Daniela Santarosa

Pré-TTT 2016: pra vencer a guerra

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Pouquinho mais de uma semana pra largada de uma das provas mais aguardadas do Sul do País, a Travessia Torres-Tramandaí (TTT), já vejo gente nervosa. Não há como negar, e pouco importa se você é iniciante ou corredor mais calejado. Sempre rola aquela ansiedade e “friozinho na barriga” – o que acho maravilhoso. Afinal, quando perdemos esse brilho no olho, é porque tem algo errado!

Dessa vez, estarei curtindo apenas como torcedora, do lado de fora, na beira da praia. Participei das seis últimas edições. Venci uma vez em dupla mista, mais quatro vezes na categoria solo. Decidi, após erguer o troféu em 2015, que daria um tempo. Já expliquei os motivos anteriormente. A vontade de encarar a ultra novamente se foi, mas a de incentivar os atletas que ainda acham a competição sensacional – ou que irão estrear nesse ano – segue forte como nunca.

Então lá vamos! Deixarei de lado os aspectos de treinamento físico dessa vez, até porque, se você não treinou até essa altura do campeonato…só lamento! Minha colaboração será para aqueles que curtem um incentivo psicológico, uma palavra de conforto e que acreditam, assim como eu, no poder da mente para a conquista dos objetivos.

A arte da guerra

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Contarei com a ajuda de um amigo psicólogo, já experiente nessa prova, com quem costumo trocar ideias a respeito desse tema com frequência. O Rafael (Homem de Carvalho) cita algo que considero extremamente importante. Ele preparou um artigo, batizado de “TTT termina na hora da largada”. Pode parecer confuso, mas é facilmente explicável:

“Ao ler alguns conceitos do livro A Arte da Guerra, de Sun Tzu, caiu a ficha sobre a relação de um deles com nossa realidade. Tzu fala que ‘a guerra é vencida antes mesmo do início da batalha, na escolha da estratégia’. Em outras palavras, o autor diz que os vitoriosos seriam aqueles que teriam planos de guerra melhores elaborados do que seus adversários. A guerra, em si, seria apenas o momento da execução deste ou daquele plano. E quanto mais fiel esta execução ao seu plano, maiores a chance de êxito”.

Não faz todo sentido? E ele segue, relembrando experiências passadas:

“Depois de algumas TTTs feitas, procuro já não alimentar expectativas além das minhas reais condições, do planejamento como um todo. Mas tenho que confessar que, volta e meia, ainda vem um tal de pensamento mágico que conseguirei resultados melhores. De que na hora H vai vir uma força extra – e eu sigo no aguardo dela –, aquela que vai me fazer tornar o melhor dos melhores, um verdadeiro campeão! Porém, bem rapidinho, volto a realidade, apesar de acreditar que pensamentos desse tipo podem ajudar como um estímulo a mais, um gás extra. No final, vejo que se torna inviável permanecer nesse plano mágico, desconectado do mundo real. Na corrida, as realidades são verdadeiras, muito duras às vezes, mas puramente honestas, sinceras e individuais”.

Concordo em gênero, número e grau. Não espere por resultados bombásticos sem ter treinado para tal feito. Suba os degraus com segurança e parcimônia. Valentia em excesso pode ser um sinal de burrice e imaturidade. Quando falo que, na corrida não tem cesárea – aqui, o parto é normal, com dor e paciência -, procuro alertar aos que buscam atalhos. É natural desejarmos nos destacar em meio à multidão, triunfar, ser como nossos ídolos. Só que ninguém chega lá de forma artificial e dura por muito tempo. E é justamente por isso que o esporte é tão apaixonante: a seleção é natural. Pura, crua – e muitas vezes cruel.

Controlando as variáveis

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Traçada a estratégia – que é algo bem pessoal, e por isso mesmo não comentarei sobre a minha ou de qualquer outra pessoa -, é hora de pensar sobre as múltiplas variáveis. E se chover? E se ventar forte? E se meu tênis incomodar? E se tiver um sol de rachar? Claro que queremos sempre tudo 100% lindo e sob controle. Porém, numa prova como essa, realizada na areia, no verão (quando o tempo “vira” a todo momento), imaginar um cenário perfeito é muita pretensão. Rafael dá a barbada:

“Executar a estratégia planejada não é das tarefas mais fáceis, já que a TTT inclui uma série de variáveis externas – temperatura, areia dura, areia solta, com buraco sem buraco, vento contra ou a favor, logística, etc. – só para citar algumas, bem possível que ao longo do dia toda a estratégia planejada antecipadamente tenha que ser revista. Ainda assim, aprendi não abrir mão de contar com um plano real, executável. Mesmo que tenha que sofrer ajustes de última hora”.

Essa flexibilidade de mudar a estratégia de última hora, novamente, ao meu ver, é algo que vamos aprendendo ao longo do tempo. “Macaco véio” de prova sabe o que fazer quando pinta um imprevisto. Desistir, definitivamente, não é opção válida para os mais fortes – embora seja uma hipótese válida para os casos que colocam suas vidas em risco.

