TTT 2018: carta de uma veterana de guerra

Publicado por | janeiro 20, 2018 | Mente de corredor | Nenhum Comentário

 

Um lindo registro do amanhecer ao lado de outros "ultraloucos"

Um lindo registro do amanhecer ao lado de outros “ultraloucos”

Sábado que vem, a essa hora (perto das 20h), a esmagadora maioria dos atletas que enfrentarão a 14ª edição da Travessia Torres-Tramandaí (TTT) - uma das mais célebres provas de revezamento do Sul do Brasil – estará com um irritante sorriso no rosto, daqueles que só exibem aqueles que são adeptos da máxima “missão dada, missão cumprida”. Na peleia, quase 3 mil atletas dos mais diversos níveis de condicionamento, idades e perfis – dos iniciantes, recrutados para revezamentos em octetos e quartetos -, aos mais calejados, que enfrentam os 82 quilômetros na beira da praia em duplas e individualmente com sangue nos zóios, como é de praxe no evento esportivo mais disputado do verão gaúcho.

Será minha oitava participação na TTT. Venci 5 vezes solo, 1 vez em dupla, e fiz mais uma vez não sei há quanto tempo, em quarteto (quando achava aquilo tudo uma doidera, tipo gincana de colégio). Devo a essa competição meu pontapé inicial nas ultramaratonas. Nunca, jamais, imaginei estar no posto de recordista feminina da prova (com 7h21min, cravados ano passado), e hoje, aos 41 anos, ainda ter tesão de varar a imensa faixa litorânea, monótona e invariavelmente insalubre que separa as cidades de Torres, na divisa com Santa Catarina, com a Barra do Imbé, balneário onde veraneio há 3 décadas (sim, cruzo a chegada a 500 metros de casa, onde minha mamãe me espera com uma sopa de legumes que levanta até defunto). <3

E, afinal, o que posso dizer dessa doidêra toda? Dicas, curiosidades, o que tenho a declarar?

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Sou a prova viva, véia, seca, esturricada e toda fia da mãe (kkkkkkkkkkk) de que não há mágica nessa brincadeira toda. Tudo o que conquistei foi suado pra caramba, e fruto de anos e anos de treinamento incessante, um DNA favorável, um lastro respeitável no esporte desde muito cedo (já pratiquei de tudo um pouco, desde os 3 anos de idade) e, sobretudo – e é sobre isso que que quero focar -, de uma cabeça dura pra dedéu. A prática da resiliência (a arte de se ferrar, tomar pancada e seguir em pé) é o que me trouxe até aqui. Absoluta certeza.

Tenho receio de dar dicas genéricas. Até porque hoje, como profissional de Educação Física, tenho compromisso de incentivar a todos os que buscam ter uma vida longeva e consistente no esporte busquem orientação, já que cada organismo reage de forma distinta e o princípio da individualidade biológica deve ser respeitado.

…o que não me priva de dar um conselho que já me serviu muito na hora do aperto: não vamos nos acadelar. ((((:

“Você é uma mulher ou um verme?” às vezes é muito mais válido do que o famigerado e inútil “falta pouco!” (só se for pra você, desgraçado!). kkkkkkkk!!!!!!!!!!!!!!

No sábado, quando a coisa estiver russa, o urso sentar nas costas e aquele paredão desgraçado surgir na sua frente, lembre que no final é tudo alegria.

Desejo a todos uma excelente prova. Corram com paixão e alegria. Afinal, é por isso que estamos aqui, certo?

Quando cruzarem com a veterana de guerra que vos fala, tenham certeza que estou torcendo por cada um de vocês. De coração.

 

Até lá!

Um forte abraço!

(((( :

 

 

 

 

 

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