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Uphill Marathon 2017: brincadeira de gente grande

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SERRA

Por mais conhecimento que acumulemos na trajetória de atletas, jamais poderemos afirmar que já vimos de tudo. A cada treino – e a cada nova oportunidade de competir -, podemos nos surpreender com situações fantásticas. E foi exatamente isso que ocorreu no último final de semana, quando participei pela quinta vez da Mizuno Uphill Marathon, prova que ocorre anualmente na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina.

Ao todo, foram 67km suados em duas “pernas” – 42km de manhã e 25km à tarde. Desde o ano passado, é possível se inscrever em três modalidades: maratona, 25km ou na dobradinha. E, claro, a fominha aqui assinou o atestado de demência ao escolher o “Desafio Samurai”, afinal, correr “só” uma maratona na subida cansa pouco. kkkkk! (((( ; A ideia (além de prestigiar o evento, que reúne corredores do Brasil todo e do qual fui eleita embaixadora, por participar de todas edições desde 2013) era apenas chegar duas vezes lá no topo. Importante: com as duas pernas, dois braços e sem rastejar. Estava com o grito entalado na garganta desde ano passado, quando tentei o mesmo feito e parei no quilômetro 60, desidratada e chamando urubu de meu lôro. A primeira e única vez que retirei meus cadarços do asfalto.

Enfim, lá fui eu pra missão. Havia encaixado os treinos como nunca. A mente estava de “psicopata”. Me sentindo forte, segura e extremamente preparada pra escalar aquele paredão do demo. E fui. Peguei estrada já na sexta, antes do almoço, com meu parceiraço Marcinho Calcagnotto (do @gemeostri), triatleta de mão cheia, que dirigiria pra mim na volta, pois tinha um evento em Bento Gonçalves no domingo, o Grape Tea Country Run da Salton, um dia após o desafio. (Sim….corri mais 10km no dia seguinte. Vai entender! Mas foi só pra “puxar” a galera).

E foi aí que começou a odisseia duma das mais mágicas corridas da minha vida.

Maratona: segurando a onda

Acordo às 4h, tomo café em Nova Veneza, onde fiquei hospedada. Saímos antes das 6h em direção a Treviso, cidade que já abraçou a Uphill como evento oficial. Todas cidades da região, aliás, incluindo a maiorzinha delas, Lauro Müller, de onde sai a segunda perna, recebem a competição com excelentes olhos, já que vem gente de dezenas de cantinhos do Brasil, movimentando a economia e levando uma série de benefícios para os moradores. Prova de que, onde há esporte, todo mundo ganha! <3

Voltando a linha de largada dos 42k, foi aquela loucura de sempre: nervos à flor da pele. Coração acelerado. E a certeza de que teria que segurar muito a onda, afinal, não poderia cometer o erro grosseiro de arrebentar as coronárias na primeira etapa e ficar só no arame. Concentrei. Fui administrando o tempo todo, baseada muito mais no ritmo cardíaco do que no pace. Aumentava um pouco, eu puxava o freio. Parei em TODOS pontos de hidratação, com a intenção de realmente me poupar, hidratar e suplementar adequadamente.

Como já corri mais de 260 quilômetros, ao todo, nessa serpente que é a Serra do Rio do Rastro, sabia muito bem o que iria encontrar. Um minuto a mais, um a menos até o km 32, se for pra aliviar e deixar um gás pros últimos 10, faz pouca diferença. O importante é chegar no pé da Serra inteira, capaz de caminhar rápido, parar pouco e tentar mesclar com corrida. O famoso “o que dá pra fazer”. Se der pra correr é lucro.

Fui sorrindo, conversando com os guerreiros que encontrava pelo caminho. Num cenário estontante, daqueles de filme. Quem conhece aquilo ali sabe o que é de lindo. Mas a imponência daquelas montanhas estava inacreditável no sábado. O céu azul, a temperatura na largada amena. Um cenário perfeito….pra se lascar. Sim, porque é nesses dias nos quais você acha que vai dar tudo perfeito que a cobra fuma. Se o visual compensou, o termômetro fez questão de massacrar na segunda metade da prova. Vários atletas fizeram a mesma observação: a prova estava pesada, pois o calor maltrata quem faz força.

Tive que negociar o tempo todo com a dor no meu pé esquerdo (tenho um neuroma de Morton, uma praga que vai minando com aquela facadinha na sola). Como vi que a mulherada “alienígena” garantiu os 5 primeiros lugares, fiquei ali atrás, ainda entre as 10 primeiras, ciente das minhas limitações, porém obcecada em cruzar a linha de chegada inteira.

Na reta final, o meu maior presente, além do alívio da dor: vejo a corredora Lilian Olimpio (que também estava no Desafio Samurai) quebradinha, quebradinha (tanto quanto eu, claro! kkkk). Eu sabia que poderia passar por ela no quilômetro final.  E talvez muitas corredoras fariam isso, sem pestanejar. Mas, na hora, me deu um estalo. A plena sensação de que não deveria fazer aquilo. Encostei nela, preocupada com a situação de ser ultrapassada no finalzinho. Ela, ofegante, ouviu de mim um “calma que não vou te ultrapassar. Nós vamos chegar juntas. De mãos dadas. Eles nem vão saber quem chegou em sétimo ou oitavo lugar”. Ela, chorando…e eu falando: “…aliás, eles vão saber sim. Tu vais chegar na minha frente. Quando estivermos cruzando, tu vai meter o pé no tapete e eu vou chegar atrás”.

Quando adentramos no túnel que desemboca na Finish Line, presas uma a outra, embriagadas de emoção, ouvindo os gritos da galera que ovacionava aquele momento, tive uma sensação única. Indescritível. Chegamos juntas, nos abraçamos, e eu fiquei muito mais feliz por ela do que por mim. Dificilmente esqueceremos desse dia. Um presente de Deus.