E você? Já tem sua estratégia em mente?

Para a TTT ou qualquer outra competição, seja na corrida ou em demais aspectos de nossas vidas, contar apenas com a sorte não costuma ser uma boa ideia.

Por isso, sempre desejo aos amigos, ao invés de “boa sorte” antes da buzina da largada, um singelo “boa prova”. É apenas o que precisamos pra vencer a “guerra” com um sorrisão no rosto e, claro, aquele gostinho de quero mais.

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Canoa polinésia foi um dos momentos mais difíceis: 12km no mar revolto da Praia Vermelha

Rockyman 2015: uma saga para os brutos

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Dois dias após retornar do Rio de Janeiro, onde disputei o incrível Rockyman - maior competição multiesportiva do País -, ainda sinto o cansaço de dois dias intensos de competição. Convidada pelo capitão Chico Santos, montanhista experiente, fiz parte da equipe carioca Terra de Gigantes, formada por atletas de ponta nas suas diversas especialidades: surf, skate, BMX, mountain bike, corrida de montanha, maratona e canoagem. Uma gauchinha perdida lá no meio das feras!

Equipe quase completa. Da esquerda para a direita, os apoios "Lobinho" e Edgar, eu, Chico Santos, Amarildo Ferreira e Kaique Milani

Equipe quase completa.
Da esquerda para a direita, os apoios “Lobinho” e Edgar, eu, Chico Santos, Amarildo Ferreira e Kaique Milani

 

O que vivi nas 48 horas de aventura jamais sairá da cachola. Os flashes passam na cabeça como num filme. Desde que cheguei, foi emoção à flor da pele: tantos as positivas quanto negativas. E o que mais ficou evidente – e é sobre isso que irei enfocar nesse texto – é a definição que temos de atleta. Conheci gente de todo tipo. Cinco das 20 equipes que disputaram o Rockyman 2015 eram estrangeiras. Só “galo cinza”. Gente altamente qualificada, muitos deles atletas com índices olímpicos. Campeões de carteirinha. Embora, em meio a eles, alguns maus exemplos tenham surgido.

Um deles foi infiltrado por azar do destino justamente na Terra de Gigantes. Não citarei nomes, embora deveria. Um sujeito, selecionado a dedo para desempenhar nas provas de surf e de skate simplesmente decidiu não ir de última hora. E aí que começaram os problemas. Você imagina: viajar centenas de quilômetros para participar de um dos mais cobiçados eventos esportivos realizados em solo brasileiro e ter que se conformar com esse fato, indesculpável. É o tipo de atitude antidesportiva e antiética, que veio como uma notícia-bomba duas horas antes da largada oficial, no sábado, dia 7 de novembro. Como fazer? Todos da equipe, atletas e staff de apoio, não sabíamos como resolver o pepino. O cidadão simplesmente desligou o celular. Arregou. Nos deixou na mão. E estávamos sem atleta para duas importantes modalidades.

Conseguimos um skatista para o domingo. No sábado, tentamos preencher o furo, mas não chegamos a tempo de entrar no mar (gigante, por sinal, com mais de 2 metros de ondas na Barra) com um substituto. O que fazer? Lamentar. E seguir o baile. Não tem aquele ditado: “se não há solução, solucionado está”? Na prática, é assim mesmo que funciona.

Minha participação na maratona foi bem abaixo do esperado. Não bastasse o desfalque, sofri um tombo feio no dia anterior, resvalando e caindo de costas numa escada lotada de lodo – o que me deixou com várias escoriações, a coluna com um “ovo” e as costelas doloridas. Fui no arrasto. Mas cheguei. Isso não seria o que nos afundaria. Tivemos a impressionante participação dos campeões Kaique Milani (um dos melhores atletas de BMX do Brasil, que voou no Parque Radical de Deodoro, onde ocorrerão as Olimpíadas do Rio 2016) e de Amarildo Ferreira (veterano na mountain bike, pura garra e dedicação), além do capitão Chico Santos, que sempre arrasa nas corridas de montanha e ama uma pirambeira. Pra essa turma, tiro meu chapéu. Só gente fina, bem humorada e no estilo “topa todas”. Não tinha tempo ruim. Todos se ajudando, apoiando os nossos e demais integrantes e competidores…amigos que já entraram pro lado esquerdo do peito.

No domingo, a competição de skate, eletrizante, contou com a boa vontade de um atleta que estava “passeando” no bowl da pista Rio Sul e topou a roubada de mandar ver ao lado de feras como Felipe Foguinho e Raul Roger Magalhães Baracho. Um show de talentos que jamais presenciei!

