Dicas

A melhor dica? Não ir atrás de dicas

Publicado por | Caminho das pedras | Nenhum Comentário

 

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Sabe aquele agachamento? Faz assim, ó…

 

Raramente, existe alguém que não tenha algo que queira melhorar em sua vida. Seja pessoal ou profissional. Afinal, não é novidade que o ser humano é insatisfeito por natureza. E cada um sabe de si, certo? Nem sempre.

Vamos falar aqui das questões de saúde/nutrição/treinamento físico. Mesmo que a esmagadora maioria concorde com essa máxima, a atitude acaba indo completamente contra. Na ânsia de melhorar em algum aspecto, acabam recorrendo ao “Dr. Google” (sim, a legião de cybercondríacos só aumenta) ou a tantos outros recursos enlatados em revistas, sites e TV. A tentativa é a mesma: encontrar a fórmula perfeita para emagrecer, melhorar o desempenho na corrida ou ganhar mais músculos, por exemplo. Quando não tentam achar a causa de uma lesão, porque dói o ombro ou dá enjoo depois de fazer um longão.

Claro que é importante nos inteirarmos ao máximo, buscando o maior número de fontes possíveis. Mal não faz. Mas como saber o que é “quente” e o que é empulhação? Questiono o quanto, hoje, estamos suscetíveis a um turbilhão de informações que, sabe lá, não vão mais estragar o que já está meia-boca do que melhorar qualquer coisa. É dica de “como perder a barriga em 3 semanas”, “como correr 21km em tanto tempo”, “como correr sua primeira maratona”, “ganhe mais músculos sem sair de casa”, “caiba no biquíni dos seus sonhos em 2 meses”, entre tantas outras chamadas sensacionalistas. Atualmente, há um aplicativo cuja chamada é: “eu era gorda até seguir essas dicas”. A mocinha jura que, fazendo 20 minutos de exercícios por dia, fica com o shape de miss. E tem quem acredite. Olho aqui, olho ali e coloco toda a parafernália num só balaio: são, meramente, apelos tira-níquel. Preocupada com sua saúde ficava sua avó.

Para cada organismo, uma sentença

Pense aqui comigo: temos um histórico, cada um de nós, peculiar. Cada um tem um estilo de vida, gostos, preferências, tipo físico, mente, profissão. A minha realidade é diferente da sua, que é diferente da Maria, do João, da Margarida. De que forma poderão todos seguirem o mesmo padrão de treino, alimentação, etc? Claro, somos parecidos e sabemos da importância de beber com moderação, não comer gordura em excesso, ingerir frutas e verduras, praticar exercícios físicos, não fumar, dormir bem…porém, mesmo assim, cada caso é um caso.

Dias desses, um professor de fisiologia questionou em tom irônico, no Facebook, a validade de uma dessas “dicas quentes” dadas em rede nacional num famoso programa. A apresentadora sugeria tomar “chá diurético para emagrecer”. Logo, uma competente nutricionista rebateu, comentado que, seguindo esse raciocínio, tomar cerveja seria excelente, pois várias bem geladas são uma excelente forma de fazer xixi. Pérolas como essas viram piada entre quem trabalha sério. É o caso de rir, pra não chorar.

Para mudar de forma consistente o estilo de vida – e somente dessa forma haverá resultados consistentes a pequeno, médio e longo prazo -, não tem dieta da moda, detox, treino intensivo de 2 meses ou qualquer outra invenção que dê certo. É preciso, primeiramente, nos conhecer. E acreditar em profissionais que analisam cada pessoa como um ser único, dotado de inúmeras particularidades. Seja ele um médico, um nutricionista, um professor de educação física ou um fisioterapeuta. Infelizmente, nem todos têm o privilégio de poder pagar por isso. É um terreno perigoso: devemos questionar se, quem dá “dicas” a toda hora não tem outro interesse por trás. Poucos são os casos de quem pensa seriamente na saúde da população, em ajudar que as pessoas tenham uma vida mais saudável, sem ter uma série de outros interesses envolvidos. Acho justo ganhar dinheiro “vendendo saúde”, mas é preciso deixar isso claro, e não camuflado por trás de boas intenções – embaladas, muitas vezes, de forma irresponsável.

Ter senso crítico – e paciência – para evoluir aos poucos, de forma sustentável, conhecendo cada vez mais a nós mesmos, sem querer nos comparar com ninguém – talvez seja a saída. Vamos combinar: a maioria sabe muito bem o que faz errado e como mudar. Procurar atalhos ou fórmulas mágicas torna-se tão perigoso quanto irresistível. Lembre que nem tudo o que vemos por aí condiz com a realidade. Na vida real, não tem filtrinho nem Photoshop, nem muito menos edição de primeira. E se quiser uma dica quente, mas quente mesmo, tá aqui uma: não vá atrás de dicas.