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TTT 2017: pra começar – e terminar bem

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Foto: Guto Oliveira/Transpire

Foto: Guto Oliveira/Transpire

Após um ano fora da Travessia Torres-Tramandaí (TTT), que ocorre no próximo final de semana nas areias do litoral norte gaúcho, cá estou eu, ansiosa para percorrer os intermináveis 82 quilômetros que separam os dois balneários. Com a experiência de ter ganho por 4 anos consecutivos e sendo recordista feminina dessa competição, me arrisco a rabiscar alguns conselhos para quem irá encarar nessa edição. São bastante genéricos, mas talvez sejam úteis, sobretudo aos novatos.

1) Organize-se. Como é uma prova realizada na beira da praia, não espere um “mu-muzinho”. Por melhor que esteja a areia, o vento, o clima, jamais será como correr na Beira-Rio. Caso consiga, trace um plano B com sua equipe no que diz respeito à hidratação e suplementação. São várias horas de envolvimento no evento. Leve comida, isotônico, água, Coca-Cola, gel, paçoca, damasco, castanhas, sanduba, enfim, tudo aquilo que você esteja acostumado a comer. Jamais fique muito tempo sem se alimentar. Ter combustível constante é tudo!

2) Não se afobe. Tenha foco, bom-humor e paciência. Não importa a distância que você irá percorrer. Se vai na categoria solo, em dupla, quarteto ou octeto. Nada se resolve em 10 minutinhos. Vá trilhando quilômetro a quilômetro com base naquilo que você treinou. Milagre não existe e ficar dando uma de Usain Bolt em pista de tatuíra não vai te levar a lugar nenhum. Aliás, a chance de você quebrar é imensa. Lembre que é APENAS uma prova e que não tem vida ou morte em jogo. Estamos aí pra competir, sim, mas saudavelmente.

3) Concentre-se no ambiente. E curta cada momento. Caso a previsão se confirme – tempo bom, com sol -, fique mais atento ainda. Como a TTT é realizada em pleno veraneio, num sabadão, a chance da praia estar lotada é enorme. Crianças correndo pra lá e pra cá, guarda-sóis, vendedores ambulantes, bêbados, enfim, a fauna e a flora em atividade intensa. Tente seguir uma linha reta, não ficar em zigue-zague, pois, além de correr mais, a chance de acidentes fica maior. Numa única direção, sua concentração fica maior. Analise o estado da areia – quanto mais solta e clara, mais desgaste, pois não há retorno de passada e o sol reflete, aumentando a temperatura. Confira se mais perto da água a situação não estará melhor – afinal, perto das ondas, a areia é mais escura e você sofre menos a ação do calor. Claro, tem dias que nessa faixa a areia está muito fofa, o que não favorece nada. Tudo é questão de uma análise da situação. Ahh! Importante: não se preocupe em molhar seu rico pezinho na água. Ficar saltitando pra desviar dos córregos e valas, comuns no nosso litoral, é erro comum: muita gente já travou a posterior ou teve lesões ao fazer isso. Meta a “pata” sem dó e toque ficha. Afinal, se não é pra se sujar, nada como um passeio no xópim!

4) Evoque o mantra “eu posso. eu consigo”. Dia desses, conversando com um amigo meu que estreará na categoria solo, perguntei por qual motivo ele “inventou de fazer essa merda”. Deixei ele falar. Nenhum dos motivos que ele citou bateram com aqueles que acredito. “Não, você deve querer fazer porque você pode. E porque você consegue”, falei. A maneira de pensar é que faz toda a diferença. Lembre que tudo está na mente. Correr como você nunca correu é uma questão muito mais mental do que física. É preciso treino, sim, porém quem te faz chegar lá e cruzar a linha de chegada chorando e rindo ao mesmo tempo é essa superação pessoal. A grande batalha é com você mesmo.

Desejo a todos uma excelente prova – e que a força esteja com você. Sempre!

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Nos vemos lá na Barra do Imbé/Tramanda! ( ;

 

 

 

 

 

 

 

 

Fuja do Leão de Treino

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No pico do treinamento para a Travessia Torres Tramandaí (TTT) 2017, que ocorre no final do mês de janeiro no litoral gaúcho  - prova que enfrentarei pela quinta vez na categoria solo (82km) -, rodando mais de 100 quilômetros por semana, tenho oportunidade de sobra para “viajar” sobre vários temas durante minhas rodagens diárias. No finde que passou, num desses famigerados longões de 30 e poucos quilômetros, fui teorizando a respeito dos atletas que treinam feito loucos, com o afinco de um profissional, mas chegam na hora da prova e acabam colocando tudo a perder.

As desculpas são inúmeras: ou é uma lesão inesperada, ou deu uma cãimbra horrorosa, ou “senti o quadril”, ou deu piriri, churrio, enjoo, faltou hidratação. Jamais, em hipótese alguma, o dito-cujo assume que treinou errado. E, no caso – e é sobre isso que irei falar nesse texto – treinar errado é treinar demais. Em excesso. A ponto de chegar no dia da competição exausto, física e mentalmente.

Os chamados “Leões” ou “Campeões de Treino” são facilmente identificáveis. Conheço uma penca deles. Cumprem planilhas Kamikases, vivem postando fotinhos de GPS para se gabar nas redes sociais. Seu esporte predileto é comparar seu desempenho com o dos amigos (ou inimigos). Porém, quando chega o momento do “pega-pra-capar”, miam feito gatinhos. Acabam se frustrando com o desempenho e, obviamente, relatam a experiência com detalhes cirúrgicos do quanto foi inevitável sua baixa performance.

Aprendendo com os erros

Claro que todos temos direito a errar e ir mal numa prova. Não somos máquinas. Tem dias que realmente a coisa não flui. Paciência. Já aconteceu comigo, com você, com todo mundo. A diferença está em saber lidar com a situação e, claro, tirar alguma lição após o ocorrido. Li recentemente, numa excelente matéria da Revista Tênis conselhos extremamente úteis para quem deseja competir de forma saudável e colher bons frutos.

