TTT 2015: preparando a mente

Publicado por | janeiro 11, 2015 | Mente de corredor | Um Comentário

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Quem acha que é preciso apenas pernas e pulmões fortes para encarar uma corrida na areia – sobretudo se essa corrida durar mais de quatro horas, caso da maioria que disputará a Travessia Torres-Tramandaí (TTT) no próximo dia 31 -, está muito, mas muito enganado. Minha convicção é de que os treinos são fundamentais, tanto físicos quanto mentais. E é dessa segunda parte (o condicionamento psicológico) do qual tratarei dessa vez.

Apesar de já ser “macaca-véia” no esporte, fui atrás de um corredor pra lá de gente-fina para discorrer a respeito do tema. Rafael Homem de Carvalho, psicólogo e consultor de empresas familiares, é um baita exemplo para muita gente: perdeu 42 quilos com a corrida e hoje, aos 40 anos, é um desses magrelos loucos fissurados por um dos esportes mais antigos da humanidade.

Pedi para ele escrever um texto, que reproduzo abaixo e creio que vem muito a calhar nesse momento de concentração pré-prova – e também para tantos outros momentos da vida.

Se quiserem saber mais sobre esse psicólogo-amigo-corredor, vale conferir o blog Vida Mais Saudável, que ele inaugurou há pouco para dividir suas ideias hiperbacanas.

Espero que gostem! Eu curti pacas! ( :

Quando os fantasmas se divertem

Rafa empolgadão na chegada da Mountain Do

Rafa empolgadão na chegada da Mountain Do

 

Ainda que de forma um tanto empírica, à medida em que passei a me dedicar mais aos treinos e provas de corrida, passei a procurar conciliar e aproximar os aspectos físicos e orgânicos de alguns fatores psicológicos. Diria que comecei a prestar mais atenção nas influências positivas e negativas da cabeça em relação ao corpo.

Ressalto que não sou especialista nem trabalho com psicologia do esporte, mas apesar disso, nos últimos dois anos tenho tido descobertas interessantes nas – aqui vem um primeiro aprendizado – “conversas”e “negociações” mente e corpo. E são muitas conversas que envolvem uma série de negociações.

Destacarei duas delas, sendo que a primeira foi quando treinava e me preparava para a maratona de Porto Alegre neste ano de 2014. A rotina e o volume de treinos para uma maratona são estressantes em dado momento e se tornam cansativos. Ainda mais para amadores como eu. E em um desses treinos comecei a ter uma perda de rendimento considerável. Notem que não se tratava de algo novo e diferente que fazia naquele momento. Pelo contrário. Já havia realizado em semanas anteriores treino semelhante e com nível de exigência mais forte. Terminei completamente exaurido e com uma sensação muito ruim de quase ter voltado pra estaca zero. Fui então examinar o que poderia ter havido. Me dei conta que durante quase todo o tempo em que fazia a série de tiros na pista, não conseguia deixar de pensar em um problema pessoal que teria que resolver no dia seguinte. Mas o interessante é que durante o treino, o tal problema ia e vinha, mas não me deixava. Me assombrando mesmo. E não fui capaz de perceber que o a ser feito não era tentar ignorar ou esquecer, mas encará-lo de outra forma.

O aprendizado aqui teve um custo, o do desgaste, mas serviu para que eu me preparasse para situações semelhantes que certamente surgiriam não só em treinos, como na própria maratona. Mas a diferença que eles, esses fantasmas já não me assombrariam mais como da primeira vez.

A segunda situação foi mais recente, quando com o término da temporada, direcionei o foco para os treinos para a TTT.

Dezembro é o mês que estamos envolvidos com uma série de eventos sociais e familiares, conclusões e início de novas etapas e ciclos, promessas com novos compromissos assumidos e retrospectivas. E foi justamente numa dessas que veio o segundo aprendizado.

Foi um treino de ritmo, onde para cada distância determinada um ritmo de velocidade pré determinado deveria ser feito. De novo, nada diferente ou acima do que já estava acostumado a fazer.

Lá pelas tantas, Gasômetro vai, Gasômetro vem, começo a perder ritmo. Mas perder feio. Surgem primeiras hipóteses de checagem: Estou bem hidratado? Sim.; Alimentado e suplementado? Ok.; Quente, úmido, vento contra ou a favor? Nada anormal. E a vontade de parar e ir embora só aumentava.

O que aconteceu? De forma não proposital, ao natural, comecei a relembrar de alguns fatos do meu ano. Uma breve retrospectiva. Especialmente das provas em que corri naquele percurso onde estava treinando. Mas assim como vieram uma série de lembranças agradáveis e bacanas, outras nem tanto também estavam nesse pacote. E se encarregaram de passar a assombrar o meu treino. O cansaço e o desgaste potencializam a presença destes pensamentos desagradáveis, sem dúvida alguma.

Os treinos para a TTT tendem a se intensificar passadas as festas de fim de ano. Não só treinos mas o foco na prova, a preocupação em ter um bom rendimento independente do nível, ainda mais que a grande maioria assume compromisso mútuo com parceiros e parceiras de equipe.

Focar numa prova como esta significa, além dos cuidados e preparação com o físico, estar com a mente tranquila. Tenho me policiado para não abrir espaço para que os fantasmas que habitam as nossas mentes festejem e se divirtam em cima dos nossos medos, angústias, preocupações e problemas. Afinal, humanos todos somos. E eles estão lá no aguardo de oportunidades para assumirem o comando.

A ideia é outra: que nos momentos dos treinos e das provas se esteja inteiro. Que se assuma o comando do início ao fim sem dar margem para outra coisa que não seja concluir e bem o que se planejou. Isto nos tornará e deixará com que fiquemos cada vez mais fortes e por consequência, com cada vez menos espaço para fantasmas e assombrações.

 

Um Comentário

  • Heron disse:

    Dani! Sintonia fina!
    Grato por compartilhares!
    Essa época de reinício de ciclo é bem assim mesmo!
    Conscientizar é o primeiro passo da grande maratona da vida ;)
    Boa sorte na TTT!