TTT 2019: nós gostamos é do estrago

Publicado por | janeiro 24, 2019 | Mente de corredor | Um Comentário

A maior prova de revezamento desses pagos – a 15ª TTT, prestes a acontecer no dia 26 de janeiro na orla gaúcha – terá um gostinho especial para muitos atletas. Há aqueles que irão encarar pela primeira vez, em duplas, quartetos, octetos ou na categoria solo…e é para essa legião de corredores que eu dedico esse texto.

A Travessia Torres-Tramandaí tem um significado singular na minha breve e sofrida trajetória de pangaré master. Minha primeira experiência, em 2009, foi em dupla mista (cada um correndo 41km, metade dos 82km totais do percurso). Meu filho Francisco tinha um aninho de idade. Eu lá, sem muito treino, toda cheia de inseguranças, com duas maratonas nas costas…sem saber o que esperar. Porém, com muita gana de viver uma experiência única.

O destino – e o parceiro de dupla, é claro, o Luciano D’Arriaga, ultramaratonista de gabarito – foi generoso demais comigo. Faturamos o primeiro lugar, com pouco mais de 6 horas de peleia. E foi tão bacana que sentenciamos, na linha de chegada:

– Puta que lo pario! Ano que vem vamo solo!!!

Aí que eu me refiro. Como diz uma amiga de longa data, “Deus põe no mundo, a gente por si só se perde…e o diabo faz questão de nos juntar”. Ali estava decidido.

Ano seguinte, 2010, véspera de prova. O que esperar? Trabalhava várias horas na redação dum grande jornal como editora, tinha pouco tempo para treinar. Mesmo assim, dei um jeito. O treino era sagrado. Mesmo de madrugada ou no horário do almoço.

E sabe o que me motivou?

Não foi o ato quase hercúleo de vencer uma distância tão tosca a pé, na areia, em um ambiente insalubre e instável que me levou lá.

Minha gana era outra.

Era tirar aquela imagem da minha mente, antes de querer competir individualmente. Lembro bem. Todos acabados, com um semblante de exaustão…daquelas cenas de pós-guerra, lembrando autoflagelação. Pensei, com meus cadarços: “será que precisa ser assim? Eu acho que não. Que dá para chegar mantendo a decência, ou, ao mínimo, passando uma mensagem menos explícita do estrago que fazemos no nosso organismo ao correr dessa forma (mas isso eu deixo para outro post).

Dali pra diante, foi uma vitória. Duas, três. Quatro e cinco.

Pentacampeã.

Chega? Não.

Esse ano, vou estar lá novamente. E de uma forma bem diferente – e com uma missão bem mais nobre. A convite do Antônio “Janjão” João Freire, criador da prova há 15 anos atrás, serei a Madrinha da prova, posto inédito nesse formato no Brasil. Sairei às 6h30min lá de Torres, atrás de todos os 200 e tantos atletas solo, e irei acompanhar a galera até o Farol de Capão da Canoa, há 50km da largada. De lá, comandarei o trote (que voltou após anos sem a sua realização), quando cerca de 2 mil atletas estarão na minha cola, fazendo muita festa…e ahhhhhh….imagino a cena! Arrepiei aqui! ((( :

O resto? O resto é surpresa.

Porque o bacana da vida está exatamente no inesperado. No incomum, no fora da caixa. Se fosse fácil, não teria toda essa magia, charme e riqueza indescritíveis que só quem faz sabe e não pode ser descrito em palavras.

Desejo a todos uma prova nota mil.

A TTT 2019 será inesquecível.

Alguma dúvida?

Para mim, muitas. Mas bora tocar o barco, porque nós gostamos é do estrago.

Não percam, aqui, nesse mesmo bat blog, relato da experiência após a prova.

Um Comentário

  • Katia disse:

    Sabe quando uma prova combina perfeitamente com um corredor? Assim é tu e a TTT!!! Essa prova é a tua cara!!! Aproveita muito o teu sábado!! ❤️

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