“Existe uma forte relação entre a baixa performance sob estresse competitivo e a carência de habilidades mentais. Contudo, existem outras competências que igualmente influenciam esse processo (…) Habilidades emocionais e físicas completam o conjunto de competências necessárias para resistir às tensões. Deve-se entender que o rendimento em competições é uma questão multidimensional, envolvendo mente, emoções e a parte física”.

Sim, há uma enormidade de fatores relacionados. Mas vejo que chegar cansado numa prova é, sem sombra de dúvidas, algo que pode colocar tudo a perder. Na ânsia de ir bem, com a melhor das intenções, o sujeito chega à estafa. Corpo e mente entram em colapso justamente no momento em que precisaríamos estar 100%. Triste, mas completamente compreensível.

Como tirar o leão da jaula?

Primeiro passo: invista no autoconhecimento. Conhecer seus limites é extremamente útil para saber quando “aliviar o pé” ou quando enfiar a sola no fundo. Bons corredores evoluem gradualmente e têm parcimônia para atingir grandes resultados. Não queime etapas.

Invista em profissionais capacitados. Uma planilha bem feita, com a periodização adequada, darão a segurança para chegar no “Dia D” com tudo em cima. Há uma ciência por trás de todo esporte. Hoje, há inúmeros treinadores de corrida, nutricionistas, fisioterapeutas, médicos do Esporte, enfim, opções não faltam para você chegar lá de forma saudável e inteligente. São “atalhos” que valem bem mais do que meses parado em função de uma lesão, por exemplo.

Estabeleça metas possíveis. Correu 10km hoje e já quer fazer maratona daqui a 6 meses? Calma, rapaz. Segure a onda e fique bom em cada uma das distâncias. De nada adianta assumir um compromisso humanamente impossível de realizar. Não há milagre. Você jamais dará numa prova o que não fez num treino.

Tenha humildade para assumir(e aceitar) suas limitações. Ninguém nasce maratonista sub-3h. É preciso muito lastro e dedicação. E, claro, também há o fator genético. A natureza é sábia. Não force a barra.

Aprenda com seus erros. E tente novamente. Desistir de primeira? Jamais. Tenha maturidade para tirar o máximo proveito dos seus erros diariamente. Todo grande competidor possui essa característica: saber levantar com elegância. Raiva e desânimo são comuns, mas saiba controlar essas emoções. Com uma mente positiva, tudo flui melhor. Como a corrida deve ser. ( :

 

 

 

 

 

Pré-TTT 2016: pra vencer a guerra

Publicado por | Mente de corredor, Sem categoria | Nenhum Comentário

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Pouquinho mais de uma semana pra largada de uma das provas mais aguardadas do Sul do País, a Travessia Torres-Tramandaí (TTT), já vejo gente nervosa. Não há como negar, e pouco importa se você é iniciante ou corredor mais calejado. Sempre rola aquela ansiedade e “friozinho na barriga” – o que acho maravilhoso. Afinal, quando perdemos esse brilho no olho, é porque tem algo errado!

Dessa vez, estarei curtindo apenas como torcedora, do lado de fora, na beira da praia. Participei das seis últimas edições. Venci uma vez em dupla mista, mais quatro vezes na categoria solo. Decidi, após erguer o troféu em 2015, que daria um tempo. Já expliquei os motivos anteriormente. A vontade de encarar a ultra novamente se foi, mas a de incentivar os atletas que ainda acham a competição sensacional – ou que irão estrear nesse ano – segue forte como nunca.

Então lá vamos! Deixarei de lado os aspectos de treinamento físico dessa vez, até porque, se você não treinou até essa altura do campeonato…só lamento! Minha colaboração será para aqueles que curtem um incentivo psicológico, uma palavra de conforto e que acreditam, assim como eu, no poder da mente para a conquista dos objetivos.

A arte da guerra

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Contarei com a ajuda de um amigo psicólogo, já experiente nessa prova, com quem costumo trocar ideias a respeito desse tema com frequência. O Rafael (Homem de Carvalho) cita algo que considero extremamente importante. Ele preparou um artigo, batizado de “TTT termina na hora da largada”. Pode parecer confuso, mas é facilmente explicável:

“Ao ler alguns conceitos do livro A Arte da Guerra, de Sun Tzu, caiu a ficha sobre a relação de um deles com nossa realidade. Tzu fala que ‘a guerra é vencida antes mesmo do início da batalha, na escolha da estratégia’. Em outras palavras, o autor diz que os vitoriosos seriam aqueles que teriam planos de guerra melhores elaborados do que seus adversários. A guerra, em si, seria apenas o momento da execução deste ou daquele plano. E quanto mais fiel esta execução ao seu plano, maiores a chance de êxito”.

Não faz todo sentido? E ele segue, relembrando experiências passadas:

“Depois de algumas TTTs feitas, procuro já não alimentar expectativas além das minhas reais condições, do planejamento como um todo. Mas tenho que confessar que, volta e meia, ainda vem um tal de pensamento mágico que conseguirei resultados melhores. De que na hora H vai vir uma força extra – e eu sigo no aguardo dela –, aquela que vai me fazer tornar o melhor dos melhores, um verdadeiro campeão! Porém, bem rapidinho, volto a realidade, apesar de acreditar que pensamentos desse tipo podem ajudar como um estímulo a mais, um gás extra. No final, vejo que se torna inviável permanecer nesse plano mágico, desconectado do mundo real. Na corrida, as realidades são verdadeiras, muito duras às vezes, mas puramente honestas, sinceras e individuais”.

Concordo em gênero, número e grau. Não espere por resultados bombásticos sem ter treinado para tal feito. Suba os degraus com segurança e parcimônia. Valentia em excesso pode ser um sinal de burrice e imaturidade. Quando falo que, na corrida não tem cesárea – aqui, o parto é normal, com dor e paciência -, procuro alertar aos que buscam atalhos. É natural desejarmos nos destacar em meio à multidão, triunfar, ser como nossos ídolos. Só que ninguém chega lá de forma artificial e dura por muito tempo. E é justamente por isso que o esporte é tão apaixonante: a seleção é natural. Pura, crua – e muitas vezes cruel.