O final: só no sapatinho

Se tem algo que quebra as pernas é ter que fazer uma ultramaratona em 2 etapas. Sim, é mais fácil duma vez só. Pelo menos para mim. Você para, esfria, tem que saber o que comer pra não se estufar, mas ainda assim ter energia estocada. Os 42km antes dos 25km nessa Uphill (ano passado foi de forma inversa) foi bem melhor. Porém, mesmo assim, o troço é punk.

Num resumo tosco, posso dizer que fiz os últimos 25km do jeito que deu. Senti muita dor, estourei o tempo planejado….corri mal os últimos 10km. Mas foi o que deu. Rale-se. Cheguei lá em cima duas vezes, num feito que poucas mulheres no Brasil tem coragem de arriscar, quiçá completar – e olha que não falta mulher forte nesses pagos. Basta dizer que apenas 24 homens e oito mulheres concluíram essa pedreira – e eu fui uma delas. Com reclamar do desempenho? Não dá, né!

Na semana em que completei 41 anos de vida, agradeço a Deus pela oportunidade de viver isso na pele. Creio que nada é por acaso, e a corrida resume tudo o que acredito. E acredito, cada vez mais, em muitas coisas: em primeiro lugar, na paixão e no amor que colocamos naquilo que fazemos. Também tenho plena certeza que somos uma força descomunal da natureza. Creio na força da amizade. E que a mente comanda tudo: ela pode nos levar para lugares inimagináveis. Um dia desses li que “o impossível é só uma questão de opinião”. Fato!

A Serra do Rio do Rastro está lá para mostrar que somos nada diante de tamanha imponência das montanhas e do tamanho desse universo. A vida é um sopro, já diria Niemeyer. Eu mesma prefiro uma ventania! ((( :

Quero deixar aqui meus parabéns a todos que enfrentaram o desafio de subir aquela serpente, independentemente do tempo ou distância. É para poucos! Definitivamente!

Agradeço a todos pelo carinho. À equipe da organização da Mizuno Uphill Marathon, meus sinceros agradecimentos. Aos meus patrocinadores e apoiadores – Skechers Performance Brasil, NewMillen Suplementos e Authen Brasil -, um obrigada gigante.

Até logo, guerreiros de fé!

#ninjarunners

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TTT 2017: pra começar – e terminar bem

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Foto: Guto Oliveira/Transpire

Foto: Guto Oliveira/Transpire

Após um ano fora da Travessia Torres-Tramandaí (TTT), que ocorre no próximo final de semana nas areias do litoral norte gaúcho, cá estou eu, ansiosa para percorrer os intermináveis 82 quilômetros que separam os dois balneários. Com a experiência de ter ganho por 4 anos consecutivos e sendo recordista feminina dessa competição, me arrisco a rabiscar alguns conselhos para quem irá encarar nessa edição. São bastante genéricos, mas talvez sejam úteis, sobretudo aos novatos.

1) Organize-se. Como é uma prova realizada na beira da praia, não espere um “mu-muzinho”. Por melhor que esteja a areia, o vento, o clima, jamais será como correr na Beira-Rio. Caso consiga, trace um plano B com sua equipe no que diz respeito à hidratação e suplementação. São várias horas de envolvimento no evento. Leve comida, isotônico, água, Coca-Cola, gel, paçoca, damasco, castanhas, sanduba, enfim, tudo aquilo que você esteja acostumado a comer. Jamais fique muito tempo sem se alimentar. Ter combustível constante é tudo!

2) Não se afobe. Tenha foco, bom-humor e paciência. Não importa a distância que você irá percorrer. Se vai na categoria solo, em dupla, quarteto ou octeto. Nada se resolve em 10 minutinhos. Vá trilhando quilômetro a quilômetro com base naquilo que você treinou. Milagre não existe e ficar dando uma de Usain Bolt em pista de tatuíra não vai te levar a lugar nenhum. Aliás, a chance de você quebrar é imensa. Lembre que é APENAS uma prova e que não tem vida ou morte em jogo. Estamos aí pra competir, sim, mas saudavelmente.

3) Concentre-se no ambiente. E curta cada momento. Caso a previsão se confirme – tempo bom, com sol -, fique mais atento ainda. Como a TTT é realizada em pleno veraneio, num sabadão, a chance da praia estar lotada é enorme. Crianças correndo pra lá e pra cá, guarda-sóis, vendedores ambulantes, bêbados, enfim, a fauna e a flora em atividade intensa. Tente seguir uma linha reta, não ficar em zigue-zague, pois, além de correr mais, a chance de acidentes fica maior. Numa única direção, sua concentração fica maior. Analise o estado da areia – quanto mais solta e clara, mais desgaste, pois não há retorno de passada e o sol reflete, aumentando a temperatura. Confira se mais perto da água a situação não estará melhor – afinal, perto das ondas, a areia é mais escura e você sofre menos a ação do calor. Claro, tem dias que nessa faixa a areia está muito fofa, o que não favorece nada. Tudo é questão de uma análise da situação. Ahh! Importante: não se preocupe em molhar seu rico pezinho na água. Ficar saltitando pra desviar dos córregos e valas, comuns no nosso litoral, é erro comum: muita gente já travou a posterior ou teve lesões ao fazer isso. Meta a “pata” sem dó e toque ficha. Afinal, se não é pra se sujar, nada como um passeio no xópim!

