Rio de Janeiro

Canoa polinésia foi um dos momentos mais difíceis: 12km no mar revolto da Praia Vermelha

Rockyman 2015: uma saga para os brutos

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Dois dias após retornar do Rio de Janeiro, onde disputei o incrível Rockyman - maior competição multiesportiva do País -, ainda sinto o cansaço de dois dias intensos de competição. Convidada pelo capitão Chico Santos, montanhista experiente, fiz parte da equipe carioca Terra de Gigantes, formada por atletas de ponta nas suas diversas especialidades: surf, skate, BMX, mountain bike, corrida de montanha, maratona e canoagem. Uma gauchinha perdida lá no meio das feras!

Equipe quase completa. Da esquerda para a direita, os apoios "Lobinho" e Edgar, eu, Chico Santos, Amarildo Ferreira e Kaique Milani

Equipe quase completa.
Da esquerda para a direita, os apoios “Lobinho” e Edgar, eu, Chico Santos, Amarildo Ferreira e Kaique Milani

 

O que vivi nas 48 horas de aventura jamais sairá da cachola. Os flashes passam na cabeça como num filme. Desde que cheguei, foi emoção à flor da pele: tantos as positivas quanto negativas. E o que mais ficou evidente – e é sobre isso que irei enfocar nesse texto – é a definição que temos de atleta. Conheci gente de todo tipo. Cinco das 20 equipes que disputaram o Rockyman 2015 eram estrangeiras. Só “galo cinza”. Gente altamente qualificada, muitos deles atletas com índices olímpicos. Campeões de carteirinha. Embora, em meio a eles, alguns maus exemplos tenham surgido.

Um deles foi infiltrado por azar do destino justamente na Terra de Gigantes. Não citarei nomes, embora deveria. Um sujeito, selecionado a dedo para desempenhar nas provas de surf e de skate simplesmente decidiu não ir de última hora. E aí que começaram os problemas. Você imagina: viajar centenas de quilômetros para participar de um dos mais cobiçados eventos esportivos realizados em solo brasileiro e ter que se conformar com esse fato, indesculpável. É o tipo de atitude antidesportiva e antiética, que veio como uma notícia-bomba duas horas antes da largada oficial, no sábado, dia 7 de novembro. Como fazer? Todos da equipe, atletas e staff de apoio, não sabíamos como resolver o pepino. O cidadão simplesmente desligou o celular. Arregou. Nos deixou na mão. E estávamos sem atleta para duas importantes modalidades.

Conseguimos um skatista para o domingo. No sábado, tentamos preencher o furo, mas não chegamos a tempo de entrar no mar (gigante, por sinal, com mais de 2 metros de ondas na Barra) com um substituto. O que fazer? Lamentar. E seguir o baile. Não tem aquele ditado: “se não há solução, solucionado está”? Na prática, é assim mesmo que funciona.

Minha participação na maratona foi bem abaixo do esperado. Não bastasse o desfalque, sofri um tombo feio no dia anterior, resvalando e caindo de costas numa escada lotada de lodo – o que me deixou com várias escoriações, a coluna com um “ovo” e as costelas doloridas. Fui no arrasto. Mas cheguei. Isso não seria o que nos afundaria. Tivemos a impressionante participação dos campeões Kaique Milani (um dos melhores atletas de BMX do Brasil, que voou no Parque Radical de Deodoro, onde ocorrerão as Olimpíadas do Rio 2016) e de Amarildo Ferreira (veterano na mountain bike, pura garra e dedicação), além do capitão Chico Santos, que sempre arrasa nas corridas de montanha e ama uma pirambeira. Pra essa turma, tiro meu chapéu. Só gente fina, bem humorada e no estilo “topa todas”. Não tinha tempo ruim. Todos se ajudando, apoiando os nossos e demais integrantes e competidores…amigos que já entraram pro lado esquerdo do peito.

No domingo, a competição de skate, eletrizante, contou com a boa vontade de um atleta que estava “passeando” no bowl da pista Rio Sul e topou a roubada de mandar ver ao lado de feras como Felipe Foguinho e Raul Roger Magalhães Baracho. Um show de talentos que jamais presenciei!

Canoa polinésia foi um dos momentos mais difíceis: 12km no mar revolto da Praia Vermelha

Canoa polinésia foi um dos momentos mais difíceis: 12km no mar revolto da Praia Vermelha

 

Finalizamos remando 12 km juntos na canoa polinésia (uma das experiências mais loucas da vida, sem dúvida), correndo mais 13km rumo ao topo do Morro Chapéu Mangueira e descendo pela favela, em meio à comunidade – outro momento que me dá arrepios e que dificilmente viveria desse jeito se não fosse esportista. Nós lá, bem longe da primeira colocação, e uma menina puxa um coro, do alto de uma janela dum barraco:

- Já ganhou! Já ganhou!

Juro que fiquei com lágrima nos olhos. No fundo, no fundo, essa era a realidade. Apesar de todas as adversidades, todos tinham triunfado: acrescentamos, no frigir dos ovos, uma experiência indescritível no currículo.

Saio do Rockyman reforçando algumas de minhas várias convicções. Vamos a elas.

A primeira delas: para ser atleta, não basta praticar um esporte. É preciso dedicação, comprometimento, respeito e, além do corpo, uma cabeça saudável. Quando o cara nasce pra ser “loser”, não tem jeito. Pode treinar, participar de provas, até subir no pódio. Mas não vai longe. É o caso do nosso surfista furão, que deu um exemplo de como não agir – e está, ao meu ver, numa distância anos-luz de tal definição acima.