Canoa polinésia foi um dos momentos mais difíceis: 12km no mar revolto da Praia Vermelha

Canoa polinésia foi um dos momentos mais difíceis: 12km no mar revolto da Praia Vermelha

 

Finalizamos remando 12 km juntos na canoa polinésia (uma das experiências mais loucas da vida, sem dúvida), correndo mais 13km rumo ao topo do Morro Chapéu Mangueira e descendo pela favela, em meio à comunidade – outro momento que me dá arrepios e que dificilmente viveria desse jeito se não fosse esportista. Nós lá, bem longe da primeira colocação, e uma menina puxa um coro, do alto de uma janela dum barraco:

- Já ganhou! Já ganhou!

Juro que fiquei com lágrima nos olhos. No fundo, no fundo, essa era a realidade. Apesar de todas as adversidades, todos tinham triunfado: acrescentamos, no frigir dos ovos, uma experiência indescritível no currículo.

Saio do Rockyman reforçando algumas de minhas várias convicções. Vamos a elas.

A primeira delas: para ser atleta, não basta praticar um esporte. É preciso dedicação, comprometimento, respeito e, além do corpo, uma cabeça saudável. Quando o cara nasce pra ser “loser”, não tem jeito. Pode treinar, participar de provas, até subir no pódio. Mas não vai longe. É o caso do nosso surfista furão, que deu um exemplo de como não agir – e está, ao meu ver, numa distância anos-luz de tal definição acima.

A segunda delas: é preciso dar o melhor de si, mesmo que as coisas estejam indo de mal a pior. Tem que ser bruto (na definição heróica da palavra). Não se acadelar com merreca. Tem dias bons, dias ruins, outros piores ainda. Eu poderia ter entregado o jogo e não completado a maratona, diante de um cenário tão intimidador – e das inúmeras dores do meu tombo. Mas fui até o final. Sabia que se não cruzasse a linha de chegada, não estaria cumprindo com minha palavra. E, como diz um amigo meu: “não é do meu biotipo desistir” (rsrsrsrsrs).

A terceira e última: somente o esporte nos proporciona experiências tão únicas. É preciso agradecer ao universo, a Deus, ou a sei lá quem você queira, pela oportunidade de ser atleta. Só porque corro, e dediquei anos e anos da minha vida à corrida, cheguei onde cheguei. É o tipo de experiência que nenhum dinheiro pode comprar. Só quem pratica algum esporte com tamanha paixão consegue entender do que estou falando.

Iria acrescentar uma quarta, mas essa não nem preciso repetir: a vida é boa. Acredite nela. ( :

 

 

 

Zica na maratona: quando tudo dá errado

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Aquela sensação de que você deveria ter ficado em casa

Aquela sensação de que você deveria ter ficado em casa

Sabe aquele dia em que as coisas insistem em conspirar contra o pobre cidadão? Quando nada parece encaixar. Quando a maionese desanda. O pneu fura. Você não vê a hora de acordar no outro dia, para acabar com a zica? Pois esse dia – ou melhor, noite – foi ontem, na Maratona Caixa de Porto Alegre. A prova noturna (na qual levei o troféu de campeã no ano anterior) parecia um pesadelo, daqueles que costumam fazer você encharcar os lençóis.

Apesar de não ter a pretensão de ultrapassar feras como a multicampeã Rosa Jussara Barbosa ou Gracielle Pedroso, fui correndo sem medo até meados dos quilômetros 23 ou 24. Quando tudo parecia estar bom demais para ser verdade, vou passar num dos postos de hidratação e esbarro, não sei porque, numa das mesas. Dois dos carbogéis que carregava saltaram da cinta. Fiquei com apenas um para todo o restante da competição (sendo que um dos 4 que levei já havia tomado). Péssimo. Tentei não me abalar demais com o fato.

Dois quilômetros à frente, porém, o guampudo montou na garupa. Comecei a esboçar sintomas de hipotermia. Tremia feito bambu verde. E o pior ainda estava por vir: uma indisposição intestinal (prenunciando o famoso “churrio”, na língua tosca) me deixou extremamente incomodada. Não dava, não havia jeito de passar. Resultado: tive que parar três vezes nos matinhos da Beira-Rio. Sorte que estava escuro.

Notei que não só para mim o dia não estava pra peixe. Vi muitas pessoas parando para se aliviar. Pelo menos meia dúzia de amigos confessaram ter recebido a visita do famigerado “piriri”. O que fazer? Maldita maldição!

Nunca, nessas duas décadas de corrida, passei por tamanho sufoco. Mesmo que jamais tenha abandonado uma prova, algo me dizia que deveria obedecer o corpo e sair pela tangente. O problema é a cabeça-dura aqui obedecer. Fui “escutando os sinais” e afrouxei o pé total. Pensei: completar, apenas completar, na boa, sem passar mal. Vamos ver se dá.

E deu. Cruzei a linha de chegada dos 43.200 metros do percurso (sim, erraram a marcação – corremos um quilômetro a mais) na quarta posição, com pouco mais de 3h20min no cronômetro. Que situação. Mas enfim, foi o que deu.

