Mizuno Uphill Marathon

Uphill Marathon 2017: brincadeira de gente grande

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SERRA

Por mais conhecimento que acumulemos na trajetória de atletas, jamais poderemos afirmar que já vimos de tudo. A cada treino – e a cada nova oportunidade de competir -, podemos nos surpreender com situações fantásticas. E foi exatamente isso que ocorreu no último final de semana, quando participei pela quinta vez da Mizuno Uphill Marathon, prova que ocorre anualmente na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina.

Ao todo, foram 67km suados em duas “pernas” – 42km de manhã e 25km à tarde. Desde o ano passado, é possível se inscrever em três modalidades: maratona, 25km ou na dobradinha. E, claro, a fominha aqui assinou o atestado de demência ao escolher o “Desafio Samurai”, afinal, correr “só” uma maratona na subida cansa pouco. kkkkk! (((( ; A ideia (além de prestigiar o evento, que reúne corredores do Brasil todo e do qual fui eleita embaixadora, por participar de todas edições desde 2013) era apenas chegar duas vezes lá no topo. Importante: com as duas pernas, dois braços e sem rastejar. Estava com o grito entalado na garganta desde ano passado, quando tentei o mesmo feito e parei no quilômetro 60, desidratada e chamando urubu de meu lôro. A primeira e única vez que retirei meus cadarços do asfalto.

Enfim, lá fui eu pra missão. Havia encaixado os treinos como nunca. A mente estava de “psicopata”. Me sentindo forte, segura e extremamente preparada pra escalar aquele paredão do demo. E fui. Peguei estrada já na sexta, antes do almoço, com meu parceiraço Marcinho Calcagnotto (do @gemeostri), triatleta de mão cheia, que dirigiria pra mim na volta, pois tinha um evento em Bento Gonçalves no domingo, o Grape Tea Country Run da Salton, um dia após o desafio. (Sim….corri mais 10km no dia seguinte. Vai entender! Mas foi só pra “puxar” a galera).

E foi aí que começou a odisseia duma das mais mágicas corridas da minha vida.

Maratona: segurando a onda

Acordo às 4h, tomo café em Nova Veneza, onde fiquei hospedada. Saímos antes das 6h em direção a Treviso, cidade que já abraçou a Uphill como evento oficial. Todas cidades da região, aliás, incluindo a maiorzinha delas, Lauro Müller, de onde sai a segunda perna, recebem a competição com excelentes olhos, já que vem gente de dezenas de cantinhos do Brasil, movimentando a economia e levando uma série de benefícios para os moradores. Prova de que, onde há esporte, todo mundo ganha! <3

Voltando a linha de largada dos 42k, foi aquela loucura de sempre: nervos à flor da pele. Coração acelerado. E a certeza de que teria que segurar muito a onda, afinal, não poderia cometer o erro grosseiro de arrebentar as coronárias na primeira etapa e ficar só no arame. Concentrei. Fui administrando o tempo todo, baseada muito mais no ritmo cardíaco do que no pace. Aumentava um pouco, eu puxava o freio. Parei em TODOS pontos de hidratação, com a intenção de realmente me poupar, hidratar e suplementar adequadamente.

Como já corri mais de 260 quilômetros, ao todo, nessa serpente que é a Serra do Rio do Rastro, sabia muito bem o que iria encontrar. Um minuto a mais, um a menos até o km 32, se for pra aliviar e deixar um gás pros últimos 10, faz pouca diferença. O importante é chegar no pé da Serra inteira, capaz de caminhar rápido, parar pouco e tentar mesclar com corrida. O famoso “o que dá pra fazer”. Se der pra correr é lucro.

Fui sorrindo, conversando com os guerreiros que encontrava pelo caminho. Num cenário estontante, daqueles de filme. Quem conhece aquilo ali sabe o que é de lindo. Mas a imponência daquelas montanhas estava inacreditável no sábado. O céu azul, a temperatura na largada amena. Um cenário perfeito….pra se lascar. Sim, porque é nesses dias nos quais você acha que vai dar tudo perfeito que a cobra fuma. Se o visual compensou, o termômetro fez questão de massacrar na segunda metade da prova. Vários atletas fizeram a mesma observação: a prova estava pesada, pois o calor maltrata quem faz força.