Controlando as variáveis

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Traçada a estratégia – que é algo bem pessoal, e por isso mesmo não comentarei sobre a minha ou de qualquer outra pessoa -, é hora de pensar sobre as múltiplas variáveis. E se chover? E se ventar forte? E se meu tênis incomodar? E se tiver um sol de rachar? Claro que queremos sempre tudo 100% lindo e sob controle. Porém, numa prova como essa, realizada na areia, no verão (quando o tempo “vira” a todo momento), imaginar um cenário perfeito é muita pretensão. Rafael dá a barbada:

“Executar a estratégia planejada não é das tarefas mais fáceis, já que a TTT inclui uma série de variáveis externas – temperatura, areia dura, areia solta, com buraco sem buraco, vento contra ou a favor, logística, etc. – só para citar algumas, bem possível que ao longo do dia toda a estratégia planejada antecipadamente tenha que ser revista. Ainda assim, aprendi não abrir mão de contar com um plano real, executável. Mesmo que tenha que sofrer ajustes de última hora”.

Essa flexibilidade de mudar a estratégia de última hora, novamente, ao meu ver, é algo que vamos aprendendo ao longo do tempo. “Macaco véio” de prova sabe o que fazer quando pinta um imprevisto. Desistir, definitivamente, não é opção válida para os mais fortes – embora seja uma hipótese válida para os casos que colocam suas vidas em risco.

E você? Já tem sua estratégia em mente?

Para a TTT ou qualquer outra competição, seja na corrida ou em demais aspectos de nossas vidas, contar apenas com a sorte não costuma ser uma boa ideia.

Por isso, sempre desejo aos amigos, ao invés de “boa sorte” antes da buzina da largada, um singelo “boa prova”. É apenas o que precisamos pra vencer a “guerra” com um sorrisão no rosto e, claro, aquele gostinho de quero mais.

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TTT 2015: porque eu não vou correr em 2016

Publicado por | Mente de corredor, Sem categoria | 49 Comentários

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Dizem que uma das sabedorias necessárias para qualquer atleta é planejar quais competições irá participar e, mais a longo prazo, qual o momento exato de sair de cena. Para profissionais (o que não é meu caso, e o da maioria), isso é mais difícil e doloroso. Fico imaginando a frustração de ter ido ao auge e, em função de lesões ou desgaste físico e também psicológico, ter que anunciar a aposentadoria.

No final de semana passado, quando corri pela quarta vez a Travessia Torres-Tramandaí (TTT) na categoria solo (82km pela beira da praia), pensei muito sobre isso. Conquistei um tetracampeonato bonito, sofri, chorei e me diveti para caramba. Porém, quando cheguei em casa e olhei para o troféu feioso de 1° lugar, cinzento e sem graça, me questionei se realmente valeu a pena tanto esforço.

Nessa e em outras competições realizadas no Rio Grande do Sul (e creio que o mesmo ocorre em outras regiões brasileiras), somos tratados como meros coadjuvantes em “festas promocionais” mal organizadas. Pagamos inscrições com valores altos, investimos em equipamentos, em toda infraestrutura para fazer bonito.

Treinamos feito doidos o ano inteiro. Ficamos ansiosos, abrimos mão de uma série de coisas para correr.

E o que ganhamos em troca?

Não estou tirando o mérito de quem cria e realiza tais eventos. Sei que dá trabalho. Mas é um negócio: e um negócio cada vez mais lucrativo. Hoje a corrida é o segundo esporte mais praticado do País. Do Oiapoque ao Chuí, milhares de corredores de todas as idades e classes sociais invadem as ruas com seus tênis coloridos e gastam uma babilônia de grana para alimentar esse “vício” do bem.

Mas a meu ver – e me corrijam se estiver errada -, nos contentamos com migalhas. No caso dum evento como a TTT, que reuniu mais de 2 mil corredores (que desembolsaram, cada um, 130 paus), as falhas ficaram evidentes e decepcionaram muita gente. Falando com colegas que correram a prova, foram apontadas uma série de problemas.

Eu percebi erros graves nos pontos de hidratação (como estava na dianteira, notei que o staff não conseguiu sequer oferecer água gelada em vários pontos, sobretudo após o meio-dia, após a plataforma de Atlântida), algo essencial e básico para todo ultramaratonista. O kit da prova, mais uma vez, decepcionou muita gente. E a premiação, então…sem comentários.

Após correr 82km em 7h44min, batendo o recorde da prova, ganhei um troféu igual a todos os demais (nada criativo e muito feio, no formato da bandeira do Rio Grande do Sul. Mais brochante, impossível). A impressão que tive é que foi feito sem um tesão. Muito, mas muito aquém da dimensão dada pelo público ao evento.

O que ganhei de premiação? Um boné.

Quando digo isso a leigos, que nada entendem de corrida, o espanto é geral. “Mas como pode? Não pode ser! Correr 82km e ganhar um boné! Como tu ainda vai nisso?”, me perguntaram ontem.

Eu não soube responder.

Será que o que vimos no último final semana no litoral não vale para uma reflexão?

O quanto estão valorizando quem se dedica tanto a esse esporte? Onde está o profissionalismo, a consideração com os atletas? Será que merecemos comer pão seco com queijo, quando merecemos (e pagamos para ter) um rango que tenha o sabor da superação, gostoso como um croissant quentinho?

É por essa e outras que, em 2016, decidi não correr mais essa competição e todas as demais que, ao meu ver, não primam pelo profissionalismo e deixam a desejar em vários aspectos.

Quer ver como funciona? Vá para qualquer evento esportivo na Europa e Estados Unidos ou, mais perto ainda, na Argentina.

Somos os principais personagens. E exigir qualidade não é ofensa ou crime. É nosso direito.

Espero que tenhamos uma evolução nos próximos anos, pois do jeito que as coisas andam, dá mais vontade de investir essa grana preta das inscrições em um bom vinho – pelo menos, o retorno é garantido.

 

 

 

TTT 2015: hidratação e suplementação na ultra

Publicado por | Nutrição esportiva | 2 Comentários

 

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Reta final para a décima primeira edição da Travessia Torres-Tramandaí (TTT), que rola nesse sábado nas areias do litoral norte. Os quase 82 quilômetros dessa ultramaratona são duros, sobretudo para quem irá enfrentar em duplas ou individualmente. Claro que não é fácil para ninguém, ainda mais para os estreantes.