Taí o que deu pra levar pra casa - 4º lugar no pódio geral feminino

Taí o que deu pra levar pra casa – 4º lugar no pódio geral feminino

A conclusão? Tem dias que não dá. Mesmo que você treine, tenha experiência, vá com fé, animado, tenha “sangue nos óio” e tantas outras qualidades.

A vida é isso aí: feita de altos e baixos, de certezas e incertezas.

Saber tirar proveito e aprender com cada um desses momentos é essencial.

Vamos pra próxima!

* Parabéns a todos que completaram a Maratona Caixa do Rio Grande do Sul na noite desse sábado. E um “puxão de orelhas” na Latin Sports, que não entregou medalhas para os concluintes dos 43,2 quilômetros (confirmei no meu Garmin e no de muitas outras pessoas). Eu não dou lá tanta importância, mas penso em quem fez sua primeira maratona, treinou duro para tanto, e chegou em casa com um papelzinho chinfrim tentando justificar tal vacilada. Não sei se foi a fábrica de medalhas, o caminhão da transportadora, o Zé da Esquina. O fato é que pegou bastante mal.

Uma pena. Outro desrespeito aos atletas é errar o percurso: ninguém achou legal ter que fazer mais de 1.000 metros além dos 42,1. Não estamos falando de 200, 300 ou 600 metros. É um quilômetro de diferença. Francamente.

 

Após mais de 43 quilômetros de prova, essa foi a medalha.

Após mais de 43 quilômetros de prova, essa foi a medalha.

 

 

 

Mizuno Uphill Marathon 2015: missão ninja concluída

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Vestígios das três edições da Uphill Marathon: dois troféus e três medalhas de Survivor

Vestígios das três edições da Uphill Marathon: dois troféus e três medalhas de Survivor

Inacreditável. Essa é a palavra que resume o que vivi na terceira edição da maratona mais difícil do País, a Mizuno Uphill Marathon, realizada na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina (RS) no último sábado, 1º de agosto. E eu explico o porquê dessa afirmação.

Não é apenas porque são 42,1 quilômetros de corrida morro acima, num ambiente nada acolhedor. Nem porque você deve vencer 256 curvas para chegar no topo, situado a exatos 1.418 metros acima do nível do mar, com um ganho de elevação de 2.425 metros. Nem porque, dessa vez, a corrida foi realizada no final da tarde e ao longo da noite, quando você mal sabia onde estava pisando.

O que jamais esquecerei – e o que torna essa missão “ninja” – foi meu estado de ansiedade e insegurança ao saber o que enfrentaria pela terceira vez, já que participei das duas outras edições, com o detalhe de que havia corrido uma maratona há exatos seis dias. Isso mesmo. No domingo anterior, havia concluído a Maratona da Cidade do Rio de Janeiro, e minhas pernas estavam ainda moídas. Mesmo que tivesse “segurado” a onda e feito a prova em 3h19min, sabia que vencer a insana Serra do Rio do Rastro era loucura nessa altura do campeonato. Uma verdadeira insanidade.

Nessa hora que vem a força do que, acredito, seja o maior patrimônio de todo corredor: a mente. Essa força interna que nos move e faz com que a gente siga adiante e supere os limites. Porque sim, há muito mais entre o céu e a terra e uma planilha de treinos e uma sessão de tiros na pista. Não compreendemos. Apenas sentimos.

O primeiro fator para que o plano “duas maratonas em seis dias” desse certo foi a parceria de amigos que viajaram para a odisseia comigo. Não citarei os nomes. O que sei é que mais de uma dúzia deles transformou o que seria um martírio numa festa jamais vista. Brincamos, pulamos, tiramos onda um do outro desde o dia anterior da competição, deixando tudo leve e repleto de vibrações positivas.

O segundo grande propulsor foi o contexto da Uphill. Todo o clima criado pela organização da prova (Mizuno + X3M, impecáveis em todos os quesitos) entrou em harmonia com a energia dos mais de 500 atletas inscritos, vindos de todas as partes do Brasil. A cidade de Criciúma, ao Sul de Santa Catarina, virou QG de gente apaixonada, simplesmente fissurada pelo esporte. Tenho certeza da extrema relevância da corrida na vida dessa gente que aceitou encarar o desafio. Se inscreveu, lutou por vagas que duraram cinco minutos na internet para esgotar. Pagaram para “sofrer”. Porque sabiam que, mesmo que seja história pra boi dormir, acreditamos piamente no tal de pote de ouro no final do horizonte.

Não posso deixar de citar meu “lastro” de corredora para que eu não só finalizasse – mas faturasse, mais uma vez, um dos cobiçados troféus da prova. Dessa vez, figurei como vice-campeã, atrás somente de Carla Moreno, triatleta profissional. Carla, que tem a minha idade (38 anos), já participou de duas olimpíadas (Sidney/2000 e Athenas/2004) e de três Panamericanos. Só isso. Essa sim é lenda. Respeito total desde sempre por ela, que merece o lugar mais alto do pódio, sem nenhuma discussão. Finalizei o percurso em exatas 4h e 3 segundos, 13 minutos abaixo do ano passado. Dos 495 concluintes, fui a 43ª colocada – sendo 42 homens e uma mulher.

