Lesões

Sedentos por medalhas – e por lesões

Publicado por | Oxigenando | Um Comentário

th (5)

Embora sejam inegáveis os benefícios da corrida e cresça a cada dia o número de pessoas que queiram surfar esta onda, há de se mencionar que um tsunami de gente que começou a correr nos últimos anos vá parar, quando menos espera, no consultório de um ortopedista com lesões irreversíveis, enfrentando sessões intermináveis de fisioterapia, e, o pior – a longo prazo, colhendo os amargos frutos de anos e anos a fio tomando antinflamatórios sem o mínimo de parcimônia.

Explico: a evolução gradual, conservadora, porém mais saudável, é chata para quem começou a correr há poucos anos e quer ver resultados a pequeno prazo. Na faixa dos 30 e poucos anos, não canso de ver atletas amadores que iniciaram nesse esporte e já acham que são legítimos quenianos. Treinam no limite da sua capacidade, suplementam sem necessidade e camuflam qualquer dor com analgésicos para equinos.

Participam do máximo de provas que podem e dão o sangue em troca de pura vaidade. A saúde? Bem, a saúde fica em segundo plano. O aqui e agora é que vale. Não importa se, daqui uns anos, não estiverem mais aptos a trotar por aí. Não tem pena de seus joelhos, de seu passado de sobrepeso e sedentarismo. Querem efeitos rápidos, o prazer momentâneo, como se colocassem uma ficha na máquina de Coca-Cola e pum! Vem a medalha reluzindo.

O corpo tem memória. Assim como a natureza humana é generosa com quem tem um histórico de prática de atividades físicas durante a vida inteira, é impiedosa com quem quer dar o passo maior do que a perna ou que não respeita seu biotipo e limitações. Quem vai com muita sede ao pote pode se preparar: infelizmente, um dia essa conta pode vir sem avisar. Se duvida, basta perguntar a algum especialista em medicina do Esporte ou um bom ortopedista.

Se já é complicado para pessoas que têm um histórico no esporte, para atletas de ponta, biologicamente privilegiados e altamente assessorados (que praticamente vivem pra isso, só comem, treinam e dormem), imagine para quem tem que aliar treinos pesados para alta performance com filhos, carreira e vida social.

Ninguém é o Wolverine para ter forças descomunais de regeneração. Vamos deixar essa história de seres humanos de aço para as histórias em quadrinhos.

Correr para nós mesmos, e não para os outros, pode ser um bom conselho para dar a qualquer atleta que não disputa provas profissionalmente.

Afinal, o que é mais importante: correr três anos a 16km/h ou a vida inteira a 12 km/h, curtindo a paisagem? Eu escolhi a segunda opção. E você?