Tive que negociar o tempo todo com a dor no meu pé esquerdo (tenho um neuroma de Morton, uma praga que vai minando com aquela facadinha na sola). Como vi que a mulherada “alienígena” garantiu os 5 primeiros lugares, fiquei ali atrás, ainda entre as 10 primeiras, ciente das minhas limitações, porém obcecada em cruzar a linha de chegada inteira.

Na reta final, o meu maior presente, além do alívio da dor: vejo a corredora Lilian Olimpio (que também estava no Desafio Samurai) quebradinha, quebradinha (tanto quanto eu, claro! kkkk). Eu sabia que poderia passar por ela no quilômetro final.  E talvez muitas corredoras fariam isso, sem pestanejar. Mas, na hora, me deu um estalo. A plena sensação de que não deveria fazer aquilo. Encostei nela, preocupada com a situação de ser ultrapassada no finalzinho. Ela, ofegante, ouviu de mim um “calma que não vou te ultrapassar. Nós vamos chegar juntas. De mãos dadas. Eles nem vão saber quem chegou em sétimo ou oitavo lugar”. Ela, chorando…e eu falando: “…aliás, eles vão saber sim. Tu vais chegar na minha frente. Quando estivermos cruzando, tu vai meter o pé no tapete e eu vou chegar atrás”.

Quando adentramos no túnel que desemboca na Finish Line, presas uma a outra, embriagadas de emoção, ouvindo os gritos da galera que ovacionava aquele momento, tive uma sensação única. Indescritível. Chegamos juntas, nos abraçamos, e eu fiquei muito mais feliz por ela do que por mim. Dificilmente esqueceremos desse dia. Um presente de Deus.

O final: só no sapatinho

Se tem algo que quebra as pernas é ter que fazer uma ultramaratona em 2 etapas. Sim, é mais fácil duma vez só. Pelo menos para mim. Você para, esfria, tem que saber o que comer pra não se estufar, mas ainda assim ter energia estocada. Os 42km antes dos 25km nessa Uphill (ano passado foi de forma inversa) foi bem melhor. Porém, mesmo assim, o troço é punk.

Num resumo tosco, posso dizer que fiz os últimos 25km do jeito que deu. Senti muita dor, estourei o tempo planejado….corri mal os últimos 10km. Mas foi o que deu. Rale-se. Cheguei lá em cima duas vezes, num feito que poucas mulheres no Brasil tem coragem de arriscar, quiçá completar – e olha que não falta mulher forte nesses pagos. Basta dizer que apenas 24 homens e oito mulheres concluíram essa pedreira – e eu fui uma delas. Com reclamar do desempenho? Não dá, né!

Na semana em que completei 41 anos de vida, agradeço a Deus pela oportunidade de viver isso na pele. Creio que nada é por acaso, e a corrida resume tudo o que acredito. E acredito, cada vez mais, em muitas coisas: em primeiro lugar, na paixão e no amor que colocamos naquilo que fazemos. Também tenho plena certeza que somos uma força descomunal da natureza. Creio na força da amizade. E que a mente comanda tudo: ela pode nos levar para lugares inimagináveis. Um dia desses li que “o impossível é só uma questão de opinião”. Fato!

A Serra do Rio do Rastro está lá para mostrar que somos nada diante de tamanha imponência das montanhas e do tamanho desse universo. A vida é um sopro, já diria Niemeyer. Eu mesma prefiro uma ventania! ((( :

Quero deixar aqui meus parabéns a todos que enfrentaram o desafio de subir aquela serpente, independentemente do tempo ou distância. É para poucos! Definitivamente!

Agradeço a todos pelo carinho. À equipe da organização da Mizuno Uphill Marathon, meus sinceros agradecimentos. Aos meus patrocinadores e apoiadores – Skechers Performance Brasil, NewMillen Suplementos e Authen Brasil -, um obrigada gigante.

Até logo, guerreiros de fé!