A PROVA

A prova, ao meu ver, foi a mais fácil das três edições, apesar de todas as circunstâncias. Isso falando em termos climáticos, não considerando o nível dos competidores – esse sim, foi o mais elevado. Tanto que foram batidos os dois recordes (Carla, em 3h40min, e Marcelo Rocha, em 3h12min). O clima estava perfeito (nada de vento, nada de chuva, nada frio, quente mas suportável). Diante das demais (frio na primeira e tempestade na segunda), barbada. Quem foi ano passado sabe do que estou falando.

A escuridão foi o diferencial – mas não considero um fator que possa ter atrasado a chegada de qualquer corredor experiente. Ainda mais se formos falar em montanhistas. Creio que não enxergar nitidamente o “dragão da Serra”, sobretudo a partir do quilômetro 30, ameniza a situação. Visualizar o que temos que, literalmente, escalar até a linha de chegada, em Bom Jardim da Serra, conforta bem mais.

Resumindo: a Uphill de 2015 foi perfeita. O astral da prova é indescritível. No sábado à noite, quando cruzei o pórtico, às 20h30, passei pelo corredor humano dos últimos 50 metros, fechei os olhos, abri os braços, com lágrimas nos olhos, e só pude agradecer: “obrigada, meu bom Deus”!

A todos que enfrentaram a Mizuno Uphill Marathon 2015, meus parabéns. Essa é pra quem é osso duro de roer.

Para quem deseja fazê-la, meu incentivo extra. Experimente. Valerá cada passada.

Não sei se posso me considerar uma “ninja”. Mas que senti um clima de “Karatê Kid” na chegada….ah, isso senti. No caso, o tal de Senhor Miyagi acenou positivamente com a cabeça. Missão cumprida, Dani San.

 

Podio

 

TTT 2015: porque eu não vou correr em 2016

Publicado por | Mente de corredor, Sem categoria | 49 Comentários

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Dizem que uma das sabedorias necessárias para qualquer atleta é planejar quais competições irá participar e, mais a longo prazo, qual o momento exato de sair de cena. Para profissionais (o que não é meu caso, e o da maioria), isso é mais difícil e doloroso. Fico imaginando a frustração de ter ido ao auge e, em função de lesões ou desgaste físico e também psicológico, ter que anunciar a aposentadoria.

No final de semana passado, quando corri pela quarta vez a Travessia Torres-Tramandaí (TTT) na categoria solo (82km pela beira da praia), pensei muito sobre isso. Conquistei um tetracampeonato bonito, sofri, chorei e me diveti para caramba. Porém, quando cheguei em casa e olhei para o troféu feioso de 1° lugar, cinzento e sem graça, me questionei se realmente valeu a pena tanto esforço.

Nessa e em outras competições realizadas no Rio Grande do Sul (e creio que o mesmo ocorre em outras regiões brasileiras), somos tratados como meros coadjuvantes em “festas promocionais” mal organizadas. Pagamos inscrições com valores altos, investimos em equipamentos, em toda infraestrutura para fazer bonito.

Treinamos feito doidos o ano inteiro. Ficamos ansiosos, abrimos mão de uma série de coisas para correr.

E o que ganhamos em troca?

Não estou tirando o mérito de quem cria e realiza tais eventos. Sei que dá trabalho. Mas é um negócio: e um negócio cada vez mais lucrativo. Hoje a corrida é o segundo esporte mais praticado do País. Do Oiapoque ao Chuí, milhares de corredores de todas as idades e classes sociais invadem as ruas com seus tênis coloridos e gastam uma babilônia de grana para alimentar esse “vício” do bem.

Mas a meu ver – e me corrijam se estiver errada -, nos contentamos com migalhas. No caso dum evento como a TTT, que reuniu mais de 2 mil corredores (que desembolsaram, cada um, 130 paus), as falhas ficaram evidentes e decepcionaram muita gente. Falando com colegas que correram a prova, foram apontadas uma série de problemas.

Eu percebi erros graves nos pontos de hidratação (como estava na dianteira, notei que o staff não conseguiu sequer oferecer água gelada em vários pontos, sobretudo após o meio-dia, após a plataforma de Atlântida), algo essencial e básico para todo ultramaratonista. O kit da prova, mais uma vez, decepcionou muita gente. E a premiação, então…sem comentários.

Após correr 82km em 7h44min, batendo o recorde da prova, ganhei um troféu igual a todos os demais (nada criativo e muito feio, no formato da bandeira do Rio Grande do Sul. Mais brochante, impossível). A impressão que tive é que foi feito sem um tesão. Muito, mas muito aquém da dimensão dada pelo público ao evento.

O que ganhei de premiação? Um boné.