Nessa altura do campeonato, o friozinho na barriga já começa a surgir. É hora de fazer o check-list e verificar se tudo está OK: equipamentos e hidratação/nutrição são os itens primordiais – até porque o treino já está feito, certo? (espero que a resposta seja positiva!)

O aporte calórico, ao meu ver, é um dos principais desafios para quem encara a TTT na categoria solo, na qual irei me aventurar pela quarta vez. Tenho uma estratégia bastante conservadora (uso carbogel, água de coco, frutas secas e suplementação hipercalórica/com diferentes tipos de carboidratos), e acredito que isso é algo muito pessoal, testado e aprovado em treinos.

Para aprofundar melhor o assunto, procurei ajuda da nutricionista e triatleta Débora Finger, que dá explicações e dicas valiosas para os corredores apaixonados pela aventura praiana.

Confira!

imagesYTIR7OP4 ”Os praticantes de corridas longas, ao aceitarem o desafio de uma ultramaratona, são constantemente advertidos quanto à relevância de uma estratégia correta de alimentação no dia da prova. De fato, quando falamos de corridas que ultrapassam a distância de uma maratona, a importância de acertar a alimentação é inevitavelmente maior.

A prova envolve 81,2km de corrida, na beira-mar, e o clima é sempre a maior incógnita. O cenário mais comum: um dia de sol escaldante! O do último ano: um dia de chuva e muito vento, que quebrou o pace de muita gente. Mas o que o isso tem a ver com a alimentação? Simples, quanto mais adversa for a situação climática, mais tempo o indivíduo vai demorar para completar a prova e consequentemente mais alimentos/suplementação serão necessários para manter o ritmo.

É descrito na literatura que, para atividades de endurance que durem mais de 2,5 horas, deve-se ingerir aproximadamente 90g de carboidrato por hora (sempre dando preferência a um mix de carboidratos, para que tenhamos múltiplos transportadores envolvidos).

Apesar de ser algo completamente elucidado na literatura, a vida real se mostra desafiadora e a aceitabilidade do atleta cria as regras do jogo. Mesmo sabendo que a suplementação deva ser quase que exclusivamente de carboidrato, chega um momento, que o carboidrato simplesmente “não desce mais”. E por esse motivo, entre alguns outros, o acompanhamento nutricional individual do atleta se mostra essencial desde o início da preparação. É necessário testar! E os testes devem ocorrer, obviamente, nos treinos que antecedem a prova. Jamais deve-se ingerir algo que não tenha sido previamente testado.

Conversando com diversos ultramaratonistas sobre as estratégias que eles utilizam nas suas provas, fica claro o quão pessoal/individual é essa questão. Para um atleta, o gel de carboidrato pode ser usado do início ao fim da prova; para outro ele só é tolerado até, aproximadamente, a primeira metade da prova. A experiência pessoal nos mostra que realizar uma prova longa tendo o carboidrato em gel como única fonte de energia geralmente não é eficaz. Dessa forma, tem gente que usa paçoca, frutas, barra de cereal, barra de proteína, frutas secas, mariola, oleaginosas… Água de coco, isotônico, água tônica, os relatos vão de 8 a 80. Cápsulas de sal também são muito utilizadas.

Na realidade, a expressiva perda de sódio pelo suor faz com que o corpo, fisiologicamente, procure por alimentos salgados. No entanto, a maioria dos alimentos ricos em carboidrato é doce. E essa é a maior reclamação de todo corredor: “Esse negócio é doce demais!”. Na tentativa de descobrir alimentos que sejam bem tolerados pelos atletas, vale de tudo e criatividade não tem limite.

O menu pode incluir a básica batata cozida com sal ou pode ter um ar mais inusitado: já ouvi relatos de gente comendo massa com atum ou sacolé de purê de batata (esse é sensacional, convenhamos). Tem aqueles que sentem vontade comer picolé (pode ser Kibon ou preferes Los Paleteros?); outros já me relataram que adorariam ter tido a oportunidade de comer um tomate com sal durante a prova. Tem aqueles que são super adeptos do mundo da suplementação! O Endurox – onde temos uma proporção clássica de 4g de carboidrato para 1g de proteína – é muito utilizado e divide opiniões entre os profissionais da área: sabe-se que a proteína tem função estrutural e é muito útil para reduzir dano muscular (e sim, dá saciedade), ao passo que o carboidrato tem função puramente energética. Será que utilizar a proteína nesse contexto é interessante considerando as propriedades básicas energéticas (reduzidas) desse nutriente?

Maltodextrina, waxy maize, glicodry são outras opções de carboidratos que podem ser diluídos em água. Nesse caso, as bebidas servem tanto para hidratar quanto para nutrir. O carboidrato é conhecido por ter uma absorção muito mais rápida, quando comparado à proteína ou à gordura. Quando adicionado à água e na concentração tida como ideal (6 – 8%), ele faz com que ela chegue mais rapidamente ao intestino, onde será finalmente absorvida. Alguns atletas dizem que depois de um certo ponto, só Coca-Cola e salgadinho resolvem.

Os corredores das antigas lembram bem que quando iniciaram no esporte, a literatura ainda não estava tão desenvolvida e a alimentação/suplementação se dava de modo empírico, na base do erro-acerto. Com o avanço das pesquisas, tanto na área de treinamento quanto de alimentação, e com o desenvolvimento de suplementos tudo se tornou um pouco mais fácil. Ainda assim, uma estratégia errada de alimentação, comer algo que não havia testado, exagerar na dose, ou simplesmente comer pouco ainda pode fazer com que o atleta abandone a prova mais cedo ou tenha que baixar o ritmo por algum desconforto abdominal.

imagesRL7FGZK0 O planejamento alimentar varia também de acordo com a logística da prova. O fato do atleta contar ou não com apoio durante o percurso muda totalmente a estratégia que será utilizada. Se tiver apoio, é possível montar um “cardápio” bem variado. E nesse caso, contar com diversas opções faz toda a diferença. Se não há apoio, o cardápio será mais restrito pois o corredor terá que carregar toda parafernália consigo durante o trajeto.