4) Evoque o mantra “eu posso. eu consigo”. Dia desses, conversando com um amigo meu que estreará na categoria solo, perguntei por qual motivo ele “inventou de fazer essa merda”. Deixei ele falar. Nenhum dos motivos que ele citou bateram com aqueles que acredito. “Não, você deve querer fazer porque você pode. E porque você consegue”, falei. A maneira de pensar é que faz toda a diferença. Lembre que tudo está na mente. Correr como você nunca correu é uma questão muito mais mental do que física. É preciso treino, sim, porém quem te faz chegar lá e cruzar a linha de chegada chorando e rindo ao mesmo tempo é essa superação pessoal. A grande batalha é com você mesmo.

Desejo a todos uma excelente prova – e que a força esteja com você. Sempre!

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Nos vemos lá na Barra do Imbé/Tramanda! ( ;

 

 

 

 

 

 

 

 

Mountain Do 65K: relato de um desafio Insane

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O atleta Neemias Alves de Campos, ao meu lado, foi um dos atletas cascudos da categoria Insane

O atleta Neemias Alves de Campos, ao meu lado, foi um dos atletas cascudos da categoria Insane

Segunda-feira, dois dias após enfrentar uma prova pra lá de dura – a Mountain Do da Lagoa da Conceição -, trago, além do lindo trofelão de primeiro lugar na categoria solo feminina (Insane, 65km), uma bagagem enorme de experiências que tentarei descrever em poucas linhas a seguir.

Como é de se esperar, uma ultramaratona é coisa de doido. Correr mais de 40 quilômetros já é algo dificilmente compreensível mesmo para atletas de longa data. Imagine, agora, trilhar bem mais do que isso numa sequência de terrenos diferentes, que vão da areia fofa à lama, passando por atoleiros repletos de macegas, pedras, pedregulhos e rochas à beira-mar, dunas, trilhas estreitas e um montão de outros solos complicados de firmar o pé sem sentir um arrepio na espinha. Pois então.

Mountain Do na Ilha da Magia é, como definiu o diretor da prova, Euclides Neto (Kiko), uma série de “pegadinhas” sem fim. Quando larguei lá no Lagoa Iate Clube (LIC), na Lagoa da Conceição, às 7h de sábado, jamais pensei que encararia uma pauleira sem fim. Achei que era uma prova “gourmet”, daquelas feitas pra passear, apreciar a vista e – pra quem gosta – fazer selfie pra postar no Instagram. Aham. Vai nessa.

O primeiro trecho, super na buena, fui tocando a 4min30seg/km sem nenhuma dificuldade a mais, mesmo com algumas ladeiras – afinal, há um mês, havia feito 60 quilômetros na Serra do Rio do Rastro, além de ter feito vários treinos de qualidade preparatórios, focando muito na força e potência muscular, essenciais para trechos íngremes.

E fui tranquila. Mochila nas costas, lotada de rango. Hidratação 100%. Segundo trecho, começam as trilhas no meio do mato. Eu respiro fundo, não dou bola pro sol que começa a estourar na cachola. E taca-lhe pau.

No terceiro, quarto, quinto e sexto trecho, muita dor e sofrimento pela variação de terreno, o que exigiu muita energia, paciência e experiência dos atletas – sobretudo os ultramaratonistas, que fizeram sozinhos a prova, como eu. Mas estava firme e confiante. Nada grave a registrar. Minha mente estava tranquila. Senti que era uma competição que exigia parcimônia e estratégia. Nos postos de transição, parava, me alimentava legal, parando no máximo 2 minutos para não perder muito tempo.

Quando dava, descia o sarrafo. Quando não dava, segurava o pé e estudava como firmar os pés e mãos nas trilhas mais difíceis para não escorregar, cair e botar tudo a perder.

No quarto ou quinto trecho, já comecei a ser ultrapassada por alguns atletas que tomaram a dianteira nas demais categorias (octetos, duplas e quartetos), o que deu uma animada – afinal, correr totalmente sozinha em lugar desconhecido não é lá uma experiência muy agradável.

Nos dois últimos trechos, a surpresa Kinder Ovo nada feliz: não passava nunca. Aqueles 22 quilômetros finais foram de matar. Mais de 6 horas de prova num acelera/trava/pisa em falso/pula/sobe/desce pesavam nas costas, destruíam as pernas e acabavam com a paciência.

Um final inesquecível

Uffff.

Respirei fundo. Como havia me informado sobre o grau de dificuldade dos trechos anteriormente, fiquei fria. E pensei em acabar a prova sem perder o primeiro lugar, tomado desde o início. Não sabia quem vinha atrás – só tinha certeza de que deveria cumprir a missão com dignidade, sem fraquejar.

Só que a Lei de Murphy insiste em nos acompanhar.

Lá pelo quilômetro 54, vislumbro um trecho bonitão duns 100 metros no qual poderia correr. Viva!!! E acelerei, sem pensar duas vezes. O solo, coberto por folhas secas, encobriu uma raíz de árvore. Senti algo prender meu pé direito. E voei, esbelta e toda fia da mãe, naquela linda terra catarinense. Caí de queixo, bati o ombro esquerdo num pancadão violento. A mochila de hidratação que levava chegou a soltar das costas.

Daí que vem a parte louca: um senhorzinho que carregava umas sacolas vinha atrás e viu meu tombo. Eu lá, estatelada no chão, e o véinho me estende a mão. Eu numa sequência de “aiaiaiaiaiiaiaiaiaiaiaaaaaaaaaaaaaaai”, falando trocentos palavrões, com cãimbra generalizada até no fio do cabelo, e ele, sereno, tranquilo:

“Ei, levanta, moça! Foi nada não!”

E eu:

“Tô sangrando muito? Olha aqui, olha aqui!” (apontando pro meu queixo, minha mão, meu joelho).

O bicuíra-samurai sentencia:

“Nada não! Nada não! Vai firme que vem gente lá atrás querendo te pegar!”

