Maratona Internacional de Porto Alegre

#vivamaratonapoa chama público para prestigiar maratona nas ruas da capital gaúcha

Publicado por | Maratonices | Nenhum Comentário

VIVAMARATONAPOA

Em 1° de maio, faltando 42 dias para a Maratona Internacional de Porto Alegre, um grupo de entusiastas de um dos esportes mais praticados do País – a corrida de rua – criaram o movimento “Viva Maratona POA”. A ideia é incentivar e envolver a capital do Rio Grande do Sul num dos mais importantes e tradicionais eventos esportivos do País. Somente em 2015, foram mais de 7.500 atletas inscritos no evento, realizado há 33 anos.

Famosa por ser uma prova rápida, plana, com temperatura ideal e bem organizada, a Maratona de Porto Alegre também surpreende pela tímida presença da sua população ao longo de seu percurso de 42.195 metros – e que tem ponto de largada e chegada no Parque da Harmonia, passando por diversos bairros da cidade.

O projeto Viva Maratona POA está sendo disseminado nas redes sociais desde o início desta semana, com uma excelente adesão. Até o dia do evento, marcado para 12 de junho, serão publicadas curiosidades, dicas e fatos interessantes sobre a tradicional prova.

 

MOVIMENTO #VIVAMARATONAPOA
Por que participar?
Assistir ao vivo, em tempo real, uma edição de uma das mais emblemáticas provas do atletismo, a maratona – que compreende 42.195 metros – e é considerada como um marco na vida de todo corredor. É muito mais do que uma competição: é um dos eventos mais democráticos, no qual pessoas de todas as idades, níveis culturais e sociais, raças, religiões e cores se encontram, sem barreiras. É uma festa ao ar livre, que ocorre uma vez por ano – e consegue parar megalópoles como Nova York, Berlim e Tóquio. Por que não, Porto Alegre?

Como participar?

Agende-se: é dia 12 de junho.
Horário: a partir das 7h

Local: Av. Augusto de Carvalho, junto ao Parque da Harmonia
Se você conhece alguém que vai correr, vá pra rua torcer por ela! Vale cartazes, buzinas, peruca colorida e tudo mais. Ninguém esquece da diferença que isso faz durante os 42,195 quilômetros!

Curta a página e convide seus amigos a compartilharem o movimento. Quanto mais gente, melhor!

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#vivamaratonapoa

 

 

Maratona de Porto Alegre 2014: palco para reflexões

Publicado por | Mente de corredor | 4 Comentários

 

Christiano Cardoso/SportsMag

Christiano Cardoso/SportsMag

 

Poucas coisas são tão intensas e ao mesmo tempo doloridas quanto correr uma maratona. Os 42,1 quilômetros que separam a linha de largada do pórtico de chegada são capazes de transformar bárbaros em frágeis crianças e fortes mulheres em donzelas desamparadas. Como alguns bem definem, “é quando os bebês choram e as mães não ouvem”. No domingo passado, quando ocorreu a 31ª edição da Maratona Internacional de Porto Alegre, percebi mais uma vez o quanto a tarefa de completar esse tipo de prova é dura e extenuante, porém magnífica e viciante. Mesmo que você não consiga alcançar seu objetivo plenamente – o meu caso, pois não foi dessa vez que veio o sub-3h -, mesmo que ninguém aplauda você, mesmo que você termine com vontade de desmaiar de dor e cansaço.

Um amigo perguntou, nessa semana, o que passava na minha cabeça durante uma maratona. Talvez essa seja a dúvida mais recorrente de quem não pratica o esporte. “E dá para pensar em algo?”, indagou. Prontamente, eu respondi: “ô, se dá. Dá para pensar na vida toda. É um filme que passa na cachola, todos os sentimentos se misturam. Uma loucura. E como eu amo isso”. Em 2014, talvez tenha sido a edição que mais refleti durante o percurso. Estava sem conseguir treinar direito por questões profissionais, não muito empolgada. Mas com a clareza de que deveria comparecer, tentar fazer um tempo decente e parar de reclamar ou de achar desculpas. Seja o que Deus quiser, até porque ele SEMPRE quer.

Acordei cedo, depois de uma noite bem dormida. Tomei café e fui cedinho para o front de batalha – 5h30, ainda no escuro, eu já tomava um chimarrão embaixo das barracas montadas no Jockey Club. Como a largada feminina era às 6h45, não demorou para eu estar ao lado de outras 12 corredoras da elite, sendo duas quenianas e feras como as atletas profissionais Marily dos Santos e Conceição Oliveira. Fiquei ali na minha, sabendo que teria muito chão pela frente e quebrar não estava nos meus planos.

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Frio na barriga. O dia que eu não sentir mais isso, deixo de competir. Mesmo sabendo que a gente tem potencial, que treinou direitinho, que se alimentou adequadamente, que abdicou de muitas coisas para estar ali. Imagino que essa “cosquinha” no estômago é justamente por termos a consciência de que a corrida não é uma ciência exata. A famosa sorte deve dar as caras, mas quem depende apenas dela são os fracos. Quem encara uma maratona, por excelência, é um forte. Pode errar e vacilar em diversos aspectos da vida, porém ao enfrentar mais de 42 quilômetros sem desistir o torna um vencedor.

Larguei num ritmo forte, fui bem até o quilômetro 25, mantendo o pace de 4’30” pra baixo. Depois dei uma desandada, senti muito a lombar. Comecei a achar terrível aquele monte de voltinhas, subidas, afff! Me tirem daqui! O meu apoio, Ariel de Deus, foi de bike me incentivando, mas nada parecia divertido. Se as pernas não acompanhavam minha vontade de ir mais rápido, minha mente fazia o papel. Viajei muito. Fui longe. Aqueles quilômetros finais foram de uma batalha das brabas. Me animei apenas nos três mil metros derradeiros, quando “larguei pras cobras” e pensei: “pra que economizar se eu vou sofrer igual?”.

No domingo, quando cruzei a linha de chegada, pela primeira vez não lamentei tempo abaixo do esperado. Não fiquei me martirizando por não ter conseguido colocar meu nome na lista das “extraterrestres” que conseguem fazer uma maratona abaixo de 3 horas (vamos combinar que esse é um sonho masculino). Fiz em 3h07min, o que para uma mulher, mãe, profissional e dona-de-casa está de excelente tamanho. Subi no pódio, ergui o troféu, bem felizona, sorri até dizer chega e passei o resto do dia leve como um passarinho. Certamente, não foi meu melhor dia em termos de desempenho, mas foi um BAITA dia. Daqueles que você olha pra cima e agradece por estar vivo.

E aproveitando o ensejo…dizem que o papa é argentino e Deus é brasileiro, certo? Pois tô achando que, nas horas vagas, o cara lá de cima é maratonista. E dos bons.