Fato é: não existe uma “receita de bolo” que funcione para todo mundo. Uma boa nutricionista será fundamental para planejar uma alimentação/suplementação que garanta o aporte necessário de energia e eletrólitos durante a prova, de forma que seja suficiente para que o atleta possa manter seu desempenho constante. Além disso, a profissional saberá como proceder nos dias que antecedem a competição, dias nos quais é importantíssimo ingerir uma alta quantidade de carboidrato a fim de garantir boas reservas de glicogênio muscular.  Resumo da ópera: não negligencie a alimentação em provas longas de corrida. Planejar o que se come é tão importante quanto estabelecer uma boa e eficaz rotina de treinamento”.

TTT 2015: preparando a mente

Publicado por | Mente de corredor | Um Comentário

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Quem acha que é preciso apenas pernas e pulmões fortes para encarar uma corrida na areia – sobretudo se essa corrida durar mais de quatro horas, caso da maioria que disputará a Travessia Torres-Tramandaí (TTT) no próximo dia 31 -, está muito, mas muito enganado. Minha convicção é de que os treinos são fundamentais, tanto físicos quanto mentais. E é dessa segunda parte (o condicionamento psicológico) do qual tratarei dessa vez.

Apesar de já ser “macaca-véia” no esporte, fui atrás de um corredor pra lá de gente-fina para discorrer a respeito do tema. Rafael Homem de Carvalho, psicólogo e consultor de empresas familiares, é um baita exemplo para muita gente: perdeu 42 quilos com a corrida e hoje, aos 40 anos, é um desses magrelos loucos fissurados por um dos esportes mais antigos da humanidade.

Pedi para ele escrever um texto, que reproduzo abaixo e creio que vem muito a calhar nesse momento de concentração pré-prova – e também para tantos outros momentos da vida.

Se quiserem saber mais sobre esse psicólogo-amigo-corredor, vale conferir o blog Vida Mais Saudável, que ele inaugurou há pouco para dividir suas ideias hiperbacanas.

Espero que gostem! Eu curti pacas! ( :

Quando os fantasmas se divertem

Rafa empolgadão na chegada da Mountain Do

Rafa empolgadão na chegada da Mountain Do

 

Ainda que de forma um tanto empírica, à medida em que passei a me dedicar mais aos treinos e provas de corrida, passei a procurar conciliar e aproximar os aspectos físicos e orgânicos de alguns fatores psicológicos. Diria que comecei a prestar mais atenção nas influências positivas e negativas da cabeça em relação ao corpo.

Ressalto que não sou especialista nem trabalho com psicologia do esporte, mas apesar disso, nos últimos dois anos tenho tido descobertas interessantes nas – aqui vem um primeiro aprendizado – “conversas”e “negociações” mente e corpo. E são muitas conversas que envolvem uma série de negociações.

Destacarei duas delas, sendo que a primeira foi quando treinava e me preparava para a maratona de Porto Alegre neste ano de 2014. A rotina e o volume de treinos para uma maratona são estressantes em dado momento e se tornam cansativos. Ainda mais para amadores como eu. E em um desses treinos comecei a ter uma perda de rendimento considerável. Notem que não se tratava de algo novo e diferente que fazia naquele momento. Pelo contrário. Já havia realizado em semanas anteriores treino semelhante e com nível de exigência mais forte. Terminei completamente exaurido e com uma sensação muito ruim de quase ter voltado pra estaca zero. Fui então examinar o que poderia ter havido. Me dei conta que durante quase todo o tempo em que fazia a série de tiros na pista, não conseguia deixar de pensar em um problema pessoal que teria que resolver no dia seguinte. Mas o interessante é que durante o treino, o tal problema ia e vinha, mas não me deixava. Me assombrando mesmo. E não fui capaz de perceber que o a ser feito não era tentar ignorar ou esquecer, mas encará-lo de outra forma.

O aprendizado aqui teve um custo, o do desgaste, mas serviu para que eu me preparasse para situações semelhantes que certamente surgiriam não só em treinos, como na própria maratona. Mas a diferença que eles, esses fantasmas já não me assombrariam mais como da primeira vez.

A segunda situação foi mais recente, quando com o término da temporada, direcionei o foco para os treinos para a TTT.

Dezembro é o mês que estamos envolvidos com uma série de eventos sociais e familiares, conclusões e início de novas etapas e ciclos, promessas com novos compromissos assumidos e retrospectivas. E foi justamente numa dessas que veio o segundo aprendizado.

Foi um treino de ritmo, onde para cada distância determinada um ritmo de velocidade pré determinado deveria ser feito. De novo, nada diferente ou acima do que já estava acostumado a fazer.

Lá pelas tantas, Gasômetro vai, Gasômetro vem, começo a perder ritmo. Mas perder feio. Surgem primeiras hipóteses de checagem: Estou bem hidratado? Sim.; Alimentado e suplementado? Ok.; Quente, úmido, vento contra ou a favor? Nada anormal. E a vontade de parar e ir embora só aumentava.

O que aconteceu? De forma não proposital, ao natural, comecei a relembrar de alguns fatos do meu ano. Uma breve retrospectiva. Especialmente das provas em que corri naquele percurso onde estava treinando. Mas assim como vieram uma série de lembranças agradáveis e bacanas, outras nem tanto também estavam nesse pacote. E se encarregaram de passar a assombrar o meu treino. O cansaço e o desgaste potencializam a presença destes pensamentos desagradáveis, sem dúvida alguma.

Os treinos para a TTT tendem a se intensificar passadas as festas de fim de ano. Não só treinos mas o foco na prova, a preocupação em ter um bom rendimento independente do nível, ainda mais que a grande maioria assume compromisso mútuo com parceiros e parceiras de equipe.

Focar numa prova como esta significa, além dos cuidados e preparação com o físico, estar com a mente tranquila. Tenho me policiado para não abrir espaço para que os fantasmas que habitam as nossas mentes festejem e se divirtam em cima dos nossos medos, angústias, preocupações e problemas. Afinal, humanos todos somos. E eles estão lá no aguardo de oportunidades para assumirem o comando.