A segunda delas: é preciso dar o melhor de si, mesmo que as coisas estejam indo de mal a pior. Tem que ser bruto (na definição heróica da palavra). Não se acadelar com merreca. Tem dias bons, dias ruins, outros piores ainda. Eu poderia ter entregado o jogo e não completado a maratona, diante de um cenário tão intimidador – e das inúmeras dores do meu tombo. Mas fui até o final. Sabia que se não cruzasse a linha de chegada, não estaria cumprindo com minha palavra. E, como diz um amigo meu: “não é do meu biotipo desistir” (rsrsrsrsrs).

A terceira e última: somente o esporte nos proporciona experiências tão únicas. É preciso agradecer ao universo, a Deus, ou a sei lá quem você queira, pela oportunidade de ser atleta. Só porque corro, e dediquei anos e anos da minha vida à corrida, cheguei onde cheguei. É o tipo de experiência que nenhum dinheiro pode comprar. Só quem pratica algum esporte com tamanha paixão consegue entender do que estou falando.

Iria acrescentar uma quarta, mas essa não nem preciso repetir: a vida é boa. Acredite nela. ( :

 

 

 

Maratona do Rio: bela, grande e para os fortes

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RIOOO

Vinte e quatro horas após finalizar a Maratona Caixa da Cidade do Rio de Janeiro, realizada ontem, 26 de julho na Cidade Maravilhosa, relembro  tudo que vivi nas 3 horas e 19 minutos. A prova, considerada a mais importante do país, me deixou de boca aberta boa parte do tempo. Nunca senti tanta emoção correndo. Além da paisagem magnífica – corremos todo tempo contemplando a faixa litorânea -, há uma multidão vibrando nas ruas, numa festa imperdível e de arrepiar até o último fio de cabelo.

Ao todo, somente nos 42k, foram mais de 5 mil concluintes, número que coloca o evento no topo do ranking em solo brasileiro. No evento todo, são cerca de 26 mil pessoas, inscritas na maratona, meia maratona (21k) e Family Run (6km). A cidade congela para apreciar o oceano de gente de tudo quanto é tipo, dos iniciantes à elite que chega para dar show. A alegria, estampada no rosto de todos na linha de chegada, é mesclada com a expressão de dor ao longo do trajeto, nada “barbada” como  alguns imaginam.

Minha experiência foi incrível. Mesmo que não tenha feito um tempo megablaster (já que o convite para corrê-la ocorreu pouco tempo antes e coincidiu com outra prova do meu calendário), posso afirmar sem medo: a Maratona do Rio entrou para o meu coração como se fosse a primeira. Chorei em vários trechos. Como o do Túnel do Joá, quando visualizei o triatleta José Rosa das Neves levando seu filho, que nasceu com hidrocefalia, num carrinho. “Viva a amizade!”, gritava ele. Eu aplaudi. Visualizei a expressão de felicidade  do garoto, vibrante, e me fui com lágrimas nos olhos. Nessa hora, a força surge do nada. Quando você tenta desanimar, lá vem uma cena dessas: ou é turbinado pelo aplausos dos cariocas, ou “empurrado” pelas palavras de incentivo dos demais corredores. “Força, guerreira!”, ouvi muitas vezes. Noutras, morri de rir com tiradas como “tá doendo tudo mas tá bom demais!”. E não acreditei quando a triatleta Fernanda Keller falou “vamos lá! está muito bom o ritmo!” no quilômetro 17. Bem que ela podia aparecer no quilômetro 36, não?

Não sei descrever com maestria a sensação de entrar no corredor da linha de chegada, no Aterro do Flamengo. Você sai do ar. É tanta gritaria e zoeira que não se sente as pernas, nem os braços, nada. O coração quase pula pela garganta. E o pórtico demora a ser visualizado. Resumindo: os 42k da Maratona do Rio são grandões. Tão gigantes quanto a beleza da paisagem. Paisagem essa que ameniza, porém não isenta os atletas de muito esforço. É preciso ter pernas fortes e bastante treino.

divulgacao

Gostaria que todos pudessem ter o privilégio de conseguir levar para casa emoções como essas. Impossível não elevar as mãos aos céus e agradecer por ser maratonista. Ontem, ao olhar para aquele marzão maravilhoso, para aquela paisagem estonteante, fechei os olhos e lancei um “obrigada, meu Deus”. Como prega aquele ditado, “depois do quilômetro 35, não tem ateu”. No Rio de Janeiro, desde os primeiros 100 metros, impossível não crer que ele exista.

* Concluí a maratona em 3h19, figurando na 19ª colocação geral feminina e 2ª na categoria 35-39 anos, atrás da norte-americana Jamie Dawes. Fui a 14ª brasileira a concluir a prova. Ao todo, foram 1.164 mulheres que fizeram os 42k. O troféu virá pelo correio, em breve, já que não pude comparecer à cerimônia de premiação. Prometo que tirarei uma foto dele para vocês. ( :

Agradeço imensamente à Olympikus pelo convite para testar o modelo de tênis Rio 3, lançamento da marca.

Um obrigada a todos que torceram por mim e parabéns a todos que cumpriram seus objetivos no domingo. Aplausos extras aos organizadores, que foram impecáveis em todos sentidos.