TTT 2017: quando tudo dá certo

Publicado por | janeiro 29, 2017 | Sem categoria | Nenhum Comentário

 

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Um dia após enfrentar pela quinta vez uma das provas mais cobiçadas do Sul do Brasil, a TTT – Travessia Torres-Tramandaí, resumo meu sentimento e impressões. Não tenho dose de narcisismo suficiente para focar apenas na conquista do meu pentacampeonato e recorde feminino da competição – pulverizado com 7h21min em 2017, 24 minutos abaixo do tempo anterior, que eu mesma cravei em 2015 (7h45min). Quero, mais do que enaltecer esse fato, explicar porque voto para que essa edição entre no rol das candidatas a predileta entre as 13 já realizadas na orla gaúcha. Os motivos são inúmeros.

Primeiro, marcou meu retorno à competição que mora no meu coração desde sempre. Em 2016, fiquei de fora, após tecer uma série de críticas logo após o tetracampeonato, em 2015. O texto, que você lê aqui, fala sobre o desprestígio aos atletas que se inscrevem para competir de verdade, e não apenas para confraternizar – embora seja esse o DNA da TTT, já que se trata de um evento focado no revezamento em equipes. Fiquei de fora, fui tratar da minha vida pessoal e profissional, e digo que o saldo foi extramente positivo. Afinal, dar um look geral e sentir o panorama de fora é válido – até para avaliar a importância do meu papel e de tantos outros fatores envolvidos – que incluem o tesão em participar novamente da prova.

Quem leu o texto com atenção percebe que coloco críticas bastante contundentes e que têm, em suma, a intenção de alertar os organizadores para uma melhoria na sua infra-estrutura. Felizmente, creio que as colocações colaboraram, de certa forma, para a correção das falhas, como kits mais elaborados, hidratação adequada, enfim. Escrevo português claro e para bom entendedores, não precisa desenhar.

Então. A notícia boa é que muitas dessas falhas foram corrigidas. Hidratação estava ótima. Água gelada, equipes envolvidas na distribuição (sobretudo os amigos da Girardi, Inspire, DaniVist, entre outros da Serra Gaúcha (que estão de parabéns pela iniciativa, idealizada pelo Clube de Corredores de Caxias), que mobilizaram equipes para ajudar da logística de hidratação e suporte durante o percurso). A premiação foi pontual. Os troféus ganharam um incremento. E acho muito bom premiar apenas os 5 primeiros na Geral, para agilizar e elevar o nível das categorias etárias. Enfim, o saldo foi muito positivo.

Agora, vamos a 2017: aaaah, que prova magnífica! Gente do Céu, que dia de gala! A ressaca que veio na quinta-feira, marcando os dias anteriores, deu uma tremidinha nas bases. O mar subiu, o vento estava Sul (que sopra em direção contrária a quem vem de Torres em direção a Tramandaí). Porém, Netuno, Iemanjá e todos os demais orixás, santos e previsões meteorológicas resolveram colaborar com a Nação Corredora. O céu estava aberto, mas na medida – com algumas nuvens nas primeiras horas da manhã, o que amenizou em grande parte a sensação de calor do verão gaúcho, bastante cruel nessa época do ano.

O amigo Fernando Falavigna Vianna clicou essa linda foto no amanhecer

O amigo Fernando Falavigna Vianna clicou essa linda foto no amanhecer

O solo estava uma pista de corrida. Areia firme, compacta. Enfim, um cenário ideal, daqueles raros, tecido sob encomenda para estraçalhar recordes. E foi o que se viu. O “monstro” Rodrigo Cardoso bateu o feito de Tiago Mello (falecido em 2016, nem acredito…) em 9 minutos. Logo após ele, chegou o queridão Niumar Velho e o fera Alexandre Mello. Todos com tempos fantásticos, impensáveis em dias de maré alta e areia fofa – sim, já enfrentei dias em que você chama a mamãe e ela não vem nunca!

Agora, vamos ao que interessa de verdade: fora os recordes, os tempos, os troféus, toda essa parafernália: o que mais impressionou foi o calor humano. A TTT 2017 bateu recorde em termos de prestígio, alegria e fraternidade na beira da praia. Nunca vi tanta gente aplaudir, vibrar, berrar o nome dos atletas – independente de seu preparo físico ou categoria. O povo realmente entrou no clima. Os quase 3 mil atletas inscritos deram uma lição de humanidade e solidariedade. Ajudei várias pessoas e fui ajudada – já que meu apoio teve que abandonar a areia lá no quilômetro 50, após estourar o pneu da bike.

Nos últimos dois quilômetros, fui empurrada por uma multidão que berrava meu nome. Sei lá donde. Mas vi até o Salva-Vidas pular da Guarita e esbravejar, de punho cerrado: “Vai lá, Guerreira!”. Tchê, me arrepio só de escrever.

Kadinho e Joana, uma dupla que resume o conceito de "parceria de fé"

Kadinho e Joana, uma dupla que resume o conceito de “parceria de fé”

Fiz, como sempre, amizades incríveis: o figura Vanderlei “Chumbinho” Zanotto, de Veranópolis, estreou em grande estilo na categoria ultra com menos de 7 horas (6h58min). Correu do meu lado mais de 25 quilômetros e me deixou embasbacada com sua simplicidade e humanidade. Vi meu parceirão Ricardo “Kadinho” Cruz de Oliveira concretizar o sonho da primeira TTT com lágrima nos olhos, abraçado na parceirona Joana Ott, que acordou às 3h da matina pra fazer apoio pro doido (imagina só! e ainda me fez um telefonema desejando boa sorte…).

Em suma: estou até agora extasiada com o turbilhão de emoções dessa 13ª TTT. Quero parabenizar, mais uma vez, todos que torceram, vibraram e colaboraram para tornar o litoral norte gaúcho um palco de recordes nesse final de semana. Cada vez mais, tenho certeza de que essa é a melhor celebração que existe. É democrática, ao ar livre, sem máscaras, amarras ou filtros. Não tem frescura, artimanhas ou anestesia. É a vida como ela é.

Linda, intensa e verdadeira.

Até a próxima!

Com carinho,

Dani

* terei que replicar a máxima dum amigo hiperbrincalhão que lançou a célebre frase: “Todo mundo tenta. Mas só a Dani é Peeeenta!”. ((((

* deixo aqui meu muito obrigado a todos que torceram, vibraram e berraram meu nome durante o percurso e me parabenizaram presencial e virtualmente. Sem palavras!

* gratidão pela confiança e apoio dos meus patrocinadores, a Skechers Performance – que desenvolve guidis maravilhosos como o GoRide5, tênis que usei em todas as conquistas da TTT. Vocês estão cada vez melhores! – e a NewMillen Suplementos, que fornece toda a minha suplementação. Afinal, não é só de aguinha e banana que se enfrenta uma monstruosidade dessas! O PowerDrink, o IronGel e o 4:1, todos da linha IronMan, foram meus companheiros em muitos treinos e ao longo das mais de 7 horas de prova nesse sábado. Novamente, reitero a importância do aporte calórico numa ultra, o X da questão!

 

 

 

 

 

 

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