Quando digo isso a leigos, que nada entendem de corrida, o espanto é geral. “Mas como pode? Não pode ser! Correr 82km e ganhar um boné! Como tu ainda vai nisso?”, me perguntaram ontem.

Eu não soube responder.

Será que o que vimos no último final semana no litoral não vale para uma reflexão?

O quanto estão valorizando quem se dedica tanto a esse esporte? Onde está o profissionalismo, a consideração com os atletas? Será que merecemos comer pão seco com queijo, quando merecemos (e pagamos para ter) um rango que tenha o sabor da superação, gostoso como um croissant quentinho?

É por essa e outras que, em 2016, decidi não correr mais essa competição e todas as demais que, ao meu ver, não primam pelo profissionalismo e deixam a desejar em vários aspectos.

Quer ver como funciona? Vá para qualquer evento esportivo na Europa e Estados Unidos ou, mais perto ainda, na Argentina.

Somos os principais personagens. E exigir qualidade não é ofensa ou crime. É nosso direito.

Espero que tenhamos uma evolução nos próximos anos, pois do jeito que as coisas andam, dá mais vontade de investir essa grana preta das inscrições em um bom vinho – pelo menos, o retorno é garantido.

 

 

 

TTT 2015: dicas para enfrentar o desafio

Publicado por | Caminho das pedras | 3 Comentários

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31 de janeiro de 2015. Esta é a data para a 11ª edição da clássica Travessia Torres-Tramandaí (TTT), uma das mais cobiçadas provas de revezamento do Rio Grande do Sul e, para os ultramaratonistas, desafio obrigatório pelo menos uma vez na vida. Já corri três vezes a prova sozinha e uma em duplas, e em todas elas saí com um troféu de campeã. Achei que não iria enfrentar novamente o perrengue, mas quando vi, estava inscrita.

Para quem irá debutar na orla gaúcha nas distâncias menores – quartetos e octetos -, bem como quem for mais arrojado e se inscreveu em duplas ou na categoria solo, há dicas e macetes que poderão ajudar bastante e dar mais segurança para cruzar a linha de chegada exibindo aquele sorrisão. Irei mesclar algumas impressões e dar detalhes da minha experiência, porém contarei com a ajuda de professores de educação física experientes em montar planilhas de treino e, claro, que já enfiaram seus lindos pés na areia fofa que separa os dois balneários ao longo de seus 82 quilômetros.

Um deles é Luciano D’Arriaga, da Integra Pró-Saúde, ultramaratonista dos bons. O “Lu” tem no currículo provas de peso como a Patagônia Run 100km, já correu a TTT sozinho em menos de oito horas – tendo ficado entre os 10 primeiros -, ganhou o desafio 24 Horas na Esteira em 2013 e atualmente divulga os resultados de um estudo inédito com ultras presentes na edição de 2013 (inclusive, ele não correu para ficar tirando amostras de sangue dos atletas com seus colegas do mestrado). Outro é Claiton Lenz, do grupo Galgos, de Lajeado, maratonista sub-3h em Santiago 2014 e colaborador da revista Contra-Relógio.

Claro que haverá outros profissionais que serão consultados, mas para o início é isso. Peço que todos enviem suas dúvidas e comentários para que possamos enriquecer ao máximo essa troca de experiências.

A partir de amanhã, vocês poderão conferir dicas de treinamento aqui no blog Santa Corrida nesse período pré-TTT, primeiramente com foco nos quartetos e octetos. A ideia é otimizar ao máximo o tempo nesses três meses que faltam e dar todas as “barbadas” que só amigo dá!

Vamos nessa?

( :

 

 

 

 

Quando a carcaça pede a conta

Publicado por | Oxigenando | 3 Comentários

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O calendário de corridas no Brasil e exterior, a cada ano, lota mais e mais com provas que são uma tentação para aficionados nesse esporte. A ideia de aliar turismo com o hobby esportivo tem dado muito certo: basta ver a quantidade de pacotes oferecidos por agências de turismo especializadas nesse promissor filão de mercado.

O problema é: para quem não tem tantas limitações de tempo e no bolso, como fazer para que a “carcaça” sobreviva a tanto maltrato? Sim, porque correr uma maratona seguida da outra não é, de forma alguma, do ponto de vista fisiológico, algo saudável.

Que digam os cabeças que estudam isso a fundo, com seriedade, há décadas.

Em agosto desse ano, estive na 26ª edição anual do Congresso Brasileiro de Medicina do Exercício, realizada em Belo Horizonte (Minas Gerais). Passei quatro dias inteiros assistindo palestras com autoridades em diversos assuntos, incluindo esportes de alto impacto e rendimento como a corrida. Quando falei o que fazia, recebi muitos olhares de reprovação.

“Ultramaratonista? Ih, admiro, respeito, mas teu corpo vai pedir a conta”. Esse foi o resumo do pensamento de profissionais que acompanham há décadas atletas como eu. Estou falando de treinadores de seleções olímpicas, de privilegiados que têm o acompanhamento médico, nutricional, psicológico e toda parafernália tecnológica para minimizar os danos de anos a fio exigindo do corpo até o caroço. Como se fôssemos máquinas.

