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Como lidar com a TPM: Tensão Pré-Maratona

Publicado por | Mente de corredor | Nenhum Comentário

Estamos há exatos 11 dias da 34ª Maratona Internacional de Porto Alegre, marcada para o dia 11 de junho na capital dos gaúcho. Já começo a sentir a energia que paira no universo dos corredores que irão encarar os 42 quilômetros. Estreantes ou não, experientes ou menos calejados, todos acabam vivenciando algum grau de ansiedade. Aquele famigerado “friozinho na barriga” de quem tá descendo ladeira abaixo sem freio…

Tem aqueles que relatam alterações no sono, no apetite, no humor (que a família e os colegas de trabalho aguentem, kkkk!). Noooormal. Escrevo aqui justamente para esse time dos que “picam no lugar”, fritando no travesseiro, pensando nas quinhentas mil possibilidades de dar errado…eitaaa cabecinha difícil de controlar essa, hein?

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Primeira dica: pare com essa mania de olhar pro GPS do vizinho

Pois então. Senta aí. E vamos por partes – assim como a distância mais clássica do atletismo deve ser resolvida. Você treinou, certo? Cumpriu a planilha certinho. Cuidou da alimentação. Deu feedback pro treinador. Conversou com os parceiros. Pescou dicas. Deu um “Google” umas 567 mil vezes procurando temas relativos a sua preparação, equipamentos, alimentação. Isso bastaria, certo? Não. Pra você, que sofre de Tensão Pré-Maratona (TPM), é irresistível ficar de olho no longão do amigo no Facebook. Comparar seu pace com o do Fulano, do Sicrano. Começa a achar que tá fazendo pouco. Que não treinou o suficiente. E duvida do próprio treino. Se identificou? Rá!

Pra você, amiguinho maratonildo, tenho uma novidade. Deixa de besteira e vem ser feliz. Não importa se seu longão foi maior do que o do ninjarunner do Quinto dos Infernos, se seus tiros não foram tão bons quanto o do queniano dos pampas. Claro que há uma ciência por trás de todo treinamento e periodização de corrida (que seu treinador deve ter explicado), e o tema-de-casa deve ser feito. Mas, pera lá! Há muitos outros detalhes envolvidos. Um dos principais deles é, justamente, esse que abordo nesse texto: o fator psicológico. De nada adianta estar 110% na planilha, se chegar lá no dia se borrando nas calças, com medinho de não desempenhar o que você julga razoável. Uma mente tranquila e focada é item fundamental na hora do “pega pra capá”. Pode ter certeza que o motor vai fundir se não houver confiança. Aconteça o que acontecer, é preciso acreditar que tudo vai dar certo. Pelo menos, é assim que tenho feito desde sempre. ( :

 

Nessa altura do campeonato…quem treinou, treinou!

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Outro detalhe: nada adianta você ter feito um longo monstruoso de 38 km se não houve uma continuidade no seu treinamento. Aqui, estamos falando das 14 semanas que antecedem a Maratona. Sim, ininterruptos. E outra: meu véio, agora não é hora de fazer longo. Nessa altura do campeonato, há 11 dias do Dia “D”, esqueça treinos “pra estourar as coronárias”. Para tirar o atraso, muitos caem nessa roubada. Resultado: imunidade lá no pé e um risco altíssimo de lesões, o que pode colocar tudo a perder. Não, né?

Quando o controle vem com ela: sempre ela, a experiência

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Concordo em gênero, número e grau com o que pregam especialistas em Psicologia do Esporte, como William Falcão. Ele defende que “a ansiedade não é necessariamente ruim. Ela é até importante para o indivíduo reconhecer momentos estressantes onde o alto rendimento é necessário, como saber distinguir o ambiente de treino do ambiente de competição. São nesses momentos que atletas encontram a disposição para superar seus limites. Fundamental, no entanto, que o atleta encontre um grau de ‘ansiedade ideal’. Ela ajuda, inclusive, a sua performance, ao invés de prejudicá-la”.

Segundo o psicólogo, em entrevista recente ao site Globo Esporte, o controle de ansiedade se adquire com experiência. E é exatamente isso o que sinto. Nas minhas primeiras provas, sofria bastante. Me preocupava com meu sono, com minha dieta, com tudo – como se cada detalhe fosse fazer uma BAITA diferença. No final das contas, a verdade é que o que vale é o conjunto do que fazemos, meses a fio, e não num ou outro dia.

“Estar consciente do nível de ansiedade e das consequências do mesmo no seu corpo e mente podem acelerar este processo. Na medida em que se aprende a controlar o nível de ansiedade, o atleta pode também aprender a interpretar a ansiedade como um motivador. Temos inúmeros exemplos de atletas que depois de anos de experiência competindo em nível internacional relatam continuar sentindo “um frio na barriga” antes da competição. Este “frio na barriga” se torna um motivador ou um gatilho que os preparam para superar seus próprios limites. Seu corpo e mente interpretam este estímulo como um alerta para se preparar para a atividade”.

Ahá! E aí que está a chave de tudo. Não é que temos que anular a ansiedade, mas sim saber controlá-la – e cada deve encontrar seu mecanismo de controle. Esse “friozinho na barriga” é, ao meu ver, essencial. No dia em que eu não tiver mais isso, creio que vou parar de competir. Essa ansiedade, na medida, é saudável e totalmente compreensível.

