon, realizada na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina (RS) no último sábado, 1º de agosto. E eu explico o porquê dessa afirmação.

Não é apenas porque são 42,1 quilômetros de corrida morro acima, num ambiente nada acolhedor. Nem porque você deve vencer 256 curvas para chegar no topo, situado a exatos 1.418 metros acima do nível do mar, com um ganho de elevação de 2.425 metros. Nem porque, dessa vez, a corrida foi realizada no final da tarde e ao longo da noite, quando você mal sabia onde estava pisando.

O que jamais esquecerei – e o que torna essa missão “ninja” – foi meu estado de ansiedade e insegurança ao saber o que enfrentaria pela terceira vez, já que participei das duas outras edições, com o detalhe de que havia corrido uma maratona há exatos seis dias. Isso mesmo. No domingo anterior, havia concluído a Maratona da Cidade do Rio de Janeiro, e minhas pernas estavam ainda moídas. Mesmo que tivesse “segurado” a onda e feito a prova em 3h19min, sabia que vencer a insana Serra do Rio do Rastro era loucura nessa altura do campeonato. Uma verdadeira insanidade.

Nessa hora que vem a força do que, acredito, seja o maior patrimônio de todo corredor: a mente. Essa força interna que nos move e faz com que a gente siga adiante e supere os limites. Porque sim, há muito mais entre o céu e a terra e uma planilha de treinos e uma sessão de tiros na pista. Não compreendemos. Apenas sentimos.

O primeiro fator para que o plano “duas maratonas em seis dias” desse certo foi a parceria de amigos que viajaram para a odisseia comigo. Não citarei os nomes. O que sei é que mais de uma dúzia deles transformou o que seria um martírio numa festa jamais vista. Brincamos, pulamos, tiramos onda um do outro desde o dia anterior da competição, deixando tudo leve e repleto de vibrações positivas.

O segundo grande propulsor foi o contexto da Uphill. Todo o clima criado pela organização da prova (Mizuno + X3M, impecáveis em todos os quesitos) entrou em harmonia com a energia dos mais de 500 atletas inscritos, vindos de todas as partes do Brasil. A cidade de Criciúma, ao Sul de Santa Catarina, virou QG de gente apaixonada, simplesmente fissurada pelo esporte. Tenho certeza da extrema relevância da corrida na vida dessa gente que aceitou encarar o desafio. Se inscreveu, lutou por vagas que duraram cinco minutos na internet para esgotar. Pagaram para “sofrer”. Porque sabiam que, mesmo que seja história pra boi dormir, acreditamos piamente no tal de pote de ouro no final do horizonte.

Não posso deixar de citar meu “lastro” de corredora para que eu não só finalizasse – mas faturasse, mais uma vez, um dos cobiçados troféus da prova. Dessa vez, figurei como vice-campeã, atrás somente de Carla Moreno, triatleta profissional. Carla, que tem a minha idade (38 anos), já participou de duas olimpíadas (Sidney/2000 e Athenas/2004) e de três Panamericanos. Só isso. Essa sim é lenda. Respeito total desde sempre por ela, que merece o lugar mais alto do pódio, sem nenhuma discussão. Finalizei o percurso em exatas 4h e 3 segundos, 13 minutos abaixo do ano passado. Dos 495 concluintes, fui a 43ª colocada – sendo 42 homens e uma mulher.

A PROVA

A prova, ao meu ver, foi a mais fácil das três edições, apesar de todas as circunstâncias. Isso falando em termos climáticos, não considerando o nível dos competidores – esse sim, foi o mais elevado. Tanto que foram batidos os dois recordes (Carla, em 3h40min, e Marcelo Rocha, em 3h12min). O clima estava perfeito (nada de vento, nada de chuva, nada frio, quente mas suportável). Diante das demais (frio na primeira e tempestade na segunda), barbada. Quem foi ano passado sabe do que estou falando.

A escuridão foi o diferencial – mas não considero um fator que possa ter atrasado a chegada de qualquer corredor experiente. Ainda mais se formos falar em montanhistas. Creio que não enxergar nitidamente o “dragão da Serra”, sobretudo a partir do quilômetro 30, ameniza a situação. Visualizar o que temos que, literalmente, escalar até a linha de chegada, em Bom Jardim da Serra, conforta bem mais.

Resumindo: a Uphill de 2015 foi perfeita. O astral da prova é indescritível. No sábado à noite, quando cruzei o pórtico, às 20h30, passei pelo corredor humano dos últimos 50 metros, fechei os olhos, abri os braços, com lágrimas nos olhos, e só pude agradecer: “obrigada, meu bom Deus”!

A todos que enfrentaram a Mizuno Uphill Marathon 2015, meus parabéns. Essa é pra quem é osso duro de roer.

Para quem deseja fazê-la, meu incentivo extra. Experimente. Valerá cada passada.

Não sei se posso me considerar uma “ninja”. Mas que senti um clima de “Karatê Kid” na chegada….ah, isso senti. No caso, o tal de Senhor Miyagi acenou positivamente com a cabeça. Missão cumprida, Dani San.

 

Podio