Sejamos racionais: para um atleta de alto rendimento, duas maratonas seguidas, com 6 dias de intervalo, já são insalubres.  Porque há sequelas que não enxergamos, Para se ter uma ideia,  internamente, apenas para o rim voltar a funcionar novamente pós-prova, demora 48 horas.  Os maratonistas entram em insuficiência renal depois de enfrentar os 42,1 km de uma competição. Sinceramente, isso me impressionou. É só falar com um “papa” do ramo, que tenha acesso às pesquisas a respeito do assunto (a maior parte norte-americanas), para começar a olhar todo contexto de outra forma.

Embora existam exceções, de pessoas geneticamente abençoadas (uma ínfima parcela), as análises são contundentes, unânimes e devem ser respeitadas: há reflexos muito graves, irreversíveis, do exagero de atividade física em pessoas “comuns”. Infelizmente, a realidade é essa.

O mais sinistro é que nada aparece quando temos 20 ou 30 anos. Raramente.

O bicho pega quando os 40 começam a dar as caras. E depois que estragou, só lamento.

Vejo muitos corredores, principalmente os de primeira viagem (0s deslumbrarunners) se gabarem de correr 768 provas por ano. Mas esquecem que o descanso, o tempo de destreinamento, de pausa, seja para o corpo ou para a cabeça, são primordiais.

Já exagerei demais, não vou dar moral de cueca (ou melhor, calcinha).

Mas decidi que quero chegar aos 80 anos correndo, sem prótese de quadril nem pinos no joelho ou 456 hérnias de disco.

Que eu possa ter a companhia desse tantão de amigos que correm, começaram a correr ou ainda irão se aventurar nesse apaixonante esporte. Devagarito, mas sempre.

 

Maratona de Punta: a vitória do vento

Publicado por | Mente de corredor | Nenhum Comentário
Vai, pangaré, sente esse ventinho nas palhetas

Vai, pangaré, sente esse ventinho nas palhetas

 

Nunca, mas nunca mesmo, trilhar os 42mil, 195 metros de uma maratona é missão de Zé Pequeno. Tudo bem que há um certo exagero, em considerar ser um feito sobrehumano (porque creio que é possível, sim, para qualquer mortal completar a distância), mas tem vezes que você se considera um cidadão privilegiado em cruzar a linha de chegada.

Foi assim no último domingo, quando coloquei na conta mais uma prova nada fácil, a Maratona Internacional de Punta del Este. Há quem vá para o país vizinho esperando melzinho na chupeta. Balneário burguês, onde nove entre dez frequentadores se gabam de frequentá-lo no verão, quando uma Coca-Cola custa quase 10 contos, Punta está incluída no rol daquelas maratonas que são verdadeiras “pegadinhas”. Ano passado, menos de um mês após uma ultramaratona de 24 horas na esteira, cheguei lá toda esgualepada. Não tinha cinco unhas nos pés e consegui um quarto lugar sofrido, mirrado, com 3h16min. O tempo alto foi engolido com naturalidade, afinal, nem esperava conseguir completar a competição naquele estadinho lamentável.

Neste ano, me preparei devidamente, fiz os longões, treinos de pista, de ritmo. Esperava sim, completar, e completar bem abaixo da edição anterior. Mas a realidade foi bem outra.

Na largada, tudo parecia uma maravilha. Consegui administrar um pace abaixo dos 4min30segundos frouxo, até mais ou menos metade da prova, fechando a primeira perna com pouco mais de 1h30min. Porém, depois disso, a coisa degringolou. Há uma certa alimetria, mas o que mais tira o fôlego é o vento, que dá as caras em boa parte da prova. Até os 33km, é administrável. Após, uma briga de foice. A força para manter a passada se torna crescente. Na reta final, não sei a quantos nós estava aquela josca. Só sei que pra kite surfe tava uma maravilha.

Não é por nada que a Maratona de Punta não é procurada por quem quer fazer tempo ou índices de estampar no mural. O evento uruguaio é feito para quem come bastante parilla e doce de leite, não para quem vive no déficit calórico de pratinhos frugais repletos de alface postados no Instagram. É batalha pra forçudos. Feito a personalidade e porte forte e enérgico dos uruguaios e argentinos.

Conquistei o primeiro lugar com folga, 16 minutos acima da segunda colocada (com 3h12min, e tendo que voltar para cortar a fita, pois as meninas que estavam no pórtico mosquearam e não me viram chegar), mas minha dor nas pernas sinalizam a necessidade duma musculação redobrada antes de enfrentá-la outra vez. Não vou lamentar nada, apenas comemorar, mas deixar bem claro para quem perguntar: não, não venci em Punta. Quem deu um vareio foi ele, o vento.