Vai entender? O fia da mãe não deu a mínima bola. Sério. E, pensando agora, a atitude dele foi determinante. Se ele fizesse drama – e se eu fosse na onda -, capaz de desistir ali. Porque o tombo foi muito sério. Tanto que subi no pódio de tala, Tive que ir no hospital depois da prova, esperar 3 horas para fazer raio-X e ter certeza de que não havia quebrado a mão esquerda.

O que sei é que, naquela altura do campeonato, desistir não era opção válida.  Sabia que, nesse caso (não estava tonta, nem desidratada, com as pernas aguentando ainda), seria uma besteira. Como o tiozinho avaliou, com sua simplicidade. Ele viu que, se eu estava com forças pra mandar toda uma geração pro inferno, aguentaria o tranco.

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Trofelão na mão e sorriso no rosto

O final da história todo mundo sabe: cruzei a linha de chegada em primeira posição com um sorriso no rosto, emocionada e orgulhosa, muito  orgulhosa de mim mesma. De todos os 60 atletas que concluíram a prova na categoria individual (10 mulheres, 50 homens), fui a 14ª pessoa a chegar, atrás de 13 homens. Baita resultado!

Fico muito grata e emocionada pela oportunidade maravilhosa que Deus me deu de conseguir superar esse tipo de desafio com serenidade e brilho nos olhos.

Não sou corredora de trilha.

Não sou corredora de montanha nem de morro.

Não sou corredora de asfalto nem de pista.

Sou, única e simplesmente, uma apaixonada pela corrida – que, para mim, é a síntese mais perfeita do que é a vida.

Sem preconceitos, rótulos ou quaisquer frescuras.

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Um abraço e até a próxima!

 

Pódio das cinco primeiras colocadas na categoria solo - 65 km

Pódio das cinco primeiras colocadas na categoria solo – 65 km

 

 

 

 

De Chuí a Rio Grande: desafio de 227 km e 60 horas reúne feras das ultras

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No dia 12 de novembro, às 6hs, um evento terá largada na fronteira do Brasil com o Uruguai, na cidade do Chuí, a 525 quilômetros de Porto Alegre: trata-se da primeira edição da Cassino Ultra Race, uma arrojada corrida jamais realizada em solo gaúcho.

A ultramaratona – idealizada por Paulo Garcia, da Empresa Horizontes (sediada em Portugal), em conjunto com a médica e nutróloga gaúcha radicada no Rio de Janeiro Maria Vargas (referência nacional em corridas de aventura) – encerra na Barra de Rio Grande, totalizando exatos 227 quilômetros e 650 metros.

Os organizadores esperam “desafiar a capacidade de superação em ambientes extremos”. Segundo Garcia, a extensão de areia de Chuí até Rio Grande é mais desafiadora do que se possa imaginar.

- A diferença é que chamam de praia. E praia está associada ao ócio, ao prazer e ao descanso. Será bem ao contrário: solidão, muito vento e frio durante à noite são esperados. O sol escaldante também pode aparecer – resume.

Pontos de apoio serão fundamentais

Para enfrentar um ambiente tão desgastante, uma verdadeira missão de guerra será montada: a organização estima que serão mais de 100 competidores (entre eles, sul- americanos, norte-americanos e europeus, já que a prova dará créditos de 4 pontos para disputar a UTMB – Ultra Trail Mont Blanc, uma das mais desejadas do planeta). Ao todo, serão cinco pontos de apoio altamente equipados.

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- Nesses locais, a organização fornecerá tudo o que o atleta precisa. Alimentos sólidos e líquidos serão disponibilizados, além de um mega aparato médico e de um time de especialistas em corridas extremas. Um dos diferenciais é que nenhum participante precisará de apoio de terceiros.

Nomes de peso já confirmaram presença na Cassino Ultra Race, como o campeão da BR 135 em 2014 Oraldo Romualdo, Ana Luiza Matos e Delino Tomé (fera em competições de 24 e 48 horas), além dos rio-grandinos Marcos Rosa, Márcio Iasniewicz e o para-atleta montanhista Vladmi Virgilio.

Para mais informações, acesse www.cassinoultrarace.com

TTT 2015: porque eu não vou correr em 2016

Publicado por | Mente de corredor, Sem categoria | 49 Comentários

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Dizem que uma das sabedorias necessárias para qualquer atleta é planejar quais competições irá participar e, mais a longo prazo, qual o momento exato de sair de cena. Para profissionais (o que não é meu caso, e o da maioria), isso é mais difícil e doloroso. Fico imaginando a frustração de ter ido ao auge e, em função de lesões ou desgaste físico e também psicológico, ter que anunciar a aposentadoria.

No final de semana passado, quando corri pela quarta vez a Travessia Torres-Tramandaí (TTT) na categoria solo (82km pela beira da praia), pensei muito sobre isso. Conquistei um tetracampeonato bonito, sofri, chorei e me diveti para caramba. Porém, quando cheguei em casa e olhei para o troféu feioso de 1° lugar, cinzento e sem graça, me questionei se realmente valeu a pena tanto esforço.

Nessa e em outras competições realizadas no Rio Grande do Sul (e creio que o mesmo ocorre em outras regiões brasileiras), somos tratados como meros coadjuvantes em “festas promocionais” mal organizadas. Pagamos inscrições com valores altos, investimos em equipamentos, em toda infraestrutura para fazer bonito.

Treinamos feito doidos o ano inteiro. Ficamos ansiosos, abrimos mão de uma série de coisas para correr.

E o que ganhamos em troca?

Não estou tirando o mérito de quem cria e realiza tais eventos. Sei que dá trabalho. Mas é um negócio: e um negócio cada vez mais lucrativo. Hoje a corrida é o segundo esporte mais praticado do País. Do Oiapoque ao Chuí, milhares de corredores de todas as idades e classes sociais invadem as ruas com seus tênis coloridos e gastam uma babilônia de grana para alimentar esse “vício” do bem.