A ideia é outra: que nos momentos dos treinos e das provas se esteja inteiro. Que se assuma o comando do início ao fim sem dar margem para outra coisa que não seja concluir e bem o que se planejou. Isto nos tornará e deixará com que fiquemos cada vez mais fortes e por consequência, com cada vez menos espaço para fantasmas e assombrações.

 

TTT 2015: dicas para duplas e solos

Publicado por | Caminho das pedras | Um Comentário
Luciano, de regata verde, é quem dá as dicas para os loucos de carteirinha

Luciano, de regata verde, é quem dá as dicas para os loucos de carteirinha

Nessas modalidades, o bicho pega de verdade. Se você é um dos “loucos” que vão encarar a Travessia Torres-Tramandaí (TTT) em dupla ou individualmente, há dicas valiosas que podem ser muito úteis nesse momento de preparação.

O educador físico Luciano D’Arriaga, treinador de corrida da Integra Pró-Saúde, fala com propriedade sobre o assunto, já que enfrentou o perrengue em várias modalidades e é um “rato” de areia – e estudioso empenhado no tema.

“Gostaria de alertar para uma questão importante que envolve os corredores de uma maneira geral. Já enfrentei provas com temperaturas elevadas, vento forte, areia “fofa” e a água do mar invadindo a praia, mas certamente a última edição foi a que mais causou desgaste entre os participantes. Coincidência ou não, foi nesta prova que realizei a minha pesquisa do mestrado com os

ultramaratonistas e acabei não correndo…alguns amigos disseram que tive muita sorte em fazer meu estudo nesta prova não precisando encarar as condições ambientais adversas apresentadas, detalhe importante…adoraria ter corrido!

Se você está inscrito e vai encarar esta prova, recomendo que tenha alguns cuidados antes de iniciar com os treinamentos.

O primeiro passo é procurar um médico do esporte para realizar uma avaliação prévia. Assim, será possível mensurar a sua capacidade cardiorrespiratória e, se possível, realizar um exame de sangue para analisar marcadores bioquímicos que podem indicar a presença de lesão muscular e fadiga.

Finalmente, com estas informações você deve procurar um educador físico especialista em corrida para planejar e organizar o seu treinamento, evitando com isso uma sobrecarga excessiva de exercícios”.

Seguem algumas orientações dadas pelo especialista:

Reta final

A preparação para a 11ª TTT está na reta final. A partir de agora, os corredores não terão mais tempo a perder e como disse o treinador Claiton Lenz no post anterior, “ devem priorizar treinos com qualidade!”.

Treinamento

Quem escolheu percorrer a prova em duplas deve ter bem definido a maneira como irá dividir os 82 quilômetros, pois o regulamento permite que os atletas percorram suas distâncias de maneira alternada ou de forma contínua. Porém, independente da escolha, o corredor deve estar preparado para resistir à fadiga em um esforço de longa duração.

Cada estratégia vai exigir uma metodologia de treinamento específica conforme o objetivo da equipe.

Os corredores solo (ultramaratonistas) devem ficar atentos com os volumes semanais de treinamento e especialmente com os treinos longos próximos a data da prova. Os excessos podem provocar sérias lesões no tecido muscular, causando fadiga e overtraining e, consequentemente, prejudicar o desempenho.

Apoio e logística

As duplas devem contar pelo menos com um carro de apoio, no qual poderão armazenar a sua hidratação, suplementação e equipamentos. Esse apoio deve ter conhecimento do mapa por onde os veículos deverão circular e dos locais onde haverá a troca do chip. Cada ultra tem a sua estratégia e está acostumado a correr de determinada maneira.

Porém, se você está programando apoio de bike, pense que ele pode não aguentar o percurso. Já tive essa experiência…

Enfim, faça a sua logística pensando em todas as possibilidades. Nunca sabemos o que nos espera.

Hidratação e suplementação

Se você nunca correu com mochila de hidratação nas costas, não deixe para experimentar no dia da prova, procure utilizá-la nos seus treinos longos. Os organizadores oferecem hidratação a cada 3 ou 4 km. Até a metade da manhã, parece ser bem tranquilo. Porém, próximo ao meio-dia, o calor aumenta e esta distância parece ser maior. Regra básica para todo corredor: “não deixe para utilizar suplementos novos no dia da prova”. Está pensando em fazer uso de algum gel ou barrinha diferente? Faça durante o seu treinamento, ok?

Outra dica é procurar a orientação de um nutricionista. Perdemos muitos nutrientes durante o treinamento e a prova,e um profissional capacitado certamente ajudará nesta questão.

Equipamentos

Roupas leves e tênis que está acostumado a utilizar nos treinamentos. Não recomendo trocar de calçado durante a prova, fiz isso uma vez…perdi tempo e nos primeiros 500 metros me deparei com muita água, mas cada um tem a sua preferência. Muito protetor solar, boné e óculos de sol, pois o reflexo na areia machuca os olhos.

Não esqueça da vaselina para evitar assadura. Quem já passou por isso jamais esquece!

 Psicológico

Por se tratar de uma corrida de longa duração, os participantes devem estar preparados psicologicamente para esforços prolongados onde deverão experimentar diferentes sensações e certamente terão que ultrapassar uma barreira para superar os seus limites.

Psicologicamente, a ansiedade é o maior inimigo do atleta e pode gerar problemas em relação ao ritmo de prova. Um treinamento tático adequado e a disciplina adquirida com esse treinamento colaboram para a conclusão da prova.

Assim, pode-se dizer que qualquer um pode fazer uma ultramaratona. Nem todos podem fazê-la rapidamente, mas é possível completá-la com uma preparação adequada e cruzar a linha de chegada com uma sensação de dever cumprido.

 

TTT 2015: treinos para quartetos e octetos

Publicado por | Caminho das pedras | 2 Comentários

Para quem vai encarar a Travessia Torres-Tramandaí (TTT) em quartetos e octetos, pode parecer mais fácil do que em duplas ou individualmente. Porém, não é bem assim. A questão logística é altamente importante e deve ser observada com atenção redobrada. Fora isso, é preciso dar um gás no treinamento em condições similares aos que serão enfrentados no dia da prova e, claro, investir em treinos de qualidade a partir de agora.

