TTT 2019: e foi forte

Publicado por | janeiro 29, 2019 | Finish Line | Nenhum Comentário
Numa das passagens pelos postos de troca, ao lado do parceiro Ricardo Cruz “Cadinho”

O texto que escrevo a seguir é um teste para ver se consigo, em palavras, descrever o que foi a Travessia Torres-Tramandaí (TTT) 2019, um momento mágico e, sem dúvida, o mais emocionante de toda minha trajetória como pangaré-master. (((( :

A prova teve um sabor único: primeiramente, pela nomeação de “Madrinha” da prova, algo simbólico e alusivo a conquista de cinco das seis edições que disputei na categoria solo (82km).

Não sou de frescuragem nem dou muita bola para status de crachá… porém, não nego ter me sentido lisonjeada ao ser convidada pelo criador da TTT, Antônio João Freire (Janjão), para estrear em tal “cargo”, algo inédito nesse formato no Brasil. Isso porque, além de vender a imagem da prova de forma espontânea, me coloquei à disposição para correr grande parte do percurso sem chip, sem número, só com a vontade de ajudar e incentivar os atletas – sobretudo os novatos.

Porém, o cara lá de cima foi mais generoso.

Tudo o que previ ficou pequeno diante do que vivenciei nas mais de 8 horas que varei naquele sábado escaldante de verão – quando as temperaturas superaram os 35 graus e a sensação térmica…por baixo, beiravam os 45 graus. ((((( ; Nível Hard – quase estourando a tampa do radiador.

O cenário (nenhuma novidade no contexto histórico da TTT, já que é realizada no final de janeiro, na beira da praia…vai esperar o que?) era de um filme encomendado pela corredora-bicuíra aqui: céu azul, areia firme, pouco vento, amanhecendo…e mais de 3 mil pessoas vibrando e colorindo as areias do Litoral Norte gaúcho.

Embora tenha vencido tantas vezes e acreditando totalmente no princípio da meritocracia, não tinha bem certeza do que os participantes achariam do fato de eu figurar como uma atleta não-competitiva, low profile, que não está ali como “pipoca”, mas sim com o longa-metragem inteiro, o trailer, o refri e pra fechar um sorvetinho porque ninguém é de ferro. kkkkkk

Gente do Céu. Pelas barbas do profeta. O que vivi não está no mapa.

Lá no km 50 e lá vai pico, entre o Farol de Capão da Canoa e a Plataforma de Atlântida, quando puxei o trote de 6 km entre um ponto e outro, o clima era indescritível. Mal consegui ouvir a contagem regressiva para a relargada. Muitos querendo tirar fotos, galera dando risada. Abracei dezenas, ouvi palavras de carinho de tantos que perdi a conta…e ao longo dos mais de 67 km que corri das 6h30 da manhã até às 2h e pouco da tarde, indo e voltando, ajudando um aqui…outro ali…tive a certeza de ser uma criatura sortuda pra caramba.

Puxando o trote de 6km com mais de 2,5 mil pessoas na minha cola

Desde 26 de janeiro, quando ocorreu o evento no Litoral Norte, um filme não para de passar na minha cabeça. Digo que a ficha demorou a cair. Isso porque jamais imaginei receber o carinho que recebi de inúmeros atletas, dos mais novatos aos macacos-véios.

Não tenho palavras para definir tudo o que sinto.

Trocaria todos meus troféus e medalhas conquistados ao longo dessas duas décadas por esse sábado ensolarado. Sem pestanejar.

Lembro, ao pegar o microfone lá na tenda do trote, no final da minha fala…de abreviar as palavras e evitar olhar para a multidão que me ouvia para não desabar em choro.

Agora faço isso, ao terminar esse texto e agradecer, do fundo do meu coração, por tanto. <3

Obrigada. Obrigada e obrigada, nação corredora.

E até a próxima…porque nós gostamos é do que bate forte aqui no peito. Sempre!!!

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