Mas a meu ver – e me corrijam se estiver errada -, nos contentamos com migalhas. No caso dum evento como a TTT, que reuniu mais de 2 mil corredores (que desembolsaram, cada um, 130 paus), as falhas ficaram evidentes e decepcionaram muita gente. Falando com colegas que correram a prova, foram apontadas uma série de problemas.

Eu percebi erros graves nos pontos de hidratação (como estava na dianteira, notei que o staff não conseguiu sequer oferecer água gelada em vários pontos, sobretudo após o meio-dia, após a plataforma de Atlântida), algo essencial e básico para todo ultramaratonista. O kit da prova, mais uma vez, decepcionou muita gente. E a premiação, então…sem comentários.

Após correr 82km em 7h44min, batendo o recorde da prova, ganhei um troféu igual a todos os demais (nada criativo e muito feio, no formato da bandeira do Rio Grande do Sul. Mais brochante, impossível). A impressão que tive é que foi feito sem um tesão. Muito, mas muito aquém da dimensão dada pelo público ao evento.

O que ganhei de premiação? Um boné.

Quando digo isso a leigos, que nada entendem de corrida, o espanto é geral. “Mas como pode? Não pode ser! Correr 82km e ganhar um boné! Como tu ainda vai nisso?”, me perguntaram ontem.

Eu não soube responder.

Será que o que vimos no último final semana no litoral não vale para uma reflexão?

O quanto estão valorizando quem se dedica tanto a esse esporte? Onde está o profissionalismo, a consideração com os atletas? Será que merecemos comer pão seco com queijo, quando merecemos (e pagamos para ter) um rango que tenha o sabor da superação, gostoso como um croissant quentinho?

É por essa e outras que, em 2016, decidi não correr mais essa competição e todas as demais que, ao meu ver, não primam pelo profissionalismo e deixam a desejar em vários aspectos.

Quer ver como funciona? Vá para qualquer evento esportivo na Europa e Estados Unidos ou, mais perto ainda, na Argentina.

Somos os principais personagens. E exigir qualidade não é ofensa ou crime. É nosso direito.

Espero que tenhamos uma evolução nos próximos anos, pois do jeito que as coisas andam, dá mais vontade de investir essa grana preta das inscrições em um bom vinho – pelo menos, o retorno é garantido.

 

 

 

TTT 2015: hidratação e suplementação na ultra

Publicado por | Nutrição esportiva | 2 Comentários

 

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Reta final para a décima primeira edição da Travessia Torres-Tramandaí (TTT), que rola nesse sábado nas areias do litoral norte. Os quase 82 quilômetros dessa ultramaratona são duros, sobretudo para quem irá enfrentar em duplas ou individualmente. Claro que não é fácil para ninguém, ainda mais para os estreantes.

Nessa altura do campeonato, o friozinho na barriga já começa a surgir. É hora de fazer o check-list e verificar se tudo está OK: equipamentos e hidratação/nutrição são os itens primordiais – até porque o treino já está feito, certo? (espero que a resposta seja positiva!)

O aporte calórico, ao meu ver, é um dos principais desafios para quem encara a TTT na categoria solo, na qual irei me aventurar pela quarta vez. Tenho uma estratégia bastante conservadora (uso carbogel, água de coco, frutas secas e suplementação hipercalórica/com diferentes tipos de carboidratos), e acredito que isso é algo muito pessoal, testado e aprovado em treinos.

Para aprofundar melhor o assunto, procurei ajuda da nutricionista e triatleta Débora Finger, que dá explicações e dicas valiosas para os corredores apaixonados pela aventura praiana.

Confira!

imagesYTIR7OP4 ”Os praticantes de corridas longas, ao aceitarem o desafio de uma ultramaratona, são constantemente advertidos quanto à relevância de uma estratégia correta de alimentação no dia da prova. De fato, quando falamos de corridas que ultrapassam a distância de uma maratona, a importância de acertar a alimentação é inevitavelmente maior.

A prova envolve 81,2km de corrida, na beira-mar, e o clima é sempre a maior incógnita. O cenário mais comum: um dia de sol escaldante! O do último ano: um dia de chuva e muito vento, que quebrou o pace de muita gente. Mas o que o isso tem a ver com a alimentação? Simples, quanto mais adversa for a situação climática, mais tempo o indivíduo vai demorar para completar a prova e consequentemente mais alimentos/suplementação serão necessários para manter o ritmo.

É descrito na literatura que, para atividades de endurance que durem mais de 2,5 horas, deve-se ingerir aproximadamente 90g de carboidrato por hora (sempre dando preferência a um mix de carboidratos, para que tenhamos múltiplos transportadores envolvidos).

Apesar de ser algo completamente elucidado na literatura, a vida real se mostra desafiadora e a aceitabilidade do atleta cria as regras do jogo. Mesmo sabendo que a suplementação deva ser quase que exclusivamente de carboidrato, chega um momento, que o carboidrato simplesmente “não desce mais”. E por esse motivo, entre alguns outros, o acompanhamento nutricional individual do atleta se mostra essencial desde o início da preparação. É necessário testar! E os testes devem ocorrer, obviamente, nos treinos que antecedem a prova. Jamais deve-se ingerir algo que não tenha sido previamente testado.

Conversando com diversos ultramaratonistas sobre as estratégias que eles utilizam nas suas provas, fica claro o quão pessoal/individual é essa questão. Para um atleta, o gel de carboidrato pode ser usado do início ao fim da prova; para outro ele só é tolerado até, aproximadamente, a primeira metade da prova. A experiência pessoal nos mostra que realizar uma prova longa tendo o carboidrato em gel como única fonte de energia geralmente não é eficaz. Dessa forma, tem gente que usa paçoca, frutas, barra de cereal, barra de proteína, frutas secas, mariola, oleaginosas… Água de coco, isotônico, água tônica, os relatos vão de 8 a 80. Cápsulas de sal também são muito utilizadas.