Faltando menos de três meses para o evento, é hora de começar a turbinar a máquina e chegar em janeiro tinindo!

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Vamos para as dicas?

Essas foram preparadas pelo educador físico Claiton Lenz. Nessa semana, quem vai disputar em duplas ou solo terá as barbadas de Luciano D’Arriaga.

Não esqueçam de mandar suas dúvidas! Dá tempo de acertar nos detalhes que fazem toda a diferença. Lembre que planejamento é tudo.

Detalhes mais do que essenciais

Para aqueles que irão encarar os 81 km da TTT nas modalidades octetos e quartetos, as distâncias variam entre 6, 8, 10 ou 12 km para os octetos – ou a combinação de duas destas para os quartetos. Portanto a preparação para o octeto se aproxima muito de uma prova de 8 ou 10 km, já no quarteto fica parecido com uma prova de 16 km ou meia maratona.

Alguns fatores como areia, vento e sol acabam dificultando muito a vida dos corredores e quem correu as duas últimas edições sabe bem disso. Portanto, chegar nessa prova pensando em fazer o ritmo que está acostumado a fazer no asfalto é uma ilusão que não dura nem um quilômetro. Só pra constar, podem acrescentar uns 15 segundos no pace de vocês na areia, isso se não estiver ventando.

Faltando três meses para a TTT deixo algumas sugestões de treinos para aqueles que irão encarar este desafio e pretendem chegar bem condicionados. Eu acredito muito na variabilidade dos treinos, ou seja, variar o tipo de treino mas sempre considerando na qualidade deles.

Faltando pouco menos que três meses para a prova, há tempo para fazer uma ótima preparação, para isso deixo a seguir três tipos de treinos que costumo utilizar com meus alunos e algumas sugestões para quem vai correr a TTT. Claro que devem ser levadas em conta vários aspectos, tais como experiência do corredor, nível de condicionamento físico, lesões, etc. Além disso, cada corredor precisa ser analisado individualmente, pois o que funciona para alguns, nem sempre funciona pra os outros.

Treinos de ritmo:

É um treino que exige bastante dos corredores e, para mim, um dos mais importantes. Trabalha muito próximo do ritmo de competição e por isso normalmente indico que seja feito em local plano ou em pista. É muito importante o corredor estar bastante concentrado e mentalizar o ritmo proposto. Ele se aproxima muito do ritmo de corrida dos 10 km e auxilia muito na manutenção da velocidade dos corredores. Para os corredores de octeto sugiro treinos de até 10 km neste ritmo, pois a distância máxima ficará em 12 km, mas sempre aumentando gradualmente. Para quem irá correr os trechos menores não há necessidade de tanto, podendo ficar entre 7 e 8 km.

Treinos Longos:

Os treinos longos são de fundamental importância, tanto na parte fisiológica onde o corredor vai ter as adaptações necessárias quanto nos aspectos psicológicos de enfrentar treinos de maior duração. Com eles aprende-se a dosar o ritmo e trabalhar mentalmente para que o nosso cérebro não nos faça desistir quando enfrentamos algumas adversidades. Além disso, estes treinos são muito utilizados para testar a alimentação, hidratação, calçado, roupa, etc. que usaremos no dia da prova. Eles caracterizam-se por serem realizados num ritmo mais lento ou confortável (quem saberá precisar isso é o seu treinador) e podem variar entre 10 km para os trechos menores até 24 ou 26 km para os atletas do quarteto. Nestes treinos são percorridas distâncias maiores que no dia da prova (isso não se aplica aos atletas das duplas ou solo).

Treinos Intervalados:

O treino intervalado é extremamente eficaz na no ganho de condicionamento dos corredores, por isto ele tem um papel importantíssimo. É um treino duro, mas que traz excelentes benefícios, desde que sejam observadas e respeitadas suas características e estruturas. Ele consiste em tiros com distâncias e ritmos pré-determinados (num ritmo mais forte que o de competição, mas com distâncias menores obviamente) e com um intervalo de recuperação (descanso) entre eles. As distâncias, ritmos e intervalos desses treinos devem ser prescritas por um treinador que saberá identificar qual metodologia utilizar, seja tiros de 400 m, 800 m, 1000 m, 2000 m, etc. ou até mesmo uma combinação destes.

Por fim, cabe ressaltar que existem outros tipos e metodologias de treinamentos que também são eficientes e que podem se adaptar melhor em alguns indivíduos. Além disso, cabe salientar a grande importância de realizar alguns destes treinos “in loco”, ou seja, ir pro litoral gaúcho e encarar o nordestão de peito aberto com sol na cabeça (ou chuva como em 2014) pra chegar no dia 31 de janeiro na ponta dos cascos!

* Dicas de Claiton Lenz, educador físico

 

TTT 2015: dicas para enfrentar o desafio

Publicado por | Caminho das pedras | 3 Comentários

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31 de janeiro de 2015. Esta é a data para a 11ª edição da clássica Travessia Torres-Tramandaí (TTT), uma das mais cobiçadas provas de revezamento do Rio Grande do Sul e, para os ultramaratonistas, desafio obrigatório pelo menos uma vez na vida. Já corri três vezes a prova sozinha e uma em duplas, e em todas elas saí com um troféu de campeã. Achei que não iria enfrentar novamente o perrengue, mas quando vi, estava inscrita.

Para quem irá debutar na orla gaúcha nas distâncias menores – quartetos e octetos -, bem como quem for mais arrojado e se inscreveu em duplas ou na categoria solo, há dicas e macetes que poderão ajudar bastante e dar mais segurança para cruzar a linha de chegada exibindo aquele sorrisão. Irei mesclar algumas impressões e dar detalhes da minha experiência, porém contarei com a ajuda de professores de educação física experientes em montar planilhas de treino e, claro, que já enfiaram seus lindos pés na areia fofa que separa os dois balneários ao longo de seus 82 quilômetros.