#ninjarunners

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desafio Samurai: a vida como ela é

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Escrever sobre a minha quarta participação na Mizuno Uphill Marathon – prova que ocorre desde 2013 na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina – é uma tarefa árdua. São tantas emoções que nem Robertão Carlos seria capaz de descrever na suas centenas de letras. E dessa vez, tentarei explicar o que é encarar duas vezes a imponente estrada considerada “a mais linda do mundo”, vide eleição virtual realizada recentemente.

SERRA

Para quem não sabe, esse ano escolhi encarar o Desafio Samurai – ao todo, 67 km -, divididos em insanos 25km matutinos (de Lauro Müller a Bom Jardim da Serra) e 42km vespertinos/noturnos (de Treviso ao topo de Bom Jardim novamente). Duas “pernas” recheadas de subidas intermináveis. Poucos ousam subir (e descer) de veículos motorizados. Porque, meu fio, você enxerga a bunda da caranga no retrovisor. De moto, cansa. Imagine a pé. Enfrentando um clima nada previsível, numa região onde são registradas as temperaturas mínimas do País.

Participo desse evento desde a sua origem. Compareci religiosamente em todos os anos. Havia subido até ontem antes da 7h da manhã, 126km nas três edições – 42km em cada, ficando em 5º lugar em 2013, 3º lugar em 2014 e 2º lugar em 2015. E ontem acordei às 7h disposta a acumular mais essa porrada de quilômetros num só dia. Me sentia bem, havia treinado bastante, dentro das possibilidades – já que, lembrando, não sou atleta profissional e encaixo a planilha numa rotina de casa-filho-família/coordenação de academia e grupo de corrida/faculdade de Educação Física.  Pois então. Sem chorumelas. Estava prontíssima!

Aprendizado número 1: parcimônia

Larguei nos 25km controlando muito. Ficava olhando no GPS para jamais puxar demais o ritmo, com a certeza de que pagaria o preço depois. E fui segurando. A intenção era fazer abaixo de 2h15min a primeira “perna”, que fiz com perfeição. Encerrei em terceiro lugar geral feminino, numa corrida consistente e no controle, algo complicado para meu perfil, que ama “sentar a bota”. Acabei orgulhosa da minha capacidade de concentração, o que me deixou inteira para enfrentar a maratona que viria a seguir.

Descansei, encontrei amigos no ginásio de Treviso e me alinhei às 3h da tarde para a segunda largada. Pernas muito inteiras, pulmão idem – apesar de ter enfrentado quase que apenas subidas na primeira parte. E fui. Confiante. Só que a matemática não é tão simples quando falamos em ultramaratona. Comecei a subir muito bem e senti, lá pelo quilômetro 8, falta de água. Para quem estava largando sem o peso dos 25km nas costas, talvez esse detalhe não tenha sido determinante. Porém, para atletas acostumados a hidratar com regularidade como eu (o que acho imprescindível), o bolo começou a desandar nesse ponto, ainda no início.

Desidratei. O tempo abafado pesou a ponto de perder rendimento drasticamente. E o efeito dominó pegou: náuseas. Não entrava suplementação. Glicemia baixando. Pressão despencando. Cansaço extremo. Pernas não respondendo. E se tem algo que sei é conhecer meu organismo. Quando lá pelo quilômetro 20 da maratona “preteou os óios da gateada” (a visão ficou turva), vi que algo deveria ser feito. E a melhor atitude seria subir a serra de carro.

Parei num posto de hidratação. Dezenas de pessoas me ajudaram. Falavam palavras de incentivo. Queriam me levar junto. E eu, já apática, dizia que não dava. Comi, tomei Coca-Cola, glicose. E fui até o quilômetro 38. Talvez desse para terminar (não no tempo limite de 6h30min do Desafio Samurai). Porém, decidi que não valia a pena. Pressenti algo ruim. Não sei explicar. Ninguém sabe. Mas resumo assim: em respeito a mim, em primeiro lugar. Em respeito a minha família, em segundo lugar. E em terceiro, a todos que já me viram chegar e não reconheceriam ver cruzar o pórtico uma Daniela destruída e sem forças para vibrar ao cortar a desejada fita.

Saldo positivo: ao todo, percorri 60km. E hoje, escrevendo esse texto, parece que corri um “21km pegadinho na Beira-Rio”. ( ;

Há uma diferença brutal entre superação e burrice. Desculpem os fãs dos “atletas-que-chegam-vomitando”.