Na realidade, a expressiva perda de sódio pelo suor faz com que o corpo, fisiologicamente, procure por alimentos salgados. No entanto, a maioria dos alimentos ricos em carboidrato é doce. E essa é a maior reclamação de todo corredor: “Esse negócio é doce demais!”. Na tentativa de descobrir alimentos que sejam bem tolerados pelos atletas, vale de tudo e criatividade não tem limite.

O menu pode incluir a básica batata cozida com sal ou pode ter um ar mais inusitado: já ouvi relatos de gente comendo massa com atum ou sacolé de purê de batata (esse é sensacional, convenhamos). Tem aqueles que sentem vontade comer picolé (pode ser Kibon ou preferes Los Paleteros?); outros já me relataram que adorariam ter tido a oportunidade de comer um tomate com sal durante a prova. Tem aqueles que são super adeptos do mundo da suplementação! O Endurox – onde temos uma proporção clássica de 4g de carboidrato para 1g de proteína – é muito utilizado e divide opiniões entre os profissionais da área: sabe-se que a proteína tem função estrutural e é muito útil para reduzir dano muscular (e sim, dá saciedade), ao passo que o carboidrato tem função puramente energética. Será que utilizar a proteína nesse contexto é interessante considerando as propriedades básicas energéticas (reduzidas) desse nutriente?

Maltodextrina, waxy maize, glicodry são outras opções de carboidratos que podem ser diluídos em água. Nesse caso, as bebidas servem tanto para hidratar quanto para nutrir. O carboidrato é conhecido por ter uma absorção muito mais rápida, quando comparado à proteína ou à gordura. Quando adicionado à água e na concentração tida como ideal (6 – 8%), ele faz com que ela chegue mais rapidamente ao intestino, onde será finalmente absorvida. Alguns atletas dizem que depois de um certo ponto, só Coca-Cola e salgadinho resolvem.

Os corredores das antigas lembram bem que quando iniciaram no esporte, a literatura ainda não estava tão desenvolvida e a alimentação/suplementação se dava de modo empírico, na base do erro-acerto. Com o avanço das pesquisas, tanto na área de treinamento quanto de alimentação, e com o desenvolvimento de suplementos tudo se tornou um pouco mais fácil. Ainda assim, uma estratégia errada de alimentação, comer algo que não havia testado, exagerar na dose, ou simplesmente comer pouco ainda pode fazer com que o atleta abandone a prova mais cedo ou tenha que baixar o ritmo por algum desconforto abdominal.

imagesRL7FGZK0 O planejamento alimentar varia também de acordo com a logística da prova. O fato do atleta contar ou não com apoio durante o percurso muda totalmente a estratégia que será utilizada. Se tiver apoio, é possível montar um “cardápio” bem variado. E nesse caso, contar com diversas opções faz toda a diferença. Se não há apoio, o cardápio será mais restrito pois o corredor terá que carregar toda parafernália consigo durante o trajeto.

Fato é: não existe uma “receita de bolo” que funcione para todo mundo. Uma boa nutricionista será fundamental para planejar uma alimentação/suplementação que garanta o aporte necessário de energia e eletrólitos durante a prova, de forma que seja suficiente para que o atleta possa manter seu desempenho constante. Além disso, a profissional saberá como proceder nos dias que antecedem a competição, dias nos quais é importantíssimo ingerir uma alta quantidade de carboidrato a fim de garantir boas reservas de glicogênio muscular.  Resumo da ópera: não negligencie a alimentação em provas longas de corrida. Planejar o que se come é tão importante quanto estabelecer uma boa e eficaz rotina de treinamento”.

TTT 2015: preparando a mente

Publicado por | Mente de corredor | Um Comentário

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Quem acha que é preciso apenas pernas e pulmões fortes para encarar uma corrida na areia – sobretudo se essa corrida durar mais de quatro horas, caso da maioria que disputará a Travessia Torres-Tramandaí (TTT) no próximo dia 31 -, está muito, mas muito enganado. Minha convicção é de que os treinos são fundamentais, tanto físicos quanto mentais. E é dessa segunda parte (o condicionamento psicológico) do qual tratarei dessa vez.

Apesar de já ser “macaca-véia” no esporte, fui atrás de um corredor pra lá de gente-fina para discorrer a respeito do tema. Rafael Homem de Carvalho, psicólogo e consultor de empresas familiares, é um baita exemplo para muita gente: perdeu 42 quilos com a corrida e hoje, aos 40 anos, é um desses magrelos loucos fissurados por um dos esportes mais antigos da humanidade.

Pedi para ele escrever um texto, que reproduzo abaixo e creio que vem muito a calhar nesse momento de concentração pré-prova – e também para tantos outros momentos da vida.

Se quiserem saber mais sobre esse psicólogo-amigo-corredor, vale conferir o blog Vida Mais Saudável, que ele inaugurou há pouco para dividir suas ideias hiperbacanas.

Espero que gostem! Eu curti pacas! ( :

Quando os fantasmas se divertem

Rafa empolgadão na chegada da Mountain Do

Rafa empolgadão na chegada da Mountain Do

 

Ainda que de forma um tanto empírica, à medida em que passei a me dedicar mais aos treinos e provas de corrida, passei a procurar conciliar e aproximar os aspectos físicos e orgânicos de alguns fatores psicológicos. Diria que comecei a prestar mais atenção nas influências positivas e negativas da cabeça em relação ao corpo.