Um deles é Luciano D’Arriaga, da Integra Pró-Saúde, ultramaratonista dos bons. O “Lu” tem no currículo provas de peso como a Patagônia Run 100km, já correu a TTT sozinho em menos de oito horas – tendo ficado entre os 10 primeiros -, ganhou o desafio 24 Horas na Esteira em 2013 e atualmente divulga os resultados de um estudo inédito com ultras presentes na edição de 2013 (inclusive, ele não correu para ficar tirando amostras de sangue dos atletas com seus colegas do mestrado). Outro é Claiton Lenz, do grupo Galgos, de Lajeado, maratonista sub-3h em Santiago 2014 e colaborador da revista Contra-Relógio.

Claro que haverá outros profissionais que serão consultados, mas para o início é isso. Peço que todos enviem suas dúvidas e comentários para que possamos enriquecer ao máximo essa troca de experiências.

A partir de amanhã, vocês poderão conferir dicas de treinamento aqui no blog Santa Corrida nesse período pré-TTT, primeiramente com foco nos quartetos e octetos. A ideia é otimizar ao máximo o tempo nesses três meses que faltam e dar todas as “barbadas” que só amigo dá!

Vamos nessa?

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TTT 2014: expectativas, histórias e “não-conselhos”

Publicado por | Foco no treino | 4 Comentários

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Faltando menos de 20 dias para uma das competições mais esperadas do Sul do país, a Travessia Torres-Tramandaí (TTT) – que chega na sua décima edição mais disputada do que nunca –, a ansiedade para as centenas de atletas que vão encarar a prova cresce a passos largos. Não consegui obter os dados de quantas pessoas estão inscritas em 2014, mas acredito que, em termos de quantidade e qualidade dos competidores, será um ano inesquecível.

Bem, para ser mais sincera (e sem querer aterrorizar, mas já aterrorizando), inesquecível sempre é. Seja pelo calor, pelo vento contra e areia fofa (vide a nona edição), pela alegria contagiante, pelos veranistas-torcedores, pelo espírito de equipe onipresente ou por histórias hilárias, como o prêmio que ganhei em 2012 ao vencer a prova: um troféu e UM pão de forma. Sério. Pelo menos era um “sete grãos”. Até hoje dou muitas risadas disso. Mas enfim, não é esse o intuito desse post. É falar sobre a carga de ansiedade que marca os dias (e, no caso de muitos, meses) pré-competição, e a impressão que tenho de tudo isso.

Planejei fazer pela última vez a prova, pelo menos na categoria solo. Já corri outras quatro vezes: duas sozinha, em 2013 e 2012, quando bati o recorde feminino da prova em ambos anos; em dupla, em 2011, quando também tive a alegria de erguer o troféu de primeiro lugar ao lado do Luciano D’Arriaga (que gentilmente cedeu sua vaga para mim neste ano, pois estará impossibilitado de correr devido a sua tese de mestrado. Ele coletará sangue dos ultramaratonistas antes e após os 82 quilômetros para analisar biomarcadores de lesão muscular). E outra vez em quarteto, bem mais light, mas igualmente bacana. Como viajei para o Japão no período de inscrições, desta vez comi mosca e…ixi, quase fico de fora! Mas enfim, até que provem ao contrário, vou lá dar uma de “camelo-pangaré-paraguaio” mais uma vez.

É natural que muita gente me pergunte como fazer para correr a TTT sozinho, ou em duplas. Qual o segredo, que tênis usar, como fazer a hidratação e alimentação adequada, entre outras manhas. Como não sou treinadora, mas já tenho uma boa experiência nesse tipo de desafio, sempre dou um ou outro toque, sempre com base na minha vivência, claro – que é muito baseada nos erros e acertos.

Para não cometer nenhum grave equívoco e também para não me meter de pato a ganso, meu conselho é: não dar muito conselho. Isso é muito individual e cabe aos especialistas. Até porque o que serve para mim, dificilmente funcionará num outro atleta. O tênis que uso, de quantas em quantas horas me alimento, etc, etc. Besteira achar que é uma fórmula pronta. Defendo o treino individualizado, baseado em uma série de variáveis analisadas com calma.

Olhando para trás, confesso que, na primeira vez que saí lá de Torres às 6h, não tinha noção do que estava fazendo. Já comecei errado, saindo quase 10 minutos atrás dos outros corredores – sim, até isso ocorreu. Todo mundo na praia e eu lá, pegando o chip na barraca com o Corpa. Tanto que, quando cruzei a linha de chegada em Imbé, explodi de felicidade. Estava em êxtase, tentando encontrar uma explicação para tal acontecimento. Ainda tenho amigos que olham para mim e perguntam: “como pode? Olhando para ti, nem dá para acreditar o que tu faz…”. Realmente, é meio insano, sim. Pegue o carro e faça mais de 80 quilômetros. Olhe a paisagem, veja quanto tempo demora. Agora imagine percorrer isso a pé, em menos de oito horas. Não, não é fácil pra ninguém. Quem diz que é moleza, estará mentindo. E feio.

Cada um tem um limite, e eu vivo testando o meu. Não sei se é um parafuso frouxo, autoestima em baixa, tendência suicida, cabeça dura ou qualquer outra patologia. Mas é um vício maldito. Confesso que deveria me preparar melhor para algumas provas, ouvir mais os conselhos e orientações de treinadores, fisiologistas, psiquiatras, nutricionistas e ortopedistas. Todo esse aparato só vem ajudar. Eu admiro quem consegue fazer tudo certinho, como manda o figurino. Porém, eu vou aprendendo no meu ritmo – e sempre fiz assim, desde a época que aprendi a surfar olhando os garotos e tomando onda na cabeça, engolindo muita água.

Para quem vai marcar presença na Travessia Torres-Tramandaí pela primeira vez, esteja certo que dia 25 de janeiro será um dia pra ficar na história. Para quem vai em duplas ou estrear na categoria solo, desejo muita sorte, porque a pedreira é braba. Espero que possa abraçar a todos amigos no final, ouvir inúmeras histórias emocionantes de superação, e, claro, contar algumas delas. Pelo que estou vendo, personagens incríveis não vão faltar.

Nos vemos em Torres – ou melhor, na Barra do Imbé!