 

 

 

 

Meu dia de coelha

Publicado por | Por Aí | 5 Comentários

Mizuno Half Marathon

Pela primeira vez, tive a grata experiência de ser “coelha” – marcadora de ritmo ou pacer, num corredês mais limpo – no domingo que passou. A convite do amigo Sérgio Rocha, do Corrida no Ar, corri os 21km da Mizuno Half Marathon implementando o ritmo de 4min30seg/km ao lado do maratonista Claiton Lenz, ajudando os competidores a concluírem o trajeto em 1h35min.

O que eu achei? Simplesmente incrível. Muito diferente de competir, ser coelho é ser uma referência e uma segurança para os atletas. Não estamos ali para bater recordes ou para subir no pódio. Muito menos para passear. Ser marcador de ritmo implica na doação pela causa e, principalmente, numa imensa responsabilidade. Afinal, pacer não pode quebrar, não pode reclamar. Tem que incentivar o tempo todo e ficar de olho na prova como um todo: indicar os pontos de hidratação e possíveis obstáculos também é uma missão esperada.

Na minha opinião, provas como essa, promovida pela gigante japonesa, ganham muitos pontos ao oferecer essa opção de luxo para os inscritos. Além de mim e do Claiton, mais dois casais marcaram dois outros ritmos diferentes (para 1h45min e 2h). Quer coisa melhor do que correr sem ter que ficar olhando toda hora pro GPS, tendo certeza que está fazendo a coisa certa?

Para quem nunca ouviu falar, o uso do pacer é bem comum em treinamentos longos, como aqueles para maratonas e ultramaratonas. O atleta preocupa-se apenas em correr, deixando todas os itens de apoio e monitoramento para essa pessoa, que estará sempre ao seu lado – na maior parte das vezes, de bike. Mas em corridas entre “grandões”, isso já deu muito xabu: se o atleta se sentir prejudicado pela utilização de um pacer alheio, pode entrar com um recurso logo após o término da prova para que os organizadores tomem as medidas cabíveis, caso este item esteja no regulamento. Compreensível.

Mas nesse domingo, o jogo foi limpo: ao cruzar a linha de chegada, abraçar o pessoal que correu (ou tentou correr) e ouvir depoimentos como o de um dos atletas em certos momentos (“se não fosse por vocês, não estaria aqui”)  é de arrancar lágrimas dos olhos. Com uma nitidez absurda, vi mais uma vez o quanto a corrida, apesar de muitas vezes ser um esporte solitário e individualista, é mais linda e intensa ainda quando praticada no coletivo.

Mesmo nunca ter visto qualquer um dos corredores que seguiram nossa camiseta fosforescente escrita 1:35, vibramos no final como velhos parceiros de guerra. A alegria de sentir na pele essa alegria – a intensa alegria da vitória e da conquista alheia – me deixou dúvidas do que é melhor: competir ou ser coelha? Na dúvida, eu fico com as duas opções!

Quero parabenizar a todos que conseguiram superar seus limites, com ou sem a ajuda dos marcadores. Para mim, foi um dia que não sairá tão cedo da memória.

Sem limite ou sem noção?

Publicado por | Oxigenando | Nenhum Comentário

Semana passada, atendi uma simpática jornalista de Belo Horizonte. Pegou meu contato com outra colega, também jornalista, que foi à Londres, Alemanha e Suíça em 2012, numa viagem à trabalho.  Conversei com essa repórter de sobrenome oriental (Paula Takahashi) durante pouco mais de 20 minutos. Ela, que é repórter do Núcleo de Suplementos do Jornal Estado de Minas, contou que estava fazendo uma matéria sobre os limites do corpo. Achei bem bacana o tema. Já li matérias similares, mas curti especialmente essa, por trazer à tona algo que considero imprescindível: nos questionarmos quando estamos passando no ponto.

Noto que muita gente anda perdendo a noção do que é certo e errado. Eu já perdi, mas penso que ando me policiando para conseguir participar, hoje em dia, apenas de competições que acho que “valem a pena” – no caso, que avalio como “na medida” para meu momento de vida.  Não preciso provar nada para ninguém, a não ser para mim mesma – e preservar minha saúde é uma das prioridades. Saúde física e mental, diga-se de passagem.

Claro que não condeno quem pratica esportes de endurance, desde maratonistas até triatletas, montanhistas ou ciclistas. Nem mesmo de quem treina pesado em academias e se gaba de levantar 300 quilos. Acho muito mais saudável se mexer do que ser sedentário. E, diga-se de passagem: cada um sabe de si.

Porém, vale a avaliação: pra quê, afinal, estamos fazendo tal coisa? É para nós mesmos ou para os outros? Há um motivo forte o bastante para seguir adiante? Um objetivo, uma meta?

São essas perguntas que devem ter respostas. Afinal, há muita diferença de ser “sem limites” e “sem noção”. Lembre sempre disso.

Confira a seguir reprodução da edição, que foi publicada neste domingo.

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