Ressalto que não sou especialista nem trabalho com psicologia do esporte, mas apesar disso, nos últimos dois anos tenho tido descobertas interessantes nas – aqui vem um primeiro aprendizado – “conversas”e “negociações” mente e corpo. E são muitas conversas que envolvem uma série de negociações.

Destacarei duas delas, sendo que a primeira foi quando treinava e me preparava para a maratona de Porto Alegre neste ano de 2014. A rotina e o volume de treinos para uma maratona são estressantes em dado momento e se tornam cansativos. Ainda mais para amadores como eu. E em um desses treinos comecei a ter uma perda de rendimento considerável. Notem que não se tratava de algo novo e diferente que fazia naquele momento. Pelo contrário. Já havia realizado em semanas anteriores treino semelhante e com nível de exigência mais forte. Terminei completamente exaurido e com uma sensação muito ruim de quase ter voltado pra estaca zero. Fui então examinar o que poderia ter havido. Me dei conta que durante quase todo o tempo em que fazia a série de tiros na pista, não conseguia deixar de pensar em um problema pessoal que teria que resolver no dia seguinte. Mas o interessante é que durante o treino, o tal problema ia e vinha, mas não me deixava. Me assombrando mesmo. E não fui capaz de perceber que o a ser feito não era tentar ignorar ou esquecer, mas encará-lo de outra forma.

O aprendizado aqui teve um custo, o do desgaste, mas serviu para que eu me preparasse para situações semelhantes que certamente surgiriam não só em treinos, como na própria maratona. Mas a diferença que eles, esses fantasmas já não me assombrariam mais como da primeira vez.

A segunda situação foi mais recente, quando com o término da temporada, direcionei o foco para os treinos para a TTT.

Dezembro é o mês que estamos envolvidos com uma série de eventos sociais e familiares, conclusões e início de novas etapas e ciclos, promessas com novos compromissos assumidos e retrospectivas. E foi justamente numa dessas que veio o segundo aprendizado.

Foi um treino de ritmo, onde para cada distância determinada um ritmo de velocidade pré determinado deveria ser feito. De novo, nada diferente ou acima do que já estava acostumado a fazer.

Lá pelas tantas, Gasômetro vai, Gasômetro vem, começo a perder ritmo. Mas perder feio. Surgem primeiras hipóteses de checagem: Estou bem hidratado? Sim.; Alimentado e suplementado? Ok.; Quente, úmido, vento contra ou a favor? Nada anormal. E a vontade de parar e ir embora só aumentava.

O que aconteceu? De forma não proposital, ao natural, comecei a relembrar de alguns fatos do meu ano. Uma breve retrospectiva. Especialmente das provas em que corri naquele percurso onde estava treinando. Mas assim como vieram uma série de lembranças agradáveis e bacanas, outras nem tanto também estavam nesse pacote. E se encarregaram de passar a assombrar o meu treino. O cansaço e o desgaste potencializam a presença destes pensamentos desagradáveis, sem dúvida alguma.

Os treinos para a TTT tendem a se intensificar passadas as festas de fim de ano. Não só treinos mas o foco na prova, a preocupação em ter um bom rendimento independente do nível, ainda mais que a grande maioria assume compromisso mútuo com parceiros e parceiras de equipe.

Focar numa prova como esta significa, além dos cuidados e preparação com o físico, estar com a mente tranquila. Tenho me policiado para não abrir espaço para que os fantasmas que habitam as nossas mentes festejem e se divirtam em cima dos nossos medos, angústias, preocupações e problemas. Afinal, humanos todos somos. E eles estão lá no aguardo de oportunidades para assumirem o comando.

A ideia é outra: que nos momentos dos treinos e das provas se esteja inteiro. Que se assuma o comando do início ao fim sem dar margem para outra coisa que não seja concluir e bem o que se planejou. Isto nos tornará e deixará com que fiquemos cada vez mais fortes e por consequência, com cada vez menos espaço para fantasmas e assombrações.

 

TTT 2015: dicas para duplas e solos

Publicado por | Caminho das pedras | Um Comentário
Luciano, de regata verde, é quem dá as dicas para os loucos de carteirinha

Luciano, de regata verde, é quem dá as dicas para os loucos de carteirinha

Nessas modalidades, o bicho pega de verdade. Se você é um dos “loucos” que vão encarar a Travessia Torres-Tramandaí (TTT) em dupla ou individualmente, há dicas valiosas que podem ser muito úteis nesse momento de preparação.

O educador físico Luciano D’Arriaga, treinador de corrida da Integra Pró-Saúde, fala com propriedade sobre o assunto, já que enfrentou o perrengue em várias modalidades e é um “rato” de areia – e estudioso empenhado no tema.

“Gostaria de alertar para uma questão importante que envolve os corredores de uma maneira geral. Já enfrentei provas com temperaturas elevadas, vento forte, areia “fofa” e a água do mar invadindo a praia, mas certamente a última edição foi a que mais causou desgaste entre os participantes. Coincidência ou não, foi nesta prova que realizei a minha pesquisa do mestrado com os

ultramaratonistas e acabei não correndo…alguns amigos disseram que tive muita sorte em fazer meu estudo nesta prova não precisando encarar as condições ambientais adversas apresentadas, detalhe importante…adoraria ter corrido!

Se você está inscrito e vai encarar esta prova, recomendo que tenha alguns cuidados antes de iniciar com os treinamentos.

O primeiro passo é procurar um médico do esporte para realizar uma avaliação prévia. Assim, será possível mensurar a sua capacidade cardiorrespiratória e, se possível, realizar um exame de sangue para analisar marcadores bioquímicos que podem indicar a presença de lesão muscular e fadiga.

Finalmente, com estas informações você deve procurar um educador físico especialista em corrida para planejar e organizar o seu treinamento, evitando com isso uma sobrecarga excessiva de exercícios”.

