Parcerias de treino

Publicado por | novembro 21, 2013 | Foco no treino | Um Comentário

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Dentre todos os esportes, a corrida – mais do que a natação e o ciclismo – talvez seja o que mais testa a capacidade do atleta em conseguir treinar sozinho. Por mais que os grupos de corrida tenham crescido em escala geométrica e unido os “pangarés” para rodagens coletivas, não tem jeito: se o cara não consegue ter disciplina para calçar os tênis e cumprir a planilha diária com afinco, sem precisar de alguém incentivado o tempo todo, as chances de estagnação são enormes. Além das rotinas serem completamente diferentes, pessoas tem níveis de condicionamento distintos. Dos bons maratonistas que já cruzei pelas ruas e pistas, quase a totalidade estava só, suando a camiseta.

Embora esta seja uma realidade triste para alguns, que preferem esportes coletivos, nela está, ao meu ver, um diferencial positivo: para correr, basta um bom par de tênis e sua própria vontade. Motivo pelo qual a corrida tem dado um pulo no número de praticantes a cada ano. Sim, somos seres individualistas, e isso não pode ser encarado como um fato estritamente ruim. Para mim, ser dono do seu tempo é sinônimo de liberdade.

Porém, ao mesmo tempo em que é uma atividade solitária, a corrida tem o poder de criar elos tão fortes que chega a ser inexplicável a energia que rola entre atletas que mal se conhecem. Quantas vezes, naqueles longões intermináveis, encontrei gente pelas ruas e rodei quilômetros trocando ideias, perguntando o nome só no final do papo. A conversa flui, sempre há assunto. Feito pescador, corredor sempre tem uma história mirabolante para contar.

O valor das parcerias de treino é inestimável. Na terça-feira, saí para um longão de 30 quilômetros, num calor terrível, ainda sentindo o jet lag da viagem de volta do Japão (foram mais de 30 horas sem dormir direito, intercalando três voos), sem treinar direito há 20 dias. Achei que não ia conseguir completar. Aí, encontro um amigo de fé, o Alessandro Amaral, lá no quilômetro 21. Dito e feito: ele se prontificou para acabar comigo o sacrifício e eu cumpri o dever com muito mais alegria.

No domingo passado, a mesma coisa: saí para dar uma rodadinha de 10km e acabei fazendo 18km porque encontrei o Gabriel, gente finíssima, no meio do caminho. Conversamos sobre filhos, trânsito, tipo de tênis…naquela miscelânea de assuntos, o tempo voou.

No final das contas, chego à conclusão que correr sozinho é bom, mas ter parceria pros treinos é, sem dúvida, melhor ainda.

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