Brilho eterno de uma mente com lembranças

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Pela primeira vez, larguei uma prova. Após 20 anos correndo. E digo: fiz o certo. Hoje estou inteira, pronta para enfrentar um calendário bem bacana de ultras pros próximos seis meses (ficarão sabendo logo!). Tento sempre fazer do limão uma limonada e pensar de que nada é por acaso. Hoje, tenho o orgulho de dizer que jamais deixei alguém me ver passar mal numa prova – o que ao meu ver, depõe contra esse esporte tão lindo -, e que minha tentativa de passar um exemplo bonito e saudável tem dado bons frutos.

Minha frustração? Sei lidar com ela. Isso é fácil. O que não saberia é lidar com uma lesão ou sequela do desgaste excessivo. Entre três mulheres que puderam ter índice para encarar o Desafio Samurai, apenas a “alienígena” Letícia Saltori, da Equipiazza de Curitiba, conseguiu no tempo regulamentar de 6h30min para cumprir as duas pernas. Eloiza Testolin Rodrigues, da Inspire Assessoria Esportiva de Caxias do Sul (tchó!) conclui os 67km acima do tempo, mas está de parabéns pelo empenho e dedicação às corridas. Ambas moram no meu coração e são atletas exemplares, além de pessoas maravilhosas. Dessas coisas que só a corrida nos dão. <3

Agradeço a todos que me ajudaram nos dois percursos, tentaram me empurrar, levar de carrinho de mão, de guincho, mas amigos…tem dias que não dá! Hauhahaha! Prometo retribuir essa energia maravilhosa.

À equipe da Mizuno e da X3M, parabéns por mais um evento fantástico. É por isso que deixo minha família, meu trabalho em Porto Alegre e encaro a gincana. Para encontrar esse bando de “louco dentro das roupa!”. E como a trupe do Bernardo Fonseca e do Bruno Onezio pregam: “é muito mais fácil segurar um louco do que empurrar um bobo”. ( ;

Parabéns a todos atletas que encararam essa pedreira, seja nos 25km, nos 42km ou nos 67km. É pra poucos. E o que eu senti nesse final de semana não pode ser explicado num só texto. Somos uma “tribo” de loucos, sim, mas loucos pela vida. Essa gente que gosta de sentir o sangue correr na veia dessa maneira pode ser um objeto de estudo na NASA. Mas é essa adrenalina que nos move.

No frigir dos ovos (e eu amo omelete!), fica a sensação de que tudo é um aprendizado e, mais uma vez, confirmo que a corrida é a mais perfeita metáfora da vida.

A beleza da vida está nisso: na humildade de reconhecer nossos erros e acertos.

Estamos aqui hoje porque muita coisa deu certo – mas muitas coisas deram errado.

Já pensou nisso?

Um forte abraço e até a próxima!

 

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Mizuno Uphill Marathon 2015: missão ninja concluída

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Vestígios das três edições da Uphill Marathon: dois troféus e três medalhas de Survivor

Vestígios das três edições da Uphill Marathon: dois troféus e três medalhas de Survivor

Inacreditável. Essa é a palavra que resume o que vivi na terceira edição da maratona mais difícil do País, a Mizuno Uphill Marathon, realizada na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina (RS) no último sábado, 1º de agosto. E eu explico o porquê dessa afirmação.

Não é apenas porque são 42,1 quilômetros de corrida morro acima, num ambiente nada acolhedor. Nem porque você deve vencer 256 curvas para chegar no topo, situado a exatos 1.418 metros acima do nível do mar, com um ganho de elevação de 2.425 metros. Nem porque, dessa vez, a corrida foi realizada no final da tarde e ao longo da noite, quando você mal sabia onde estava pisando.

O que jamais esquecerei – e o que torna essa missão “ninja” – foi meu estado de ansiedade e insegurança ao saber o que enfrentaria pela terceira vez, já que participei das duas outras edições, com o detalhe de que havia corrido uma maratona há exatos seis dias. Isso mesmo. No domingo anterior, havia concluído a Maratona da Cidade do Rio de Janeiro, e minhas pernas estavam ainda moídas. Mesmo que tivesse “segurado” a onda e feito a prova em 3h19min, sabia que vencer a insana Serra do Rio do Rastro era loucura nessa altura do campeonato. Uma verdadeira insanidade.