Seguem algumas orientações dadas pelo especialista:

Reta final

A preparação para a 11ª TTT está na reta final. A partir de agora, os corredores não terão mais tempo a perder e como disse o treinador Claiton Lenz no post anterior, “ devem priorizar treinos com qualidade!”.

Treinamento

Quem escolheu percorrer a prova em duplas deve ter bem definido a maneira como irá dividir os 82 quilômetros, pois o regulamento permite que os atletas percorram suas distâncias de maneira alternada ou de forma contínua. Porém, independente da escolha, o corredor deve estar preparado para resistir à fadiga em um esforço de longa duração.

Cada estratégia vai exigir uma metodologia de treinamento específica conforme o objetivo da equipe.

Os corredores solo (ultramaratonistas) devem ficar atentos com os volumes semanais de treinamento e especialmente com os treinos longos próximos a data da prova. Os excessos podem provocar sérias lesões no tecido muscular, causando fadiga e overtraining e, consequentemente, prejudicar o desempenho.

Apoio e logística

As duplas devem contar pelo menos com um carro de apoio, no qual poderão armazenar a sua hidratação, suplementação e equipamentos. Esse apoio deve ter conhecimento do mapa por onde os veículos deverão circular e dos locais onde haverá a troca do chip. Cada ultra tem a sua estratégia e está acostumado a correr de determinada maneira.

Porém, se você está programando apoio de bike, pense que ele pode não aguentar o percurso. Já tive essa experiência…

Enfim, faça a sua logística pensando em todas as possibilidades. Nunca sabemos o que nos espera.

Hidratação e suplementação

Se você nunca correu com mochila de hidratação nas costas, não deixe para experimentar no dia da prova, procure utilizá-la nos seus treinos longos. Os organizadores oferecem hidratação a cada 3 ou 4 km. Até a metade da manhã, parece ser bem tranquilo. Porém, próximo ao meio-dia, o calor aumenta e esta distância parece ser maior. Regra básica para todo corredor: “não deixe para utilizar suplementos novos no dia da prova”. Está pensando em fazer uso de algum gel ou barrinha diferente? Faça durante o seu treinamento, ok?

Outra dica é procurar a orientação de um nutricionista. Perdemos muitos nutrientes durante o treinamento e a prova,e um profissional capacitado certamente ajudará nesta questão.

Equipamentos

Roupas leves e tênis que está acostumado a utilizar nos treinamentos. Não recomendo trocar de calçado durante a prova, fiz isso uma vez…perdi tempo e nos primeiros 500 metros me deparei com muita água, mas cada um tem a sua preferência. Muito protetor solar, boné e óculos de sol, pois o reflexo na areia machuca os olhos.

Não esqueça da vaselina para evitar assadura. Quem já passou por isso jamais esquece!

 Psicológico

Por se tratar de uma corrida de longa duração, os participantes devem estar preparados psicologicamente para esforços prolongados onde deverão experimentar diferentes sensações e certamente terão que ultrapassar uma barreira para superar os seus limites.

Psicologicamente, a ansiedade é o maior inimigo do atleta e pode gerar problemas em relação ao ritmo de prova. Um treinamento tático adequado e a disciplina adquirida com esse treinamento colaboram para a conclusão da prova.

Assim, pode-se dizer que qualquer um pode fazer uma ultramaratona. Nem todos podem fazê-la rapidamente, mas é possível completá-la com uma preparação adequada e cruzar a linha de chegada com uma sensação de dever cumprido.

 

TTT 2015: dicas para enfrentar o desafio

Publicado por | Caminho das pedras | 3 Comentários

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31 de janeiro de 2015. Esta é a data para a 11ª edição da clássica Travessia Torres-Tramandaí (TTT), uma das mais cobiçadas provas de revezamento do Rio Grande do Sul e, para os ultramaratonistas, desafio obrigatório pelo menos uma vez na vida. Já corri três vezes a prova sozinha e uma em duplas, e em todas elas saí com um troféu de campeã. Achei que não iria enfrentar novamente o perrengue, mas quando vi, estava inscrita.

Para quem irá debutar na orla gaúcha nas distâncias menores – quartetos e octetos -, bem como quem for mais arrojado e se inscreveu em duplas ou na categoria solo, há dicas e macetes que poderão ajudar bastante e dar mais segurança para cruzar a linha de chegada exibindo aquele sorrisão. Irei mesclar algumas impressões e dar detalhes da minha experiência, porém contarei com a ajuda de professores de educação física experientes em montar planilhas de treino e, claro, que já enfiaram seus lindos pés na areia fofa que separa os dois balneários ao longo de seus 82 quilômetros.

Um deles é Luciano D’Arriaga, da Integra Pró-Saúde, ultramaratonista dos bons. O “Lu” tem no currículo provas de peso como a Patagônia Run 100km, já correu a TTT sozinho em menos de oito horas – tendo ficado entre os 10 primeiros -, ganhou o desafio 24 Horas na Esteira em 2013 e atualmente divulga os resultados de um estudo inédito com ultras presentes na edição de 2013 (inclusive, ele não correu para ficar tirando amostras de sangue dos atletas com seus colegas do mestrado). Outro é Claiton Lenz, do grupo Galgos, de Lajeado, maratonista sub-3h em Santiago 2014 e colaborador da revista Contra-Relógio.

Claro que haverá outros profissionais que serão consultados, mas para o início é isso. Peço que todos enviem suas dúvidas e comentários para que possamos enriquecer ao máximo essa troca de experiências.

A partir de amanhã, vocês poderão conferir dicas de treinamento aqui no blog Santa Corrida nesse período pré-TTT, primeiramente com foco nos quartetos e octetos. A ideia é otimizar ao máximo o tempo nesses três meses que faltam e dar todas as “barbadas” que só amigo dá!

Vamos nessa?

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