Para os mais inexperientes – ou que irão estrear na distância dos 42,1 km em Porto Alegre -, minha dica é: respire fundo, esvazie sua mente e utilize sua energia para se concentrar e ganhar motivação para a corrida. Basta dois ou três quilômetros para a sensação de coração na boca e boca seca ir embora. E dali pra frente, você terá muito chão pra administrar.

Uma Maratona nunca é resolvida em meia dúzia de minutos. E por isso mesmo – por exigir tanta força, treino e preparo físico e mental – ela é tão mágica. De algo tenho absoluta certeza: depois de cruzar a linha de chegada, somos os ansiosos mais relax e de bem com a vida! Essa felicidade não tem preço nem explicação científica. E ninguém pode tirar isso da gente!

Desejo a todos corredores, de todas as distâncias uma excelente prova na Maratona Internacional de Porto Alegre. Nos vemos dia no domingão, dia 11, lá no BarraShoppingSul. Bora pra cima que o resto é só alegria!!!! ((( :

 

 

 

 

Maratona do Rio: bela, grande e para os fortes

Publicado por | Por Aí | 3 Comentários

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Vinte e quatro horas após finalizar a Maratona Caixa da Cidade do Rio de Janeiro, realizada ontem, 26 de julho na Cidade Maravilhosa, relembro  tudo que vivi nas 3 horas e 19 minutos. A prova, considerada a mais importante do país, me deixou de boca aberta boa parte do tempo. Nunca senti tanta emoção correndo. Além da paisagem magnífica – corremos todo tempo contemplando a faixa litorânea -, há uma multidão vibrando nas ruas, numa festa imperdível e de arrepiar até o último fio de cabelo.

Ao todo, somente nos 42k, foram mais de 5 mil concluintes, número que coloca o evento no topo do ranking em solo brasileiro. No evento todo, são cerca de 26 mil pessoas, inscritas na maratona, meia maratona (21k) e Family Run (6km). A cidade congela para apreciar o oceano de gente de tudo quanto é tipo, dos iniciantes à elite que chega para dar show. A alegria, estampada no rosto de todos na linha de chegada, é mesclada com a expressão de dor ao longo do trajeto, nada “barbada” como  alguns imaginam.

Minha experiência foi incrível. Mesmo que não tenha feito um tempo megablaster (já que o convite para corrê-la ocorreu pouco tempo antes e coincidiu com outra prova do meu calendário), posso afirmar sem medo: a Maratona do Rio entrou para o meu coração como se fosse a primeira. Chorei em vários trechos. Como o do Túnel do Joá, quando visualizei o triatleta José Rosa das Neves levando seu filho, que nasceu com hidrocefalia, num carrinho. “Viva a amizade!”, gritava ele. Eu aplaudi. Visualizei a expressão de felicidade  do garoto, vibrante, e me fui com lágrimas nos olhos. Nessa hora, a força surge do nada. Quando você tenta desanimar, lá vem uma cena dessas: ou é turbinado pelo aplausos dos cariocas, ou “empurrado” pelas palavras de incentivo dos demais corredores. “Força, guerreira!”, ouvi muitas vezes. Noutras, morri de rir com tiradas como “tá doendo tudo mas tá bom demais!”. E não acreditei quando a triatleta Fernanda Keller falou “vamos lá! está muito bom o ritmo!” no quilômetro 17. Bem que ela podia aparecer no quilômetro 36, não?

Não sei descrever com maestria a sensação de entrar no corredor da linha de chegada, no Aterro do Flamengo. Você sai do ar. É tanta gritaria e zoeira que não se sente as pernas, nem os braços, nada. O coração quase pula pela garganta. E o pórtico demora a ser visualizado. Resumindo: os 42k da Maratona do Rio são grandões. Tão gigantes quanto a beleza da paisagem. Paisagem essa que ameniza, porém não isenta os atletas de muito esforço. É preciso ter pernas fortes e bastante treino.

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Gostaria que todos pudessem ter o privilégio de conseguir levar para casa emoções como essas. Impossível não elevar as mãos aos céus e agradecer por ser maratonista. Ontem, ao olhar para aquele marzão maravilhoso, para aquela paisagem estonteante, fechei os olhos e lancei um “obrigada, meu Deus”. Como prega aquele ditado, “depois do quilômetro 35, não tem ateu”. No Rio de Janeiro, desde os primeiros 100 metros, impossível não crer que ele exista.

* Concluí a maratona em 3h19, figurando na 19ª colocação geral feminina e 2ª na categoria 35-39 anos, atrás da norte-americana Jamie Dawes. Fui a 14ª brasileira a concluir a prova. Ao todo, foram 1.164 mulheres que fizeram os 42k. O troféu virá pelo correio, em breve, já que não pude comparecer à cerimônia de premiação. Prometo que tirarei uma foto dele para vocês. ( :

Agradeço imensamente à Olympikus pelo convite para testar o modelo de tênis Rio 3, lançamento da marca.

Um obrigada a todos que torceram por mim e parabéns a todos que cumpriram seus objetivos no domingo. Aplausos extras aos organizadores, que foram impecáveis em todos sentidos.