Nessa hora que vem a força do que, acredito, seja o maior patrimônio de todo corredor: a mente. Essa força interna que nos move e faz com que a gente siga adiante e supere os limites. Porque sim, há muito mais entre o céu e a terra e uma planilha de treinos e uma sessão de tiros na pista. Não compreendemos. Apenas sentimos.

O primeiro fator para que o plano “duas maratonas em seis dias” desse certo foi a parceria de amigos que viajaram para a odisseia comigo. Não citarei os nomes. O que sei é que mais de uma dúzia deles transformou o que seria um martírio numa festa jamais vista. Brincamos, pulamos, tiramos onda um do outro desde o dia anterior da competição, deixando tudo leve e repleto de vibrações positivas.

O segundo grande propulsor foi o contexto da Uphill. Todo o clima criado pela organização da prova (Mizuno + X3M, impecáveis em todos os quesitos) entrou em harmonia com a energia dos mais de 500 atletas inscritos, vindos de todas as partes do Brasil. A cidade de Criciúma, ao Sul de Santa Catarina, virou QG de gente apaixonada, simplesmente fissurada pelo esporte. Tenho certeza da extrema relevância da corrida na vida dessa gente que aceitou encarar o desafio. Se inscreveu, lutou por vagas que duraram cinco minutos na internet para esgotar. Pagaram para “sofrer”. Porque sabiam que, mesmo que seja história pra boi dormir, acreditamos piamente no tal de pote de ouro no final do horizonte.

Não posso deixar de citar meu “lastro” de corredora para que eu não só finalizasse – mas faturasse, mais uma vez, um dos cobiçados troféus da prova. Dessa vez, figurei como vice-campeã, atrás somente de Carla Moreno, triatleta profissional. Carla, que tem a minha idade (38 anos), já participou de duas olimpíadas (Sidney/2000 e Athenas/2004) e de três Panamericanos. Só isso. Essa sim é lenda. Respeito total desde sempre por ela, que merece o lugar mais alto do pódio, sem nenhuma discussão. Finalizei o percurso em exatas 4h e 3 segundos, 13 minutos abaixo do ano passado. Dos 495 concluintes, fui a 43ª colocada – sendo 42 homens e uma mulher.

A PROVA

A prova, ao meu ver, foi a mais fácil das três edições, apesar de todas as circunstâncias. Isso falando em termos climáticos, não considerando o nível dos competidores – esse sim, foi o mais elevado. Tanto que foram batidos os dois recordes (Carla, em 3h40min, e Marcelo Rocha, em 3h12min). O clima estava perfeito (nada de vento, nada de chuva, nada frio, quente mas suportável). Diante das demais (frio na primeira e tempestade na segunda), barbada. Quem foi ano passado sabe do que estou falando.

A escuridão foi o diferencial – mas não considero um fator que possa ter atrasado a chegada de qualquer corredor experiente. Ainda mais se formos falar em montanhistas. Creio que não enxergar nitidamente o “dragão da Serra”, sobretudo a partir do quilômetro 30, ameniza a situação. Visualizar o que temos que, literalmente, escalar até a linha de chegada, em Bom Jardim da Serra, conforta bem mais.

Resumindo: a Uphill de 2015 foi perfeita. O astral da prova é indescritível. No sábado à noite, quando cruzei o pórtico, às 20h30, passei pelo corredor humano dos últimos 50 metros, fechei os olhos, abri os braços, com lágrimas nos olhos, e só pude agradecer: “obrigada, meu bom Deus”!

A todos que enfrentaram a Mizuno Uphill Marathon 2015, meus parabéns. Essa é pra quem é osso duro de roer.

Para quem deseja fazê-la, meu incentivo extra. Experimente. Valerá cada passada.

Não sei se posso me considerar uma “ninja”. Mas que senti um clima de “Karatê Kid” na chegada….ah, isso senti. No caso, o tal de Senhor Miyagi acenou positivamente com a cabeça. Missão cumprida, Dani San.

 

Podio